terça-feira, 29 de março de 2011

Sócrates e o seu "Dia da Dignidade"



Imagem do Kaos e dedicado ao xatoo, em homenagem ao criador de um dos lugares mais bem informados da blogosfera 





É sabido que o sr. sócrates nunca foi bem visto por estes blogues, e que, se isto fosse um país normal, já não deveria ser primeiro ministro, pelo menos, desde o fatídico ano de 2007, em que a porcaria toda associada ao seu "diploma" foi posta a nu. acontece que nada temos de normal, e a coisa seguiu para bingo, com episódios cada vez mais rançosos, mulheres a dias na pasta da educação, seguida de cadelas sorridentes do conto do vigário, de armandos varas, de apitos, de freeports, de bpns, de faces ocultas e de uma série de coisas que, sinceramente, já esqueci.
nessa altura, ainda éramos ingénuos, e acreditávamos que o fenómeno sócrates se esgotava na pessoa física do sr. sócrates e nos arredores da sua vaidade. tudo o resto eram anedotas, relacionadas com um nariz de batata que vestia armanis, pegava de empurrão, com o diogo infante a segurar-lhe pela correção da língua e a câncio a assistir, de perna aberta, e esfregona na mão.

entretanto, tudo piorou, como sabem, e esta coisa, a que alguns ainda insistem em chamar país, mas que só é uma bandeira de conveniência de todas as mafias, com a turca, agora, parece, a chefiar, aproximou-se perigosamente do seu colapso existencial.

o sr. sócrates nunca foi aquilo que, propriamente, se poderia chamar um patriota, já que era nativo de um, ou vários, "off-shores", o que, mestiçado com adn jeová, meios irmãos, meios tios, meios primos e uma meia de leite, quando o venezuelano já se tinha vindo na boca de um cliente anterior, nos levou a este estado.

de sócrates, poderemos, um dia, dizer que foi mau o dia em que lá o pusémos e ainda pior o dia em que de lá o tirámos, porque o dia em que saiu, ao contrário do dia em que entrou, foi um vexame internacional, em que um país, destruído pelo cavaco, e que importa tudo o que consome, se pôs nas pontas dos pés e disse ao bando de facínoras que gere a dinâmica europeia, merckels, sarkozys, camerons e outras porcarias do género, incluindo o cherne, o "presidente" da europa (um gajo que tem cara de belga frequentador da casa dos érres), e a ministra, ou lá o que é aquilo, dos negócios estrangeiros da federação europeia, uma retrognata com ar de engomadeira de vale de cavalos, disse que não queria pagar, e fez uma birrinha, e mandaram, para bruxelas, o representante de portugal, vergonhosamente descalço.
do meu ponto de vista, que venho de outros valores, foi feio, desinteressante, e colocou o país na capa de tudo o que era a imprensa abutre, à espera do dia em que a carcaça, ferida de morte, caísse no chão. o penteadinho do psd, a quem alguma bruxa deve ter vaticinado um brilhante futuro, voltou para o passado, com a cloaca enfiada entre as pernas, depois de o patronato lhe ter dito que o achava muito jeitoso, e que se fosse "doce" até dava uma voltinha com ele, mas acontecia que não era doce, e que a coisa estava mesmo amarga, a modos que era melhor que começasse a alinhar com aqueles que mandavam nele, e em todos nós, ou ia fora da carroça, num par de dias.
amochou, e prometeu iva a 25, 26, 30, 80, tudo o que eles quiserem.

suponho, para bom entendedor, que os últimos dias mostraram que quem manda em portugal já não são primeiros ministros portugueses, ativos, ou demissionários, mas uma teia infinitamente mais implacável, externa, que talvez não seja bom, nem conveniente, contrariar.

defendi, em tempos, que portugal estava a ser usado como palco para uma experiência global, dos senhores do mundo: um povo que nunca teve muito, de maneira que até se podia acomodar a viver com um pouco menos, que sempre conheceu desníveis brutais entre o topo e a base; inculto, ou simples leitor das ficções do "expresso", o que vem dar ao mesmo; crente em causas naturais e milagres da fé; capaz de ver o solzinho a dançar, enquanto a europa se desfazia em guerras, etc., ou seja, para esses cavalheiros, que queriam, e querem, transformar a europa numa china ocidental, de baixos salários e jorna de sol a sol, éramos ideais, porque sempre tínhamos sido assim, e por aqui vieram, e instalaram o... laboratório.
veio a "assembleia nacional" e decidiu que o processo podia parar, e, quando enviaram, descalço, o sr. sócrates, para bruxelas, acompanhado pelo cãozinho de estimação, para ver qual dos dois pegava, tivémos a desagradável surpresa de saber que vieram ambos, pela posta restante, devolvidos, com a recomendação de que, ou cumpriam a receita, ou a cozinha fechava.
a isto, suponho, chama-se fim da soberania nacional, também conhecida por "porreiro, pá".
acho que já perceberam onde é que queria chegar, mas volto a ressalvar que foi dos poucos dias dignos de sócrates, aquele em que foi, de trouxa à cabeça, representar um povo falso, de traidores e capaz de tudo, até de fingir que quem ia a bruxelas não era o representante de portugal, mas um tal de sr. sócrates, que as pessoas até nem conheciam de lado nenhum, e ele que se desenrascasse, o malandro.
enganaram-se, a acaba aqui o meu elogio ao único dia digno de sócrates, que nada me espantará, se voltar já em junho e em força.

