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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Uma alimária chamada Nuno Crato


Imagem do Kaos


Sei que já o disse muitas vezes, mas nunca são poucas as que o repito: há, em Portugal, duas pastas, que, pelo seu caráter específico, podem sempre ser ocupadas por qualquer pessoa, e estou a falar da Educação e da Cultura. A da Cultura é indiferente, já que a Cultura ou existe, ou não existe, e a nossa está a apagar-se, sendo que o respetivo Ministro, ou Secretário de Estado, é um mero "bibelot" que lhe põem em cima, para dar trabalho, e dinheiro, a um amigo, de preferência, profundamente estúpido e arrivista, e mostrar ao Mundo que nos estamos a tornar progressivamente irrelevantes, nos nossos sinais heráldicos. 

A Educação já é mais complexa, porque a questão é sempre do que estamos a falar, quando falamos de Educação?

Em Portugal, já que ainda não chegámos à fase de poder dizer "Educação = Cristiano Ronaldo", ou "Educação = Mourinho", o que não tardará muito, ainda se anda na fase das polissemias do "rigor", associadas às inúteis provas de esforço dos "exames", onde quem lá vai só ganha para o esgotamento nervoso, e para dar trabalho a uma enorme comitiva de espantalhos, que têm de ficar a fazer o número da estátua, pelas salas esburacadas, a fingir que a coisa tem dignidade, e depois apanharem com as chuvas de negativas.

Os exames já passaram por tudo, desde tentar ensinar Português através de tiras requentadas de jornal, do cocainómano Miguel Esteves Cardoso, até àquela patologia que nunca mais se titaniza, da insuficiência linguística do Mercador de Lanzarote. Com Crato, talvez a criatura mais estúpida, da tríade Lurdes, Alçada, e ele próprio, as aflições passaram para a Matemática, assunto do qual ele não percebe rigorosamente nada, já que, em vez de lhe perguntarem os cronogramas de exames a que devem ser submetidas as criancinhas, antes deveriam perguntar por que é que (-5) x (-5) é igual a +25, onde o homenzinho ficaria a gagejar, e lá acabaria num inevitável "porque sim", quando um dos fulcros da iliteracia matemática está, justamente, em apresentar, como postulados, o que não é mais do que um derivado de acerto de equações, ou seja, de operações com quantidades desconhecidas. Nesta fase, já ele estaria de boca aberta, a fazer "Han???... repita lá isso...", e enquanto ele fazia "haaaann???...", já o país teria perdido mais meio dia de atraso, relativamente à Civilização.

É sabido que Passos Coelho, um incompetente de carreira, foi escolhido pelo Sistema, para fazer recuar os índices de conforto e de literacia aos do tempo do Vacão de Santa Comba Dão, para que Cavaco Silva se cure do trauma de ter tido uma carreira interrompida por uma chatice, chamada 25 de abril. Fraquinho, remediado, com a sua mãe de santo sempre ao lado, a acompanhá-lo, para quando a coisa não vai a bem, e tem de meter macumbas, com o Relvas no bolso, a quinta essência da mediocridade do arrivismo e do despudor, aquele que se mantém, "não por que sabe, mas porque sabe como fazer", ou seja, o latoeiro, que dá um jeitinho na sucata, e consegue que o motor pegue, de empurrão, como naquelas tristes figuras de meio de estrada, em que uns neanderthais, de manga cavada, a tresandarem a álcool, e só com metade dos dentes na boca, conseguem entre baforadas de combustão tóxica, pôr uma carcaça, fora de prazo, passada com "luvas", na inspeção, a poluir mais uns quantos metros cúbicos de atmosfera, por ali afora.

