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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Indignação Geral





Imagem do Kaos


Há momentos em que compete aos escritores tornarem-se nos porta vozes da História. O meu cansaço, para poder ser sincero, é idêntico ao da maioria dos Portugueses e, sem qualquer exagero, dos povos que ficaram subitamente reféns de um sistema do qual em nada usufruiriam, e para o qual se anuncia agora a ameaça do Armagedão, de tudo terem de pagar.

Idiossincraticamente, são diversos os paladares do que está a ser servido nas múltiplas mesas da Aldeia Global. Enquanto Ocidental, Europeu, e, por acidente, Português, irei fazer o relato, do geral para o particular.

Reza a História que a coisa estoirou na América, com a falta de requinte da Senhora Dona Branca, em Portugal, onde se prova que a pose imperial da Primeira Democracia do Ocidente tem muito da sabujice espertalhona do canteirinho da Europa, e a coisa é simples e elementar, com dois polos de criminalidade, em conluio, e uma consequência existencial a gerar o trucidar de uma geração inteira.

Por formação, e pelo asco que o processo sempre me desencadeia, a lenda resume-se assim: as pessoas, desde que são pessoas, precisam de ter onde morar. Isso é coisa que varia imensamente, de cultura para cultura, mas passa sempre por um teto, um chão e uma cama, mais Sony, menos Sony, e a teia montou-se assim: o construtor civil, por essência, uma das formas mais corruptas de estar em sociedade, conluiava-se com os bancos, que avaliavam a bela obra, ou bela merda, que lhe saía das mãos, e tratava de chapar com 30, 40, ou 50 anos de servidão de juros, por cima do comprador. Todos beneficiavam, o comprador, porque pensava que tinha casa, o construtor, porque via o seu lixo ser avalizado muito acima do preço de custo, e o usurário, que, ao longo de décadas mantinha refém, manso e cumpridor, o seu pagador de juros.
Como se sabe, e como acontece em todos os processos afins, a entropia é crescente, ou seja, começa por ser quase ingénua, até se tornar absolutamente aberrante.
A América, megalómana, decidiu, um belo dia, que ia assumir o lado "rocaille" do tema, e a bolha estoirou, porque nesta jigajoga de dinheiros inexistentes, de proventos futuros da usura dos juros e da presença crescente de almas cada vez mais negras no processo, emergiram aqueles que viviam do virtual do virtual, como o célebre Madoff, uma espécie de híbrido de Dias Loureiro com Vítor Constâncio, que fez colapsar o sistema financeiro americano, e apanhou com 150 anos de prisão, enquanto cá o maçónico era promovido a vice presidente do Banco Central Europeu e o protopedófilo, traficante de armas e facínora era condenado a férias bronzeadas, em Cabo Verde, e em Cascais.
O Sr. Obama, um caneco, portanto, um gajo cuja cor de pele, sendo mista, não sabe a que matriz obedecer, e, pelo sim, pelo não, trai ambas, estúpido, como é tradicional na linhagem dos piores ocupantes da Casa Branca, achou que isto tudo se resolvia com um "Yes we can", e uma preta que gostava de férias, amantes e vestidos caros. A Europa, imbecil, e sempre viciada nas suas nostalgias de Maio de 68, lá engoliu o anzol, e baixou as defesas, embarcando na mais espantosa fraude do início do séc. XXI, que era ter um pseudoamigo a destruir a recém construída moeda única.

O cenário europeu é desastroso: o célebre Clube de Bilderberg, que coloca os mais incapazes nos mais altos postos de decisão chegou ao cúmulo de semear o Velho Continente de palhaços descarados, cujos nomes vos são familiares, Berlusconi, Sarkozy, Sócrates, Blair, Merkel, Rajoy e mais uns quantos que vocês vão enumerar, porque a mim não me apetece mesmo nada, agora, por questões de vómito.

