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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

La Bella Italia





Imagem do Kaos


A Itália é um país muito bonito, mas  como não há almoços grátis, assim como a Grécia foi o berço da Democracia, já a Itália, ou os selvagens que a habitavam, antes do período terminal das putas de Berlusconi, se pode afirmar, sem grande erro, ter sido o berço das... imparidades.

Eu sei que há muita gente carente de cultura, e não é preciso estar na "Casa dos Segredos", onde a Teresa Guilherme enfarda, com processos condenados por todas as ligas protetoras dos animais, do mundo inteiro, o "fois gras" que, depois, a vai montar, para se saber que o Português comum desconhece, por exemplo, quem foi Quasimodo, não o de Nôtre Dame, mas um dos "Nòbele" da Literatura de Itália, tão inútil para a História da Literatura como Saramago o será, dentro de 20 anos, entre nós. E, assim, havendo gente carente de cultura, talvez seja bom recordar que a Itália, ou os cafres que antes a habitavam, foram acumulando dívidas, sei lá, eventualmente, desde os Etruscos, que foram os últimos que tiveram as contas em dia, depois do regabofe que foi a Grande Grécia, onde os inventores do Número de Ouro e da Filsosofia iam fazer todas as porcalhonices que não podiam fazer nas terras deles.

Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento financeiro e cultura clássica sabe que Júlio César vivia crivado de dívidas, que Augusto, para deixar uma cidade de mármore onde havia uns barracos de tijolo, fez tudo a crédito, que Calígula nunca pagou as suas orgias, nem Nero chegou a cumprir o seu empréstimo a 50 anos, para construir a Casa Áurea, que Vespasiano e Tito nunca saldaram o Coliseu, que Trajano falsificou moeda para pagar o Fórum, tal como Caracala deixou as Termas penhoradas, que Heliogábalo, e as suas putas de família, sempre viveram muito acima das suas posses, que os saques dos Bárbaros nunca permitiram a reestruturação e requalificação do enorme Intendente em que aquilo tudo se tinha tornado, e que toda a Idade Média foi penosamente assim, até os juros atingirem patamares astronómicos, quando Alexandre VI teve de pôr a filha a render, e a sacar dinheiro aos gajos com quem se ia casando, e São Pedro foi paga com as indulgências, que eram tão indulgentes que até davam direito a ilibar de pecado quem tivesse sonhado estar a comer a Virgem Maria, em direto, e outros mimos, que nunca passaram pela cabeça do séquito de pedófilos e sodomitas que Benedito XVI protege, e, por aí fora, passando pela Roma de Mussolini, os calotes do Partido Democrata Cristão, a falência do Banco do Vaticano, até culminarem neste novo Tibério, um palhaço que entretinha Bettys Grafsteins em cruzeiros de luxo duvidoso, e acabou, num percurso misto de Armando Vara com Pinto da Costa, por ficar a imperar na Itália mais corrupta de sempre.
Tudo isto para dizer que o FMI, que agora lá chegou, quando começar a levantar o lençol de milhares de anos de dívidas, vai achar que a Grécia é um pequeno conto de Hans Christian Andersen, ao pé da pesada herança de Berlusconi.

Quando me dizem que o porcalhão se vai embora, a coisa deve estar deveras negra, porque ele sabe que, mal perca a imunidade parlamentar lhe vai acontecer uma kadafização em feio, porque os Italianos não são cornos mansos, como os Portugueses, e, há milénios que matam, e por muito menos.

Em síntese, o Caneco Americano, que o reles e indecente Cavaco Silva, uma das almas mais cobardes que se atreveu a chefiar a ruína lusitana -- o tal que andava em viatura blindada, coisa que Salazar, que tinha muito mais que temer, nunca fez~... -- agora se decidiu ir visitar, conseguiu... enfim, não conseguiu nada, porque o nível de estupidez desse só é comparável com o do Bush filho, enfim, as sombras que estão por detrás dele, finalmente estão a conseguir duas coisas, a primeira, fazer tremer a moeda que estava a fazer tremer o dólar, e, segundo, agora que a América se prepara para mergulhar no seu Fascismo, querer levar atrás o único sonho iluminista do séc. XX, a Europa.

