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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A Nação vexada





Imagem do Kaos


Aviso os estômagos fracos de que, dadas as circunstâncias, este será um texto particularmente violento. Ressalvo ainda que, ao longo da nossa longa parceria, a imagem do Kaos, que irá ilustrar este bombardeio, é, pela primeira vez, uma imagem com a qual discordo, já que o defenestrado não deveria ser Passos Coelho, mas um outro, que brevemente trarei para a ribalta.
Recordo as palavras amargas de, se não me engano, Pinheiro Chagas, a referir-se ao Sr. D. Manuel, dizendo-lhe que "tinha nascido demasiado novo, num mundo demasiado velho".
No que a Passos Coelho se reporta, ficariam as minhas palavras, fundamentalmente análogas às anteriores: Passos Coelho surgiu, demasiado tarde, num cenário irremediavelmente condenado.

Hoje, dia 1 de dezembro, celebra-se, e costumava ser com tédio, uma vetusta data, em que Portugal, fruto das atrapalhações casamenteiras de casas dinásticas com declarados problemas de incesto e reprodução, foi parar nas mãos dos Habsburgos de Madrid, e por lá andou umas quantas décadas, atrelando o seu próprio declínio ao declínio dos Áustrias. Para quem não se lembre, uns ousados Portugueses, como aqueles que hoje se reuniram debaixo da varanda da Vergonha Republicana de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, decidiu um dia que, morte por morte, mais valia que morrêssemos a nossa sozinha, e atirou pela janela Miguel de Vasconcelos, antepassado da minha querida amiga Maria de Assis de Luna, a quem, "et pour cause", dedico este parágrafo.

Até aqui, a coisa cheirava àqueles arrojos de peitos cabeludos, capazes de cuspir no chão, e bater na mãe, mas tem a vertente bem mais patética de uma tal Luísa de Gusmão, que a anedota fez proferir uma duvidosa frase de "mais vale ser rainha um dia do que duquesa toda a vida", um mal nacional que depois se estendeu até Vitor Constâncio, Durão Barroso e à cadela ciosa Clara Ferreira Alves, entre muitos outros maus exemplos.

Entre sobressaltos, ao ponto de ser apagada do nosso calendário, a data foi-se esvaindo de sentido, até porque España é um bom amigo, que, aqui ao lado, nos tem dito, ao longo do processo de integração europeia, como é fácil partir ao mesmo tempo, e chegar miseravelmente tão distantes, e aqui vai outra saudação para um notável chefe de estado, o Sr. D. Juan Carlos de Bourbon, que mete num chinelo todas as ruínas humanas que foram assombrando o Palácio de Belém, com uma honrosa exceção, que já referirei.

Quando os franquistas tentaram, num derradeiro sobressalto de ombros, abolir a jovem democracia espanhola, o Rey dirigiu-se à Nação, aliás, às várias nações do seu Estado, e disse que condenava firmemente qualquer ação militar que colocasse em causa o novo regime. Toda a Ibéria lhe ficará, para sempre, grata pela nobreza e coragem desse gesto, e aqui vamos entrar na nossa "twilight zone", porque decorridas algumas décadas sobre esse feito notável, dia 30 de novembro, como em várias ocasiões dos tempos correntes, bem ao lado de España, um saloio, que nunca devia ter saído das vendas de cobertor, nos interiores algarvios, cobarde, medíocre e indigno do cargo que ocupa, não recebeu os militares silenciosos que, em massa, lhe vinham dizer que a Nação estava descontente, e foi para o Alentejo falar de abóboras (!), depois das vacas da Graciosa e do prazer da ordenha das tetas das ditas cujas, em atos anteriores.

Nada tenho contra as vacas. bem pelo contrário, acho que o cidadão Aníbal Cavaco Silva, num estado livre, deve invocar o exemplo da sua família e prole, para que, com tão augustas alegorias, o ignaro povo português se "induque". É a sua costela Teresa Guilherme, e até lhe fica bem, embora haja quem já esteja profundamente desagradado com a permanente ostentação da ordenha, como sucedeu na Escola Egas Moniz, onde a Patrícia, a mesma da Praia da Patrícia, na Zambujeira, e a da venda  das ações do BPN, teve de ser corrida, porque não havia evento nenhum académico onde a vitela não tivesse, de obrigatoriamente, ser incluída na comissão de honra, de onde se depreende que sai à vaca da mãe, no gene do protagonismo de sarjeta...

Tudo iria bem, até aqui, já que realmente não nos diz respeito que o Sr. Aníbal promova a felicidade dos seus quadrúpedes familiares, não fossem as tetas dos mesmos descarados implantes que o seu sistema de corrupção, vigente desde 1986 -- o tal que ainda, foda-se, queria nascer duas vezes, porra, caralho, puta que te pariu, mais a cona da tua mãe!... -- se incrustou, como gangrena, nas contas do Estado, ou seja, naquilo que nós, hoje, cidadãos de uma República em agonia, passámos oficialmente a pagar. Resumidamente, alimentar, com os cortes dos nossos salários, ataques aos subsídios, aumentos de IVA e o que ainda está para vir, e é MUITO pior, um bando de homicidas (Leonor Beleza), escroques (Mira Amaral), traficantes de armas (Dias Loureiro), ladrões (Cardoso e Cunha), pedófilos (Eurico de Melo), facínoras (Oliveira e Costa), grunhos (João de Deus Pinheiro), inimputáveis (Isaltino de Morais) e assassinos (Duarte Lima), entre tantos outros.

