terça-feira, 5 de abril de 2011

Carta aberta de Cavaco Silva, ao FMI, perdão, ao... FFfFFfFfEEEEEeeeeeeeFFFFfffff...





Nota: esta imagem de reposteiros NÃO É do Kaos

O meu nome é Aníbal Cavaco Silva, sou natural do Algarve, que é uma província do Sul de Portugal, e nasci em Poço de Boliqueime, embora, por razões de arranjo de bainhas, agora se chame, só, Boliqueime.

Eu sei que os senhores não me conhecem de lado nenhum, mas sou a pessoa que mais tempo esteve à frente dos destinos deste país, pelo que, depois de ouvida a minha esposa e as pessoas mais íntimas, que, graças a deus, nos rodeiam, resolvi escrever esta carta, a pedir-vos ajuda, para podermos, enquanto estado-nação mais antigo da Europa, manter-nos no Pelotão da Frente, sem pararmos o nosso "pügrèsso", por causa da crise.

Sou um cidadão apartidário, e nunca estive ligado, nem à Política, nem a qualquer regime, exceto o do Professor Doutor Oliveira Salazar -- cuja alma nosso senhor tenha em bom descanso -- no qual "estive integrado, não exercendo qualquer atividade política".

Como devem saber, Portugal está em grandes dificuldades financeiras, e já se encontra naquela fase crítica de ter de contrair novos empréstimos, para pagar os juros dos empréstimos antigos, pelo que gostaria de saber se nos podem ajudar.

A minha formação é em Finanças Públicas, pelo que agradeço que não me peçam muitos pormenores sobre as garantias que podemos dar: ouvi dizer que somos cerca de 10 000 000 de habitantes, entre nativos, degenerados, arraçados, ciganos, imigrantes, mulheres de mau porte, trazidas ilegalmente, e gente que se dedica a atividades contra a natureza, mas só estará recenseada, depois do Censos 2011 acabar.

Temos pouca agricultura, por que, quando eu era primeiro ministro, e timoneiro de Portugal, achei que devíamos "pügredir" noutras direções, e dei ordem ao meu ministro da época para vender o que tínhamos por 30 milhões de euros, o que acho que até não tem importância nesta carta, porque do que precisamos mesmo, neste momento, é de 9 000 milhões, para este ano, e, portanto, a agricultura não era mesmo importante.

Também dei ordens ao meu colega Mira Amaral para desmantelar as fábricas obsoletas que tínhamos, porque os países nossos vizinhos produziam coisas melhores e mais caras, como poderão verificar, nas faturas, se aceitarem o meu pedido de auxílio.

Deixámos de pescar, porque os Espanhóis faziam mais e melhor, e, neste momento, só colaboramos com a Galiza, na descarga de fardos de alucinogéneos, como poderão verificar nas noites escuras do Guincho.

Graças a deus, ainda temos algumas pessoas que sabem ler e escrever, mas agradecemos que a vossa resposta não seja muito complicada, porque achámos, como o Doutor Salazar, que quem lê muito pode começar a ter ideias subversivas, e seria muito mau para a estabilidade mundial que as pessoas começassem a estar agitadas no nosso país: não há "pügrèsso" com desordem.

Também não vos podemos dar os caminhos de ferro como garantia, porque o Dr. Ferreira do Amaral achava que as rodas guinchavam muito contra o metal, o que lhe fazia arrepios nos nervos, mas temos um bom sistema de estradas, desde que não se acelere nas curvas, e se evitem os buracos, porque houve muitas empresas a poupar na camada de desgaste, e isso vê-se muito agora, vinte anos passados.

Temos alguma cultura: Katia Guerreiro e Filipe La Feria apoiaram-me na minha candidatura, assim como o jovem Renato Seabra, que, todos, vos poderão dar referências sobre a elevação da minha pessoa.

Geralmente somos poupados e discretos. Temos uma instituição bancária que conseguiu sobreviver à grande turbulência do sistema financeiro, talvez por as suas ações não estarem cotadas na Bolsa, e as grandes operações serem feitas em "off-shores", como me ensinaram em Cambridge. Já devem ter ouvido falar: é o Banco Português de Negócios, que, em caso de aceitarem o nosso pedido de auxílio, até poderá funcionar como cofre de depósito dos vossos capitais de empréstimo. Como se trata da minha área, posso já adiantar alguns nomes de primeira linha, que tratariam de distribuir o dinheiro pelas zonas mais lesadas do nosso tecido financeiro: são pessoas de fama e renome internacional, de primeira água, como Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Jardim Gonçalves, Armando Vara, e, se for preciso, o Dr. Vítor Constâncio, que tão garbosamente nos está a representar na Alemanha.

Na poupança doméstica, posso ainda apresentar cartas de recomendação da Drª. Leonor Beleza, que faz parte do meu Conselho de Estado, mulher ímpar e previdente, que, já em 1986, achou que não se devia deitar sangue fora, porque havia muita gente a precisar dele, pelo Mundo. Também reciclámos hemodialisados, para obter alumínio, já que tínhamos fechado as nossas minas, para não prejudicarmos os grandes países exportadores. A nível familiar, eu tenho só duas reformas e um salário, enquanto a a minha senhora, que, se for preciso, também pode apresentar cartas de recomendação em como é séria, limpa e honrada, e vive com 800 € por mês, o que só lhe dá para pagar a modista, e a torna totalmente dependente dos meus dinheiros.

