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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Le Roi se meurt, seguido de O Cabrão de Boliqueime IV





Imagem do Kaos


Há uma coisa extraordinária em Portugal, que é ter entrado na sua fase verista, no sentido estético que a palavra tinha, no meio operático de finais do séc. XIX. Havia uma gaja, ou um tenor histérico, que passavam horas no chão do palco, a berrar e a chorar que estavam mortos, ou iam morrer, e a coisa nunca mais avançava, até acabar em soluços ou dós de peito horizontais, e o público aplaudia, e gritava "Brava", como a falecida Amélia das Marmitas.

Em Portugal, ninguém aplaude nada, mas assiste-se a uma longa agonia, que parece emocional, mas não é, e eu vou passar a dissecá-la.

Nestas coisas das falências e das bancarrotas, temos de ser pragmáticos, ou há, ou não há, não pode haver um ir havendo, ou um ir adiando, consoante o sabor das conveniência, e é no sabor das conveniências que reside a chave deste misérable miracle.

A primeira é antiga, e vem das últimas Legislativas: um Governo que faz tudo para não governar, e que ensaia tudo para ser derrubado, mas não pode ser derrubado, porque só uma Oposição que estivesse em delírio é que quereria assumir as rédeas de um estado de coisas, começado em 1985, pelo carrasco da Pátria, Aníbal Cavaco Silva, e consumado pelo coveiro do Estado, José Sócrates.

A segunda achava que era mais subtil, mas não é, é uma evidência ao nível das feiras de ciganos do Algarve interior: um saloio estrangeiro (o Reyno dos Algarves era dos Algarves e não o Reyno de Portugal...), vindo das berças, que quer, à viva força, inscrever um segundo mandato, na sequência do miserável mandato em que foi Presidente de uma instituição moribunda, a "República" Portuguesa. Esse homem chama-se Cavaco Silva, e é simultaneamente causa e efeito do presente estado de coisas.

A terceira é ainda mais espantosa, porque se insere num dominó de causalidades que só poderia ser possível num país que abandonou a realidade e está em pleno delírio, que é saber que já não há Governo, e estar à espera da reeleição de um traumatizado neurológico, que só se mantém em pé com as injeções do Dr. Lobo Antunes, para poder dissolver a Assembleia e criar um pântano dentro de outro pântano, porque, quando as pessoas perceberem o que se está a desenhar neste bastidores dignos do "Fontória", o Gajo de Vilar de Maçada voltará, com uma maioria de 20 votos, sobre o Penteadinho das "Doce", e a coisa ainda se deteriorará mais.

Eu sei que isto é extraordinário, e é isso que os Mercados, ou seja lá o que for, diariamente pensam do assunto: ninguém apoiará um país que está embriagado, e que pensa que os outros são parvos: o Mercado Financeiro está-se borrifando para que tenhamos um saloio como Presidente da República, e um aldrabão como Primeiro Ministro, porque os sinais fortes de que queríamos mudar era pôr ambos na rua, e o mais depressa possível. Acontece que o primeiro quer mais cinco anos de decomposição e mumificação, e o segundo está a beneficiar largamente deste trauma salazarista do Manequim da Rua dos Fanqueiros.

As alternativas são piores, com um tal de Alegre a dizer que quer só um mandatozito, para acrescentar uma linha no seu currículo suspeito, e um Passos Coelho a dizer que, mal se apanhasse com as rédeas do Poder na mão, faria, ao extremo, tudo o que Sócrates e a sua corja nunca se atreveram a fazer. Como é evidente, um país massacrado até ao tutano, fugirá para onde lhe morderem menos, o que prova que Coelho está a cometer o maior erro da sua vida, mas isso é problema dele, não meu, que continuo a dar razão à "Velha", à "Bruxa" -- como está nas escutas inválidas (?) do "Face Oculta" -- e que achava que isto estava num estado tal que só lá ia com uma suspensão da Democracia durante seis meses. Dado o estado da coisa, iriam ser longos seis meses, com tribunais marciais, e coisas afins, mas isto sou eu já pôr acrescentos na boca do que Manuela Ferreira Leite nunca disse.

O Chico, do PCP, anda eufórico, e com razão, mas isso é irrelevante, porque décadas de BPNs, de Varas, de Fernandos Gomes, de Ferreiras e Miras Amarais, de Paulos Pedrosos e de toda a gentalha que minou o Estado e a sua credibilidade nos levaram a um estado de vexame mundial, que as televisões e os comentadores, a soldo, bem tentam iludir, mas não vale a pena, porque desta, é mesmo desta, e talvez seja o tempo oportuno, se o ser desta corresponder a uma limpeza desta escumalha, que nos fez perder a face, a carne e, agora, também os ossos.

