sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Nuno Crato, uma escatologia, na forma de 500 zeinais bavas que querem "frô"





Imagem do Kaos


tenho, por nuno crato, o mesmo respeito que tinha pela milú, a mulher a dias da educação, com algumas variantes, a de, realmente, o respeito ser um pouco abaixo e a barba dele estar um pouco mais acima.
sempre que há nunos cratos a cratizarem-se no que resta no cenário por desmontar de um sonho de um gajo que nunca devia ter sonhado isso, afonso henriques, vem-me à cabeça um velho aforismo, que, algures, inventei, o de que, para a cultura e para a educação, qualquer coisa serve, desde que tenha um ligeiro ar de vaca da graciosa, ou um gene de hipopótamo, que vai da mente às extremidades elefantisadas. claro que isto são meras imagens, um pouco os meus graffitis de escrita, mas o sumo da coisa, o meu plano nacional de leitura, para citar outro traste, um camelo de sorrisos falsos, a essência destas imagens é a métrica de uma linha de pensamento que se vai tornando impiedosa, de dia para dia, e que está a chegar agora, por puro tédio, a um seu máximo relativo, como o crato, matematico, adoraria ler escrito, e vamos já aos factos.

como é sabido, as repúblicas do séc xix, a par com as monarquias liberalizantes, sabiam que o sistema de ensino público, a começar pelo primário, era a espinha dorsal de todas as esferas do futuro, pelo que, sempre que hoje se fala em desinvestir em educação, eu saco do revólver das palavras e começo a zeinal bavar-me em todas as direções. depois, como dentro do horror, há sempre um horror do horror, aparecem os cratos, para fazer os fretes que a milú inaugurou, e que a sensaborona opinião pública nacional, uma coisa que só se sabe pronunciar sobre as punições do balneário do leão, ou lá que merda é essa, quase que ignora, já que no tabuleiro do nada vale, tudo vale, na forma do deixa andar,
mas eu não deixo, porque, podem cortar em muita coisa, mas a minha sensibilidade para os valores do relacionamento humano é demasiado sofisticada para não me agarrar às centésimas, e dirão vocês que isto é um vítor constâncio que em mim grita, e eu direi que sim, tal como a senhora de mota amaral tem uma santa da ladeira por fora e uma elsa raposo por dentro, e eu vou soltar essas centésimas, na forma de vitríolo e trucidador for ever essa detestável criatura, nuno crato, que tanto poderia ter aceitado a educação como um penico internacional, já que a vertente carrilha é um carrilho de via única que a subserviência têgêveia, percorre e serve.

acontece que a excelência, palavra que detesto, e prefiro substituir pelo valor do mérito e o reconhecimento das qualidades, quando atribuída em certas idades, pode ser determinante para toda a existência, como dizia sartre sobre a família, que se tinha em pequeno, e deixava marcas para o resto da vida, e deixa, tal como certos atos, e vou já ao que nos interessa, porque isto de andar a bailar é bom para os cretinos do "eixo do mal", e da "quadratura das bestas".

sucede que, coisa que eu desconhecia, alguma das almas caridosas que ocupou a educação, como poderia ter ocupado a vereda das sentinas, resolveu, e com algum brio, que os melhores alunos, do secundário, creio, daquelas bombas relógio que são as escolas portuguesas, iria receber 500 € de recompensa pelo esforço desenvolvido.
500 €, num certo tempo da vida, pode ser muito dinheiro, mais, pode ser o sinal simbólico que funda a primeira pedra de alguém que sente que o trabalho intelectual poderá vir a ser uma via posterior de sobrevivência.
como toda a gente sabe, e vamos a um axioma, em honra do crato, em portugal, o trabalho intelectual não é uma via posterior de sobrevivência, não tivéssemos nós 27% de licenciados no desemprego, e uma fasquia inominável de patrões analfabetos, de cnocizados no governo, e atrasados mentais nos poleiros da república.
esses são os autênticos sinais de mediocracia, uma coisa que a grécia antiga não onventou, mas nós decidimos praticar, já que a arte de ser atrasado sempre passou por decapitar os mais aptos.

eu, humilde escritor, que já tive essa sensação de murro no estômago, em tempos idos, quando ganhei um prémio literário, que era uma publicação da obra na imprensa nacional, casa da moeda, mas, logo dois dias depois, recebo um telefonema, a dizer que, sim, que tinha o prémio, mas não a edição, porque o cancro que então dirigia a instituição -- e escarrapacho-lhe já com o nome aqui -- um tal de vasco graça moura, uma nulidade, que parece uma retroescavadora-caimão do reacionarismo nacional, ao ir-se embora, tinha deixado os cofres vazios...
para o jovem que ganhou o prémio, eu, a coisa foi marcante, aliás, não surpreendente, mas corroborante do desprezo que eu já intimamente sentia por esse traste da vida pública portuguesa, e, imaginem, ao longo do tempo, não só não me esqueci do episódio, como continua a considerar essa... coisa um dos primeiros que abateria, se tivesse o tal poder de carregar no botãozinho e livrar-me das belas lêndeas que nos infestam.