Os Portugueses acreditam em mim, porque sou um homem sério, honesto, que raramente tem dúvidas e nunca se engana, e que nunca permitiu que se fizesse mal a Portugal, e ainda menos aos que me rodeiam, pelo que agradecia que acreditassem mesmo na minha palavra, e nos pudessem, de alguma forma, ajudar.

Se for preciso dar mais garantias, também temos um santuário, em Fátima, que gera biliões na economia paralela, e que talvez vos possa interessar; a Amália está morta, mas em contrapartida, temos uma golden-share no Mourinho e no Cristiano Ronaldo, que vos poderá ser transferida, depois de telefonarmos aos senhores russos, turcos e sicilianos que os sustentam.
Também temos fronteiras abertas, para a passagem de substâncias, plutónio, e redes de colocação de desempregados no sistemas de segurança social dos países mais avançados, o que creio ser uma mais valia.

Para terminar, gostaria de vos lembrar que fomos heróis do mar e nobre povo, mas que, agora, só queríamos continuar a "pügredir", pelo que se esta carta puder servir de alguma coisa, tudo o que nos puderem mandar, dinheiro, roupas velhas, enlatados, será bem vindo. Temos ainda algum ouro, que ficou do tempo do Dr. Salazar, os Jerónimos e a Torre de Belém, e está-me a minha senhora ali a dizer, ao fundo, que, se for preciso, também temos muitas crianças, para redes internacionais, de senhores, mais velhos, interessados, desde que não seja para lhes tirarem os órgãos, porque a minha mulher acha isso muito feio e desumano, mas, se tiver de ser, para uma fase posterior, podemos falar disso, mas pessoalmente.

Espero que esta minha carta, que é escrita com o coração na mão e os comprimidos do Doutor Lobo Antunes debaixo da língua, seja lida e apreciada por vocês, com toda a ternura que merece. A Caridade é uma virtude cristã, que leva sempre a que os mais ricos estendam a mão aos mais pobres, embora nós cá achemos que isso é uma coisa que não cai muito bem, num povo com 900 anos de História.

Se precisarem de mais esclarecimento, podem contactar-me pelo meu Facebook, onde os meus assessores escrevem, porque a mão, infelizmente, já me treme muito. Se precisarem de mais algum esclarecimento, poderão também escrever para a Drª. Manuela Eanes, ou para o marido dela, que me deverá vir a suceder, quando eu estiver completamente incapacitado, ou, no Norte, para o Sr. Pinto da Costa, que continua a ser uma referência e uma marca mundial.

Agradecendo antecipadamente a ajuda

Boliqueime, 5 de abril de 2011

Aníbal de Deus Cavaco Silva

(Quarteto effffefefefeemizado, no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers") 

domingo, 3 de abril de 2011

Entre o ouro de Salazar e um país tornado... lixo



Imagem do Kaos

Hoje, passaram todos, ou quase todos os gajos que a Geração do País à Rasca deveria, por precaução, pendurar pelos pés. Há muito tempo que não se via tanta aventesma a desfilar pelas televisões. Mário Soares ultrapassou aquela derradeira fronteira da senilidade que só se vence tornando-se num alzheimerado, tratado pelo Prof. Lobo Antunes, com assento no Conselho de Estado, "et pour cause". Freitas do Amaral estava com aquele jeito de coluna com que ficou, desde que foi misturado no "Casa Pia", e depois vieram os Borges, os Marcelos, os Penas, a "adelaide" Jorge de Miranda, os Santos Silvas, o Jardim Gonçalves -- ainda não o abateram?... -- e mais uns quantos. Só faltou ouvir Dias Loureiro, com voz grave, apresentar algumas soluções para a saída da crise. Depois, subindo de patamar, apareceu a... "Coisa" de Boliqueime, a quem insistem em chamar Presidente da República, sem suspeitarem de que, de cada vez que dizem "Presidente da República" estão a fazer um diagnóstico reservado, e um prognóstico reservadíssimo da dita cuja república e do povo que nela está forçado a estar confinado.