Para mim, que há muito defendo a criação de um Partido Radical, com um ideário supraideológico, e baseado num pragmatismo do Sensato, e iluminado por um sistema de valores utópicos, só peço que virem rapidamente as páginas, mas não como eles querem: a mais importante é vexar Cavaco nas urnas, já em janeiro; a segunda, ver o que sobra, depois de Cavaco, e tentar perceber se Sócrates, um extraordinário sobrevivente, ainda está dotado de algum sentido para assumir qualquer pós cavaquismo, ou se temos mesmo de ir para um governo de salvação nacional, que, a ser coerente, não deveria incluir nenhuma das tendências políticas que arruinou Portugal, desde que Cavaco surgiu em cena, em 1985. Vão-me dizer que estou louco, e estou, mas o país ainda está pior: só um cego é que não viu que as pretensas negociações em redor de um Orçamento não passaram de ajustes nominais, para ver como se podia fingir que se dava a volta à coisa, sem mexer em nenhum dos privilégios dos boys do Centrão, instalados ao longo de décadas, mais os boys dos arredores, e com o zé povinho a pagar os Mexias, os Zeinais Bavas, os Varas, os Fernandos Gomes e outros suínos da mesma espécie, fingindo-se que o BPN, o banco da maltosa mafiosa, em qualquer outro país do mundo, não passaria de mais um escombro falido, a gangrenar o tecido financeiro do Estado, e que devia ter sido imediatamente fechado, mal colapsou.

Volto a lembrar que as bancarrotas, ou as há, ou são ficção. Se podem ser proteladas, até à reeleição do Vacão de Bolqueime, então, proponho que sejam proteladas sine diae, e deixe de se falar disso. Os melhores países, como a Bélgica, conseguem estar meses sem Governo. Eu ia para uma coisa ainda mais suave e distensora: correr com o Cavaco e com o Governo, e deixar a Assembleia legislar. Podiam nomear um Diretor Geral, para ir aplicando as coisas, e deixar o povinho descansado, porque o que paira no ambiente é que, num dia destes, e não muito longínquo, um destes cabrões, que nos arruinou, ainda apanha com um tiro, ou coisa parecida, nos cornos.

Seria, à sua brutal maneira, estimulante.

(Pentatlo da Bancarrota, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma Aventura Sinistra", e no "The Braganza Mothers")

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Matusalém, ou a longevidade de uma nulidade chamada Sócrates





Imagem KAOS


Creio já ter escrito tudo sobre Sócrates, exceto o essencial, que me escapou, e era mesmo essencial. Nesta etapa dos acontecimentos, já é irrelevante saber em que parte do casco o icebergue rasgou o nosso titanic lusitano, porque o que agora conta é saber onde estão os salva vidas, sabendo nós já que não vai haver lugar para todos, para todos, claro, exceto para o Sr. Sócrates, que embarca sempre, e de qualquer modo, e em qualquer lugar, como lhe é próprio.

Como Salazar, Sócrates representa a essência do Português comum, mas meio século depois: golpista, dissimulado, sonso, capaz de tudo, negociando simultaneamente com deus e o diabo, metido em tudo que é esquemas, mas, ao contrário do zé das botas, que mandou remendar eternamente as suas solas, este acha que, trocando repetidamente de sarapilheiras caras, e de marca, não continuará a usar o mesmo par de nariz de merceeiro. Continua, e continuará. O Sr. Sócrates, salvo alguma cadeirinha da Moviflor, que carunche durante um Conselho de Ministros, e o faça alombar com a traseiras dos cornos nalguma laje, está para dar e durar. Contam-se, pelos dedos da mão, os chefes da Oposição que já enterrou, e a mais dura de enterrar foi a "Velha", a única que tinha razão, e previu tudo o que ele ia fazer, como eu próprio fiz, para mal dos meus azares, no "Ferreira Leitismo que se segue", e não me enganei.