Vamos agora para a parte alegórica, onde tanto se encaixa o ternurento episódio das abóboras. Acontece que, em períodos de enorme turbulência, a evocação da abóbora é sempre prenúncio de tempestade próxima: com Bordallo Pinheiro, era a representação canónica do Rei Carlos, que acabou, algo injusta, e cobardemente, mal; "Cabeça de Abóbora", por seu lado, era a alcunha oficial de um paraoligofrénico, que fazia o mesmo papel do Cavaco, no Estado Novo: era reeleito, para fingir que estava lá, e a única prova de inteligência do corta-fitas, a de, consta, se rir imenso das anedotas que corriam sobre si, esgotava-se aí, sendo uma forma de tédio e do nível de indecoro a que chegara o mais alto cargo da hierarquia republicana.
Em redor de Américo Thomaz, e vou ter de ir consultar a Wikipédia... ah, sim, era casado com a "Dona Gertrudes", a Maria Cavaca dele, e procriado na Natália, dois nomes que, como a Patrícia e a Perpétua, nos afastam ostensivamente do séc. XXI, e nos atiram para os tempos empoeirados da Madame Bettancourt, do Largo da Misericórdia.

Começa-se a perceber por que rejeitei a figura do defenestrado, do Kaos.

O defenestrado a defenestrar é o descrito atrás, uma "coisa", em estado pré-catalético, que pensou que ser Presidente da República era mais uma simples linha a acrescentar ao seu currículo mediano, de quem chegou ao topo da base, e a mais não aspirava.
Acontece que, por inerência, essa Presidência da República, que continua a vexar, igualmente vexa o posto de Comandante Supremo das Forças Armadas, coisa de que se esqueceu, na sua miserável contabilidade de locatário da Quinta da Coelha, e ao vexar os militares, a quem, hoje, mais uma vez, cobardemente, virou as costas, para ir falar de abóboras, no Alentejo, vexa todo o Povo Português, e a Nação em que, para o bem e para o mal, se constituiu, no séc. XIII, e foi restaurado, no dia 1 de dezembro de 1640.

O que devem fazer as tropas, a um comandante que cobardemente lhes vira as costas?...

Para que o texto não seja sombrio, e haja um pouco de ciência, e de Matemática, a mãe de todos os conhecimentos, nestas graves linhas de acusação, basta ir ao bem organizado espaço da Comissão Nacional de Eleições, e fazer, como eu fiz, as contas: entre eleitores, com direito a voto, brancos, nulos, e naqueles que o rejeitaram liminarmente, votando no que quer que fosse, para recordar a "Sua Excelência", que ocupa a residência de Belém, que só lá está por vontade expressa de 10% (!) de Portugueses, contra o ódio, o asco e a saturação de 90% dos restantes.

Se estes números não lhe dizem nada, dizem a mim, que odeio contas, mas ainda percebo o sentido axiológico de certos números. Sr. Aníbal, neste momento, o senhor já não representa nada, nem a si mesmo, mas tão só um lúgubre episódio da sua biografia degenerada.

Sabemos que gosta pouco de se pronunciar, aliás, nunca se pronuncia sobre nada, a não ser vacas, anonas e abóboras. Gostaria de que se pronunciasse sobre ter um país inteiro a mandá-lo à merda, mas suponho que ande mais preocupado com os seus presépios deste mês.

Quer um conselho?

Saia, antes de que seja forçado a sair: as tropas que comanda têm o dever de salvaguardar o que ainda reste de dignidade nacional, e não estão aqui para garantir que os milhares de milhões que os seus amigos têm nos "off-shores" ,que nos desgraçaram, estejam fora das novas fronteiras que a Corrupção criou neste país. Nem isso são fronteiras, nem a instituição militar deve colaborar nessa desautorização de 900 anos de História.

Que os próximos tempos lhe sejam ferozmente aziagos, é o meu mais sincero desejo, e olhe que é sincero, porque o desprezo que por si nutro dura desde o primeiro dia em ouvi pronunciar o seu nome.
É ódio antigo, e daqueles que cresce na proporção exata da vingança que se quer servida em prato frio.

(Quarteto da Restauração, no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", e no "The Braganza Mothers")

terça-feira, 31 de maio de 2011

O Facebook de Cavaco



Imagem 10% do Kaos, o resto é meu...


Os antigos viviam mergulhados em profecias, augúrios e presságios. em delfos, a pitonisa, completamente drogada, soltava uns disparates do género dos de catroga, ou das sentenças das pontes de entre os rios e do isaltino de morais. em cumas, a sibila, viciada em despachar homens, mantinha debaixo do seu terror os barrigudos romanos e as devassas esposas, e decidia se os abortos iam ser, ou não ser clandestinos, ainda a palavra "referendo" não se aplicava aos úteros alheios. pior do que tudo, todavia, eram os mistérios de elêusis, onde só entravam os bilderbergers da altura, pagando balúrdios, numa cena mal ajeitada, que metia túneis escuros, a velha perséphone a aparecer, de repente, no meio dos lutos, de perna aberta, e a mostrar os grandes lábios. tinha espigas, anões e animais, uma coisa misto velasquéz da silva com goya e sade, e um pouco da beatificação da irmã clara do menino jesus. aparentemente toda a gente saía de lá convencida de que ia ser imortal, mas durava o mesmo do que os outros, ceifada pela gota, por tromboses, envenenamento pelo chumbo, cirroses e bactérias transmitidas por pepinos. o tempo passou, e a primeira igreja associou os oráculos à pior crendice, até que com o desenvolvimento das necessidades de financiamento do "bussiness", voltou a haver atrasadas mentais, geralmente acamadas, com o córtex frontal atrofiado, ou dadas a visões do tipo "oxi", "crack", ou "ecstasy", vendo solzinhos, e outras coisas piores, a dançar.