Pois, a Múmia de Boliqueime, em pleno desastre nacional, foi cortar uma fita (!) à Batalha, acompanhado do seu emplastro, que oscila entre A+ e A-. Hoje, por acaso, numa combinação de roupa da Rua dos Fanqueiros, que criava uma ilusão de ótica de cintura Império, estava completamente A---, mas o pior estava para vir, porque os jornalistas ainda insistem em entrevistar o marido dela, que acha que nunca se deve pronunciar sobre nada -- como se de ali saísse algum oráculo superior a uma licitação de feira de cobertores de Alcoutim --, e até saiu, saiu uma pérola barroca, e maravilhosa, em que o moribundo pedia um esforço a todos os os Portugueses para que se unissem.
Eu, por acaso, já estou unido com uma multidão de Portugueses, mas CONTRA ele, e os do género, que nos colocaram nesta situação.
O milagre da coisa é que ele tinha uma receita, de solzinho a dançar, para sairmos do buraco, e cito, "por exemplo, comprometermo-nos todos a criar, todos os dias, 2 postos de trabalho (!)".
Pela minha parte, pensei logo em dois postos de trabalho, dois daqueles brasucas fugidos da defunta Carandirú, e que andam a monte por cá, no Monte da Caparica, e contratá-los para um... despacho, tipo Dona Rosalina, para a Mais Vil Figura do Estado. Eram dois postos de trabalho, temporário, mas, enquanto durasse o... trabalho, sempre iam para as estatísticas...

Isto foi a minha primeira reação de ira.

A segunda veio quando me pus a fazer contas, e, incluindo sábados, domingos e feriados, já que estamos em crise, criar dois empregos por dia daria 730 empregos por ano, o que, atendendo aos níveis de Desemprego atingidos nesta vergonhosa choldra pelo Sr. Cavaco e todos os que se lhe seguiram, daria... ora, deixa cá ver, 500 000 a dividir por 730, com uma folgazita para os anos bissextos, mais coisa, menos coisa, cerca de 680 ANOS, para refazer o que esta canalha desfez.

Nesta altura, se a televisão não fosse cara, tinha apanhado com o meu vaso, de 100 anos, dos berberes de Tamegrout nos cornos, em efígie, à falta de ser pelo natural, e deu comigo a perguntar, como pergunto todos os dias, em que estado se deixou ficar um país com uma história tão gloriosa, como a nossa, para ser representado por aquele calhambeque?...

Os últimos dias têm sido importantes: libertámo-nos do primeiro ministro que vivia num "off-shore", mas continuamos a manter uma múmia numa marquise. Evidentemente, não me compete a mim apeá-lo, a não ser através do que de mais demolidor consiga escrever, e estou a tentar escrevê-lo: porque há gente realmente à rasca, e muitos "desperados", que, quando isto galgar a berma da estrada e for pela ravina abaixo, farão o trabalho pelo bem do país. É, pois, uma questão de tempo.

Com o tempo, entretanto, joga Sócrates, que conseguiu a mais prodigiosa das coisas que foi, depois de ter destruído o seu partido, ter destruído os partidos dos outros. Como diz o camarada Bagão Féliz, intacto, neste momento, bem feitas as contas, só deve estar o Partido Comunista e a minha adorada Odete Santos, com as suas pensões e talento avultados, embora me pareça que quem está mesmo a aquecer os reatores, com consequências imprevisíveis é a extrema direita, e, já que falámos de Direita, como já várias vezes aqui referi, para mal dos meus pecados, conheço alguns dos familiares do "Engenheiro", e sei que que são capazes do "après-moi le déluge".

Fica aqui um pouco de humor: é claro que o Sr. Sócrates vai resistir a tudo, e até talvez tenha razão. Se me perguntarem como, e posta à parte essa inveterada frequentadora de macumbas e candomblés, Dilma Roussef, Sócrates tem à mão a mais antiga das receitas, depois da barriga de freira, da Áurea Miguel: vender parte do ouro do Vacão de Santa Dão, para pagar o que devemos, e mandar o FMI para o caralho.

Eu sei que isso seria elementar, mas vamos lá ver se a sua mente mentecapta de Vilar de Maçada lá chega, antes de começarem a abater a tiro a corja, porque a coisa está-se mesmo a degradar, em todas as frentes. Na sua forma habilidosa, e enquanto -- eu bem avisei de que ESTE texto era importante... -- se descobriu que havia um administrador dos CTT (quantos mais, meu deus, quantos mais...) que tinha falsificado as habilitações, e que não passava de mais um Vasco Franco de lamber selos, ou um Manuel Alegre, de vomitar rimas coxas, e, claro, o Governo não o pode demitir, porque o Primeiro Ministro está exatamente nas mesmas condições; quando se descobre que há maquinistas que ganham 50 000 €, e que o banco do Dias Loureiro, do Oliveira e Costa, do Duarte Lima, do Figo, da Catarina Furtado, e do lixo todo que anda por aí, através da Sociedade Lusa de Negócios, onde a Patrícia Cavaca, e o macavenco da Perpétua tinha milhares de ações, movimentou DEZ MIL MILHÕES DE EUROS em balcões virtuais, dos quais não vimos nada, os quais nunca foram taxados, e sobre os quais se continua a fazer silêncio, mas que estamos a pagar, através desta situação de colapso, eu pergunto: onde estão os braços fortes de Portugal, que construíram as nossas fronteiras, que nos levaram aos confins do Mundo, e nos tornaram, num tempo, ímpares, e deveriam agora vir fazer a limpeza?...

Sim, eu sei que estou a falar muito alto, e já são duas da manhã.
É claro que eles estão por aí, mas completamente anestesiados, à espera do euromilhões, ou do ópio do Povo, o clássico Benfica-Porto, por exemplo.
Que bom, que alegria, que esperança.