O Sr. Sócrates, que só poderia lembrar a Maquiavel, a Paulo Teixeira Pinto, a Pedro Silva Pereira, a Medina Carreira, Proença de Carvalho e a todas as aves negras que pairam no poleiro do Bloco Central, voltou a dar um golpe de mestre, através do típico processo de vacinação, de que o Português de Lineu tanto gosta: adiantou-se aos disparates soprados pelo "Paramécias" e pelas consciências morais do PSD, Euricos de Melo, e sombras afins, e propôs, ele próprio, as medidas que o PSD-Governo poderia vir a tomar.
A coisa é sábia e tem várias consequências imediatas: a primeira, a de que o nativo, desde logo, não se revoltou, e se habituou a carregar com o seu novo fardo, sem pôr uma bomba debaixo do dois cavalos da Câncio, nem metralhar a Velha Jeová, que envenena os cães da Rua do Héron-Castilho, nem abater nenhum dos escorte-boys que lá vão, consolar as nádegas do "Prime"; não, nada aconteceu, e já se pode avançar para o próximo pacote de pilhagem do trabalhador e dos impostos de quem não vive da usura, do tráfico e da especulação, em suma, daqueles que moram em casas com empréstimos de 50 anos, e não andam a pairar em varandas de "off-shores".

Ao descalçar a Oposição, fez uma coisa ainda mais grave, porque assume, implicitamente, que, se ele, bonzinho, se vê obrigado a assumir tantos males, que horror não seria se se desse uma alternância de Poder, com medidas ainda mais austeras, e tomadas por uma "Direita", que, em Portugal, martirizado por caceteiros de "Esquerda", ainda é lida como espaço de... "caceteiros".

Suponho que Ovídio adoraria ter tratado o tema nas "Metamorfoses", mas não tratou, assim como Aristóteles não previu o Garrafão de Águeda, nas suas "Partes dos Animais".

Passa, assim, o carrasco, a salvador, com a agravante de que ainda se apresenta como vítima, o homem que pede ao Portugal do BPN e dos três submarinos do Rui Pena, transformados em dois, pelo Portas, sacrifícios locais, para evitar que os mauzões do PSD ainda lhes venham pedir piores, e, assim, captará, nas suas maiorias cada vez mais reduzidas, os votos necessários para se manter na cabeça do Governo.

Por mim, que o acho desprezível, embora notável, pela capacidade de sobrevivência neste deserto de ideias, esperanças e saídas, em que esta porcaria se tornou, dava-lhe um tratamento de choque: aprovava-lhe já, com brutal abstenção e voto contra, o seu monstruoso Orçamento, chumbando-lhe, depois, tudo, taco a taco, na especialidade, até que a bicha apanhasse um ataque de nervos e se demitisse. Como Portugal não pode ser governado, em gestão, por um gajo suspeito de Pedofilia, repunha-se Sócrates, desvitalizado, a ser mandado pelas maiorias flutuantes da Oposição. Aliás, para o tipo de país que temos, cada vez mais defendo um estado de fragmentação parlamentar que só permita formar maiorias absolutas, não já só com três partidos, mas com QUATRO, de preferência, com ideologias incompatíveis, para ficarmos, de vez, e assumidamente, à deriva.

O Sr. Sócrates é o Ratzinger da Política Portuguesa: depois de andar a minar Papas durante décadas, o Conclave resolveu pô-lo no próprio lugar de Papa, o único onde não podia continuar a andar a minar os pontificados alheios.
Onde colocar Sócrates, então se se demitisse?
E a resposta é... pô-lo em Primeiro Ministro, em gestão, que é o lugar onde menos pode ser nocivo a Portugal, e deixá-lo por lá apodrecer, enquanto nós navegamos por conta própria.

Vão-me perguntar por que não dediquei uma palavrinha ao Sr. Aníbal, no meio disto tudo. Como sabem, o Sr. Aníbal está neste estado, mas bem medicado, o que indica que só se desfará em pó lá para meados do segundo mandato, com o Garrafão de Águeda já internado numa adega cooperativa, e o senhor das enfermeiras, a voltar a brincar às enfermeiras.
A Maria descai por tudo quanto é lado: parece aquelas velas grossas, da mesa de Natal, que começam por ser certinhas e cilíndricas, e depois amolecem e escorrem por todo o lado. Ela alargou nas patas, na bunda, nos membros anteriores e tem um olhar místico, como Santa Teresa de Ávila, a ser montada pelo Senhor, só que sem brilho, numa espécie de orgasmo de fusíveis fundidos. Viu, mas já não vê, o solzinho a dançar. Dará uma boa Senhora Maria dos nossos novos salazares, e, quanto à questão da Monarquia, até vai ser resolvida sem Referendo: ao longo do segundo mandato, o Sr. Aníbal, com a sua coqueluche de Vilar de Maçada, irá cada vez mais parecer-se com uma fotografia a preto e branco, daquelas velhinhas, em que D. Carlos aparece montado num burro, com as pontas dos pés a roçar pelo chão. A nova Dona Amélia, de Boliqueime, poderá então deixar crescer o seu buço, pôr um lenço preto, como as pastorinhas do mar, da Nazaré, perder um dentes, e escurecer outros, e tudo será muito belo e miserável, como há cem anos atrás. A exceção seremos nós, os que ainda vemos um bocadinho mais acima, e a quem a Miséria estará reservada em tons de sépia, para que não digamos que não fomos tratados, neste inominável cataclismo, como... diferenciados.