A esta hora, o Aníbal de Boliqueime está a brincar aos martelinhos, na ONU, enquanto a sua boca da servidão deve estar a assistir a um dos espetáculos da Broadway, possivelmente, na mesma poltrona onde o Renato Seabra sentou, pela última vez, o cuzinho molhado dos vírus da minhoca invertebrada do defunto Carlos Castro, que o Demo tenha.
Aparentemente, tudo isto é cultura, mas a verdade não é essa, a verdade é que tudo isto, os robalos, o pão de ló, a paz podre, as vacas da Graciosa, as sucessivas prescrições, os sorrisos de gozo e impunidade de todos os facínoras que passam na televisão, os esgares do isaltino, os banqueiros sem pátria, os bragas de macedo, os penedos, os "habeas corpus" dos duartes limas, os filhos da puta dos comentadores, que põem aquelas poses de sapiência à henrique santana, e nos vêm dizer que é normal que o país esteja destruído, por trinta e tal anos de pilhagem sistemática, feita por eles próprios, cheiram, mas muito, àquela efémera alegria e calorzinho de conversas em família que anunciou ou derradeiros dias de Marcelo Caetano.

Cavaco Silva, um cobarde, repito, que transpira das mãos execravelmente, e tem pavor das multidões, sobretudo das multidões armadas com chuços, e mandou os capangas do Dias Loureiro disparar sobre os populares da Ponte, já se pirou para Nova Iorque, e de lá irá para a Califórnia, para a Maria poder satisfazer um dos seus caprichos, que é apalpar as musculações flácidas de Schwarzenegger, que outrora fizeram glória nos ginásios gay, onde os Judeus que gostavam da fruta o tiraram da indústria pornográfica austríaca, para incluir na indústria pornográfica de Hollywood, tal como o James Dean, o "cinzeiro humano", e, depois, levar ainda a uma pornografia extrema, que é a de ser governador da sexta maior economia falida do Mundo, uma imparidade só comparável com a Itália, mas com "mármeres" falsos. A Maria quer apalpá-lo, para ver se aquele grelinho mirrado ainda é capaz de sofrer uma derradeira descarga de adrenalina, embora ela o vá apalpar com a mesma fé com que agitou, no Estádio Nacional, o lencinho à Beata Maria Clara do Menino Jesus, que também gostava, e bem, deles grandes e grossos.
Oh, yes!...
O problema pode estar, e está, em que essa pretensa visita de Estado, que não é mais do que uma das suas permanentes formas de ainda envergonhar mais Portugal no estrangeiro, vai coincidir com o fim de semana em que os militares, o garante da dignidade nacional, fartos, como o resto da população, deste permanente vexame diário, nos obriguem a levar a sério as palavras de Otelo Saraiva de Carvalho, cujas culpas no cartório são mais do que muitas, pois são, mas não deve estar nada, mas mesmo nada, como tantos da geração dele, para engolir um cagalhão, com a dimensão que o sistema de corrupção atual alcançou.

A "visita de Estado" à América, é, portanto, mais uma vez o Supremo Chefe das Forças Armadas que, cobardemente, não estará no País, para receber aqueles que querem, disciplinada, mas friamente, perguntar-lhe o que pensa disto tudo.

Lá longe, na Califórnia, suponho que lhes dissesse, como é costume, que não era a altura certa para se pronunciar, o que, esperemos, os leve a que eles, já que o patrão não fala, se vejam obrigados a falar por ele.

10 000 000 de Portugueses, sinceramente, agradeciam...

(Quarteto da calmaria que sempre antecede a tempestade, no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cortar salários, ou cortar cabeças?...