toda a gente está a adorar o filme, mas eu vou contar-vos o filme de uma maneira que vão deixar de o adorar.
a história é muito simples, e segue mais ou menos o enredo da primeira, mais do que da segunda guerra do golfo: na segunda, havia armas de destruição maciça, que, depois... não havia; na primeira, pelo contrário, houve a ficção de um país grande, e mauzão, que invadia um país pequenino, e bonzinho, e, à sombra disso, o sr. bush pai, talvez o último grande estadista do séc. xx, inverteu toda a ordem mundial imposta pela guerra fria. houve um ataque como não se via desde os camaradas hitler e estaline, nunca se percebeu quantos mortos morreram, e pouca gente sabe, mas está aqui, que a ordem de invasão do koweit foi um ato consentido dos usa, e o totó caiu na ratoeira, como depois voltou a cair, quando acreditou que os países que lhe forneciam obsoletas armas de destruição maciça nunca o atacariam, nem enforcariam.
enganou-se.

o filme da líbia é muito parecido: uns coitadinhos, aparentemente, os mesmos que chacinavam europeus, em ataques terroristas, e tiravam fotos, depois de mortos, com marines sádicos, com perfis e idades de renatos seabras, foram sendo encurralados, encurralados, encurralados, por um dos grandes porcos da história, o travesti she-male kadafi, que só bebe leite de camela -- e por isso deitou um olhar tão apaixonado à maria cavaca, quando nos visitou... -- e, de repente, quando tudo parecia perdido, o homem branco, ocidental, "interviu" e começou a varrer aquela porcaria toda, com a plateia de cá a bater palmas.
por mim, é indiferente, porque cheguei a um nível de cinismo duplo dos sorrisos de dromedário da isabel alçada: sou titular do nojo que ela me mete, e espectador abrupto destes filmes de ficção barata: de cada vez que os heróis europeus destroem um avião do "coronel", é mais um avião que os futuros "coronéis" sucessores da traveca líbia irão comprar aos grandes fabricantes de armas mundiais, nomeadamente usa, uk e frança, ou seja, vão comprar duas vezes aviões, a primeira, em que já tinham comprado, e a segunda, em que o vendedor bombardeou o que tinha acabado de vender. acho maravilhoso, e suponho que o programa se vai chamar, brevemente, "petróleo por aviões", com o engenheiro guterres, pelo meio, a entreter umas gajas de burka, que fazem gluglu com a boca, e sofreram excisão feminina, como o zezé castel' branco.
nós aplaudimos, e até gostamos.

eu podia acabar o enredo por aqui, mas vou só acrescentar uma coisa, aliás, duas: a primeira é que, quando cair o verdadeiro alvo disto tudo, a casa de saud, uma nojeira inventada para ocupar a epiderme dos poços de petróleo da arábia saudita, vai ser substituída por um cavalheiro muito gentil, o emir do qatar, dono da al-jazeera, que, como quem não quer a coisa, nós agora nos habituámos a ver, com o mesmo prazer das manhãs do goucha, os dias difíceis da Carrilha, e as ressacas da "branca", do miguel sousa tavares. o sr. kissinger, um dos mais antigos patrões do mundo, lá se vingará finalmente do seu kadafi, esquecendo-se de que kadafi, como nixon, que ele serviu, é um paranóico, esquizofrénico, psico e sociopata, com um perfil tirado polo natural de adolph hitler; a segunda é que, quando kadafi perceber que estão mesmo a querer livrar-se dele, pode transformar tripoli numa grande fukushima, ou enviar alguns presentes de plutónio, ou afim, para a decadente europa, onde reinam as du barry de sarkozy e berlusconi, e os efebos do demissionário sócrates, e as futuras assessoras "doce", do madeixado de caju, do psd.

querem perguntar-me onde está a graça disto tudo?...

em lugar nenhum, exceto se a geração à rasca começar a sair, cada dia, cada vez mais, e cada vez mais forte, por cá, e pela europa, e pelo mundo todo, e os homens da luta, com uma canção medonha, pela primeira vez, ganhem aquela abjeção, que é o festival da eurovisão, e façam a europa levantar armas.
nós estaremos na linha da frente, com a autoridade que nos dá termos a mais antiga múmia do magreb ainda a ocupar o palácio de belém, e a discutir, como quando caiu constantinopla, se é a mafia turca ou a russa que vão dominar o sporting.
questões tomistas, meu caro watson.