A curiosidade histórica, todavia, talvez nunca tenha sido enunciada, tal como eu a vou fazer hoje: o célebre eixo Franco-Alemão, que chegou a ser aristocrático e estruturante, está, neste momento, nas mãos de uma mulher que alguém já classificou como das mais perigosas da contemporaneidade, uma mulher a dias, que, quando a Europa séria se estava a construir, lá vivia num miserável quintal, chamado Alemanha de Leste, onde os amanhãs cantavam, tal como o solzinho dançava em Fátima. Suponho que essa criatura, provinda de onde veio, tenha tido uma infância, uma adolescência e uma idade madura miseráveis, uma espécie de Maria de Lurdes Rodrigues a falar língua de cavalo, e que rapidamente se esqueceu de que toda a Europa civilizada se cotizou, para acolher a porcaria geográfica e política de onde ela vinha, apoiando uma coisa que ainda cheirava a Iluminismo, que foi a reunificação da Alemanha, um ajuste de contas da História consigo mesma. Como se sabe, a essência de uma mulher a dias é inalterável, desde o motor imóvel, de Aristóteles, portanto, a criaturinha nunca consegui ver mais acima do lado cinzento do Muro de Berlim, onde não se grafitava, exceto com o sangue dos que queriam fugir para o lado de cá.
No que a Sarkozy, um cocainómano descarado, se reporta, a história não deve ter sido diferente, já que, por muito sangue azul que queira invocar, como o Nuno Crato -- esta vão confirmar: "primo-sobrinho-trineto em 2º grau do 1º Barão e 1º Visconde de Nossa Senhora da Luz", porque revela todo um caráter -- a verdade é que se a Hungria era tão boa, não se percebe porque saiu de lá, de onde se intui que foi mais uma espécie de retornado de um "comunismo" em agonia.

Deriva do anterior que a Europa Ocidental está, neste preciso instante, na mão de dois trastes justamente provindos daquele erro histórico -- a Cortina de Ferro -- contra a qual a sofisticada Europa Ocidental se ergueu. Isto é tão espantoso quanto verdadeiro, que é o facto dos cabecilhas do nosso espaço cultural, ideológico e civilizacional nos terem empurrado para cair nas garras de tudo aquilo que o pós guerra passou o tempo a combater.

Se nunca tinham pensado nisto, pensem agora, porque é tarde demais.

Se me é permitido um juízo pessoal, agarrava na Merkel e no Sarkozy, e dava-lhes o mesmo tratamento que os Romenos deram ao Ceausescu e respetiva boca da servidão, aquando da queda do Muro de Berlim, mas esqueçam o que eu escrevi: foi uma coisa que se me escapou...

Curiosamente, ao assumir as taras das economias planificadas, o Capitalismo, que já estava transformado na lepra da usura, tornou-se, subitamente... marxista, com umas bestas nomenklaturadas a arrotarem postas de pescada, e a exigirem que a liberdade e maleabilidade dos fluxos económicos e financeiros se escravizassem aos programas estalinistas desses tarados de uma Europa Oriental, que tinha caído de podre.

Para evitar que isto se alongue, muito, até porque há muito que escrever, nestes dias breves que vão anteceder os levantamentos militares, em Portugal, eu vou fazer uma breve análise do estado da Nação, no dia 24 de novembro de 2011, dia de uma memorável indignação geral, como nunca se viu.

A cabeça do Estado não existe: é um saloio, vindo do interior algarvio, com graves problemas do foro neurológico. A segunda figura é uma provinciana, com sotaque de criada de fora, ou lavadeira, como queiram, ignara, até à quinta casa, de tudo, a começar pelo Regulamento da Assembleia da República, e que, estúpida, como todas as ladies gagas do seu género, resolveu confessar que tanto servia para a Opus Dei, como para a Maçonaria, o que explica a ligeireza com que foi eleita para o cargo, e agora vem o pior, porque, supondo nós que o Parlamento é o espaço da democracia representativa, onde nós colocamos os nossos eleitos, de acordo com as nossas preferências políticas, a verdade é substancialmente outra, porque o que acontece não é termos lá grupos parlamentares do PSD, do PS, do PCP, do BE, ou do CDS, entre outros, mas sim grupos sombra, que se chamam Maçonaria, Opus Dei, Opus Gay, Opus Fufa, Hammerskins, Traficantes de Armas, Traficantes de Droga, Traficantes de Corpos, Pedófilos, Traficantes de Plutónio, entre outros, numa geometria variável, para a qual, involuntariamente, contribuímos, quando votamos. Sendo mais explícito: ao pensar eleger um democrata cristão, poderei estar, sem saber, a acrescentar mais um deputado ao Grupo Parlamentar das Bichas, assim como votando num certo PSD, estarei a votar num membro de um bando de assassinos, de velhas ricas do Brasil, e por aí fora. Há os casos sintomáticos e patológicos, em que, "suddenly", convergem várias seitas, caso da pálida e insípida senhora de Mota Amaral, conhecida como alto membro da Opus Dei, que, ao mesmo tempo, ao fazer à Maçonaria o favor de declarar inválidas as escutas do "Face Oculta", e vindo do tempero Gay associado à subsecção da Pedofilia de Rabo de Peixe, do "Farfalha", cumpre um cúmulo de pertencer a quatro grupos parlamentares-sombra, ao mesmo tempo. De aí, um motorista, gabinete, secretária e BMW.
Um autêntico estudo de caso.