Imagem do Kaos


É sempre bom, quando as coisas se tornam claras. Ontem, o Sr. Sócrates, conhecido por "Engenheiro", o que, em Portugal, é sempre uma prova de parolice e subserviência, como o clássico "Sr. Doutor", da puta que o pariu, veio provar que era, de facto, um mero fantoche, ao serviço de grandes dinâmicas mundiais, nas quais, para todos os efeitos, já não temos lugar, a não ser como capachos, dobradiças e caixotes de lixo. É bom que se saiba isso, e é quase indiferente que seja o seu nariz de batata, travestido de Armanis, a dar-nos a boa nova. Para os entendidos, a boa nova já era muito velha, só estava à espera de uma balda para poder aparecer.

Aparentemente, passámos de um destino de navegadores a clientes de segunda de alfaiatarias, uma, dos anos 50, da Rua dos Fanqueiros, outra, ainda mais miserável, de um gajo "licenciado" nas Novas Oportunidades, que se deslumbra com tecidos que lhe assentam francamente mal.

Vou ser breve, e introduzir já a frase com que se deverá concluir este texto: chegámos ao tempo em que é preciso fazer cortes, mas não nos salários, e, sim, em certas cabeças.

O Sr. Aníbal, de Boliqueime, com a sua corja de Ferreiras do Amaral, de Leonores Belezas, de Miras Amarais, de Dias e Valentins Loureiros, de Duartes Limas, do pedófilo Eurico de Melo, de Durões Barrosos e tantos outros nomes do estrume que já se me olvidaram, inaugurou o derradeiro ciclo de declínio de Portugal, quando vendeu o Estado a retalho, e permitiu que os Fundos, que nos iam fazer Europeus, fossem fazer de forro de fundo de bolsos de gente muito pouco recomendável. A apoteose dessa desgraça teve vários rostos, as Expos, do ranhoso Cardoso e Cunha, e a mais recente, o BPN, onde estavam todos, 20 anos depois, refinados, enfim, tanto quanto o permite o refinamento da ralé, e isso custou ao Estado um formidável desequilíbrio, que a máquina de intoxicação, feita de comentadores de bancada, de ex-ministros que tinham roubado, e queriam parecer sérios, e de carcaças plurireformadas, de escória, em suma, que há muito devia estar arredada do palco da Opinião, nos fez crer ser uma "Crise".

Depois, veio a outra "Crise", a Internacional, cozinhada em Bilderberg, e que se destinava, como se destinará, a criar um Mundo mais pobre, de cidadãos mais miseráveis, cabisbaixos, e impotentes. Nem Marx sonhou com isso: é mais Asimov, Orwell e uns quantos lunáticos de ficção científica reciclada em Realidade, e vamos ter, nós, os intelectuais, de prever e preparar as novas formas de reagir, contra esse pântano civilizacional. A seu modo, será uma Idade do Gelo Mental e Social, minuciosamente preparada, para a qual, aviso já, não contem comigo.

Como na Epopeia de Jasão, depois do miserável Cavaco, vieram os Epígonos, os "boys-Matrix" do Sr. Sócrates, um Matrix de Trás os Montes, o que, já de si, cheira a ovelha, animal que só estimo naquela classe de afetos que São Francisco de Assis pregava, e nada mais. Podem chamar-se o que quiserem, Pedros Silvas Pereiras, a cadela Isabel Alçada, a aquecer os motores para substituir o marido na Gulbenkian, mal ele se reforme; a mulher a dias do Trabalho, os pedófilos dos olhos descaídos e aquele pequeno horror, chamado Augusto Santos Silva, que parece, e é, uma barata de cabelos brancos e alma pegajosa. Esta gente toda convive connosco, quer-nos levar ao abismo, e fala da inevitabilidade de "cortes". Eu também estou de acordo: toda a frota de carros da Administração Pública deve ser vendida em hasta pública -- pode ser aos pretos da Isabel Dos Santos, que adoram essas coisas... -- e passe social L123, para todos os Conselhos de Administração, com fedor de Vara, Cardona, Gomes, ou Zeinal Bava. Os gabinetes imediatamente dissolvidos, e os assessores reenviados para os centros de reinserção social, para aprenderem o valor do Trabalho, e não confundirem cunhas com cargos; os "Institutos", de quem o Vara era especialista, e o Guterres, num súbito fulgor de não miopia chamou "o Pântano"; os "off-shores"; a tributação imediata de todas as especulações financeiras com palco português, feitas em plataformas externas; a indexação do salário máximo, dos tubarões, aos índices mínimos das bases, enfim, uma espécie de socialismo nórdico, não o socialismo da rabeta, inaugurado pelo Sr. Soares, e transformado depois, nesta fase terminal, em esclavagismo selvagem, pela escória que nos governa.