No tempo do maior português de sempre, havia três categorias de portugueses, aliás, quatro: os que eram filhos de alguém, e faziam o Lyceu, para irem para um curso superior; os que fingiam ser filhos de alguém, e se punham nas pontas de pés, para imitarem os percursos dos filhos de alguém, e até lá iam, quando não se espalhavam pelo caminho; em seguida, vinham os que, por mais sonhos e aspirações que tivessem, se tinham de submeter aos atavismos da proveniência familiar, e aos apertadíssimos espartilhos financeiros, com que esse ogre, que nos deu 50 anos de atraso, os presenteava. A bem ou a mal, por que, como todos nós cá "éramos mais modestos", eles também tinham de se submeter às contingências da modéstia. A quarta espécie é a pior de todas, já que, desprovida do que quer que fosse, tinha de se contentar com assinar com o polegar molhado em tinta, e coexistir com a vergonha de pedir ao vizinho que lesse a carta do filho, que lhe vinha da Guerra de África, cheia de "propriedades", e, geralmente, com uma perna, ou uma mão a menos, quando não ficava lá o corpo por inteiro. Era uma desgraça, mas o país arrastava-se assim, tal como o retrata o brilhante documentário de João Canijo






Quem para isto olhe, das duas uma, ou fica de boca aberta, ou fecha-a com os dentes bem cerrados, para evitar morder alguém, porque ainda há quem ache que nunca deveríamos ter passado disso, e que nesse tempo "é que era bom".

Como em todos os tempos, era bom... para quem podia, e a maioria não podia, nem sequer sabia o que era poder poder.

Nuno Crato, o tal que não percebe peva da Pasta que ocupa, e não vem da Matemática, mas da Gestão, ou seja, tem os tiques da Lurdes, associados aos sorrisos de camelo da Alçada, e, agora, culminando numa economia de cadeiras, um pouco à Burkina Faso, em que, na sala, não podem estar todos simultaneamente sentados, e aqueles dois lápis têm de servir, à vez, para os quarenta desesperados, e enquanto o bico durar, porque não há aparador para a grafite, nem dinheiro para mandar vir mais, porque o BPN continua a carburar.

A fenda cruel da Lurdes, na qual alguns conseguiam encontrar o pré câmbrico do sorrir -- o que realmente separa o humano do não racional -- e ela não sorria, só entregava a fenda a ligeiras oscilações quânticas, que os jornalistas interpretavam como oráculos dos seus estados de alma, a que se seguiu o sorriso néscio da tia da "Versailles", que achava que ficava bem fazer um esgar, depois do capilé, culmina agora no arreganhar da tacha de Nuno Crato, onde a estupidez profunda, a incapacidade para esconder que está ali somente para fazer um frete encomendado por gerações de incompetentes -- nunca nos esqueçamos de que a moda começou com David Justino, uma nódoa, que era assessor do impoluto Isaltino de Morais, lá passou pela Pasta da Educação, que todos os portugueses, como comecei por dizer, podem ocupar, e acabou no presépio de Boliqueime, onde tem lugar tudo o que é remediado, sem pretensões, mas capacidade de ser nocivo -- e que agora culminou nas quotas da formação dos Portugueses.

A matéria prima da Educação são os jovens, e o seu fito a construção do Futuro: cada navalhada que seja dada na Educação é um comprometimento nacional, a longo prazo, muito pior do que os contratos assinados, em forma de concessão, por 30, 40, ou 50 anos,  com os escroques das parcerias publico privadas, porque o horizonte da Educação é a Eternidade, seja lá o que for isso.

Com o sorriso da estupidez afivelado no rosto, um certo esgar, entre a bestialidade e o "tanto-podia-estar-aqui-como-noutro-lugar-qualquer", Nuno Crato, "o primo-sobrinho-trineto em 2º grau (?) do 1.º Barão e 1.º Visconde de Nossa Senhora da Luz", como reza a "Wikipédia", fez aquilo a que Salazar nunca se atreveu. Salazar limitava-se a acompanhar os fluxos, e não punha funis nos filhos de alguém, nos imitadores dos filhos de alguém, e, nem nos... outros. Este, com a desfaçatez que a ignorância sempre tem associada, passou do qualitativo ao quantitativo: 50% dos Portugueses serão "doutores", e os restantes... canalizadores, eletrecistas, modistas e reparadores de trompas de falópio de senhoras mal casadas e etc. afins.