sei que este texto poderá parecer um pouco camileano, autor que não frequento, já que foi indireto culpado de uma posterior gangrena da língua portuguesa, ao nível do vasco graça moura, mas na forma de hipopótamo anão, a agustina, a saloia do norte oitocentista, e vou enveredar pela minha típica verborreia, pondo-me na pele dos jovens que estavam à espera do prémio de mérito, e, afinal, ouviram o qualquer-um-que-pode-ocupar-a-pasta-da-educação dizer-lhes, que, afinal, não havia dinheiro.

gostei dos rasgos de filantropia de dignidade que alguns setores da nossa sociedade, ainda não corrompidos, tiveram, ao assegurar, do bolso deles, o pagamento dos prémios, mas o grosso deles ficou, mesmo, por pagar,
e, assim, estes jovens, anónimos, o melhor das nossas decadentes escolas, aprenderam uma profundíssima lição, um belo teorema, a de que a palavra de um ministro pode voltar atrás, o que terá, no seu amadurecimento, uma sequela de corolários, que poderão ir desde o radicalíssimo desprezo que eu sinto pelo ato, a um crescente ódio, que termine naqueles metralhares finlandeses, ou americanos, de porta de universidade.
como diz a teoria do caos, e o sr. crato muito bem sabe, o bater de asas de uma borboleta em pequim pode gerar um occupy wall street em nova iorque, e quando as borboletas são muitas, e batem muitas asas, poderão muitos 15 de outubros ocupar avenidas, com multidões reunidas em todas as alamedas.
isto, todavia, não é senão, um prólogo dos desenvolvimentos sequentes, não fosse isto um estado em estado de esfarelamento abrupto e acelerado: no tempo da civilização, o ministro dos bons exemplos das gerações futuras, já que esses exemplos são o que fica, quando se esqueceu tudo o resto da educação, ao saber da coisa, que até lhe poderia ser alheia, deveria imediatamente ter seguido o caminho da demissão, para que esses milhares de jovens defraudados sentissem que tinha havido uma solidariedade, por parte de quem deve representar a decência dos países, os seus governos, e crato teria passado para a história como um excelente ministro da educação, um daqueles raros, que, ao sentir que estava incapacitado de cumprir os seus compromissos de honra e exemplaridade, tinha preferido colocar o lugar à disposição, para que as gerações futuras o vissem, doravante, como um homem digno.

e vamos a outro teorema: a dignidade, em portugal, onde se pensa com os pés, e os milagres se esperam de joelhos, tal como o esforço intelectual, são irrelevantes, já que o vale tudo, o há de passar, o amanhã já ninguém se lembra imperam. acontece que não imperam, porque os jovens têm memória de elefante, e crato passou para a história como ainda mais vil do que de vil a educação até hoje tinha produzido, a escravinha da casa pia, que era acordada com baldes de água fria em menina, e achou que isso lhe dava o estatuto de socióloga educadora. creio, só para dar um pouco de adrenalina aos meus leitores, que, se a encontrasse na rua, ainda agora lhe cuspiria na cara, com tanto gosto, como quando ela se perfilou no vazio nacional...
dirá o crato, coitado, que ficaria pobre, e não poderia ir-se embora, porque tem uma família de cratinhos para sustentar, que lhe deve ter perguntado, pai, como é que é isso, de terem prometido um prémio ao pedro, e depois lhe o terem tirado, e o pai crato terá explicado, com a sua exatitude matemática, que não se podem fazer omeletes sem ovos, e é verdade, mas o problema de portugal não é não ter ovos, é ter os ovos todos colocados em cestas erradas, porque, esse mesmo país que assistiu, hoje, a mais um passo na direção da sua terceiromundialização, de aqui a dois meses, se lá chegar, irá assistir à chuva dos milhões dos méritos dos zeinais bavas, dos carrapatosos, dos miras amarais, dos ulrichs, dos farias de oliveira, dos proenças de carvalho, e de tantas aberrações só possíveis numa entorpecida cauda da europa.