Felizmente há balizas... :-)

(Quinteto do zé das botas vai salvar-nos, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma aventura sinistra", e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 29 de março de 2011

Sócrates e o seu "Dia da Dignidade"



Imagem do Kaos e dedicado ao xatoo, em homenagem ao criador de um dos lugares mais bem informados da blogosfera 





É sabido que o sr. sócrates nunca foi bem visto por estes blogues, e que, se isto fosse um país normal, já não deveria ser primeiro ministro, pelo menos, desde o fatídico ano de 2007, em que a porcaria toda associada ao seu "diploma" foi posta a nu. acontece que nada temos de normal, e a coisa seguiu para bingo, com episódios cada vez mais rançosos, mulheres a dias na pasta da educação, seguida de cadelas sorridentes do conto do vigário, de armandos varas, de apitos, de freeports, de bpns, de faces ocultas e de uma série de coisas que, sinceramente, já esqueci.
nessa altura, ainda éramos ingénuos, e acreditávamos que o fenómeno sócrates se esgotava na pessoa física do sr. sócrates e nos arredores da sua vaidade. tudo o resto eram anedotas, relacionadas com um nariz de batata que vestia armanis, pegava de empurrão, com o diogo infante a segurar-lhe pela correção da língua e a câncio a assistir, de perna aberta, e esfregona na mão.

entretanto, tudo piorou, como sabem, e esta coisa, a que alguns ainda insistem em chamar país, mas que só é uma bandeira de conveniência de todas as mafias, com a turca, agora, parece, a chefiar, aproximou-se perigosamente do seu colapso existencial.

o sr. sócrates nunca foi aquilo que, propriamente, se poderia chamar um patriota, já que era nativo de um, ou vários, "off-shores", o que, mestiçado com adn jeová, meios irmãos, meios tios, meios primos e uma meia de leite, quando o venezuelano já se tinha vindo na boca de um cliente anterior, nos levou a este estado.

de sócrates, poderemos, um dia, dizer que foi mau o dia em que lá o pusémos e ainda pior o dia em que de lá o tirámos, porque o dia em que saiu, ao contrário do dia em que entrou, foi um vexame internacional, em que um país, destruído pelo cavaco, e que importa tudo o que consome, se pôs nas pontas dos pés e disse ao bando de facínoras que gere a dinâmica europeia, merckels, sarkozys, camerons e outras porcarias do género, incluindo o cherne, o "presidente" da europa (um gajo que tem cara de belga frequentador da casa dos érres), e a ministra, ou lá o que é aquilo, dos negócios estrangeiros da federação europeia, uma retrognata com ar de engomadeira de vale de cavalos, disse que não queria pagar, e fez uma birrinha, e mandaram, para bruxelas, o representante de portugal, vergonhosamente descalço.
do meu ponto de vista, que venho de outros valores, foi feio, desinteressante, e colocou o país na capa de tudo o que era a imprensa abutre, à espera do dia em que a carcaça, ferida de morte, caísse no chão. o penteadinho do psd, a quem alguma bruxa deve ter vaticinado um brilhante futuro, voltou para o passado, com a cloaca enfiada entre as pernas, depois de o patronato lhe ter dito que o achava muito jeitoso, e que se fosse "doce" até dava uma voltinha com ele, mas acontecia que não era doce, e que a coisa estava mesmo amarga, a modos que era melhor que começasse a alinhar com aqueles que mandavam nele, e em todos nós, ou ia fora da carroça, num par de dias.
amochou, e prometeu iva a 25, 26, 30, 80, tudo o que eles quiserem.

suponho, para bom entendedor, que os últimos dias mostraram que quem manda em portugal já não são primeiros ministros portugueses, ativos, ou demissionários, mas uma teia infinitamente mais implacável, externa, que talvez não seja bom, nem conveniente, contrariar.

defendi, em tempos, que portugal estava a ser usado como palco para uma experiência global, dos senhores do mundo: um povo que nunca teve muito, de maneira que até se podia acomodar a viver com um pouco menos, que sempre conheceu desníveis brutais entre o topo e a base; inculto, ou simples leitor das ficções do "expresso", o que vem dar ao mesmo; crente em causas naturais e milagres da fé; capaz de ver o solzinho a dançar, enquanto a europa se desfazia em guerras, etc., ou seja, para esses cavalheiros, que queriam, e querem, transformar a europa numa china ocidental, de baixos salários e jorna de sol a sol, éramos ideais, porque sempre tínhamos sido assim, e por aqui vieram, e instalaram o... laboratório.
veio a "assembleia nacional" e decidiu que o processo podia parar, e, quando enviaram, descalço, o sr. sócrates, para bruxelas, acompanhado pelo cãozinho de estimação, para ver qual dos dois pegava, tivémos a desagradável surpresa de saber que vieram ambos, pela posta restante, devolvidos, com a recomendação de que, ou cumpriam a receita, ou a cozinha fechava.
a isto, suponho, chama-se fim da soberania nacional, também conhecida por "porreiro, pá".
acho que já perceberam onde é que queria chegar, mas volto a ressalvar que foi dos poucos dias dignos de sócrates, aquele em que foi, de trouxa à cabeça, representar um povo falso, de traidores e capaz de tudo, até de fingir que quem ia a bruxelas não era o representante de portugal, mas um tal de sr. sócrates, que as pessoas até nem conheciam de lado nenhum, e ele que se desenrascasse, o malandro.
enganaram-se, a acaba aqui o meu elogio ao único dia digno de sócrates, que nada me espantará, se voltar já em junho e em força.