Acontece que, se os Portugueses sentissem que estavam a ser governados por gente honesta, e tivesse acontecido um descalabro financeiro, prontamente se uniriam, para ajudar a salvar o seu pequeno quintal. Na realidade, a sensação geral é a de que há, ao contrário, um bando de criminosos, inimputáveis, que se escaparam de escândalos inomináveis, de "Casas Pias", de "Freeports", de "BPNs", "BPPs", "BCPs", "Furacões", "Independentes", Hemofílicos", "Donas Rosalinas", "Noites Brancas" e tanta coisa mais, que dispõem de um poder de mafia e associação tal que destruíram a maior conquista do Liberalismo, a separação dos Poderes, tornando o Judicial uma sucursal dos solavancos políticos, do rimel das Cândidas e das menos cândidas, das Relações, e das relações dos aventais, das "ass-connections" e das Opus, enfim, de uma Corja, que devia ser fuzilada em massa, que roubou, desviou, pilhou e, agora, vem tentar sacar a quem tem pouco, muito pouco, ou já mesmo nada.

Somos pacíficos, mas creio que chegou a hora de deixarmos de o ser.
Pessoalmente, mas não tenho armas, já escolhi alguns alvos.
Curiosamente, se pudesse, nem seria um Político aquele que eu primeiro abateria, seria uma coisa, uma lêndea, um verme pútrido, chamado Vítor Constâncio, que julga que, por estar longe, fugiu da alçada de um qualquer desvairado que se lembre de ainda o esborrachar com o tacão.
Infelizmente, ou felizmente, nem sou violento, nem tenho armamento em casa, porque é chegada a hora, não dos cortes no bem estar de quem tem pouco, mas nas cabeças que provocaram, ao longo de décadas, o imenso horror em que estamos.
Toda a gente lhes conhece os rostos, e suponho que será unânime na punição.
Por muito menos, há quase 100 anos, deitou-se abaixo um regime, cuja corrupção era uma brincadeira, ao lado do que estamos a presenciar.

Não tenho armas, digo, mas menti, porque, de facto, tenho uma, e que é a pior de todas, o Dom da Palavra, e acabei, esta noite, de voltar a tirá-la do bolso.


("Aux armes, citoyens", no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers" )

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Du Barry do Héron Castilho





Imagem do Kaos

A assistente social sempre me disse que eu tinha um ligeiro atraso mental, mas também se recusou, sempre, a quantificar-mo.
Viver com isto, uma vida inteira, gera uma profunda angústia, só equivalente à dos dois amores do Marco Paulo, que deve passar o tempo todo a pensar se o outro terá, ou não terá, uns centímetros a mais, ou só será um pouco mais curto e grosso.

Finalmente, tive hoje uma revelação, creio que só comparável com a de Maria, quando descobriu que estava prenhe, depois de ter andado a mergulhar numa piscina mal desinfetada da Galileia. Toda a gente conhece a história da menina de família, que engravidou numa piscina pública, e do mal estar que isso provoca, quando tem de ser comunicado à família, já que ninguém... quer dizer... até que inventem uma lei, pode casar com uma piscina. De aí o mito do Espírito Santo, numa altura em que a Moody's ainda não lhe tinha baixado o "ranking", o que quer dizer que tinha pau suficiente para emprenhar uma esgroviada de uma mulher de carpinteiro, que não tinha onde cair morta, e a quem saiu a sorte grande de um banqueiro cego dos olhos e dos cornos.

Não se chateiem comigo, porque está tudo nos "Evangelhos", esse folhetim de maus costumes, como dizia o sucateiro que está agora a arder no microondas de Nosso Senhor Santo Lúcifer, mas vamos adiante, porque a minha revelação foi ter subitamente percebido, que de há 5 anos para cá, andava a julgar o "Engenheiro" Sócrates pelo seu caráter, aliás, falta dele, e não pelos seus atos, enquanto "Primeiro Ministro".

