Mostrar mensagens com a etiqueta Manequim dos Anos 50 da Rua dos Fanqueiros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manequim dos Anos 50 da Rua dos Fanqueiros. Mostrar todas as mensagens

sábado, 12 de fevereiro de 2011

As Múmias de Boliqueime: do alto deste palácio, quarenta anos de atraso vos contemplam





magem do Kaos

Há revoluções que são como os rios: começam por um simples fio de água e espraiam-se, depois, em infindáveis oceanos.
Creio que esse seja o espírito do Nilo, e, hoje, o Deus Serápis voltou a levantar os braços no Cairo e Alexandria. Para um cético, como eu, prefiro fixar-me nas imagens, e pelas massas que ondulam, em vez de me embrenhar pelos abismos da futurologia. De aqui a muitos anos, aconteça o que acontecer, serão essas imagens que guardarei comigo, como no dia em que o Muro de Berlim se desfez, e em muitos outros, raros, dias, da nossa memória finita.
O futuro das revoluções só é julgado muito tempo depois, pelos vindouros, para quem elas foram eventos de um distante passado.
Hoje é tão só o dia das marés de gente, das cores das bandeiras e dos civismos de multidões pelas quais passaram alguns dos mais altos momentos da História.

Hoje, no Cairo, dança nas ruas a memória do Unificador das Duas Terras, Ptah e Imoteph, a triologia de Gizeh, a impenetrável Abidos, a grande Hatschepsut e Tutmés, o Grande, o hermético Akhenaton, Nefertiti, o trono infantil de Tutankhamon, os Ramséssidas e os tesouros núbios de Tânis, a voz de Necao, que mandou os fenícios fazer o primeiro périplo de África, Nectnanebo II, que compunha cartas astrológicas para Olympia, a mãe de Alexandre, os Lágidas, César, António e Cleópatra VII, Cesárion e Ísis, Selene, o Farol, o Museu e a Biblioteca, Euclides, os tradutores gregos do Biblion, Hipatia, Justiniano e os homens do deserto, Heráclio, Saladino, os Mamelucos, os sultões escravos, Kavafis e um rio enorme e eterno, que desenha no Céu e na Terra, a monstruosa barragem de Assuão.

Hoje é hoje, e o hoje não é amanhã. O amanhã logo se verá, e vivamos, como as bacantes, as noites dos ardentes dias de hoje. Quando, pelas cinco da manhã, o sol escaldante do deserto voltar a recortar o eterno sorriso de Kéfren, grafado na Esfinge, deveremos questionar o futuro, porque o futuro será feito de coisas que aí vêm, muito breves, mas hoje não me interessam.

É bom saber que o Mundo, cansado da sua impenetrável idade, voltou a respirar uns quantos raros momentos de juventude, e que, mesmo eu, inveterado pagão, avesso aos credos do Livro e da chacina, estou agora a olhar, mudo e quedo, para o Nilo das gentes que ainda acreditam nas mudanças.

Nenhumas destas coisas são passíveis de comparação, mas, enquanto o Norte de África se liberta do seu bolor, sem saber o que lhe reservarão os dias próximos, nós, Portugueses, povo sem solução, mais uma vez deixámos que se arrastassem para o topo do Estado cadáveres adiados sem futuro, carregados do pior bafio.
O Tribunal Constitucional desta coisa agonizante, chamada "República Portuguesa", parece que relembrou que o cidadão Aníbal Cavaco Silva iria, a partir de Março, exercer uma lenta agonia no Palácio de Belém.

Confesso que, depois daquele dia aziago de janeiro, em que uma maioria absolutíssima de portugueses disse a esse homenzinho que o tempo dele tinha acabado, pensei, enquanto escritor, que estivéssemos a assistir a um mero roteiro e virar de página de jornal descartável do metro. Votavam no homenzinho, só para que ele pudesse escrever no currículo que tinha sido duas vezes presidente da vergonhosa coisa portuguesa, mas não foi assim: de facto, o disparate desse dia iria corresponder a uma longa indução em coma, com previsibilidade de duração de 5 anos. Quer isto dizer que, quando o Magreb do Sul, hoje, se começou a livrar das suas múmias, nós, Magreb do Norte, alçámos ao nosso pequeno teatro de revista mais um miserável número de "vaudeville", presépios e visitas a lares de mongolóides.
A preceito, esta enorme paralisia cerebral coletiva precisava da sua Praça Tahrir, aliás, precisava de várias, de marés de gente cheia de espontaneidade, que tirasse os sapatos e os mostrasse a esta corja, agora incarnada por uma mumificação algarvia.

Nada disto, aliás, não cheira nem bem, nem mal, porque já perdemos o olfato e nos deixámos anestesiar por uma ignominiosa rotina de passividade. Perdemos a História e o Tempo, e, enquanto os nossos vizinhos vêm para a rua cantar agora o rumor das massas esperançosas, nós veneramos o pão bolorento, endividados, até à Eternidade, por uma multidão de crimes sem castigo.