aparentemente, com o advento da idade tecnológica, no nosso caso, "uma cabeça-um magalhães", essas coisas tinham sido atiradas para um certo limbo da sarjeta, até que, nos dias mais recentes, nós que sempre fomos dados a descobertas extraordinárias, pelo menos, desde o fim da baixa idade média, "inventámos" uma coisa que era a presidência por palpites.
não é de estranhar o tique, num povo atavicamente dado a comentários de bancada, boatos, e anedotas corrosivas, sem qualquer graça, e destruidoras de reputações, como os anormais do eixo do mal ou os gatos fedorentos. nós sempre fomos dados a novidades, como quando o oligofrénico do pacheco pereira inventou o "abrupto" e não havia dia em que não houvesse um telejornal que não começasse com uma flatulência do neo maoista, até se perceber que aquilo não era nada, a não ser uma hipóstase de uma estação de tratamento de resíduos sólidos. cansados disso, e com a blogosfera nauseada de si mesma, depois de perceber que aqueles heróis da sombra, aqueles infatigáveis lutadores da independência, afinal, só estavam à espera de se pendurarem numa boleiazita do partido mais à mão, como a medíocre helena matos e o gordo do "blasfémias", que lá apareceram a fazer de túbaros das listas do psd, ou o remendeiro, a quem chamam... "escritor", francisco josé viegas, que também vai ser pau de cabeleira de um partido qualquer. se a coisa se espalha, também o "kaos" aparecerá como cabeça de lista do cds/pp, por viseu, e eu, como lugar elegível do partido dos animais, ou uma merdunça afim...

a miséria dos comentadores políticos tem sido, aliás, outros dos sintomas do declínio de fim de estação da agonia da III república, porque, para lá da cortina de ferro que proíbe, como um tabu, o emergir de novas caras e de novos discursos, leva a que já conheçamos, e reconheçamos, tudo, de cor e salteado. com o marcello, por exemplo, brilhante na oratória e nalguns raciocínios, eu ponho o cronómetro a contar até ao momento em que ele, dando voltas geniais a premissas inconciliáveis, lá soltará a sua fórmula canónica... "ter de votar no psd".
parece que já houve gente a chatear-se com isso, mas acho que perdem tempo, porque aquilo não é defeito, é feitio, e façam como eu, acompanhem o que é relevante e construtivo na sua retórica, e desliguem, mal suspeitem de que ele vai entrar na frase... "psd".
a constraça cunha e nhanha, outra das "horizontales", levantada pelo álcool e por um vergonhoso casamento com um homem que gosta tanto de mulheres como a senhora de mota amaral, ou o antónio vitorino, incapaz de brilhantes oratórias, e maneirinha como os flashes de coca do miguel sousa tavares, tem de incluir, em qualquer análise que faça, uma conclusão... "psd/cds/pp", e, como ela, há miríades, numa pirâmide decrescente de talento, como aquele luís não sei das quantas, ou, pior do que tudo, aquele roberto que passa horas a vomitar vazio sobre o vazio do futebol.
enfim, é para isso que são pagos, e cumprem, como podem, as suas corveias, mas vem tudo isto para dizer que voltámos às profecias, oráculos e prenúncios, mas de uma forma, como eça escreveria, "modernaça", e na ponta dos dedos de um gajo que nunca deverá ter usado um computador para mais do que para substituir as suas velhas "messa", com que escreveu, na declaração da pide, "perfeitamente integrado no regime", aliás, o seu verdadeiro milagre foi continuar a permanecer imutavelmente integrado num regime, que, historicamente, tinha sido pontapeado por uma revolução, mas, ou não percebeu, ou fingiu que não sabia, como é seu hábito. mais grave, ainda, ou não se pronuncia, porque ainda não é o momento próprio, ou as suas profecias são feitas no posto de primeiro magistrado da nação, onde 25% dos portugueses, entre esclerosados de placas, anquilosados, alzheimerizados, avêcizados, coxos, manetas, pernetas e dedetas, videntes e atrasados o puseram, no início deste anos, para enorme penar do restante do país.