Esta coisa, da onomástica e da toponímia, tem muito que se lhe diga, porque quando chamamos, naturalmente, "Poli", "Leão" ou "Licas" aos nossos cãezinhos, é por que eles têm ar de Poli, de Leão ou de Licas, assim como Sócrates se foi confundindo com a falta de caráter de Sócrates, ao ponto de, quando falavam de "Primeiro Ministro" eu ter sempre uma branca, e ter de ir à mnemónica, para me lembrar de que o significante "Sócrates" e "Primeiro Ministro" tinham o mesmo referente, embora divergissem, abissalmente, no significado, porque, como sabem, "Primeiro Ministro", num país civilizado, pode ser sinónimo de tudo, menos de trafulha, mentiroso, anémico de caráter e todas as pequenas gentilezas que compõem, à Teofrasto, a estátua interior do Vigarista de Vilar de Maçada.

O problema foi quando o meu "annonce faite à Arrebenta" começou a deslizar para os lados, e a ouvir falar também de "Presidente da República", o que, igualmente, pressuporia um estatuto pró majestático, já que ninguém se pode dar ao luxo de apear um Rei para colocar no seu lugar um levantador de bainhas. Acontece que "Presidente da República" e "Aníbal Cavaco Silva" eram, do mesmo modo, dois diferentes significantes para um mesmo desgraçado referente, o que só podia ter um tremendo significado: no ano de 2010, o Estado Nação Português estava a ser governado por dois sucateiros, da pior extração, com um currículo de crimes de lesa pátria inenunciável, associado à destruição do esqueleto do seu País, por permissão, omissão, ou cumplicidade no desvio de dinheiros público, paternidade na ascensão dos piores caráteres a postos chaves na estrutura produtiva, económica, financeira e cultural da Lusitânia, e que a coisa continuava alegremente, com "ambos os dois" a declararem que se sentiam, os pobres, muitas vezes, como se "estivessem sozinhos a puxar a carroça"... para o fundo.

Por acaso, não estão sozinhos: há ainda o Jaime Gama, a segunda figura do Estado, que tem ar de nádega, e que nunca ficou desassombrado de andar nas festas da "Casa dos Érres", mas, quando vamos riscando os nomes, invade-nos uma indescritível sensação de solidão, acrescida do Garrafão de Águeda, que, como sabemos, acabará como numa sequência do "Pátio das Cantigas", a cambalear e a cair, batendo com a cabeça no passeio, e ficando lá a sangrar, até passar, pela madrugada, a carrinha do lixo. Como a Maria Antonieta mandou os outros comerem, brioches, quando não tinham pão, este está pior: manda-os ler Camões. A gente vai ler, pá, acredita que sim, juro... quando tu tiveres desaparecido do mapa.

Eu sei que é chover no molhado, mas, quando o Procurador Geral da República, uma figura do Poder Judicial que é cooptada pelos interesses dos partidos que arruinaram Portugal desde 1974, vem insinuar que seriam precisos muitos anos para saber tudo sobre tudo, eu dou-lhe razão, e até posso quantificar: para os 900 anos de trafulhices em que tivéssemos andado, talvez precisássemos de outros 900, para investigar. Todavia, no que respeita aos abusos, omissões, transgressões, agravos, crimes contra o Estado e afins, cometidos depois de Abril de 1974, talvez precisássemos de um tempo como que o nos separa das Pirâmides, e iríamos ficar com o país totalmente deserto.

Há uma alternativa para isto, da qual não gosto, mas que, de quando em vez, acontece na História, que é haver uma multidão que se passa dos carretos, e vai, de porta em porta, a limpar, indiscriminadamente, quem lhes aparece à frente.

Isso é mau, por causa dos danos colaterais: Lavoisier teve de subir à mesma guilhotina a que subiu a Du Barry, que tinha arruinado a França, com os seus tiques de peixeira, e quando deram conta do facto, já era demasiado tarde.