(quinteto do fmi já vem aí?..., no "arrebenta-sol", no "democracia em portugal", no "uma aventura sinistra", no "klandestino" e em "the braganza mothers")

domingo, 13 de março de 2011

Entre a Geração à Rasca e o Portugal inaugural





Imagem do Kaos


Contra multidões, não há argumentos.
Quando o Povo sai à rua, devem ser escassas e concisas as palavras.
Hoje, dia 12 de Março de 2011, Portugal mostrou que estava à altura dos seus quase 900 anos de História: foi grandioso ver todas as tendências e não tendências a descer avenidas, com todos os seus estandartes e libelos de imaginação.


Os caciques da desgraça, apavorados com tudo o que lhes escapa ao minucioso controle, este açaimo de décadas que conseguiram pôr-nos, já só se inquietam agora com o que vai esta Geração à Rasca fazer com todas as gerações que estão à rasca.
Nada de mais simples, e ao alcance da prosa elementar: qualquer futuro passa por uma releitura do passado. Sentem-se, e façam um pouco de arqueologia, porque as respostas estão todas ao vosso alcance.
A raiz de todos os problemas foi uma Revolução, onde este escroque, descaradamente, conta como tudo se passou.
Começou com uma canção e acabou num pântano, mas a sua lógica é a raiz mais profunda desta gangrena: houve um Estado decapitado, um Regime que estava a cair de podre, e, quando caiu, viu todos os seus lugares de decisão serem ocupados por quem ali estava à mão.
Ocuparam e nunca mais saíram, nem deixaram ninguém entrar.

Se querem saber como tudo começou, vão de porta em porta de todos os pavões que agora se autoespelham pelos jornais e televisões, e façam-lhes duas perguntas, a de Baptista Bastos, "olha lá, onde é que tu estavas no 25 de abril", e uma outra, minha, e complementar, "olha lá, onde é que tu estavas no 24 de abril?..."
O segundo questionário deve ser feito ao indivíduo de cadastro mais atenuado de Portugal, e que, vergonhosamente, ocupa a Presidência da República: "perguntem-lhe o que fez, ou deixou fazer, aos fundos de desenvolvimento de Portugal?..."
A geração mais habilitada de sempre, de todo o Portugal, quer saber que habilitações tem esta gente que nos arruinou?... Procure-as AQUI.
Por fim, vão aos políticos presentes, e perguntem-lhes como herdaram tão rapidamente os vícios do Sistema, quantos deles pesam na máquina do Estado, por abuso, amancebamento, filiação, compadrio, ou pertença a seitas secretas.

Não sabem o que fazer?...

Perguntem ao Sousa Tavares, ao Belmiro de Azevedo, à Leonor Beleza, ao Dias Loureiro, ao Pinto da Costa, à Clara Ferreira Alves, ao Vasco Franco, ao "Cherne", ao filho do Júdice e do Constâncio e a uma multidão de tantos outros, como chegaram onde estão, e quanto nos custa mantê-los nessa posição, porque para eles lá continuarem, é sinal de que lá vocês nunca chegarão.

Como a História nos reconta, os vícios de uma Revolução só se curam com as virtudes da revolução que se lhe há de seguir.



(Quinteto da Deolinda faz cricri, no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, 11 de março de 2011

O mais curto mandato de Cavaco Silva





Imagem do KAOS


Como dizem os provérbios, há sempre um tempo para as vinganças, que, quando vêm, melhor se servem em pratos frios.
Entre os tumultos e as inseguranças internacionais, nada se assemelha hoje mais a uma tempestade do que o mês de Março, em Portugal.
É bem feito: custou, mas foi. É o tempo justo, com os protagonistas certos nas posições corretas. Para os atiradores furtivos e para os atiradores diretos é o tempo do alvo e da mudança.

Dia 9 de Março, um dia funesto para a Nação Portuguesa, assistimos a um fenómeno que nos é particularmente próprio, o do lixo, em vez de cair para baixo, cair para cima, neste caso, para a mais alta magistratura do Estado, a Presidência da República.
Investido na sua segunda (in)dignidade, dizem que o discurso do Sr. Aníbal, de Boliqueime, foi uma vergonha. Não o vi, nem ouvi, pelo que estou perfeitamente à vontade para o comentar.