Olha, pela minha parte, agradeço imenso!...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cortar salários, ou cortar cabeças?...





Imagem do Kaos


É sempre bom, quando as coisas se tornam claras. Ontem, o Sr. Sócrates, conhecido por "Engenheiro", o que, em Portugal, é sempre uma prova de parolice e subserviência, como o clássico "Sr. Doutor", da puta que o pariu, veio provar que era, de facto, um mero fantoche, ao serviço de grandes dinâmicas mundiais, nas quais, para todos os efeitos, já não temos lugar, a não ser como capachos, dobradiças e caixotes de lixo. É bom que se saiba isso, e é quase indiferente que seja o seu nariz de batata, travestido de Armanis, a dar-nos a boa nova. Para os entendidos, a boa nova já era muito velha, só estava à espera de uma balda para poder aparecer.

Aparentemente, passámos de um destino de navegadores a clientes de segunda de alfaiatarias, uma, dos anos 50, da Rua dos Fanqueiros, outra, ainda mais miserável, de um gajo "licenciado" nas Novas Oportunidades, que se deslumbra com tecidos que lhe assentam francamente mal.

Vou ser breve, e introduzir já a frase com que se deverá concluir este texto: chegámos ao tempo em que é preciso fazer cortes, mas não nos salários, e, sim, em certas cabeças.

O Sr. Aníbal, de Boliqueime, com a sua corja de Ferreiras do Amaral, de Leonores Belezas, de Miras Amarais, de Dias e Valentins Loureiros, de Duartes Limas, do pedófilo Eurico de Melo, de Durões Barrosos e tantos outros nomes do estrume que já se me olvidaram, inaugurou o derradeiro ciclo de declínio de Portugal, quando vendeu o Estado a retalho, e permitiu que os Fundos, que nos iam fazer Europeus, fossem fazer de forro de fundo de bolsos de gente muito pouco recomendável. A apoteose dessa desgraça teve vários rostos, as Expos, do ranhoso Cardoso e Cunha, e a mais recente, o BPN, onde estavam todos, 20 anos depois, refinados, enfim, tanto quanto o permite o refinamento da ralé, e isso custou ao Estado um formidável desequilíbrio, que a máquina de intoxicação, feita de comentadores de bancada, de ex-ministros que tinham roubado, e queriam parecer sérios, e de carcaças plurireformadas, de escória, em suma, que há muito devia estar arredada do palco da Opinião, nos fez crer ser uma "Crise".

Depois, veio a outra "Crise", a Internacional, cozinhada em Bilderberg, e que se destinava, como se destinará, a criar um Mundo mais pobre, de cidadãos mais miseráveis, cabisbaixos, e impotentes. Nem Marx sonhou com isso: é mais Asimov, Orwell e uns quantos lunáticos de ficção científica reciclada em Realidade, e vamos ter, nós, os intelectuais, de prever e preparar as novas formas de reagir, contra esse pântano civilizacional. A seu modo, será uma Idade do Gelo Mental e Social, minuciosamente preparada, para a qual, aviso já, não contem comigo.

Como na Epopeia de Jasão, depois do miserável Cavaco, vieram os Epígonos, os "boys-Matrix" do Sr. Sócrates, um Matrix de Trás os Montes, o que, já de si, cheira a ovelha, animal que só estimo naquela classe de afetos que São Francisco de Assis pregava, e nada mais. Podem chamar-se o que quiserem, Pedros Silvas Pereiras, a cadela Isabel Alçada, a aquecer os motores para substituir o marido na Gulbenkian, mal ele se reforme; a mulher a dias do Trabalho, os pedófilos dos olhos descaídos e aquele pequeno horror, chamado Augusto Santos Silva, que parece, e é, uma barata de cabelos brancos e alma pegajosa. Esta gente toda convive connosco, quer-nos levar ao abismo, e fala da inevitabilidade de "cortes". Eu também estou de acordo: toda a frota de carros da Administração Pública deve ser vendida em hasta pública -- pode ser aos pretos da Isabel Dos Santos, que adoram essas coisas... -- e passe social L123, para todos os Conselhos de Administração, com fedor de Vara, Cardona, Gomes, ou Zeinal Bava. Os gabinetes imediatamente dissolvidos, e os assessores reenviados para os centros de reinserção social, para aprenderem o valor do Trabalho, e não confundirem cunhas com cargos; os "Institutos", de quem o Vara era especialista, e o Guterres, num súbito fulgor de não miopia chamou "o Pântano"; os "off-shores"; a tributação imediata de todas as especulações financeiras com palco português, feitas em plataformas externas; a indexação do salário máximo, dos tubarões, aos índices mínimos das bases, enfim, uma espécie de socialismo nórdico, não o socialismo da rabeta, inaugurado pelo Sr. Soares, e transformado depois, nesta fase terminal, em esclavagismo selvagem, pela escória que nos governa.