Aparentemente, há um impasse e uma conjunção de sinais que anuncia que algo de grave pode brevemente acontecer nas ruas, sejam essas ruas scut ou não scut: é aquele momento em que as massas, já tendo perdido tudo, descobrem que não têm mais nada a perder, e têm a mesma iluminação do que eu e descobrem que o Primeiro Ministro, para além de mau caráter, também nunca foi Primeiro Ministro, mas apenas um Primeiro Mau Caráter, a juntar a tantos outros, alimentado por forças do vazio, e, quando esta identificação acontece, os "ça ira", de barrete frígio, rebentam as portas, umas atrás das outras, e vêem, em cada uma, uma incarnação da detestável figura.

"É então uma revolta?... Não, Sire, é uma Revolução".



(Isaltinada, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O dia em que Saramago foi capa da "Playboy"





Imagem do "Kaos"

Há coisas a que assistimos em Portugal que não lembrariam a Kafka, mas que, idiossincraticamente são tão transparentes que basta meia dúzia de linhas para as explicar, e vou já por aí.

Quando as sociedades chegam a um ponto do seu vazio tão avançado, podemos falar de "unidimensionalidade", e esse é o momento genérico que historicamente atravessamos, e, quando digo atravessamos, estou a evocar um derradeiro laivo de otimismo, porque, a preceito, isto poderá mesmo ser o Fim.

Se pensarmos no que move este ajuntamento de gentes, chamado "Portugal", não encontraremos "élans" vitais tão diversos quanto isso, e o pulsar do sangue da canalha é, afinal, fruto de corações limitados, rasteiros e simples.

Uma das matrizes, é, evidentemente, o Futebol.

Não há facto que não se converta em Futebol, o que muito espantaria Lavoisier, mas é matricial, na Lusitânia.

Nada se ganha, nada se perde, tudo se transforma em... Futebol.

Todavia, por sua vez, o Futebol já é um metaestado de uma pulsão ainda mais básica, que a "virilidade" expressa no cuspir no chão, nas instituições, nas leis, na História, na Cultura, no mérito e no dever. Já um dia escrevi que o mais profundo motor do Português é o tourear, o saber que se está sempre a fintar a regra, que, noutros estados, é um modo civilizado de estar. Pelo contrário, o modo português de estar pressupõe, sempre, nalgum dos momentos do percurso, poder, sempre, "dar o golpe", às vezes, por puro vício, e, sempre, por irrelevância.

Se queremos saber uma área, imediatamente vem uma tradução para miúdos, que nos diz "equivalente a tantos estádios de futebol"; se a soma é imensa, desde logo se diz "o equivalente a três anos de salário de Cristiano Ronaldo", e o país não descansa, enquanto não senta à mesa todos os sexos, todas as culturas, mesmo aquelas que dizem desconhecer quaisquer factos do Futebol, como é o meu caso, e todos os assuntos pertinentes, mais tarde, ou mais cedo, são reduzidos à adrenalina animal do "esférico".

Quando Sócrates foi enxovalhado por uma licenciatura deficiente, cometemos o erro crasso de nos colocar no lado da Regra, quando, de facto, como com Fátima Felgueiras, Pinto da Costa, Isaltino, Figo, Rui Pedro Soares, Dias Loureiro, Paulo Portas, Ricardo "Farfalha" Rodrigues, a medíocre Inês de Medeiros, e centenas de nomes que já esqueci, o homem e a mulher comuns continuam a alimentar um fundo de admiração e carinhos por esses escroques, tão só, por que conseguiram, num dado momento "fintar" o Sistema e provar -- numa expressão hediondamente portuguesa -- que "eram superiores aos outros todos".

Somos um país de bebedores de bica, de gajos que batem nas velhotas e violam as crias, de mulheres que se vendem só pelo prazer de enxovalhar um marido pacífico, de falsificadores de faturas e de negócios, de comentadores, sem dentes, da vida alheia, geralmente, na forma de calúnia e difamação, de gente que é a paródia mal contida dos países civilizados.