Concluído o Ciclo do Império, em que a Múmia de Santa Comba Dão deixou as colónias por explorar, e em que éramos senhores de algumas das maiores riquezas à face da Terra, deixadas escapar, para depois serem devastadas por caciques locais e predadores mundiais, ficámos perante o ciclo da última esperança, que era a de um retorno ao destino europeu.
A coisa era, então, elementar: havia um núcleo de países ricos, e desenvolvidos, que reunidos pelos critérios da manutenção da paz e da cooperação económica, iam adotando, um a um, os seus irmãos mais pobres. Portugal, recém saído da sua bruma de autoritarismo, a mais longa do Velho Continente, viu-lhe estendida a mão do Continente, nos idos de 1985. As condições não eram desagradáveis, e até tinham a melancolia da simpatia e a esperança da juventude: anualmente, em projetos conjuntos, reorganizava-se e modernizavam-se a Agricultura, as Pescas e a Economia, apostava-se fortemente na Educação e na afinação da classificação profissional, erradicava-se o analfabetismo, as batrracas e as manchas de pobreza, desapareciam as fronteiras, e passávamos todos a ser cidadãos de um espaço comum, de direitos, deveres, qualidades e distinções.

O que Portugal, ou, mais precisamente, quem governava Portugal, fez foi desbaratar esta derradeira oportunidade de modernidade e abundância. A Agricultura foi substituída por papéis fraudulentos, onde se inventavam tratores e sementeiras que nunca aconteceram, as árvores endógenas deitadas abaixo, para plantar eucaliptos, que forneciam, em monocultura, fonte de celulose para os ávidos importadores, e, se é certo que não chegámos aos extremos italianos de pôr árvores de plástico, que enganavam as fiscalizações apressadas das entidades europeias, multiplicámos esquemas cuja história, a ser um dia feita, revelaria o país infame, em toda a sua pequenez.

A rede ferroviária, espinha dorsal, desde a revolução industrial, de qualquer estado, foi desmantelada, e as suas alternativas transformadas em estradas e autoestradas desenhadas por amadores, que poupavam na camada de desgaste do pavimento, e faziam os percursos em ziguezague, de modo a coincidirem com os terrenos onde mais se pudesse sacar nas expropriações, ditadas por supremos juízes jubilados, ou mumificados, do regime deposto. O resultado foram pistas da morte, rios de dinheiro esbanjados, e anomalias viárias, que tornaram Portugal um potencial emissor do CO2 da gasolina e do petróleo, que não produzia, mas cada vez mais importava.

Os dinheiros da formação profissional, que incluíam pagamentos a formadores e formandos foram ficando pelas mãos das escolas fantasmas, ligadas aos tubarões da nova situação e a sindicalistas de caráter dúbio, que depois se casaram com badalhocas de Cascais, e desapareceram do mapa. O resultado foi mais uma multidão de analfabetos funcionais, rodeados de novas contas na Suíça, e por onde calhava.

Fundos para a edição de livros desapareceram em raízes de eucaliptos, muito deles mandados plantar por ministros sinistros, que tutelavam o Ambiente (!), ou faziam anedotas sobre hemodialisados, quando não poupavam em lotes de sangue infetados com HIV.

Os bancos, petrificados pelos excessos da Revolução, foram sendo vendidos a velhos donos, que, após indemnizações, imediatamente os vendiam a España, recebendo duas e três vezes pelo mesmo, ao colocá-los nas mãos do exterior.

O pato bravismo, que era uma receita do sou ignorante, mas quero, posso e mando, assaltou o poder, e os poucos lugares deixados vagos por um regime decapitado na rua foram ocupados por gente duvidosa, de baixa formação académica, baixa moral, péssimo civismo e desmesurada ambição, enfim, pura avidez no campo do desviar capitais.

O dinheiro abundava, podendo governar-se com três orçamentos, o do Estado, o das privatizações e o dos Fundos Estruturais.

Esta brincadeira durou dez anos, com gente a especular na Bolsa, através da posse de envelopes com informação cifrada, que anunciavam que ações iriam subir, ou cair, no dia seguinte. Fizeram-se fortunas miraculosas, ao ponto de a Bolsa ter de ser fechada, e o sistema desacreditado.

Havia gestores encarregados de fazer falir empresas, e colocar na rua operárias que se prostituíssem. Nas esquinas das pastelarias, abria um novo banco, sentava-se um novo drogado, e dormia um novo pedinte, e os industriais do Norte vinham buscar ruis pedros, para a sodomia, e a coprofilia.

O circuito da droga instalou-se, e o "jet-set" deste "bas-fonds" gastava, numa noite, o salário de multidões imensas, com o desprezo que a gentalha que subia pelas escadas fáceis nutria pelos menos espertos, que não sabiam como a coisa se fazia.