Acontece que, se os Portugueses sentissem que estavam a ser governados por gente honesta, e tivesse acontecido um descalabro financeiro, prontamente se uniriam, para ajudar a salvar o seu pequeno quintal. Na realidade, a sensação geral é a de que há, ao contrário, um bando de criminosos, inimputáveis, que se escaparam de escândalos inomináveis, de "Casas Pias", de "Freeports", de "BPNs", "BPPs", "BCPs", "Furacões", "Independentes", Hemofílicos", "Donas Rosalinas", "Noites Brancas" e tanta coisa mais, que dispõem de um poder de mafia e associação tal que destruíram a maior conquista do Liberalismo, a separação dos Poderes, tornando o Judicial uma sucursal dos solavancos políticos, do rimel das Cândidas e das menos cândidas, das Relações, e das relações dos aventais, das "ass-connections" e das Opus, enfim, de uma Corja, que devia ser fuzilada em massa, que roubou, desviou, pilhou e, agora, vem tentar sacar a quem tem pouco, muito pouco, ou já mesmo nada.

Somos pacíficos, mas creio que chegou a hora de deixarmos de o ser.
Pessoalmente, mas não tenho armas, já escolhi alguns alvos.
Curiosamente, se pudesse, nem seria um Político aquele que eu primeiro abateria, seria uma coisa, uma lêndea, um verme pútrido, chamado Vítor Constâncio, que julga que, por estar longe, fugiu da alçada de um qualquer desvairado que se lembre de ainda o esborrachar com o tacão.
Infelizmente, ou felizmente, nem sou violento, nem tenho armamento em casa, porque é chegada a hora, não dos cortes no bem estar de quem tem pouco, mas nas cabeças que provocaram, ao longo de décadas, o imenso horror em que estamos.
Toda a gente lhes conhece os rostos, e suponho que será unânime na punição.
Por muito menos, há quase 100 anos, deitou-se abaixo um regime, cuja corrupção era uma brincadeira, ao lado do que estamos a presenciar.

Não tenho armas, digo, mas menti, porque, de facto, tenho uma, e que é a pior de todas, o Dom da Palavra, e acabei, esta noite, de voltar a tirá-la do bolso.


("Aux armes, citoyens", no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers" )

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Du Barry do Héron Castilho





Imagem do Kaos

A assistente social sempre me disse que eu tinha um ligeiro atraso mental, mas também se recusou, sempre, a quantificar-mo.
Viver com isto, uma vida inteira, gera uma profunda angústia, só equivalente à dos dois amores do Marco Paulo, que deve passar o tempo todo a pensar se o outro terá, ou não terá, uns centímetros a mais, ou só será um pouco mais curto e grosso.

Finalmente, tive hoje uma revelação, creio que só comparável com a de Maria, quando descobriu que estava prenhe, depois de ter andado a mergulhar numa piscina mal desinfetada da Galileia. Toda a gente conhece a história da menina de família, que engravidou numa piscina pública, e do mal estar que isso provoca, quando tem de ser comunicado à família, já que ninguém... quer dizer... até que inventem uma lei, pode casar com uma piscina. De aí o mito do Espírito Santo, numa altura em que a Moody's ainda não lhe tinha baixado o "ranking", o que quer dizer que tinha pau suficiente para emprenhar uma esgroviada de uma mulher de carpinteiro, que não tinha onde cair morta, e a quem saiu a sorte grande de um banqueiro cego dos olhos e dos cornos.