Muitas vezes folheei a "Playboy", e bastariam dois minutos para lhe traçar a radiografia estruturalista: páginas em bom papel, onde desfilam os mitos artificiais de uma certa sexualidade americana, heterossexual, dogmática e restritiva. A "Playboy", a seu modo, é um livro de ayatollahs eroticisado, mas delimitador de rigorosíssimas fronteiras. Faz parte do enorme Circo Americano, onde as coisas circulam por gavetas, e se tornam ininteligíveis, se desarrumadas da sua prateleira própria. Apesar de muitos sintomas primários, que o aproximam da Portuguesa, o Continente Mental Americano tem uma escala, um treino e umas infraestruturas que só nos poderiam fazer cair no ridículo, em qualquer tentativa de mimese.

Saramago, um dos maiores equívocos do séc. XX Português, figura de terceira linha, treinada por um polvo partidário, por uma especialista em propaganda e venda da banha da cobra, aliada a uma impertinência, uma baixeza de caráter e uma avidez, a qual não foi só seu apanágio, mas que nele imperou, em glória, fruto de algumas convergências e de circunstâncias felizes, geraram um monstro, no sentido de Braudillard, dos "Simulacros e Simulações". Kastoriades, outro marxista, que poderia ver nele a "Ascensão do Insignificante", assim como Lipovetski teria aqui uma perfeita hipóstase da "Sociedade do Vazio".

É evidente que tudo isto seriam referências culturais em excesso, para o patego de rua português, que, imediatamente, as leu, de acordo com as grelhas do toureio e do pontapear: Saramago, nesta sociedade unidimensional, é, bem lá no fundo, um homem comum, que a sua viril Carlos Queiróz, Pilar del Rio, conseguiu levar a um 7 a 0, como com os pobres Coreanos. Foi valente, e não é importante se o produto é válido.

Para que o texto não fique pobre, posso voltar a repetir que não é válido.

Saramago, como Dantas, conheceu todas as pompas do seu tempo: dentro de 100 anos, será uma incómoda nota de rodapé, que os didatas não saberão gerir, e terão de explicar como epifenómeno sociológico, na forma de patologia literária. Se hoje aparece na capa da "Playboy", não por acaso, ao lado de Julião Sarmento, outros dos lugares do Nada, é por que foi "macho" suficiente, mesmo morto, para conseguir isso. A confusão é total, mas natural, porque saiu da tumba, e invadiu uma revista erótica. A esta hora, deve haver um "boy", extremamente infeliz, por não ter sido compreendido neste golpe de asa de génio. Dou-lhe os parabéns. Violou as regras e mostrou que tinha tomates, e reduziu tudo à prateleira da bica, das putas e do vinho verde, os motores eólicos do nosso rasteirão nacional. Grave é que quem cometeu o ato talvez não percebesse o que estava a fazer, embora o tenha feito com audácia e mestria com mestria: a capa desta última "Playboy" faz-me sempre lembrar um vendedor de carros, que dizia que "um automóvel é como uma gaja: um volante, uns pedais, e o que a gente quer é que ande". Suponho que o volante fosse uma metáfora inconsciente das mamas, assim como a dimensão da bagageira, no país unidimensional, deva estar associado aos "grandes cus", uma expressão tradiconal do marialva português para "mulher".

A "Playboy" de Julho é muito melhor do que qualquer livro de José Gil ou de Eduardo Lourenço; vou, mesmo, mais além: é equivalente à Teoria do Tudo, e à tão sonhada Unificação de Einstein: mostrou que qualquer coisa pode ser palco para a nossa maneira de ser, as "gajas" (uma estranha forma de homoerotismo não assumido, que depois são queimadas com pontas de cigarros e pontapeadas, porque os portugueses detestam mulheres), os milagres da Fé, Fátima, a Crendice, o Ateísmo, a Blasfémia, a potência das chuteiras e o triunfo da mediocridade, a provar que Literatura, tetas, grandes cus, treinadores de bancada e masturbação generalizada podem coabitar, conviver e multiplicar-se, e, até... vender-se.

Esperemos vivamente que sim

(Quádrupla edição, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")