toda a gente está a adorar o filme, mas eu vou contar-vos o filme de uma maneira que vão deixar de o adorar.
a história é muito simples, e segue mais ou menos o enredo da primeira, mais do que da segunda guerra do golfo: na segunda, havia armas de destruição maciça, que, depois... não havia; na primeira, pelo contrário, houve a ficção de um país grande, e mauzão, que invadia um país pequenino, e bonzinho, e, à sombra disso, o sr. bush pai, talvez o último grande estadista do séc. xx, inverteu toda a ordem mundial imposta pela guerra fria. houve um ataque como não se via desde os camaradas hitler e estaline, nunca se percebeu quantos mortos morreram, e pouca gente sabe, mas está aqui, que a ordem de invasão do koweit foi um ato consentido dos usa, e o totó caiu na ratoeira, como depois voltou a cair, quando acreditou que os países que lhe forneciam obsoletas armas de destruição maciça nunca o atacariam, nem enforcariam.
enganou-se.

o filme da líbia é muito parecido: uns coitadinhos, aparentemente, os mesmos que chacinavam europeus, em ataques terroristas, e tiravam fotos, depois de mortos, com marines sádicos, com perfis e idades de renatos seabras, foram sendo encurralados, encurralados, encurralados, por um dos grandes porcos da história, o travesti she-male kadafi, que só bebe leite de camela -- e por isso deitou um olhar tão apaixonado à maria cavaca, quando nos visitou... -- e, de repente, quando tudo parecia perdido, o homem branco, ocidental, "interviu" e começou a varrer aquela porcaria toda, com a plateia de cá a bater palmas.
por mim, é indiferente, porque cheguei a um nível de cinismo duplo dos sorrisos de dromedário da isabel alçada: sou titular do nojo que ela me mete, e espectador abrupto destes filmes de ficção barata: de cada vez que os heróis europeus destroem um avião do "coronel", é mais um avião que os futuros "coronéis" sucessores da traveca líbia irão comprar aos grandes fabricantes de armas mundiais, nomeadamente usa, uk e frança, ou seja, vão comprar duas vezes aviões, a primeira, em que já tinham comprado, e a segunda, em que o vendedor bombardeou o que tinha acabado de vender. acho maravilhoso, e suponho que o programa se vai chamar, brevemente, "petróleo por aviões", com o engenheiro guterres, pelo meio, a entreter umas gajas de burka, que fazem gluglu com a boca, e sofreram excisão feminina, como o zezé castel' branco.
nós aplaudimos, e até gostamos.

eu podia acabar o enredo por aqui, mas vou só acrescentar uma coisa, aliás, duas: a primeira é que, quando cair o verdadeiro alvo disto tudo, a casa de saud, uma nojeira inventada para ocupar a epiderme dos poços de petróleo da arábia saudita, vai ser substituída por um cavalheiro muito gentil, o emir do qatar, dono da al-jazeera, que, como quem não quer a coisa, nós agora nos habituámos a ver, com o mesmo prazer das manhãs do goucha, os dias difíceis da Carrilha, e as ressacas da "branca", do miguel sousa tavares. o sr. kissinger, um dos mais antigos patrões do mundo, lá se vingará finalmente do seu kadafi, esquecendo-se de que kadafi, como nixon, que ele serviu, é um paranóico, esquizofrénico, psico e sociopata, com um perfil tirado polo natural de adolph hitler; a segunda é que, quando kadafi perceber que estão mesmo a querer livrar-se dele, pode transformar tripoli numa grande fukushima, ou enviar alguns presentes de plutónio, ou afim, para a decadente europa, onde reinam as du barry de sarkozy e berlusconi, e os efebos do demissionário sócrates, e as futuras assessoras "doce", do madeixado de caju, do psd.

querem perguntar-me onde está a graça disto tudo?...

em lugar nenhum, exceto se a geração à rasca começar a sair, cada dia, cada vez mais, e cada vez mais forte, por cá, e pela europa, e pelo mundo todo, e os homens da luta, com uma canção medonha, pela primeira vez, ganhem aquela abjeção, que é o festival da eurovisão, e façam a europa levantar armas.
nós estaremos na linha da frente, com a autoridade que nos dá termos a mais antiga múmia do magreb ainda a ocupar o palácio de belém, e a discutir, como quando caiu constantinopla, se é a mafia turca ou a russa que vão dominar o sporting.
questões tomistas, meu caro watson.