Contrariamente ao Catolicismo, que permite que a alma condenada, por derradeira remissão, se salve no último dos últimos minutos, por arrependimento; do Luteranismo, que já é muito mais restritivo, mas ainda dá jus a uma escapadela, aqui, estamos perante Calvino e Zuínglio, que, no seu asqueroso ayathollismo, defendiam que a alma, se já estivesse condenada à partida, bem se poderia tentar redimir, que lá acabaria nas brasas, onde agora estão Eurico de Melo e Saramago.

Resta saber quem vai definir estas quotas dos 50% que terão a salvação, e dos 50% que terão a punição, mas talvez isso nos seja explicado pelo monetarista assassino, Carlos Moedas, pela boca pausada do seu fantoche das Finanças, a caricatura que dá a cara pelos sinistros bastidores que nos arrastaram, e arrastarão, para a ruína total.

Tudo isto é o quintal nacional: lá fora... está pior, com rabis vampiros a chuparem pilas de bebés, com Obama, esse cancro do séc. XXI, a ameaçar ficar "zangado", se o criminoso Assad utilizar as armas químicas que Saddam Hussein lhe pediu para guardar, e só usar, sob jura, depois de ter sido enforcado, coisa que já aconteceu. Todavia, nem tudo é mau, porque a Rússia voltou a tornar-se numa tirania, sob um tzar plebeu, e o "Curiosity" vai descobrir que havia vida em Marte, aliás, isso faz parte das promessas eleitorais do segundo mandato do caneco, que ainda não se sabe se será assegurado pelo caneco, em si, ou se pela sua nova hipóstase, um mormon, que defende que não deve haver aborto em caso de violação, ou incesto, para a mãe depois poder confirmar se a cria tem a cara de quem a violentou, ou se é igual ao pai-avô, que a montou, para estrear o que era dele...

A vida é sagrada, como se sabe, e já foi embarcada no "Curiosity", para ser posta à solta, mal isso convenha para a campanha eleitoral. Até já tem nome, e uma taxonomia associada: os vermes multirresestentes, com cona, receberão o nome de "michellídeos", enquanto os de dentes brancos e vaidade infinita serão os "obamídeos". Vai ser um milagre natural, misturado com causas da fé, e já procrastinados, metade deles, a serem vermes profissionais, enquanto os outros virão para a Terra, para frequentarem Harvard e Stanford, e até a Lusófona, através de equivalências, que lhes concederá os seus primeiros diplomas marcianos.


(Quarteto do tenho tanta, mas tanta, mas tanta vergonha de viver nisto... no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers", escola profissional, de longa data)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A "Loja Mozart", na forma de aventais e aventalinhos, ávidos de fuzilamento sumário