Objetivamente, quando se chega a este estado, a democracia representativa está morta e enterrada, e é necessário abater, pela força, o Sistema.

Judicialmente, e aqui vamos ao mais grave da questão, terminou a separação de poderes, no momento em que vemos um Procurador-Geral da República a pedir inquéritos urgentes sobre fugas de informação de crimes graves, em vez de pedir a aceleração das sentenças dos referidos crimes. O lado felliniano da coisa, é isso ir sempre parar às mesmas mãos, uma tal de Cândida Almeida, que, em termos de maquilhagem, parece a Amália, na fase terminal.

Honra lhe seja feita, é o melhor detergente do mercado...

Queria deixar uma palavra de estima para Carla Cardador, uma juíza que se atreveu a prender um cadastrado maçónico, Isaltino de Morais, que o Supremo Aventalinho imediatamente pôs na rua. Com um pouco de sorte, ficará bloqueada, para sempre, na carreira, como o célebre Rui Teixeira, que foi prender o pedófilo Paulo Pedroso, e nunca mais progredirá no qu quer que seja.

Um país destes só pode estar bom para Pintos da Costa, Claras Ferreiras Alves e Dias Loureiros.

Esta gente devia estar toda presa.

Suponho que será por estas e por outras coisas que amanhã se dá o primeiro passo para o dia em que uma multidão de silenciosos militares irá proceder, em silêncio, 30 de novembro, defronte do Palácio da Vergonha da República, a uma pacífica transição de regime

(Quatro castelos de brio militar no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")



terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Dia Cívico









Amanhã é um dia importante. Independentemente das nossas convicções políticas, e eu já não tenho nenhuma, os Portugueses terão oportunidade de exercer o seu Direito à Indignação, consignado na Constituição, artigo que resistiu a todas as revisões, talvez por que seja a única coisa que ainda nos resta.

Pela segunda vez na história da Democracia, todas as forças se conjugam, para dizer que há uma coisa que são oscilações políticas, outra, as fronteiras da dignidade humana.


Não entrámos, em 1985, para a Comunidade Europeia, para estarmos, em 2010, na eminência de aderir ao Magreb.

Este ato cívico, "Greve", como lhe chamam, é a segunda vez que sucede na história recentíssima do Estado Democrático. Pela segunda vez, surge num momento em que o Estado é uma vergonha, e não é Democrático, e, pela segunda vez, sob a tutela da mesma figura sinistra, o homem a quem Portugal deve a sua lenta e intolerável agonia, um provinciano, com horizontes dos anos 30 do séc. XX, chamado Aníbal Cavaco Silva.

Da primeira vez, essa criatura, a quem devo a destruição do MEU país, era vigorosa e arrogante: raramente tinha dúvidas, e nunca se enganava. Não lia jornais, e comia bolo rei para as televisões, sempre que o Mundo se desmoronava um pouco mais. Da segunda vez, esse subproduto das províncias do Sul está senil, e faz o papel do enjeitadinho que só espera pelo tempo, para inscrever um segundo mandato no seu miserável currículo. Pelo meio, ficou um país em ruínas, Cauda da Europa, Cabeça da Desigualdade, Corpo da Desvergonha, Braços da Injustiça, e Pernas da Impotência.

O meu coração é contra este homem, e contra tudo aquilo que ele fez ao NOSSO país.