(quinteto do fmi já vem aí?..., no "arrebenta-sol", no "democracia em portugal", no "uma aventura sinistra", no "klandestino" e em "the braganza mothers")

domingo, 13 de março de 2011

Entre a Geração à Rasca e o Portugal inaugural





Imagem do Kaos


Contra multidões, não há argumentos.
Quando o Povo sai à rua, devem ser escassas e concisas as palavras.
Hoje, dia 12 de Março de 2011, Portugal mostrou que estava à altura dos seus quase 900 anos de História: foi grandioso ver todas as tendências e não tendências a descer avenidas, com todos os seus estandartes e libelos de imaginação.


Os caciques da desgraça, apavorados com tudo o que lhes escapa ao minucioso controle, este açaimo de décadas que conseguiram pôr-nos, já só se inquietam agora com o que vai esta Geração à Rasca fazer com todas as gerações que estão à rasca.
Nada de mais simples, e ao alcance da prosa elementar: qualquer futuro passa por uma releitura do passado. Sentem-se, e façam um pouco de arqueologia, porque as respostas estão todas ao vosso alcance.
A raiz de todos os problemas foi uma Revolução, onde este escroque, descaradamente, conta como tudo se passou.
Começou com uma canção e acabou num pântano, mas a sua lógica é a raiz mais profunda desta gangrena: houve um Estado decapitado, um Regime que estava a cair de podre, e, quando caiu, viu todos os seus lugares de decisão serem ocupados por quem ali estava à mão.
Ocuparam e nunca mais saíram, nem deixaram ninguém entrar.

Se querem saber como tudo começou, vão de porta em porta de todos os pavões que agora se autoespelham pelos jornais e televisões, e façam-lhes duas perguntas, a de Baptista Bastos, "olha lá, onde é que tu estavas no 25 de abril", e uma outra, minha, e complementar, "olha lá, onde é que tu estavas no 24 de abril?..."
O segundo questionário deve ser feito ao indivíduo de cadastro mais atenuado de Portugal, e que, vergonhosamente, ocupa a Presidência da República: "perguntem-lhe o que fez, ou deixou fazer, aos fundos de desenvolvimento de Portugal?..."
A geração mais habilitada de sempre, de todo o Portugal, quer saber que habilitações tem esta gente que nos arruinou?... Procure-as AQUI.
Por fim, vão aos políticos presentes, e perguntem-lhes como herdaram tão rapidamente os vícios do Sistema, quantos deles pesam na máquina do Estado, por abuso, amancebamento, filiação, compadrio, ou pertença a seitas secretas.

Não sabem o que fazer?...

Perguntem ao Sousa Tavares, ao Belmiro de Azevedo, à Leonor Beleza, ao Dias Loureiro, ao Pinto da Costa, à Clara Ferreira Alves, ao Vasco Franco, ao "Cherne", ao filho do Júdice e do Constâncio e a uma multidão de tantos outros, como chegaram onde estão, e quanto nos custa mantê-los nessa posição, porque para eles lá continuarem, é sinal de que lá vocês nunca chegarão.

Como a História nos reconta, os vícios de uma Revolução só se curam com as virtudes da revolução que se lhe há de seguir.



(Quinteto da Deolinda faz cricri, no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Uma Aventura Sinistra", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, 11 de março de 2011

O mais curto mandato de Cavaco Silva





Imagem do KAOS


Como dizem os provérbios, há sempre um tempo para as vinganças, que, quando vêm, melhor se servem em pratos frios.
Entre os tumultos e as inseguranças internacionais, nada se assemelha hoje mais a uma tempestade do que o mês de Março, em Portugal.
É bem feito: custou, mas foi. É o tempo justo, com os protagonistas certos nas posições corretas. Para os atiradores furtivos e para os atiradores diretos é o tempo do alvo e da mudança.

Dia 9 de Março, um dia funesto para a Nação Portuguesa, assistimos a um fenómeno que nos é particularmente próprio, o do lixo, em vez de cair para baixo, cair para cima, neste caso, para a mais alta magistratura do Estado, a Presidência da República.
Investido na sua segunda (in)dignidade, dizem que o discurso do Sr. Aníbal, de Boliqueime, foi uma vergonha. Não o vi, nem ouvi, pelo que estou perfeitamente à vontade para o comentar.

Concluído o Ciclo do Império, em que a Múmia de Santa Comba Dão deixou as colónias por explorar, e em que éramos senhores de algumas das maiores riquezas à face da Terra, deixadas escapar, para depois serem devastadas por caciques locais e predadores mundiais, ficámos perante o ciclo da última esperança, que era a de um retorno ao destino europeu.
A coisa era, então, elementar: havia um núcleo de países ricos, e desenvolvidos, que reunidos pelos critérios da manutenção da paz e da cooperação económica, iam adotando, um a um, os seus irmãos mais pobres. Portugal, recém saído da sua bruma de autoritarismo, a mais longa do Velho Continente, viu-lhe estendida a mão do Continente, nos idos de 1985. As condições não eram desagradáveis, e até tinham a melancolia da simpatia e a esperança da juventude: anualmente, em projetos conjuntos, reorganizava-se e modernizavam-se a Agricultura, as Pescas e a Economia, apostava-se fortemente na Educação e na afinação da classificação profissional, erradicava-se o analfabetismo, as batrracas e as manchas de pobreza, desapareciam as fronteiras, e passávamos todos a ser cidadãos de um espaço comum, de direitos, deveres, qualidades e distinções.