Como já devem estar a perceber, estou a falar do sr. aníbal de boliqueime, que chegou a presidente da fase terminal da república, enchendo depósitos e vendendo frutos secos, e que já devia estar afastado da política, pelo menos, desde 1986, quando permitiu que o país fosse arruinado, ao ponto de chegar ao estado de pré bancarrota em que presentemente se encontra. para os esquecidos, vêm a "petite histoire", que, soubesse eu o que sei hoje, e tivesse a idade e a maturidade para o fazer, deveria ter feito e alertado, naquele bocal de denúncias anónimas, que a CEE tinha, e que passo a relatar: o dia em que o meu amigo CXXXX DXXXX foi demitido pelo cadastrado Mighà Amhâgàl do posto de diretor geral da indústria, com o seguinte argumento, aliás, melhor... com uma estranha escolha, "ou o sr. engenheiro fica, e faz a sua carreira, ou sai, porque, dado o seu perfil, sabemos que não poderá fechar os olhos a todas as coisas que vão acontecer a partir de agora..." obviamente que o cxxxx dxxxx se foi embora, e que as coisas estranhas começaram a acontecer. levei anos até perceber a enormidade e profundidade da coisa, mas suponho que todos o sabem hoje: era o sr. aníbal de boliqueime a dar, pela mão de um dos facínoras seu ministro, ordem plena para a desaparição dos fundos estruturais, desmantelamento da agricultura, mineração, indústria e pescas, transformando portugal nesta penosa coisa, uma nação exclusivamente importadora, e sem dinheiros para pagar agora o que importa para sobreviver.
nesse dia, alguém devia ter abatido, como um cão tinhoso, o sr. cavaco, mais a sua corte de ladrões, provincianos, pedófilos, escroques, ignorantes e retardados, que atiraram com isto tudo para detrás da grécia, que já não era país que, então, se recomendasse.
é, portanto, normal que, de cada vez que fecha uma empresa, para se comprar um novo ferrari, ou colocar o dinheiro safo da "falência", "lá fora", nós percebamos que isso vai contribuir para o crescer das dívidas, dos encargos, e do aperto do estado, porque estes despedidos não vão para as coutadas dos carrapatosos, dos zeinais bavas ou dos jardins gonçalves, mas ficam sempre na mão da caridade dos contribuintes, já que o chamado "privado" é bom, enquanto está na fase do lucro, e mal se torna incontrolável, "bêpêéna-se", e volta a integrar a brutal despesa do estado. é por isso que eu ando encantado com o fmi, quando diz que, até fim de agosto, vão ter de pôr um travão nas célebres "parcerias público-privadas", uma coisa tipicamente lusitana, onde os lucros, quando os há, zeinalbavam-se, e os prejuízos, quando são cada vez maiores, vão para o buraco do estado. portanto, quando se pergunta como, durante o declínio de sócrates, puderam os números passar de cósmicos a astronómicos é muito simples: criar um emprego, um mísero emprego, pode fortalecer uma nação; destruir um emprego, não só destrói o país como aumenta, para números incomportáveis, os mecanismos de almofadamento da situação. toda a máquina do estado é um sistema de burocracia e de governo, de suporte da saúde dos cidadãos, do ensino, da cultura e da previdência. quando nada existe por debaixo, e estamos a falar de máquina produtiva, era como terem cortado a máquina produtiva da alemanha, e deixado só os serviços de bem estar e administração: um belo dia, não haveria alemanha, mas só despesa, tal como aconteceu no portugal mutilado do sr. cavaco, ah, pois, claro que isto tem um dia em que estoura, e estourou agora, com o azar de ter a cara de sócrates, que nem me é simpático, e também sacou a sua parte, mas teve o azar de pagar a fatura histórica de muitos gajos que deveriam estar presos, depois de se terem abarbatado com a verdadeira parte do leão.

tudo isto já vocês sabem, e vai condicionar, draconiamente, as pessoas que vou penalizar, com o meu voto de 5 de junho, um dos melhores votos da minha vida, já que vou forçar os responsáveis pelas coisas a ficarem com o menino ao colo, por mais que isso lhes desagrade, porque a verdade é que, se fossemos um país e não uma história extraordinária, uma miserável fábula, para contar pelos corredores da europa, esse senhor aníbal nunca deveria ter voltado em 2005, e nunca deveria ter sido reeleito em 2011. trata-se de uma criatura nociva, um espetro alheio à modernidade, um gajo para quem a história não passou. cobarde, como em todos os momentos decisivos da nossa aventura, e que mandou, não ele, mas o dias loureiro, disparar sobre o povo que o toureava no garrafão da ponte, e que, depois, foi apeado, à força, cobarde, dizia eu, neste momento grave, em que precisávamos de uma figura forte, que, todas as semanas viesse apresentar sugestões, mediar soluções, fazer valer em todas as frentes do exterior o seu prestígio de primeira figura do estado, prefere ficar a emitir oráculos, no facebook, enquanto joga, farmer e outras merdas afins. nenhum estadista que tal nome merecesse, se esconderia por detrás destas novas máscaras de carnaval veneziano, quando é fundamental que alguém incuta força nas hostes. talvez isso explique a inesperada ressureição de sócrates, perante um povo sem apoio e apavorado. pior do que isso, a "coisa" presidencial nem deve saber o que seja o facebook, que, para ele, é equivalente à viatura blindada em que se fazia transformar, durante os 10 anos em que foi carrasco absoluto da ruína de portugal. alguém lho assoprou, e ele não se opôs, porque, no facebook não se lhe vêem as mãos transpiradas, nem aquela tendência para desmaiar, ter acidentes neurológicos,  ou mijar-se pelas pernas abaixo, coisa grave, que já levou a que tivesse sido aumentado o número de sanitários de corredor, no palácio de belém...
atrás do "seu" facebook, preenchido por aqueles gatos pingados da "servilusa", que custam ao estado mais do que a presidência dos estados unidos, as monarquias inglesa e española, enfim, toda aquela corte de goyas, que nos fazem temer o pior, e que vão preenchendo aquelas penosas linhas de profecias ultrapassadas, de palavrinhas cautelosas, e, sobretudo, de não comprometimento, não vá alguém assacar-lhe responsabilidades por aquele longo percurso, que conduziu ao total descrédito internacional deste país, e à sua próxima bancarrota.
bem pode pôr "gosto", por debaixo dos focinhos de leonor beleza, dias loureiro e duarte lima, que há multidões, em portugal, que, sempre que vêem essas aparições de um passado distante, sentem calafrios, e vontade de virar as costas. essa é, talvez, a pior das maleitas de passos coelho, um gajo que até poderia simpático, não tivesse aquela tendência para mudar de cor de cabelo todas as semanas, do louro ao caju, com odor de cabeleireiro de bairro. infelizmente, passos coelho tornou-se um peão menor do facebook do senhor aníbal, onde almas negras peroram sobre um passado velho de vinte anos, e um regime morto em 75.

não há facebook que torne novas velhas almas de fátima, nem aparições de 1917, e, muito menos, miguelismos, de quem já nem sequer sabe quem foi miguel.