Essa... "coisa"... que o Magreb do Norte vai colocar no palácio presidencial português é a sombra de um dos maiores desfalques dos dinheiros públicos a que este país já assistiu, o BPN. Eu sei que não têm verdadeira ideia da dimensão disso, esse... BPN, mas eu vou traduzi-lo por palavras: o BPN é uma espécie de casa pia do freeport de entre os rios dos fundos sociais europeus, onde o apito dourado soava como a fundação hemofílica de um furacão da noite branca, a cobrir de modernas, independentes e lusófonas, a cortiçosa mancha do processo do parque de portucale, no meio de um som de ensurdecedoras sucatas de submarinos.
A fatura será um buraco sem fundo, até à morte dos nossos netos.

Se isto fosse um país, e não um ajuntamento de pessoas, quando as caricaturas de Boliqueime se dirigissem, em Março, a Belém, para nos envergonhar mais cinco anos, deveria haver umas milícias da renovação, que os agarrassem pelos braços, e os obrigassem a uma reclusão, para sempre, nas suas aberrações arquitetónicas do Quinta da Coelha, para tratar dos netos, lembrando que o povo que outrora dominou as Rotas da Pimenta não pode agora estar condenado a respirar pó de múmia para todo o resto da sua História.

(Quinteto de Alexandria, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma Aventura Sinistra" e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

As Presidenciais, vistas por uma dentadura





Imagem do Kaos, e dedicado ao  Kaos, que acha que não há textos à altura das imagens dele...


As Presidenciais e o Egito levaram-me a fazer contas, coisa na qual sou profundamente incompetente, mas, olha, fez-me bem, antes isso do que um beijinho nas feiras, dado pelo Portastucale.

Então, é assim: Cavaco Silva, também conhecido pelo Saloio de Boliqueime, não foi eleito por 75% dos Portugueses; Manuel Alegre, o Garrafão de Águeda, não foi eleito por 80% dos nacionais; Fernando Nobre, o consolo das enfermeirinhas, levou um voto contra de 86% dos lusitanos; O Chico que faz falta não fez falta a 93% dos votantes; o Coelho divertiu muito, mas lá houve 95% de peregrinos de Fátima que não viram nele o solzinho a dançar, e por fim, o outro, de cujo nome nem me lembro, só ficou com a rapadura do fundo das urnas.


O resto da história é, como verão, do domínio do Egito e da Ortodoncia.

Aníbal de Boliqueime, uma arrastadeira em forma de Américo Thomaz, com os seus 75% de Portugueses que foram incapazes de ver a forma radiosa, e de esperança, que dele, e do seu coirato-fêmea, emanam, teve uma eleição que pareceu hermética, mas era uma esperança de futuro: o Egito, à cautela, enviou duas das suas múmias para Belém, uma espécie de arca de noé das múmias, não fosse a coisa dar para o torto, mas enganaram-se, porque, se o mundo arder, aquelas duas múmias não vão poder assegurar, pela reprodução, que o mundo se volte a repovoar de múmias, pelo que a espécie se deverá extinguir ali. Portanto, por favor, não deitem fogo ao Tutankhamon, senão, ainda se arriscam a assistir ao Sr. Hawass, esse vampiro das antiguidades, a reclamar que o Sr. Aníbal e a Ti Maria voltem a repousar nos seus sarcófagos poeirentos do Cairo, ou no Vale dos Reis, rebatizado, Vale dos Bimbos.
Com Portugal em rotura de financiamento externo, só a Irmã Lúcia saberá se esse dia não esteve mais perto.
Era uma benção, confesso, para mim, e para mais 75% dos Portugueses...

A segunda parte é mais interessante, e prende-se com a Ortodoncia, e creio que o que vou escrever é tão revolucionário como o dia em que Copérnico resolveu desenterrar Hiparco, ou o Tio Einstein escreveu uma parvoíce do género que achava que dependia do ponto de vista da claque do clube se eram os comboios que andavam, ou as linhas férreas. Em dia de greve da CP isto é quase litúrgico, e premonitório.

Suponho que os 75% de votos de inteligência contra o Vacão de Boliqueime, responsável pela destruição do tecido agrícola, industrial, ferroviário, produtivo, cultural e educacional de Portugal, enquanto primeiro ministro, e, agora, na sua nova fase da ternura da algália, ainda não foram abordados por um prisma que considero extremamente interessante, quer do ponto de vista etnológico, quer sociológico, quer, et pour quoi pas?..., higiénico.

A verdade é que 25% dos dentes de Portugal votaram no Manequim dos Anos 50 da Rua dos Fanqueiros.