O que Portugal, ou, mais precisamente, quem governava Portugal, fez foi desbaratar esta derradeira oportunidade de modernidade e abundância. A Agricultura foi substituída por papéis fraudulentos, onde se inventavam tratores e sementeiras que nunca aconteceram, as árvores endógenas deitadas abaixo, para plantar eucaliptos, que forneciam, em monocultura, fonte de celulose para os ávidos importadores, e, se é certo que não chegámos aos extremos italianos de pôr árvores de plástico, que enganavam as fiscalizações apressadas das entidades europeias, multiplicámos esquemas cuja história, a ser um dia feita, revelaria o país infame, em toda a sua pequenez.

A rede ferroviária, espinha dorsal, desde a revolução industrial, de qualquer estado, foi desmantelada, e as suas alternativas transformadas em estradas e autoestradas desenhadas por amadores, que poupavam na camada de desgaste do pavimento, e faziam os percursos em ziguezague, de modo a coincidirem com os terrenos onde mais se pudesse sacar nas expropriações, ditadas por supremos juízes jubilados, ou mumificados, do regime deposto. O resultado foram pistas da morte, rios de dinheiro esbanjados, e anomalias viárias, que tornaram Portugal um potencial emissor do CO2 da gasolina e do petróleo, que não produzia, mas cada vez mais importava.

Os dinheiros da formação profissional, que incluíam pagamentos a formadores e formandos foram ficando pelas mãos das escolas fantasmas, ligadas aos tubarões da nova situação e a sindicalistas de caráter dúbio, que depois se casaram com badalhocas de Cascais, e desapareceram do mapa. O resultado foi mais uma multidão de analfabetos funcionais, rodeados de novas contas na Suíça, e por onde calhava.

Fundos para a edição de livros desapareceram em raízes de eucaliptos, muito deles mandados plantar por ministros sinistros, que tutelavam o Ambiente (!), ou faziam anedotas sobre hemodialisados, quando não poupavam em lotes de sangue infetados com HIV.

Os bancos, petrificados pelos excessos da Revolução, foram sendo vendidos a velhos donos, que, após indemnizações, imediatamente os vendiam a España, recebendo duas e três vezes pelo mesmo, ao colocá-los nas mãos do exterior.

O pato bravismo, que era uma receita do sou ignorante, mas quero, posso e mando, assaltou o poder, e os poucos lugares deixados vagos por um regime decapitado na rua foram ocupados por gente duvidosa, de baixa formação académica, baixa moral, péssimo civismo e desmesurada ambição, enfim, pura avidez no campo do desviar capitais.

O dinheiro abundava, podendo governar-se com três orçamentos, o do Estado, o das privatizações e o dos Fundos Estruturais.

Esta brincadeira durou dez anos, com gente a especular na Bolsa, através da posse de envelopes com informação cifrada, que anunciavam que ações iriam subir, ou cair, no dia seguinte. Fizeram-se fortunas miraculosas, ao ponto de a Bolsa ter de ser fechada, e o sistema desacreditado.

Havia gestores encarregados de fazer falir empresas, e colocar na rua operárias que se prostituíssem. Nas esquinas das pastelarias, abria um novo banco, sentava-se um novo drogado, e dormia um novo pedinte, e os industriais do Norte vinham buscar ruis pedros, para a sodomia, e a coprofilia.

O circuito da droga instalou-se, e o "jet-set" deste "bas-fonds" gastava, numa noite, o salário de multidões imensas, com o desprezo que a gentalha que subia pelas escadas fáceis nutria pelos menos espertos, que não sabiam como a coisa se fazia.

Multiplicaram-se cargos e assessores, de joelhos e na horizontal. As 100 famílias que governavam Portugal foram substituídas por 300, mais próximas das famílias da Mafia do que da Genealogia e do Apelido.

Era o "Pugrèsso", e estávamos no pelotão da frente da Europa, mano a mano com a Grécia, uma gente horrível, sem história, que se atrevia a desafiar-nos.

Quando a coisa começou a ser suspeita, resolvemos acelerar o processo, e desmantelar a frota pesqueira, cobrir os terrenos agrícolas de urbanizações de "luxo", onde se branqueavam os capitais da coca e da heroína, vender os têxteis, fechar os estaleiros, e passar, com esse dinheiro, a importar, de gente que dava comissões a alguns, à custa da destruição do trabalho de muitos, e da ruína de todos.

Dez anos passados, estávamos num pântano, e instalou-se a cultura do salve-se quem puder.

O "pügrèsso" de Portugal tinha sido falhar todas as metas para as quais a Europa tinha andado a injetar dinheiro.

Ah, esqueci-me de dizer o nome do homem que presidia a isto tudo: chamava-se Aníbal Cavaco Silva, e era sósia do cadáver que, dia 9 de Março, fez descer o cargo de Presidente da República à indignidade de o ver reeleito.