bem pode ser moderno o facebook, que tudo o que medíocres assessores de cavaco lá vertem, em nome da abelha-mestra, só revela a sua atávica cobardia em dar a cara nos momentos cruciais da crise da nação. cavaco não foi, e nunca será, um motorista: cavaco é um inválido do banco de trás, um lastro que, depois de salazar nos ter feito perder meio século da nossa história, lhe vai acrescentar mais 20 anos de retardamento.
70 anos de atraso equivale a fazer penar um país quase um século, e isso é muito grave: acabou com fuzilamentos, na roménia, e matanças, no magreb. por cá, aníbal discute as roupinhas da irmã clara do menino jesus e saber se os seus poderes na ilha do pico poderão vir a afetar os seus fracos picos de poder.
o seu verdadeio facebook é ESTE e ESTE, toneladas de lixo visual, de onde se tirará o futuro álbum de horrores desta vergonhosa contemporaneidade.

gostaríamos de saber, não pelo facebook, mas olhos nos olhos, o que pensa cavaco do bpn, e o que vai fazer, quando não o conseguir privatizar em julho, e como vai explicar aos portugueses, em agosto, que as tais parcerias público-privadas mais não são do que os impostos de quem os paga a serem usados, não na educação, não na saúde, não na cultura nem no progresso nem no bem estar, mas nos prémios do bava, do vara e outros canalhas quejandos, de cujos nomes nem nunca ouvimos falar.
para mim, um radical desapaixonado, e que execro cavaco como nunca execrei ninguém, nem salazar, ler o facebook de cavaco está o nível das mensagens sórdidas de portas de sanitário, uns dias ligeiramente acima, outros, francamente abaixo. para isso, prefiro ir diretamente às fontes, e não acrescentar crédito a um penar tecnológico de uma mente de crendices, neurologicamente afetada e assumidamente pré-lógica.

que o dia 5 de junho lhe traga as piores surpresas, sr. aníbal.

(pentatlo do 5 de junho, no "arrebenta-sol", no "democracia em portugal", no "uma aventura sinistra", no "klandestino" e em "the braganza mothers", em pleno, e assumido, toque a rebate)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Carta aberta de Cavaco Silva, ao FMI, perdão, ao... FFfFFfFfEEEEEeeeeeeeFFFFfffff...





Nota: esta imagem de reposteiros NÃO É do Kaos

O meu nome é Aníbal Cavaco Silva, sou natural do Algarve, que é uma província do Sul de Portugal, e nasci em Poço de Boliqueime, embora, por razões de arranjo de bainhas, agora se chame, só, Boliqueime.

Eu sei que os senhores não me conhecem de lado nenhum, mas sou a pessoa que mais tempo esteve à frente dos destinos deste país, pelo que, depois de ouvida a minha esposa e as pessoas mais íntimas, que, graças a deus, nos rodeiam, resolvi escrever esta carta, a pedir-vos ajuda, para podermos, enquanto estado-nação mais antigo da Europa, manter-nos no Pelotão da Frente, sem pararmos o nosso "pügrèsso", por causa da crise.

Sou um cidadão apartidário, e nunca estive ligado, nem à Política, nem a qualquer regime, exceto o do Professor Doutor Oliveira Salazar -- cuja alma nosso senhor tenha em bom descanso -- no qual "estive integrado, não exercendo qualquer atividade política".

Como devem saber, Portugal está em grandes dificuldades financeiras, e já se encontra naquela fase crítica de ter de contrair novos empréstimos, para pagar os juros dos empréstimos antigos, pelo que gostaria de saber se nos podem ajudar.

A minha formação é em Finanças Públicas, pelo que agradeço que não me peçam muitos pormenores sobre as garantias que podemos dar: ouvi dizer que somos cerca de 10 000 000 de habitantes, entre nativos, degenerados, arraçados, ciganos, imigrantes, mulheres de mau porte, trazidas ilegalmente, e gente que se dedica a atividades contra a natureza, mas só estará recenseada, depois do Censos 2011 acabar.

Temos pouca agricultura, por que, quando eu era primeiro ministro, e timoneiro de Portugal, achei que devíamos "pügredir" noutras direções, e dei ordem ao meu ministro da época para vender o que tínhamos por 30 milhões de euros, o que acho que até não tem importância nesta carta, porque do que precisamos mesmo, neste momento, é de 9 000 milhões, para este ano, e, portanto, a agricultura não era mesmo importante.

Também dei ordens ao meu colega Mira Amaral para desmantelar as fábricas obsoletas que tínhamos, porque os países nossos vizinhos produziam coisas melhores e mais caras, como poderão verificar, nas faturas, se aceitarem o meu pedido de auxílio.

Deixámos de pescar, porque os Espanhóis faziam mais e melhor, e, neste momento, só colaboramos com a Galiza, na descarga de fardos de alucinogéneos, como poderão verificar nas noites escuras do Guincho.

Graças a deus, ainda temos algumas pessoas que sabem ler e escrever, mas agradecemos que a vossa resposta não seja muito complicada, porque achámos, como o Doutor Salazar, que quem lê muito pode começar a ter ideias subversivas, e seria muito mau para a estabilidade mundial que as pessoas começassem a estar agitadas no nosso país: não há "pügrèsso" com desordem.

Também não vos podemos dar os caminhos de ferro como garantia, porque o Dr. Ferreira do Amaral achava que as rodas guinchavam muito contra o metal, o que lhe fazia arrepios nos nervos, mas temos um bom sistema de estradas, desde que não se acelere nas curvas, e se evitem os buracos, porque houve muitas empresas a poupar na camada de desgaste, e isso vê-se muito agora, vinte anos passados.