Multiplicaram-se cargos e assessores, de joelhos e na horizontal. As 100 famílias que governavam Portugal foram substituídas por 300, mais próximas das famílias da Mafia do que da Genealogia e do Apelido.

Era o "Pugrèsso", e estávamos no pelotão da frente da Europa, mano a mano com a Grécia, uma gente horrível, sem história, que se atrevia a desafiar-nos.

Quando a coisa começou a ser suspeita, resolvemos acelerar o processo, e desmantelar a frota pesqueira, cobrir os terrenos agrícolas de urbanizações de "luxo", onde se branqueavam os capitais da coca e da heroína, vender os têxteis, fechar os estaleiros, e passar, com esse dinheiro, a importar, de gente que dava comissões a alguns, à custa da destruição do trabalho de muitos, e da ruína de todos.

Dez anos passados, estávamos num pântano, e instalou-se a cultura do salve-se quem puder.

O "pügrèsso" de Portugal tinha sido falhar todas as metas para as quais a Europa tinha andado a injetar dinheiro.

Ah, esqueci-me de dizer o nome do homem que presidia a isto tudo: chamava-se Aníbal Cavaco Silva, e era sósia do cadáver que, dia 9 de Março, fez descer o cargo de Presidente da República à indignidade de o ver reeleito.

Este senhor Cavaco era casado com uma mulher de horizontes limitados, que dava o ano zero, na Católica, e que, mal o marido foi eleito primeiro ministro, passou a ir, no mini em que sempre seguia para as aulas, com motorista. O motorista do mini era o próprio pai, enquanto não arranjou dinheiro para pagar a um profissional (!)

Eu sei que tudo isto, contado assim, parece fruto de um cérebro doente, e é, mas não do meu, que sou só mero narrador: é o cérebro doente de um país inteiro, que se faz representar por esta gentalha.

Santana Lopes, que presidiu à Cultura, pagava fortunas por uma noite passada com uma puta brasileira, que fazia "cultura" como se faz hoje, mas a verdadeira epígrafe e epitáfio do regime foi o Arquiteto Taveira, um ogre, que copiava, como o Miguel Sousa Tavares, hoje, umas coisas que se faziam lá fora, e pareciam "modernas", cá por dentro, onde o gosto nunca foi famoso.

A grande prática do Cavaquismo foi o sexo anal, tal como o senhor Taveira evangelizou.

e foi esse senhor Aníbal que também deixou que proliferasse tudo o que era falso, de universidades privadas, de cursos de papelão, a escritores de escaparate de hipermercado e famílias de serviçais, que faziam, a metro, o que a baixeza e a mediania consumiam.

Eram tempos difíceis, como dizia o escroque do Senhor Júdice, ligado à Pedofilia e ao tráfico de armas e influências, quando aconselhava a miúda, da Geração à Rasca, que queria ser atriz, a servir, de dia, à mesa (!), e a a representar, à noite. Supomos que seja assim que o cavalheiro tenho posto o paneleiro do filho à frente da Quinta das Lágrimas, nas urbanizações de Coimbra, em mata protegida, e a pagar 150 € de renda por um restaurante de luxo, quando a atriz decerto estará a penar 600 €, para toda a vida, por um cubículo frio na Margem Sul.

Esta escumalha, que se instalou em todos os lugares decisórios, não os quer abandonar, a bem, nem permite que se exerça o direito de sucessão. Como todos os medíocres, necessita de se rodear de ainda mais medíocres, para que possa, por relação, brilhar, de preferência, para sempre.

Todas estas coisas somadas destruíram um país, e tornaram a coisa de tal modo imobilizada que já não será pelas forças da Razão que se resolve: são décadas de compadrio, de vícios, de coisas feitas por debaixo da mesa, de sociedades secretas que violam o princípio da paridade e da transparência, que violam o direito de isenção da Lei, que fundem os poderes político e judicial.

Elas são os princípios do Cavaquismo, a serem levados ao seu último apuro e estertor.

Quando, a tremer, o homem que passa por Presidente da República de 15% de Portugueses pronunciou o seu ridículo discurso, pronunciou-o demasiado tarde. Devia ter apelado à insurreição social, quando entrava, em cascata, o dinheiro que podia ter desenvolvido Portugal, e ele o fazia desaparecer imediatamente.

Em 1994, toureando-o na Ponte 25 de Abril, com o criminoso Dias Loureiro a disparar sobre a multidão, o Povo fê-lo cair o chão.
Não teve vergonha, e voltou, dez anos depois, esquecido de ter patrocinado todos os horrores atrás descritos. Não se lhe ouviu, nesse discurso, uma palavra sobre os 9 000 000 000 € (!) que estamos a pagar, por causa das brincadeiras dos seus amigos cadastrados do BPN, nem da incredulidade que gera a manutenção dessa obscenidade, nos mercados financeiros internacionais.