Não se chateiem comigo, porque está tudo nos "Evangelhos", esse folhetim de maus costumes, como dizia o sucateiro que está agora a arder no microondas de Nosso Senhor Santo Lúcifer, mas vamos adiante, porque a minha revelação foi ter subitamente percebido, que de há 5 anos para cá, andava a julgar o "Engenheiro" Sócrates pelo seu caráter, aliás, falta dele, e não pelos seus atos, enquanto "Primeiro Ministro".

Esta coisa, da onomástica e da toponímia, tem muito que se lhe diga, porque quando chamamos, naturalmente, "Poli", "Leão" ou "Licas" aos nossos cãezinhos, é por que eles têm ar de Poli, de Leão ou de Licas, assim como Sócrates se foi confundindo com a falta de caráter de Sócrates, ao ponto de, quando falavam de "Primeiro Ministro" eu ter sempre uma branca, e ter de ir à mnemónica, para me lembrar de que o significante "Sócrates" e "Primeiro Ministro" tinham o mesmo referente, embora divergissem, abissalmente, no significado, porque, como sabem, "Primeiro Ministro", num país civilizado, pode ser sinónimo de tudo, menos de trafulha, mentiroso, anémico de caráter e todas as pequenas gentilezas que compõem, à Teofrasto, a estátua interior do Vigarista de Vilar de Maçada.

O problema foi quando o meu "annonce faite à Arrebenta" começou a deslizar para os lados, e a ouvir falar também de "Presidente da República", o que, igualmente, pressuporia um estatuto pró majestático, já que ninguém se pode dar ao luxo de apear um Rei para colocar no seu lugar um levantador de bainhas. Acontece que "Presidente da República" e "Aníbal Cavaco Silva" eram, do mesmo modo, dois diferentes significantes para um mesmo desgraçado referente, o que só podia ter um tremendo significado: no ano de 2010, o Estado Nação Português estava a ser governado por dois sucateiros, da pior extração, com um currículo de crimes de lesa pátria inenunciável, associado à destruição do esqueleto do seu País, por permissão, omissão, ou cumplicidade no desvio de dinheiros público, paternidade na ascensão dos piores caráteres a postos chaves na estrutura produtiva, económica, financeira e cultural da Lusitânia, e que a coisa continuava alegremente, com "ambos os dois" a declararem que se sentiam, os pobres, muitas vezes, como se "estivessem sozinhos a puxar a carroça"... para o fundo.

Por acaso, não estão sozinhos: há ainda o Jaime Gama, a segunda figura do Estado, que tem ar de nádega, e que nunca ficou desassombrado de andar nas festas da "Casa dos Érres", mas, quando vamos riscando os nomes, invade-nos uma indescritível sensação de solidão, acrescida do Garrafão de Águeda, que, como sabemos, acabará como numa sequência do "Pátio das Cantigas", a cambalear e a cair, batendo com a cabeça no passeio, e ficando lá a sangrar, até passar, pela madrugada, a carrinha do lixo. Como a Maria Antonieta mandou os outros comerem, brioches, quando não tinham pão, este está pior: manda-os ler Camões. A gente vai ler, pá, acredita que sim, juro... quando tu tiveres desaparecido do mapa.

Eu sei que é chover no molhado, mas, quando o Procurador Geral da República, uma figura do Poder Judicial que é cooptada pelos interesses dos partidos que arruinaram Portugal desde 1974, vem insinuar que seriam precisos muitos anos para saber tudo sobre tudo, eu dou-lhe razão, e até posso quantificar: para os 900 anos de trafulhices em que tivéssemos andado, talvez precisássemos de outros 900, para investigar. Todavia, no que respeita aos abusos, omissões, transgressões, agravos, crimes contra o Estado e afins, cometidos depois de Abril de 1974, talvez precisássemos de um tempo como que o nos separa das Pirâmides, e iríamos ficar com o país totalmente deserto.

Há uma alternativa para isto, da qual não gosto, mas que, de quando em vez, acontece na História, que é haver uma multidão que se passa dos carretos, e vai, de porta em porta, a limpar, indiscriminadamente, quem lhes aparece à frente.

Isso é mau, por causa dos danos colaterais: Lavoisier teve de subir à mesma guilhotina a que subiu a Du Barry, que tinha arruinado a França, com os seus tiques de peixeira, e quando deram conta do facto, já era demasiado tarde.

Aparentemente, há um impasse e uma conjunção de sinais que anuncia que algo de grave pode brevemente acontecer nas ruas, sejam essas ruas scut ou não scut: é aquele momento em que as massas, já tendo perdido tudo, descobrem que não têm mais nada a perder, e têm a mesma iluminação do que eu e descobrem que o Primeiro Ministro, para além de mau caráter, também nunca foi Primeiro Ministro, mas apenas um Primeiro Mau Caráter, a juntar a tantos outros, alimentado por forças do vazio, e, quando esta identificação acontece, os "ça ira", de barrete frígio, rebentam as portas, umas atrás das outras, e vêem, em cada uma, uma incarnação da detestável figura.