Temos alguma cultura: Katia Guerreiro e Filipe La Feria apoiaram-me na minha candidatura, assim como o jovem Renato Seabra, que, todos, vos poderão dar referências sobre a elevação da minha pessoa.

Geralmente somos poupados e discretos. Temos uma instituição bancária que conseguiu sobreviver à grande turbulência do sistema financeiro, talvez por as suas ações não estarem cotadas na Bolsa, e as grandes operações serem feitas em "off-shores", como me ensinaram em Cambridge. Já devem ter ouvido falar: é o Banco Português de Negócios, que, em caso de aceitarem o nosso pedido de auxílio, até poderá funcionar como cofre de depósito dos vossos capitais de empréstimo. Como se trata da minha área, posso já adiantar alguns nomes de primeira linha, que tratariam de distribuir o dinheiro pelas zonas mais lesadas do nosso tecido financeiro: são pessoas de fama e renome internacional, de primeira água, como Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Jardim Gonçalves, Armando Vara, e, se for preciso, o Dr. Vítor Constâncio, que tão garbosamente nos está a representar na Alemanha.

Na poupança doméstica, posso ainda apresentar cartas de recomendação da Drª. Leonor Beleza, que faz parte do meu Conselho de Estado, mulher ímpar e previdente, que, já em 1986, achou que não se devia deitar sangue fora, porque havia muita gente a precisar dele, pelo Mundo. Também reciclámos hemodialisados, para obter alumínio, já que tínhamos fechado as nossas minas, para não prejudicarmos os grandes países exportadores. A nível familiar, eu tenho só duas reformas e um salário, enquanto a a minha senhora, que, se for preciso, também pode apresentar cartas de recomendação em como é séria, limpa e honrada, e vive com 800 € por mês, o que só lhe dá para pagar a modista, e a torna totalmente dependente dos meus dinheiros.

Os Portugueses acreditam em mim, porque sou um homem sério, honesto, que raramente tem dúvidas e nunca se engana, e que nunca permitiu que se fizesse mal a Portugal, e ainda menos aos que me rodeiam, pelo que agradecia que acreditassem mesmo na minha palavra, e nos pudessem, de alguma forma, ajudar.

Se for preciso dar mais garantias, também temos um santuário, em Fátima, que gera biliões na economia paralela, e que talvez vos possa interessar; a Amália está morta, mas em contrapartida, temos uma golden-share no Mourinho e no Cristiano Ronaldo, que vos poderá ser transferida, depois de telefonarmos aos senhores russos, turcos e sicilianos que os sustentam.
Também temos fronteiras abertas, para a passagem de substâncias, plutónio, e redes de colocação de desempregados no sistemas de segurança social dos países mais avançados, o que creio ser uma mais valia.

Para terminar, gostaria de vos lembrar que fomos heróis do mar e nobre povo, mas que, agora, só queríamos continuar a "pügredir", pelo que se esta carta puder servir de alguma coisa, tudo o que nos puderem mandar, dinheiro, roupas velhas, enlatados, será bem vindo. Temos ainda algum ouro, que ficou do tempo do Dr. Salazar, os Jerónimos e a Torre de Belém, e está-me a minha senhora ali a dizer, ao fundo, que, se for preciso, também temos muitas crianças, para redes internacionais, de senhores, mais velhos, interessados, desde que não seja para lhes tirarem os órgãos, porque a minha mulher acha isso muito feio e desumano, mas, se tiver de ser, para uma fase posterior, podemos falar disso, mas pessoalmente.

Espero que esta minha carta, que é escrita com o coração na mão e os comprimidos do Doutor Lobo Antunes debaixo da língua, seja lida e apreciada por vocês, com toda a ternura que merece. A Caridade é uma virtude cristã, que leva sempre a que os mais ricos estendam a mão aos mais pobres, embora nós cá achemos que isso é uma coisa que não cai muito bem, num povo com 900 anos de História.

Se precisarem de mais esclarecimento, podem contactar-me pelo meu Facebook, onde os meus assessores escrevem, porque a mão, infelizmente, já me treme muito. Se precisarem de mais algum esclarecimento, poderão também escrever para a Drª. Manuela Eanes, ou para o marido dela, que me deverá vir a suceder, quando eu estiver completamente incapacitado, ou, no Norte, para o Sr. Pinto da Costa, que continua a ser uma referência e uma marca mundial.

Agradecendo antecipadamente a ajuda

Boliqueime, 5 de abril de 2011

Aníbal de Deus Cavaco Silva

(Quarteto effffefefefeemizado, no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers") 

sábado, 11 de dezembro de 2010

As Cavakileaks, ou o Cabrão de Boliqueime VII





Imagem do Kaos




Há as Cavakileaks literais, que são os chiliques do Aníbal, e as Cavakileaks figuradas.

Enquanto o Professor Lobo Antunes conseguiu fazer esconder, durante cinco anos, que o Sr. Aníbal podia ter umas cavakileaks literais, durante um almoço, um discurso à Nação, ou uma receção oficial, já os Franceses, no tempo em que ainda havia Política, se tinham insurgido contra o cancro da próstata de Miterrand, coisa muito bem disfarçada, mas que era totalmente irrelevante, porque pode ter-se cancro da próstata e ocupar a cabeça do Estado, mas não se deve estar em estado de "sofrer uns ataques", quando se representa uma Nação. Mais não vou dizer, porque dia 25 de janeiro, como há cinco anos atrás, vou resolver a coisinha, bem à minha maneira, aliás, desta vez, de uma forma bem pior... :-)

As Cavakileaks figuradas, ao contrário das anteriores são muito mais graves, e fazem-me lembrar o Livro -- de maus costumes, como dizia o cabrão do Saramago -- de Génesis: no Princípio era o Cavaco, e a partir de aí, foi piorando.