Imagem do Kaos


Salazar, o Maior Português de Sempre, como toda a gente sabe, ou passou a saber, desde que teve direito aos seus tais andywarollianos 15 minutos de fama, num dos recentes programas de sarjeta da televisão nacional, pré monopólio claraferreiralvista, era um homem clarividente: viu o solzinho a dançar; seguiu a luz, durante 48 anos de trevas, mais os 20 do seu sucedâneo, o Cavaquismo; manteve-nos, hirtos e firmes, na cauda da Europa, mas... mas... tinha uma virtude, aliás, duas. A primeira, tão evidente, que não se vê, que é a de ser a quinta-essência do Ser Português, coisa que nenhum daqueles livros de merda do Eduardo Lourenço, ou da bichona do José Gil, conseguiu captar, mas se resume em poucas palavras: um misto de sonso, olhos colocados na nuca, sotaque de falar azszszsim, à Albino Almeida, muito contido nos gastos, doença típica do meio-queque, de Boliqueime, visão curta, sem quaisquer faróis de nevoeiro, cornos exatamente à altura das portas baixas, uma cona rançosa ao lado, para lhe passagear as meias, e uma mãozinha de madeira, para coçar as costas, e uma ética da subcave, que serviu décadas de blindagem a um corpete de medíocres, que se abasteciam na parca manjedoura, que, apesar de curta, tendo poucas queixadas a afiambrarem-se nela, lhes parecia vasta. Era o tempo das 100 famílias, que, quando era preciso, mandavam matar, e matavam mesmo.
A segunda virtude, quanto a essa, sim, premente, foi a de achar que o Português não precisava de mais do que um Partido, eleito por mortos, moribundos e cadáveres adiados, que procriavam, e, assim sendo, proibiu solenemente que coisas, como a Opus Dei, uma aberração do fundamentalismo dos bancos, com crucifixo na porta, Maçonarias, Integralismos Lusitanos, e outros quintais afins, saíssem à luz do sol.
Nunca chegou a ser Franco, nem Hitler, nem Mussolini, e poupou bastante em câmaras de gás, sendo um percursor das energias renováveis, ao utilizar os fornos solares do Tarrafal, para grelhar quem, não estando com ele, contra ele se encontrava. O Tarrafal adorou, e opus postumamente, agora que já está na ternura da pedofilia crepuscular, agraciou o Sr. Adriano Moreira com um doutoramento honoris não sei do quê, a provar que, com o tempo, "elas" se tornam todas sérias.

Houve, depois, aquele sobressalto dos Cravos e o imediato desabrochar dos cravas, que se baseou numa petição de princípio que era a de que tudo o que Salazar proibira deveria agora ser permitido. Objetivamente, isso era uma boceta de Pandora, porque sendo Salazar o Maior Português de sempre, bem sabia o que convinha aos menores portugueses que ele incarnava.
Vem este relambório todo a propósito de uma associação musical, a "Loja Mozart", especializada na venda de aventalinhos e tráfico de influências, que os novatos agora descobriram.
A novidade é uma coisa boa, mas, como já Platão dizia, a novidade não é senão o redespertar de uma coisa já vivida, pelo que não se espantem com esta descoberta, já que era só uma amnésia local, de quem não tem acompanhado o processo...

Suponho que, depois da declaração do Fado, Futebol e Fátima como patrimónios imateriais da Humanidade, venha agora a vez de consagrar estas lojas de música, a Loja Mozart, a Loja Beethoven, a Loja Haydn, a Loja Debussy, e, por que não, a Loja Toy, a Loja Quim Barreiros e a Loja Marisa, como patrimónios materiais da matéria fecal atual.

Já algures escrevi que cada deputado devia ter uma etiqueta... melhor, sempre que entrasse para uma sociedade secreta, devia ser marcado, com um ferro em brasa, no meio da testa, para que, sempre que pensássemos estar a assistir a um debate parlamentar, imediatamente pudéssemos identificar, pela marca do ferrete, que pseudo diálogo de Lojas se estava ali a desenrolar, já que sendo essas lojas crentes profundas no Ser Supremo, de um ateísmo das igrejas às avessas, estaríamos perante um diálogo de diferentes credos, que, como toda a gente sabe, são filogeneticamente mais importantes do que filiações partidárias, já que, como com as crenças, primeiro vem se é cristão, judeu ou muçulmano, e, só depois, monárquico, ou republicano, e, lá para o fim, democrata cristão, social democrata, socialista, comunista, trotskista e outros etc. Deriva de aqui, que o que deveria aparecer, naquelas farsas que são os atos eleitorais, não deveria ser o símbolo do partido, mas sim, entre outras, o triângulo maçónico, o cilício da Obra, ou o triângulo rosa, da paneleirice, em vez de punhos fechados, rosas, setinhas e outras sinaléticas do engana tolos.