"É então uma revolta?... Não, Sire, é uma Revolução".



(Isaltinada, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Garrafão das Scut





Imagem do Kaos

Pronto, acabou a praga das vuvuzelas, e acabou demasiado tarde, para o meu gosto.
Agora, é altura de cair na real, e a real é impiedosa.

Vou começar por vos mentir e escrever um pouco à Hans Christian Andersen, para que fiquem embalados, e depois apanhem ainda com mais força com tudo aquilo que vos vou despejar em cima.

Portanto, era uma vez um país decadente, governado por uma "Princesa" esquizofrénica e com tiques paranóides, que vivia isolada numa Torre do Héron Castilho, e tinha uma mãe muito boazinha, Jeová, que todos os dias lhe dizia que o Fim do Mundo era uma coisa "natural", portanto, podia continuar em frente, porque todo o desenrolar já vinha previsto nos números atrasados da "Sentinela". Essa "Princesa" era muito infeliz, porque vivia cercada de fadas que lhe faziam conspirações negras, quando o coração dela era puro e sucateiro, e tinha uma abóbora no duodeno, que se transformava em impostos, sempre que soavam as doze badaladas da meia noite. A "Princesa" sofria muito, porque não havia macho que a satisfizesse, e ela vingava-se nos seus súbditos, que, entretanto, já estavam tão fartos de golpes baixos, de vilania e de mentira que achavam todos que a "Princesa" se tinha de ir embora, e ser substituída por qualquer coisa, nem que fosse a Maya, em dia de profecias.

E aqui acaba o conto de fadas, e começa a História recente, que assim reza: o primeiro grande corrupto em grande escala que governou Portugal depois do 25 de Abril (excluo Soares, porque era de meios mais limitados) chamava-se Aníbal Cavaco Silva, e fez desaparecer, durante dez anos de Vergonha Absoluta, aquilo que a Europa para cá mandava, com o nome de "Fundos Estruturais", o que, se me não falham os conhecimentos etimológicos, eram dinheiros infraestruturais, para criar os alicerces sobre os quais se deveria erguer o novo Portugal, membro da abastada família europeia.

Cavaco, como todos os mentores da Corrupção, não roubava, fechava os olhos aos roubos, que eram tutelados por criminosos de lesa-pátria cujos nomes, entre muitos, aqui relembro: Torres Couto, Mira Amaral, Ferreira do Amaral, Miguel Cadilhe, Fernando Catroga, João de Deus Pinheiro, Dias Loureiro, Oliveira e Costa, e, só para pôr mais um, o pior de todos, Cardoso e Cunha.

Passados 10 anos, Portugal tinha destruído a sua infraestrutura ferroviária, tinha vendido os Têxteis, a Agricultura, a Metalúrgia, as Pescas, e tinha-se tornado num importador puro, ao nível das audácias do Sr. D. João V, só que este João não era João, era Aníbal, e era plebeu, e plebeu da plebe mesmo plebe, e natural de Boliqueime.

O sr. Aníbal, caso tenham esquecido, acabou num dia em que os Portugueses, povo com matriz de Toureiro, o resolveu tourear, a sério, no Garrafão da Ponte, acho que por causa de 25 tostões (!), se me não falha a memória...

Cavaco, um cobarde, sempre com as mãos transpiradas, teve medo de que os camionistas, os "motards", os audaciosos do volante, os anarquistas, a juventude, os peões e as padeiras exaltadas agarrassem em chuços e lhe fossem buscar a cabeça a S. Bento, pelo que, quando, pelo telefone laranja, o criminoso Dias Loureiro lhe perguntou, "Sr. Primeiro Ministro, posso mandar disparar?...", o Aníbal e a sua vergonhosa Maria de "Centro Esquerda" taparam os ouvidos, e responderam, em coro, "sim...", muito baixinho, mas semioticamente afirmativo, o que infaustamente fez relembrar aos Portugueses, e muito corretamente, os tempos negros da Ditadura.
Estavam, de novo, em Ditadura, e o Ditador, era, desta vez, o Gasolineiro de Boliqueime, que tinha de ser apeado, e o foi, passados uns poucos meses.