As Wikileaks, coisa que anda na boca de toda a gente, que só agora acordou para a Realidade Real, regem-se pelos jatos de ruído. As Cavakileaks, pelo contrário, são uma longuíssima sucessão de silêncios, que marcará os anos mais críticos da nossa pequena aventura democrática. Eu explico: sempre que há um problema, o Sr. Aníbal fecha a boca, coisa que, nós, Portugueses que pensamos, até agradecemos, já que se trata de um problema de saúde pública evitar que se espalhem perdigotos em todas as direções, ou as babas de caracol, tão ao gosto da cosmética atual, se acumulem nos cantos da boca de uma criatura que se faz anunciar como "Presidente da República". Da República de Boliqueime, suponho eu.

Antes de Guterres ter fugido, quando percebeu que isto era uma jangada de pedra de pedófilos, uma fundação generalizada da fraude e da corrupção, guerreavam-se duas figuras com estatura nacional, o Sr. Aníbal, de Boliqueime, e o Sr. Soares, de Nafarros. A diferença era que o Sr. Aníbal, sempre que não abria a boca, jorravam disparates, que lesavam, para sempre, Portugal, lá fora e cá dentro, enquanto o Sr. de Nafarros, sempre que soltava um chorilho de bojardas, fazia o "lá fora" pensar duas vezes, antes de ousar meter o pé cá dentro.

Presentemente, o "Lá fora" não só meteu cá os pés como meteu tudo o que tinha à mão, de maneira que isto se assemelha mais ao laboratório e de ensaios de todas as barbaridades previstas no Tratado de Lisboa, melhor conhecido por Tratado de Bilderberg, do que a um país.

Cada vez que houve um BPN, o Sr. Aníbal fechou a boca em forma de cavakileaks.
Sempre que surge um BPP, o Sr. Aníbal fecha a boca em forma de cavakileaks.

As cavakileaks governaram ininterruptamente Portugal durante 10 anos, quando o senhor Torres Couto criavamas formações fictícias do mete-dinheiro-ao-bolso, e eram ilibado, aliás, como caducava o Processo Beleza, fortemente rodeado de cavakileaks.
Sempre que a Agricultura era desmantelada, e substituída por subsídios para comprar Land-Rovers e árvores de plástico, ou plantar eucaliptais, havia um enorme silêncio cavakileakal.
Quando os barcos de pesca recebiam ordem de abate, mais se pronunciavam as cavakileaks, de boca completamente fechada.
Era mau, assistir à destruição da Indústria, ao som das cavakileaks.
Quando Eurico de Melo, o Ministro da Defesa, era envolvido num escândalo de pedofilia, lá se silenciava mais uma cavakileak, e assim sempre foi, e assim sempre será, até ao consumar dos tempos.

Todos os silêncios do Aníbal são a longa narração da nossa ruína.

Depois de 15 anos de cavakileaks, Portugal está a beira da Bancarrota, por atos cometidos por, ou à sombra, desta criatura, mas da sua fossa de perdigotos só se ouve que "os Portugueses têm de ser mais exigentes".

Acredite que vou ser, no dia 15 de janeiro, em que me vou lembrar de uma vagabunda corcunda, a enfiar, como Calpúrnia fazia, com César, um bastão de marfim na boca, sempre que o Ditador tinha um ataque de epilepsia, e vou sobretudo, não votar naquele cavakileakeiro que esteve de boca fechado, no dia em que o facínora Dias Loureiro mandou, na Ponte, disparar sobre os Portugueses.

Será a minha cavakileak: sabotar, silenciosamente, a reeleição do Vacão de Boliqueime. De nada nos servirá, mas consola, pelo menos, para os próximos 5 anos, saber que serão os últimos em que ele poderá destruir Portugal, se lá chegarmos.
Poderemos, então, dizer que a nossa Democracia foi gangrenada durante meio salazarismo, por um pós salazarista, cavalikeado e azarado.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Le Roi se meurt, seguido de O Cabrão de Boliqueime IV





Imagem do Kaos


Há uma coisa extraordinária em Portugal, que é ter entrado na sua fase verista, no sentido estético que a palavra tinha, no meio operático de finais do séc. XIX. Havia uma gaja, ou um tenor histérico, que passavam horas no chão do palco, a berrar e a chorar que estavam mortos, ou iam morrer, e a coisa nunca mais avançava, até acabar em soluços ou dós de peito horizontais, e o público aplaudia, e gritava "Brava", como a falecida Amélia das Marmitas.

Em Portugal, ninguém aplaude nada, mas assiste-se a uma longa agonia, que parece emocional, mas não é, e eu vou passar a dissecá-la.

Nestas coisas das falências e das bancarrotas, temos de ser pragmáticos, ou há, ou não há, não pode haver um ir havendo, ou um ir adiando, consoante o sabor das conveniência, e é no sabor das conveniências que reside a chave deste misérable miracle.

A primeira é antiga, e vem das últimas Legislativas: um Governo que faz tudo para não governar, e que ensaia tudo para ser derrubado, mas não pode ser derrubado, porque só uma Oposição que estivesse em delírio é que quereria assumir as rédeas de um estado de coisas, começado em 1985, pelo carrasco da Pátria, Aníbal Cavaco Silva, e consumado pelo coveiro do Estado, José Sócrates.