Quando Salazar proibiu a Maçonaria, sabia, com ostinato rigore, o que estava a fazer, e eu vou passar a descrever o juramento que essa gente faz, para que o comum dos cidadãos saiba onde vota, da próxima, que talvez seja a última, vez que irá às urnas, quando se tratar de substituir esta agonia do Cavaquismo, antes do que aí vem. Jura-se, então, assim, nessas... Lojas: "Eu prometo, e obrigo-me, perante o Grande Arquiteto do Universo (em Portugal, provavelmente, o Taveira) e esta honorável confraria, de jamais revelar os segredos dos maçons e da maçonaria, e de nunca ser causa direta ou indireta de que o dito segredo seja revelado, gravado ou impresso em quaisquer línguas ou carateres que o valham. E prometo tudo isto, sob pena de ter a garganta cortada, a língua arrancada, o coração desventrado; sob pena de ser enterrado nos mais profundos abismos do mar, o meu corpo queimado, e reduzido a cinzas, e lançado ao vento, de modo que mais nenhuma memória minha permaneça, entre os homens e os maçons".

Eu sei que ler uma coisa destas põe qualquer pessoa imediatamente úmida, mas a mim enterneceu-me, e tornou-me mais próximo do Miguel Relvas, e fez-me bem compreender aquele dorido olhar do Zorrinho, em forma de varandas em risco de aluimento, ao dizer que gostava de viver numa cidadania transparente. O Cunhal também gostava, quando escreveu "O Partido das Paredes de Vidro", cuja transparência deixava ver 30 000 000 de mortos do Estalinismo, e até levava o Saramago a defender, até ao fim, as virtudes da longa aberração cubana.

Acho que não preciso de dizer mais nada: por definição, a Democracia é a prevalência do Estado de Direito, que se resume à existência de uma legalidade, vigente e zeladora, que coloca todos os cidadãos em regime de paridade.
Em Portugal, nós detestamos a Democracia, preferimos a cunha, o compadrio e a Loja, sendo que há umas Lojas mais tenebrosas do que outras.
A Crise fez com que todas se tornassem sinistras, e este rebentar das entranhas do Polvo, mais uma vez, mostra que o Regime entrou em agonia. Como dizia o Otelo, cujas conceções democráticas desconheço, as Forças Armadas eram a derradeira defesa de uma Democracia em risco. Acontece que nós já passámos a zona do risco: o risco está agora já bem atrás das nossas costas. O que aqui se descreveu não é uma Democracia, é um cenário anárquico de puros jogos de interesses de sociedades secretas, que regem e agravam a miséria nacional. Curiosamente, até o tempo das garantias militares passou: não sendo já isto uma Democracia, mas um palco da coprofilia, chegou a altura dos cidadãos se entrincheirarem, e defenderem, contra esta aberração. A alternativa suponho que não suporta quaisquer descrições.

Música fúnebre franco-maçónica K.477, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers"

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Cabrão de Boliqueime



Imagem do Kaos

Há uma coisa extraordinária que é o PS, ou o placebo no qual o PS se tornou, com o advento de Sócrates, poder ser, e parecer, insubstituível. Convenhamos que nem Maquivel teria uma receita para tal, mas era elementar: tornar um Estado tão próximo do deserto que qualquer alçar da perna, para uma mijadela contra a parede, logo parecesse uma fonte.

Onde mija um Sócrates português, mija um Passos Coelho e mais um Portas e mais uns dois ou três.

Devia haver, a bem da saúde pública, uma campanha de descontaminação, que impedisse que ex ministros, ex secretários de estado, ex gestores e presentes filhos da puta viessem para a televisão, com ar sofrido, compungido, e grave, apregoar receitas para desparasitar a piolheira que espalharam.
Na TVI, sempre inovadora nestas coisas, passa um programa que é abaixo de cão, onde umas gajas ordinárias, à mistura com uns rabetas tatuados, soltam uns lugares comuns elevadíssimos, ao nível da argumentação do Catroga, um dos quais que foi Ministro das Finanças, quando Cavaco vendia o País com deficites elevadíssimos, e desvios de fundos considerados como política de Estado, contra a argumentação do Teixeira dos Santos, um beiçanas, que parece saído do "Rapto da Serralho", mas em versão tragédia de Ésquilo.