Cavaco Silva deixou sucessores, que terão levado a esta geração à rasca, mas a grande obra dessa criatura, cobarde e reptilínea, não foi uma, mas várias gerações, um país inteiro, à rasca. Quando agora apela a sublevações sociais, não é a razão que o está a fazer falar: são o medo e a cobardia, o mesmo medo ressuscitado daquelas multidões da Ponte, que o poderiam ter apeado, como qualquer múmia do Magreb.
Não era um Presidente da República que discursava: era um gajo acagaçado, um tal Aníbal de Boliqueime, filho de um poço e de uma marquise, a tentar pôr-se de lado, como se ele não fosse o alvo primordial do protesto desta geração do pântano.

Em 1985, este homem gangrenou a Democracia, a Cultura, a Economia e viabilidade do mais velho estado nação da Europa. Ele é o inimigo público nº 1, de Portugal, foi o ovo da serpente, permitiu que a serpente se tornasse fértil, e procriasse, multiplicou-a, transformou-a em sucedâneos, e deixou-a espalhar-se em prole. Hoje, senil, mal se move, senão pelos discursos farseados dos canalhas que dele precisam, na retaguarda, para sobreviver.
Todavia, é uma serpente mumificada, que, já nem no chão, agora, se consegue contorcer: vão ser preciso fortes patadas, para que volte a apresentar sinuosas curvas, na sua pele mumificada de remorsos.


(Quinteto da indignação, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma Aventura Sinistra", e em "The Braganza Mothers")

sábado, 26 de fevereiro de 2011

2000 Anos de "Expresso"





Imagem do Kaos

Há uma corrente da Historiografia, muito próxima do senso comum, que diz que toda a História não é mais do uma série de tentativas falhadas  de narrativa. Hoje, não estou muito para filosofias, pelo que vou já pelas autópsias.

O "Expresso" completa hoje 2000 anos, e não é todos os dias que se alcança tal longevidade. Na realidade, como em todas as estações da vida, falar do "Expresso", em abstrato, é uma coisa tão lata como querer ver a Brigitte Bardot, curva e boazona, de outrora, naquele grande canyon neofascista de rugas, que, na contemporaneidade, se revolve entre línguas eróticas de gato e olho de vidro do Le Pen.

O "Expresso", para quem não se lembre, vem do tempo da Outra Senhora, em que só havia uma Verdade, a do "Diário da República", e a voz do Ministro da Propaganda. Se quiserem uma diferença entre os órgãos do Regime e o "Expresso" era a diferença que vai do café curto à meia de leite: com um pouco de sorte, sentavam-se à mesma mesa, e partilhariam longas conversas em família, se não tivesse havido um rotura de paradigma político que fez o "Expresso" passar a sofrer da Síndroma de Cavaco, ou das carreiras interrompidas. A seu modo, se houvesse um aligeiramento da Velha Senhora, as vozes sucessores da Propaganda já lá estariam todas a estagiar, como depois ficaram.

Como na Historiografia, o sonho do "Expresso" foi sempre substituir a Realidade por um narrativa contemporânea. Não precisava de ser muito convincente, mas só... à justinha. Num povo com grau de literacia baixíssimo, tudo o que aparecia na primeira página do "Expresso" era mais forte do que a Realidade, e ai de quem se atravesse a contrapor a Realidade à narrativa jornalística do "Expresso", e assim nasceram os monstros que nos conduziram ao presente impasse, sempre com um verniz de elitismo, só possível neste país de pés de chinelo.
O "Expresso" é, sempre foi, e arrisco que continuará, por mais cosméticas de revelações que prometa, o oposto das "Wikileaks": por detrás dessas "audácias", haverá sempre um frete político.
A maior virtude do "Expresso" era, é, sempre foi, a sua tenacidade, quer no louvor, quer na anatemização, talvez devido ao ninho de lacraus que é, e ai de quem lhes cair em desgraça, porque o espírito inquisitório tem o braço longo, e pode durar... milénios, éons, todo o tempo de Bilderberg :-)

A história do semanário não me interessa, talvez por que só o tenha comprado meia dúzia de vezes, mas recordo que, com o tempo, passou a sofrer dos vícios das matronas, muita base, muito baton, muito rimel, e roupas vistosas e quinquilharia para encher o olho. Na "période vache" já tinha sacos de plástico suficientemente grandes para a pessoa o poder comprar, despejar o conteúdo no primeiro caixote de lixo à mão, e poupar num saco do LIDL, trazendo o do "Expresso" no bolso, para o encher depois, com bens de primeira necessidade.