Ora estes 25% não são 25% de quaisquer dentes, mas de dentes que viveram as glórias do último Salazar, que rangeram em Fátima, que votaram contra o aborto, que apostaram na inocência de Carlos Cruz, que uivaram de cio, com as visitas de Paulo VI, João Paulo II e Benedito XVI, Ratzinger, que gemeram, quando a Irmã Lúcia deixou de estar calada para se poder tornar numa das maiores intriguistas e "códrilheiras" do Purgatório, que apontaram o dedo às moças brasileiras, que trabalhavam, por conta própria, na terra das mulheres de bigode de Bragança, que chamaram "puta" à Carolina Salgado, e "inocente", ao Pinto da Costa, que profanaram as cerimónias fúnebres do Carlos Castro, enfim, todos aqueles dentes profundo, que, de cada vez que Portugal dá um sacolejão para trás, estão sempre na posição dos caninos, e remoem o "Pügrèsso" no bafio dos molares.

Falta contabilizá-los, porque esta contagem de dentes eleitorais é fundamental, para a análise idiossincrática de uma Nação cansada de 900 anos de (pré) História.

Dizem os especialistas, que, dada a conhecidíssima higiene oral dos Portugueses, aliada a deficiências de alimentação, a uma carga genética, que vem desde a Lucy, e passou pelos austrolopitecos todos, até se fixar no Pinto da Costa, no Valentim e no João Loureiro, por volta dos 65 anos, o Português de Lineu, já só tem, dos 32 dentes iniciais, cerca de metade, baixando, aos 70, para 10, e passados os 80, para 3 ou 4, consoante tenha nascido em ano simples, ou bissexto. Ora, e considerando que distribuição dos dentes da boca dos eleitores do Sr. Aníbal é tudo menos uma Curva de Gauss, vamos adotar um modelo de regressão exponencial inversa, partindo de 16 dentes, até chegar, no caso daquela militante, que sempre votou, desde o tempo do Marechal Carmona, no Partido do Governo, Ação Nacional Popular, também conhecido pelas Avós de Boliqueime. Não quero incorrer no vício de me tornar demasiado técnico, como fazia o filho da puta do Constâncio, que arredondava os roubos dos Portugueses, pelo que vou já regressar à aritmética elementar, e fazer umas continhas à Ferreira Leite.

Tendo em conta que a Comissão Nacional de Eleições se enganou no número de inscritos, e cruzando os valores com a pirâmide etária portuguesa, que parece Keops a fazer o pino, ou seja, meia dúzia de casapianos na base, uns quantos renatos seabras nos socalcos acima, a Bocarra Guimarães e o Zeinal Bava a meio, o Zezé Castel Branco, no centro de massa do sacarrolhas, e as múmias todas do Cairo lá no topo, a receberem reformas milionárias, entre os 5000 e os 50 000 €,
dizia eu
de que
1 124 074, e mais um quarto de avózinha, votaram no Epilético de Boliqueime.

Se considerarmos que, deste número, cerca de 30% tem 16 dentes na boca (e os restantes em Fátima), os outros 30% já só tem 10 (e os restantes na campa das pastorinhas), e que mais os outros 30% já só têm 3, vá, lá 4... não, 3, porque estamos em austeridade, isto faz... deixa cá ir à calculadora... temos 5 395 555 mais 3 372 222 mais 1 011 666 de dentes que votaram no sarnoso do Aníbal, o que faz, ora faz... números cariados... aí uns 9 779 443 de dentes aboliqueimados, ora isto é muito dente, e, se fossemos autopsiar o fenómeno ainda mais a fundo, isto é quase a população toda de Portugal, em forma de dentes, só que há uns dentes mais iguais do que os outros, pelo que destes quase 10 000 000, teremos, certamente, os brancos, os amarelos, os semicariados, cinzento cinza, e os negros, da Nazaré.

Eu sei que faltam aqui uns 10%... já me estão a fazer sinais lá no fundo que me enganei nas contas... não não enganei, faltam 10% desta maltosa, cerca de 112 407, que só não vieram aqui, porque acabaram de chegar do cordão humano de apoio ao Estripador de Cantanhede, e da Petição da Estrelinha da Esperança do Afeto, ou lá que nome tem essa merda, em que há gente que ainda se enleva, e empolga, com assassinos psicopatas. Suponho que esses tenham, em média, 25 dentes. Feitas as contas, ao estilo BPN, vamos, pois, aos 10 000 000.

10 000 000 de dentes é muito, muito, dente.

Do alto desta tribuna, e, agora que tanto se fala de pôr 1 000 000 de pessoas a descer a Avenida da Liberdade, para exigir a demissão da "Classe" Política toda, eu quero chefiar uma contramanifestação, e pôr os 10 000 000 de dentes brancos, amarelos, verdes, cinzentos, negros, e cor de burro quando foge, que votaram no Bimbo da Bomba, a subirem a Avenida da Liberdade, para lutarem contra esses inimigos do Sistema, essa gente, gentnha, gentalha, que quer impedir que sejamos felizes e encolhidos, os mais modestos, do Salazar, em suma, que, ao contrário do Cairo, demos, aliás, "dêiamüs", o exemplo, e acabemos o Mundo... à dentada.

(Prótese dentária cariada, à espera do FMI, no "Arrebenta-SOL", no "Uma Aventura Sinistra", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", e nas putas do "Braganza Mothers")