Este senhor Cavaco era casado com uma mulher de horizontes limitados, que dava o ano zero, na Católica, e que, mal o marido foi eleito primeiro ministro, passou a ir, no mini em que sempre seguia para as aulas, com motorista. O motorista do mini era o próprio pai, enquanto não arranjou dinheiro para pagar a um profissional (!)

Eu sei que tudo isto, contado assim, parece fruto de um cérebro doente, e é, mas não do meu, que sou só mero narrador: é o cérebro doente de um país inteiro, que se faz representar por esta gentalha.

Santana Lopes, que presidiu à Cultura, pagava fortunas por uma noite passada com uma puta brasileira, que fazia "cultura" como se faz hoje, mas a verdadeira epígrafe e epitáfio do regime foi o Arquiteto Taveira, um ogre, que copiava, como o Miguel Sousa Tavares, hoje, umas coisas que se faziam lá fora, e pareciam "modernas", cá por dentro, onde o gosto nunca foi famoso.

A grande prática do Cavaquismo foi o sexo anal, tal como o senhor Taveira evangelizou.

e foi esse senhor Aníbal que também deixou que proliferasse tudo o que era falso, de universidades privadas, de cursos de papelão, a escritores de escaparate de hipermercado e famílias de serviçais, que faziam, a metro, o que a baixeza e a mediania consumiam.

Eram tempos difíceis, como dizia o escroque do Senhor Júdice, ligado à Pedofilia e ao tráfico de armas e influências, quando aconselhava a miúda, da Geração à Rasca, que queria ser atriz, a servir, de dia, à mesa (!), e a a representar, à noite. Supomos que seja assim que o cavalheiro tenho posto o paneleiro do filho à frente da Quinta das Lágrimas, nas urbanizações de Coimbra, em mata protegida, e a pagar 150 € de renda por um restaurante de luxo, quando a atriz decerto estará a penar 600 €, para toda a vida, por um cubículo frio na Margem Sul.

Esta escumalha, que se instalou em todos os lugares decisórios, não os quer abandonar, a bem, nem permite que se exerça o direito de sucessão. Como todos os medíocres, necessita de se rodear de ainda mais medíocres, para que possa, por relação, brilhar, de preferência, para sempre.

Todas estas coisas somadas destruíram um país, e tornaram a coisa de tal modo imobilizada que já não será pelas forças da Razão que se resolve: são décadas de compadrio, de vícios, de coisas feitas por debaixo da mesa, de sociedades secretas que violam o princípio da paridade e da transparência, que violam o direito de isenção da Lei, que fundem os poderes político e judicial.

Elas são os princípios do Cavaquismo, a serem levados ao seu último apuro e estertor.

Quando, a tremer, o homem que passa por Presidente da República de 15% de Portugueses pronunciou o seu ridículo discurso, pronunciou-o demasiado tarde. Devia ter apelado à insurreição social, quando entrava, em cascata, o dinheiro que podia ter desenvolvido Portugal, e ele o fazia desaparecer imediatamente.

Em 1994, toureando-o na Ponte 25 de Abril, com o criminoso Dias Loureiro a disparar sobre a multidão, o Povo fê-lo cair o chão.
Não teve vergonha, e voltou, dez anos depois, esquecido de ter patrocinado todos os horrores atrás descritos. Não se lhe ouviu, nesse discurso, uma palavra sobre os 9 000 000 000 € (!) que estamos a pagar, por causa das brincadeiras dos seus amigos cadastrados do BPN, nem da incredulidade que gera a manutenção dessa obscenidade, nos mercados financeiros internacionais.

Cavaco Silva deixou sucessores, que terão levado a esta geração à rasca, mas a grande obra dessa criatura, cobarde e reptilínea, não foi uma, mas várias gerações, um país inteiro, à rasca. Quando agora apela a sublevações sociais, não é a razão que o está a fazer falar: são o medo e a cobardia, o mesmo medo ressuscitado daquelas multidões da Ponte, que o poderiam ter apeado, como qualquer múmia do Magreb.
Não era um Presidente da República que discursava: era um gajo acagaçado, um tal Aníbal de Boliqueime, filho de um poço e de uma marquise, a tentar pôr-se de lado, como se ele não fosse o alvo primordial do protesto desta geração do pântano.

Em 1985, este homem gangrenou a Democracia, a Cultura, a Economia e viabilidade do mais velho estado nação da Europa. Ele é o inimigo público nº 1, de Portugal, foi o ovo da serpente, permitiu que a serpente se tornasse fértil, e procriasse, multiplicou-a, transformou-a em sucedâneos, e deixou-a espalhar-se em prole. Hoje, senil, mal se move, senão pelos discursos farseados dos canalhas que dele precisam, na retaguarda, para sobreviver.
Todavia, é uma serpente mumificada, que, já nem no chão, agora, se consegue contorcer: vão ser preciso fortes patadas, para que volte a apresentar sinuosas curvas, na sua pele mumificada de remorsos.


(Quinteto da indignação, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "Uma Aventura Sinistra", e em "The Braganza Mothers")