Do "Expresso", podemos dizer que tudo o que foi mau por lá passou, e sofreu dos problemas das rotundas, soluções urbanísticas que, como toda a gente que tem formação na área, como eu, sabe que são a maior asneira, no planeamento de tráfego: se, de quatro vias, que nela confluem, houver uma de escoamento rápido, uma média e uma lenta, ganha, passado dez minutos, sempre a lenta, tornando a rotunda num inferno. Como se sabe, isto é irrelevante para os autarcas corruptos, já que lhes permite pagar o mamarracho escultórico do centro, ao amigo do cinzel mais próximo.

Com o "Expresso", sucedeu o mesmo: era, foi, é uma rotunda do pensamento, onde se cruzaram mentes brilhantes, monos e puros medíocres. Pelo processo entrópico, as mentes brilhantes foram fugindo e brilharam os monos medíocres. Eu sei que toda a gente espera que eu torne a coisa nominal, e eu torno: do bom, relembro Luísa Schmidt, e os seus textos, inimitáveis, na qualidade da forma e da informação cívica: dos maus, só me estão a vir à cabeça duas criaturas que provocaram o maior desastre cultural dos anos 80 e 90 de Portugal, chamavam-se, e chamam-se, Alexandre Melo e Clara Ferreira Alves. Do primeiro, dizia-se que promovia os artistas que o comiam, e os que lhe ofereciam obras, quando não gostavam de o comer. Entregou a criação portuguesa aos subúrbios da Fundação Luso-Americana, a soldo da qual arruinou a especificidade cultural nacional por subprodutos que uns quantos pobres diabos repetiam por cá, depois de saídos de moda em Nova Iorque. Lixo, com o nome de Pedro Cabrita Reis, entre outros. De Clara Ferreira Alves, ignara e vingativa, corria que lançava os escritores que a cobriam. O meu editor fez-me claramente a proposta, mas eu preferi a obscuridade à indignidade, sabendo que o Tempo tudo depois reporia.

O tempo mais triste do "Expresso" veio com o surgimento do glorioso "Independente", que inaugurava uma maneira impoliticamente correta de falar dos acontecimentos, sem o tom de Diário da República, tão ao gosto do Sr. Balsemão.
Como se sabe, nada do que é bom dura sempre, e o mau pode eternizar-se. O "Independente" desapareceu, a Blosgosfera abalou, para sempre, o "Expresso" e todos os jornais, e, por lá, ainda peroram, hoje, nulidades do calibre de Sousa Tavares, ou Inês Pedrosa.
Amanhã, garanto, será pior.

Como este é, apesar de tudo, um texto laudatório e de parabéns, vamos a ele, já que o "Expresso" foi pioneiro nas edições "on-line", e manteve, durante um período glorioso, algumas caixas de comentários às quais devo, de facto, estar a escrever aqui, enquanto heterónimo, especificamente criado para por lá metralhar. O primeiro "Arrebenta", nome que execro, divertiu e divertiu-me, ao divertir muita gente. Acabou, como era de prever, quando o enorme luto, chamado Cavaco Silva, voltou a ensombrar Portugal.

Este é um texto de rotina, apenas comemorador da efeméride, já que o que hoje realmente me preocupa é aquela Jugoslávia do Magreb, chamada Líbia, que vai manchar a segunda década do séc. XXI com as suas atrocidades e estilhaçamento. Isso fica para amanhã. Hoje é dia de dar os parabéns aos bons profissionais do "Expresso" e de dizer aos outros, que sempre consideraram o autor do "Arrebenta"... duvidoso, e lhe tentaram apagar o rasto, que o autor do "Arrebenta" aqui continua, todo este tempo passado, vivo, ativo, e a considerá-los, igualmente... duvidosos, e a apontar-lhes todos os vícios dos rastos, de que nunca se conseguirão libertar.

Continuem, que a gente, no fundo, até gosta :-)

(Quinteto pífio, à la Balsemão, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers")


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Dia da Ira





Imagem do Kaos


Fazia parte das minhas pequenas fantasias ver o Sr. Aníbal, de Boliqueime, atascado na merda que fez em Portugal, desde 1985, mas, desta vez, a fazer de Grande Timoneiro num país sem capitais.
Começou por nos atraiçoar, depois de termos sido espremidos pelo FMI de Soares, e deve, por critérios de justiça, penar agora, às mãos desse mesmo FMI.
Quero ver o tal Cavaco, que nos arruinou com tsunamis de dinheiro, a tirar-nos do buraco da penúria, sem um cêntimo no bolso.
É a minha "revanche" contra essa figura irrelevante do panorama mundial, que durante décadas no vexou no exterior.