No Manual de Epicteto, há a célebre frase que diz "há o que depende de nós e o que de nós não depende". Na História de Portugal, há o que é culpa de Sócrates, e aquilo em que Sócrates não tem culpa. Temo-nos entretido com crucificar um tipo que é assumidamente medíocre, mas se mantem razoavelmente bem, no número de equilibrismo que agora estamos a ter de protagonizar, mas isso é tema para outro texto. Hoje, o momento é de horror, e volto a relembrar Epicteto, para dizer: há o que é culpa do Cavaco, e aquilo no qual Cavaco não teve culpa.


Cavaco não teve culpa de, durante a sua penosa presença em Belém lhe terem posto, num prato, a fatura da espantosa refeição que alimentou, desde o Grande Desastre Português de 1985, que não foi ter então, à frente do Governo, um europeista, um homem de vistas largas, e um estadista com projeção mundial. Dir-me-ão que tivémos o que merecíamos, como com Salazar, mas gostaria de tentar ser justo e dizer que não tivémos o que merecíamos: tivémos um fortíssimo azar, que agora nos está a custar todas as partes do corpo. O desgraçado da rua não sabia que não se pode transformar um país numa mera bancada de importações: há que salvaguardar setores chave, para os dias difíceis que atravessamos. Esse cavalheiro, o coveiro de Portugal, destruiu a Agricultura, vendeu as Pescas, fechou as minas, desmantelou as vias férreas, tornou-nos totalemente dependentes da energia exterior, cauterizou as florestas, arruinou os litorais e o turismo, e acabou com os estaleiros e com a metalurgia, e -- pareço um comunista a falar... -- minou todo o tecido social da Pátria, com a proliferação de bancos suspeitos, e assentes em negócios sujos. Só não colocou toda a gente na precaridade, porque estava à espera de sucessores que, como Sócrates, o fizessem, ou de que a Função Pública "morresse de velha". Politicamente, a sua herança foi um partido destroçado, totalmente afastado dos ideais que o tinham levado a lutar pela restauração da Democracia, escalpelado de PPD, e completamente entregue a um "PSD" de durões barrosos, dias loureiros e "majores" sem qualquer patente.

O Sr. Sócrates, que agora por ai anda, delirante e ridículo, pensava que isto era para o "jogging", mas não era, porque já então estávamos em rampa irremediavelmente descendente, mas ainda começou a brincar aos cavacos, e saiu-se muito mal, porque ele tem a sina de errar quase sempre, e só agora descobriu o preço que se paga pelas dúvidas dos momentos decisivos.

Este é o tempo da má moeda: a nota de 500 € está, angustiadamente, em Belém, à espera de que passe o dia 25 de janeiro. Eu estou, preocupadamente, a escrever este texto, da noite de 23 de novembro. Pelo meio, há uma série de figuras menores, uns boys do Centrão, à espera de que não lhes toquem nos salários da austeridade. Podem estar descansados, porque ainda não tocam esta semana: é para a semana que vem, quando as forças externas, fartas desta palhaçada, decretarem que Portugal é uma Economia fora da lei, governada por inconscientes e cadastrados.

Reza a História que a vingança é um prato que se come frio. É verdade: é simbólico que o Cavaco velho apanhe com as culpas do Cavaco novo. Alexandre Dumas escreveu "Os Três Mosqueteiros", e, depois, os "Vinte Anos Depois". Na Literatura, estavam, então, mais gordos e sorumbáticos. Em Portugal, ele, Aníbal, está mais senil e impotente, supostamente camuflado por detrás de protagonistas de fancaria, e nós vamos pagar, e caro, essa nossa tendência para apostar sempre no cavalo errado.

Quando, em 1985, traiu Mário Soares e a memória de Mota Pinto, que se tinham conjugado, com o FMI, para tirar Portugal de um impasse, pensou que a sua "rodagem" da Figueira da Foz poderia durar para sempre, nas mãos de ferreiras do amaral, de oliveiras e costa e quejandos, mas não durou. Teve azar, e foi o último a ficar na sala, com o mórbido repasto por pagar.

Para que não se diga que este é um texto lúgubre, deixo a frase com que os vossos filhos e netos poderão ler o nosso tempo: sempre que Portugal esteve na corda bamba, Aníbal de Boliqueime manteve-se na sua corda bimba.

Espero que amanhã receba mais um aviso severo. Pela minha parte, estou a terminar, "et pour cause", este texto, antes da meia noite.

Os meus sinceros desejos de um Excelente Dia de Indignação Geral