A segunda achava que era mais subtil, mas não é, é uma evidência ao nível das feiras de ciganos do Algarve interior: um saloio estrangeiro (o Reyno dos Algarves era dos Algarves e não o Reyno de Portugal...), vindo das berças, que quer, à viva força, inscrever um segundo mandato, na sequência do miserável mandato em que foi Presidente de uma instituição moribunda, a "República" Portuguesa. Esse homem chama-se Cavaco Silva, e é simultaneamente causa e efeito do presente estado de coisas.

A terceira é ainda mais espantosa, porque se insere num dominó de causalidades que só poderia ser possível num país que abandonou a realidade e está em pleno delírio, que é saber que já não há Governo, e estar à espera da reeleição de um traumatizado neurológico, que só se mantém em pé com as injeções do Dr. Lobo Antunes, para poder dissolver a Assembleia e criar um pântano dentro de outro pântano, porque, quando as pessoas perceberem o que se está a desenhar neste bastidores dignos do "Fontória", o Gajo de Vilar de Maçada voltará, com uma maioria de 20 votos, sobre o Penteadinho das "Doce", e a coisa ainda se deteriorará mais.

Eu sei que isto é extraordinário, e é isso que os Mercados, ou seja lá o que for, diariamente pensam do assunto: ninguém apoiará um país que está embriagado, e que pensa que os outros são parvos: o Mercado Financeiro está-se borrifando para que tenhamos um saloio como Presidente da República, e um aldrabão como Primeiro Ministro, porque os sinais fortes de que queríamos mudar era pôr ambos na rua, e o mais depressa possível. Acontece que o primeiro quer mais cinco anos de decomposição e mumificação, e o segundo está a beneficiar largamente deste trauma salazarista do Manequim da Rua dos Fanqueiros.

As alternativas são piores, com um tal de Alegre a dizer que quer só um mandatozito, para acrescentar uma linha no seu currículo suspeito, e um Passos Coelho a dizer que, mal se apanhasse com as rédeas do Poder na mão, faria, ao extremo, tudo o que Sócrates e a sua corja nunca se atreveram a fazer. Como é evidente, um país massacrado até ao tutano, fugirá para onde lhe morderem menos, o que prova que Coelho está a cometer o maior erro da sua vida, mas isso é problema dele, não meu, que continuo a dar razão à "Velha", à "Bruxa" -- como está nas escutas inválidas (?) do "Face Oculta" -- e que achava que isto estava num estado tal que só lá ia com uma suspensão da Democracia durante seis meses. Dado o estado da coisa, iriam ser longos seis meses, com tribunais marciais, e coisas afins, mas isto sou eu já pôr acrescentos na boca do que Manuela Ferreira Leite nunca disse.

O Chico, do PCP, anda eufórico, e com razão, mas isso é irrelevante, porque décadas de BPNs, de Varas, de Fernandos Gomes, de Ferreiras e Miras Amarais, de Paulos Pedrosos e de toda a gentalha que minou o Estado e a sua credibilidade nos levaram a um estado de vexame mundial, que as televisões e os comentadores, a soldo, bem tentam iludir, mas não vale a pena, porque desta, é mesmo desta, e talvez seja o tempo oportuno, se o ser desta corresponder a uma limpeza desta escumalha, que nos fez perder a face, a carne e, agora, também os ossos.

Para mim, que há muito defendo a criação de um Partido Radical, com um ideário supraideológico, e baseado num pragmatismo do Sensato, e iluminado por um sistema de valores utópicos, só peço que virem rapidamente as páginas, mas não como eles querem: a mais importante é vexar Cavaco nas urnas, já em janeiro; a segunda, ver o que sobra, depois de Cavaco, e tentar perceber se Sócrates, um extraordinário sobrevivente, ainda está dotado de algum sentido para assumir qualquer pós cavaquismo, ou se temos mesmo de ir para um governo de salvação nacional, que, a ser coerente, não deveria incluir nenhuma das tendências políticas que arruinou Portugal, desde que Cavaco surgiu em cena, em 1985. Vão-me dizer que estou louco, e estou, mas o país ainda está pior: só um cego é que não viu que as pretensas negociações em redor de um Orçamento não passaram de ajustes nominais, para ver como se podia fingir que se dava a volta à coisa, sem mexer em nenhum dos privilégios dos boys do Centrão, instalados ao longo de décadas, mais os boys dos arredores, e com o zé povinho a pagar os Mexias, os Zeinais Bavas, os Varas, os Fernandos Gomes e outros suínos da mesma espécie, fingindo-se que o BPN, o banco da maltosa mafiosa, em qualquer outro país do mundo, não passaria de mais um escombro falido, a gangrenar o tecido financeiro do Estado, e que devia ter sido imediatamente fechado, mal colapsou.

Volto a lembrar que as bancarrotas, ou as há, ou são ficção. Se podem ser proteladas, até à reeleição do Vacão de Bolqueime, então, proponho que sejam proteladas sine diae, e deixe de se falar disso. Os melhores países, como a Bélgica, conseguem estar meses sem Governo. Eu ia para uma coisa ainda mais suave e distensora: correr com o Cavaco e com o Governo, e deixar a Assembleia legislar. Podiam nomear um Diretor Geral, para ir aplicando as coisas, e deixar o povinho descansado, porque o que paira no ambiente é que, num dia destes, e não muito longínquo, um destes cabrões, que nos arruinou, ainda apanha com um tiro, ou coisa parecida, nos cornos.

Seria, à sua brutal maneira, estimulante.

(Pentatlo da Bancarrota, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma Aventura Sinistra", e no "The Braganza Mothers")