Eu sei que isto nos vai custar a todos, mas é um pouco a vingança do ceguinho. A Europa, a mesma, da qual ele desviou, e permitiu que fossem desviados, os fundos fundamentais, para que Portugal tivesse dado o salto da sua pequena mundividência de Santa Comba Dão para coisas mais elevadas, como Milão, Londres ou Paris.
Sei que há um tempo para a ingenuidade, e outro para a verdade.
No tempo da ingenuidade, havia quem acreditasse que o Sr. Aníbal raramente tinha dúvidas e nunca se enganava. Eu era dos poucos que não tinha dúvidas nenhumas, e sabia que, mais tarde ou mais cedo, haveria uma multidão que iria ver o preço de estar a ser completamente enganada. Aparentemente, esse dia está próximo, como indicam os sites de apostas, onde diariamente se especula sobre o que virá primeiro: o encarceramento de João Paulo II, em Rikers Island, a canonização de Renato Seabra, ou a Bancarrota.
Por mim, virão as três em conjunto, mas isto é só uma opinião.

O Governo, previdente, na reta final de mais de vinte anos de Cavaquistão, do qual herdou todos os vícios e manhas da segunda geração, está em agonia, o que quer dizer que se encontra relativamente de boa saúde, quando comparado com o país, que já está morto.
Há uns sectores do comentarismo hilariante, como o eterno Professor Marcelo, que acredita, qual Maria Cavaca, que, com a exportação de presépios, vamos ter retoma ainda em Março, logo que a Múmia de Boliqueime, dada a Constituição que temos, tome posse do par de sapatos de cimento com que logo a seguir vai ser empurrada para o Tejo.

Defronte do Palácio, parece, já está a ser convocada uma manifestação, por sms, para repetir a cena da Praça Tahrir, em que o grunho ainda haverá de estar a perdigotar "juro, por minha honra...", etc, no meio dos babas do costume, e, já cá fora, os 11% de desempregados, os 30% que vivem abaixo do limiar da pobreza, os hemofilizados com HIV, os diplomados sem utilidade, os reciboesverdeados, os funcionários públicos que estão a pagar o BPN, o BPP, os submarinos, os assessores de levar na peida do cartão do Partido, os endividados e os sobreendividados, os que já não têm pão para os filhos, os que odeiam a simples ideia de ter Aníbal de Deus Thomaz em Belém, e enquanto o grunho diz "juro, por minha honra... etc", toda a gente tirará o sapato, e começará a mostrar-lho, e a ulular, para o outro se borrar pelas pernas abaixo, mais o traste da sua Maria, que sofre de elefantíase da cintura para baixo e de microcefalia da corcunda para cima.

Desta vez, não teremos Dias Loureiro para mandar disparar sobre a multidão, mas talvez a multidão decida disparar sobre Dias Loureiro.

Eu não quero este Portugal, e não sou o único.
É chegado o dia da ira, e eu não sou daqueles que gostam de profetizar a desgraça: prefiro que a desgraça recaia agora sobre a cabeça dos que nos desgraçaram, e que, em vez de pessimismo, lhes suceda toda a multidão de coisas péssimas que nos possam desagravar.

Mal cá entre o FMI, vai perguntar o que é isso do BPN, que está completamente falido, e consome um milhão de euros de prejuízo por minuto, e quem está, esteve e estaria ligado a ele; quanto ganham os cabrões que administram empresas sistematicamente ruinosas, e que abismo justifica os lucros de monopólios de escravidão, numa sociedade pretendida de concorrência e mercado.

Parece que a coisa é já para Abril, mas é indiferente Abril, Setembro, Outubro ou Novembro: o importante é que regressem os pavões à base, e o Sr. Constâncio e o Sr. Barroso, por exemplo, sejam julgados em praça pública, e interrogados sobre como foi possível deixar o Estado chegar ao momento de ruína em que se encontra. Se estivéssemos em 1793, não chegariam as guilhotinas para essa corja toda, mas as guilhotinas são hoje outras, e a coisa vai acabar mal: somos demasiado magrebinos, pela miséria, e temos antecedentes históricos, lusitanos, de balear gente que não presta. Não por acaso, as operações de brigadas stop multiplicam-se, mas aquilo que elas procuram, garanto-vos, já está suficientemente resguardado para impedir o que aí vem, e vem forte, como os ventos deste Inverno.

Como se costuma dizer, cá se fazem, cá se pagam. Não tirámos lição nenhuma do apodrecimento da Monarquia, nada aprendemos com o fedor da I República, nem com as conversas em família do período de Alzheimer da Velha Senhora.
A III República vai apanhar com uma lição doutoral: o seu professor será gigante, e dará aulas em ruas repletas de gente insurreta.

(Cinco quinas, a relembrar Portugal renascido, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma Aventura Sinistra" e em "The Braganza Mothers" )