Muito sinceramente, e começando pela conclusão, o que eu mais queria é que esses gajos se fodessem todos, e em fogo lento, para sentirem bem a tensão do que fizeram, porque, e nisto divergimos, eu, e mais uns quantos que costumam contra argumentar comigo, que a "Coisa" começou com o Cavaco, enquanto há quem afirme que o grande patriarca era o Soares.  Se calhar temos todos razão, e vou alinhar com eles, embora coloque o Cavaco à frente, ou seja, sempre que saio a terreiro, é para dizer que, muito antes de Sócrates, de Teixeira dos Santos, de Durão Barroso, ou de maleitas afins, há, e continua a haver, um mal maior, que aconteceu à Democracia Portuguesa, e que se chama Aníbal Cavaco Silva. Contra Cavaco, alio-me com o que vocês quiserem, até com a Cinha Jardim, com o Quim Barreiros, ou com a inocência do Carlos Cruz.

O enredo é simples, e muito ao nível do programa da TVI: entreter o pagode, sentando, à mesa, o máximo de figurantes, para fingir que o País inteiro, mais as suas "elites" de sarjeta, se conluiou, para tentar sair da Crise. Acontece que não há Crise nenhuma, o que há são décadas de gestão desastrosa, de uma canalha que, mais Bloco, menos Bloco, Central, transformou o Erário Público numa espécie de cabides para os amigos, com custos crescentes, produtividade ruinosa, e que agora, num enorme espetáculo mediático, nauseante, pouco imaginativo, e insultuoso para as pessoas, que como eu, e os meus leitores, ainda pensam, num espetáculo, dizia eu, de "patriotas", que estão a tentar salvar, a todo o custo, a gravidez de risco da Bancarrota que eles próprios emprenharam.
Podem tentar o que quiserem, porque já lhes tirei a fotigrafia: a melhor coisa que o criminoso pode fazer é vir, depois de consumado o ato, apoiar a mão no ombro da vítima, e vir-lhe propor ajuda e carinho. Eu quero que o carinho dos Silva Lopes, dos Ernânis Lopes, dos Catrogas, dos Cadilhes, do Mira Amaral, do Medina Carreira, e de todos os outros, cujos nomes vocês aqui vão pôr, SE FODA, porque eles não fazem parte da solução, antes foram as formiguinhas contribuintes, pela sua gestão desastrosa, para que o Estado chegasse ao ponto a que chegou, e não há salvação, pela imagem, que me impeça, mal irrompem pelos telejornais, de apontar o dedo, e dizer, imediatamente, "olha, mais um culpado pelo presente estado desta merda!..."

O PS, como comecei por dizer, safa-se sempre, porque entrou naquele olho do ciclone onde as brisas estão todas paradas: o Aníbal já não pode dissolver as Cortes; a Europa lincha-nos, se não dermos um sinal de que estamos realmente arruinados, e o descrédito político tornou-se, pela perversidade, uma barreira -- sol e sombra -- de proteção da tourada. Digamos que, em vez de separação de siameses, a máquina Gobbels do de Vilar de Maçada conseguiu criar um hipergémeo, inoperável, que berra, como um bezerro, e que temos de aturar todas as noites, com vontade de disparar contra a televisão: um "Orçamento", que aposta em exportações, quando, nos últimos anos só conseguimos exportar lixo, do calibre do Ferro Rodrigues, do Durão Barroso, da Carrilha e do Constâncio, é um delírio e uma aberração. 

Fácil era que isto conduzisse a um vandalismo, e rolassem, mas mesmo em tom literal de sangue, algumas cabeças pela rua, embora creia que, neste momento indómito e fatal, nos restem ainda algumas armas de legalidade, para abandalhar a coisa totalmente.