Portugal, anestesiado por estas porcarias em que vive permanentemente imerso, a morte do sinistro Saramago, a visita do criminoso Ratzinger, e os passeios da Seleção dos Narcisos pela África do Sul, esqueceu-se de que a boca se não alimenta diariamente dos reflexos dos vidros baratos das orelhas do Cristiano Ronaldo, senhor de uma pele que espelha gerações de fome e miséria, e com umas pernas iguais às do meu avô, antes de ir desta para pior, mas quis o Fado, primo do Futebol e de Fátima, que o sedativo da África do Sul tivesse terminado hoje, o que vai obrigar os Portugueses a olhar, de frente, para os presentes grandes responsáveis pela ruína do seu periclitante bem estar, dos seus escassos bens adquiridos em tempos de vacas ligeiramente gordas, e para o enorme montante de dívidas que tiveram de contrair, porque, em vez de serem aplicados nas estruturas de um país produtivo, culto e civilizado, tinham desaparecido em alcatrão roubado das estradas, em automóveis de grande cilindrada, em vivendas com piscina, em "Fundações", em "off-shores", em Bancos Suíços, em Universidades fantasma, em submarinos, em BPNs e BPPs, em paneleiros e putas de gabinete, pleonasticamente chamados de "assessores", entre 6000, 8000 e 10 000 € por mês, em Zeinais Bavas, em Mexias, em Vítores Constâncios, em Jardins e, sobretudo, em irreversíveis DESERTOS.

Num programa inacreditável, chamado "Prós e Contras", eu, que só vejo os noticiários da RTP2, a pornografia do Goucha e alguns concertos da madrugada, assisti a qualquer coisa de surreal, que era um merceeiro, a quem tratavam por "Sr. Secretário de Estado (!)", a defender que ia haver "des petites bestioles", em Inglês, "chips", que iam ser atracados às matrículas dos carros, para pagarem estradas que já tinham sido pagas várias vezes, com os dinheiros desviados para gerações de ladrões de Estado, inseridos no célebre Latrocínio Autónomo das Estradas.
A pergunta natural, porque desapareceram as fronteiras, é como é que iriam ser inseridos no sistema, em períodos de fluxo turístico, e em rotinas de fortíssimo tráfego mercantil de estrada, num país onde o Cavaco destruiu as vias férreas e o TGV se tornou obsoleto, mesmo antes de existir, todos os incautos que se aventuram neste retângulo de marginalidade, desrespeito pelo cidadão e pela Lei, a que insistem em chamar "Portugal".~

Ora, acontece que o merceeiro tinha resposta para tudo, mas num crescendo de calibre que haveria de pôr Kafka, se fosse vivo, a tirar de ali ideias para um excelente romance póstumo, que nunca se atreveria a escrever. Há limites para o Humor Negro, e para a crítica, através do discurso surreal.

Acho que já me alonguei demais, e vou, portanto, direito à mensagem.
Com os "Narcisos" corridos da África do Sul, o País sobreendividado, as famílias falidas, o Desemprego em rota crescente, a Classe Política a ser ocupada por criminosos, que, ou roubam gravadores ou roubam o que calha, mas roubam sempre e impunemente, o Sistema Judicial refém das cabalas secretas que nos governam, Maçonarias, Pedofilias, Lobbies Gay, Bilderbergers, Traficantes de Armas, Droga, Plutónio e Corpos, o Sr. Sócrates, uma pálida filigrana daquela mulher histérica, que berrava há três anos que estávamos no bom caminho, arrisca-se a ter o seu Garrafão nas Scut, mas um Garrafão em grande, disseminado pelo país inteiro, e com a rolha a saltar nas ocasiões mais imprevistas.

A isto chama-se "Direito de Indignação", e está constitucionalmente previsto.
É uma metáfora que diz que a alma de um Povo, quando esgotados todos os recursos democráticos, jurídicos e de negociação, tem o direito de obrigar o Poder a ajoelhar na rua.
Cavaco, um cobarde, teve um filho da puta que mandou disparar sobre a multidão.
Sócrates, um rato, cercado de ratos, arrisca-se a ver-se sozinho, quando a turba o decidir obrigar a pôr as rótulas na calçada portuguesa.

Os Portugueses vão entrar de férias, e estão forçados a ficar em casa, sem poderem espairecer fora de aqui. São muito e descontentes. Talvez encontrem o seu divertimento de Verão.
Por mim, podem dar já o pontapé de saída: será um dos melhores golos a que assistirei, na minha, não muito longa, mas profundamente desiludida vida.

(Em cada Scut, uma... Vuvuzela, a começar no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")