O PSD, cuja avidez de Poder é insaciável, sabe que este seria o momento mais complicado de intervir em cena, já que herdaria um nado morto, com faturas acumuladas e falidas. Beneficiando da situação, o Vigarista de Vilar de Maçada, e a sua Corja, que realmente já não querem governar, e se podem dar ao luxo de esticar a corda, ao ponto de isto se tornar um vomitório, tornaram-nos o Presente num Inferno, e anunciam o Futuro como um infernos dos infernos, talvez com Dona Adelaide a governar, com um Orçamento Jeová, e metas de execução económica e orçamental resumidas numa só linha, muito ao gosto das Testemunhas: "o Fim do Mundo vem aí", e logo acrescentar, muito orgulhosa, e beijando a fotografia do filho, dizendo, " e foi ELE que o trouxe".

Nos bastidores, e é preciso que isto seja dito, há uma lesma, geneticamente ligada a uma bomba de gasolina, que acha que o Palácio de Belém é um asilo, e que é lá que deve acabar os seus distúrbios neurológicos, ao lado da sua Maria, descambada e de pernas em forma de Arco da Rua Augusta, com o pescoço das chitas de costureira a separar-se cada vez mais do pescoço, tal a falha de Santo André, na Califórnia, e um horrível cheiro a ranço, nos grandes lábios.

"De Senectude", de Séneca, mas em versão de santaria do Norte, com as ronhas do Reyno dos Algarves.

O Sr. Aníbal, culpado mor desta choldra, o gajo que vendeu a Agricultura, desmantelou a Metalurgia, transformou a Indústria em guichés rápidos de importação do que os outros produziam, canalizou os Fundos para as mãos de gente reles, como Dias Loureiro, BPNs e porcarias afins, deu cabo das vias férreas, produziu estradas da morte, multiplicou clientelas, ensinou como o Estado se podia transformar num monstro e epigrafe apátrida do latrocínio, esse senhor, na sua miserável decadência física e mental, quer agora apresentar-se como um dom sebastião de teatro de revista, e gerir "silêncios", que é o modo mais sofisticado que encontrou, para manter a boca livre de perdigotos, agora que já não está na moda morfar fatias de bolo rei para os jornalistas.

Dizia eu que há o mau, e o mau do mau. Sempre que me sento, e penso no Zé da "Independente" e no Saloio de Boliqueime, penso sempre que Aníbal é um fracasso de uma era passada, um Dantas do tempo de Salazar, enquanto Sócrates é um palhaço do meu tempo. Invertam, os termos, se bem vos aprouver, mas acabarão por me dar razão.

A leitura moral deste desabafo é simples: a arma da Democracia é o protesto do voto. O protesto mais próximo do  voto, é neste instante, impedir o inevitável: que o desequilibrado neurológico de Boliqueime volte a entrar em Belém, o que me parece quase impossível, excetuado o Português, que nunca teria imaginação para tanto, lhe dar um duche de votos em branco. Hipótese ainda mais perversa, é a que ouço as minhas amigas tias dizerem à boca cheia: vão votar no Chico, do PCP, só para provocar estragos. Se acordar para aí virado, quem sabe se não farei o mesmo, para mandar à merda o Aníbal, o Bêbedo, e o soarista das Enfermeiras...

Quanto ao PSD, restava-lhe, se não estivesse enterrado nisto até ao pescoço, e a tentar escorar um Governo morto, que, se cair, lhe cai em cima, fazer uma coisa que ficava bem, e era Oposição civilizada: deixar para os incompetentes que fizeram este Orçamento o ónus total da sua aprovação. Era simples: quando se passasse à votação, levantavam-se em peso, e abandonavam a sala,  como fazia o Alegre, sempre que a coisa podia prejudicar-lhe a vaidade, deixando os restantes lacraus entregues a si mesmo.

Não custa sonhar. Sonhei, ao longo destas linhas. Amanhã, a realidade trar me á, de novo, ao pesadelo.

(Quinteto, de trompas em surdina, no "Arrebenta-SOL", no "Uma Aventura Sinistra", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The braganza Mothers")