a história, a ser contada corretamente, deveria ter decorrido assim, para memória e exemplaridade das gerações publicamente vexadas por este escândalo que se apropriou do poder no portugal agonizantes: ao saber das dificuldades do erário público, minado de bpns, bpps, motoristas das senhora de mota amaral e outras tantas aberrâncias, sua excelência o ministro das finanças, o prozakizado vítor gaspar, imediatamente se teria apercebido da gravidade pedagógica do evento, comunicado ao primeiro ministro das "doce" que um governo pode não ter dinheiro, mas terá de manter a sua decência até ao fim, e de aí se subiria ao senhor do sorriso das vacas, aníbal, o alzheimarizado, e, em consonância de estado, tal como se decidiu nacionalizar o bpn do criminoso dias loureiro, o governo da república, reunido de urgência, e dada a gravidade da situação, decidiria tomar medidas pontuais e exemplares, cativando os prémios dos gestores da ruína da coisa pública, de modo que o dinheiro pudesse assegurar a distinção do mérito das futuras melhores cabeças da geração que estava em construção.
não o fizeram, e o preço disso, prevejo, será medonho, muito para lá dos pesos de consciência de leonor beleza, quando acorda, a meio da noite, e grita, a ver as faces agonizantes dos hemofílicos que assassinou: esta geração não esquecerá o que o sr. crato lhes fez um dia, e, quando os adolescentes crescem e se tornam jovens cabeças de liderança, por vezes rolam cabeças de robespierres na guilhotina.

as outras tiveram as cabeças passeadas nas pontas de chuços, porque brincavam às pastorinhas. Temo, com sinceridade, pelo que possa acontecer a estes, que brincam com todos nós...

(afinal o quinteto era de revolução, no "arrebenta-sol", no "demo crato", no "democracia em portugal", no "klandestino" e em "the braganza mothers")

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Steve Jobs: da incompletude da Perfeição




Há um axioma da Estética que diz que é muito difícil criar algo de novo, a que se seguem diferentes declinações, em redor de "obra prima", que deve ser entendida como um epifenómeno marcante, paradigmático, e, pela sua própria semântica, inimitável.
Toda a História da Arte é construída em redor de obras primas que estiveram em silencioso diálogo com todas as que as antecederam. Essa infinita busca da perfeição, que Borges tão bem traduz numa frase, que é um epíteto, e adjetiva, por impossibilidade de definir, fala da "iminência de uma revelação".

Explicar isso a quem nunca o sentiu é um dos trabalhos de Hércules, mas a Humanidade é eternamente feita desses espantos, e anseia pela plenitude.

Steve Jobs está agora posicionado noutro dos lugares que a Arte define como "difícil", e, sentado ao lado de Hípias e Sócrates. Dir-se-ia que alcançou esse gigantesco país dos silenciosos sorrisos, o campo restrito que Wilde evocava, quando dizia ter gostos simples, por apenas gostar do melhor de tudo.
Para nós, forçados ao convívio do irrelevante, do impertinente e do Feio, imersos numa volatibilidade de não valores, de "Nòbeles" diariamente despejados pelas televisões, os suplementos impressos de coisas nenhumas, ou os infindáveis discursos apologéticos dos vendedores do Vazio, ou do lixo financiado pelos Ministérios da "Cultura", custa-nos crer que estas coisas miraculosas que saíram da mão de Jobs se tenham tornado no mais elevado patamar do Gosto, o do Desejo, sem nunca terem ido ao "Eixo do Mal", recebido o Nobel, ou passado do rosto discreto do "homem da rua", o oposto do miserável Mourinho.

Umas atrás de outras, na vertigem do querer, as obras primas da Apple criaram uma estranha dinâmica, na qual a anterior era, como nas palavras de Borges, a iminência da revelação da seguinte, moveram massas, fizeram correr mais depressa o sangue nas veias, provocaram insónias e vertigens, e desviaram o olhar dos homens da atração da Guerra.
Quando nos sentamos a pensar naquele prometido admirável mundo novo, e o povoássemos com o seu mobiliário próprio, vários objetos de Jobs aí seriam indispensáveis, e isso é tão evidente, que corresponde à maior glorificação possível, em vida.

Infelizmente, no início deste séc. XXI, o Mundo não presta, ou não serve, e, como Klee, outros dos únicos, preferiu morrer, antes de que o Mundo se afundasse no seu Segundo Holocausto.

Essa América, que Jobs tornou grande, e a quem tantos "jobs" ofereceu, tão longe da arte da guerra, para a criação de objetos de arte, obras de arte e obras primas da Tecnologia e do Sonho, essa mesma América está moribunda, no próprio dia em que ele morreu, e entrou, por oposição à Primavera Árabe, no Outono Americano, no qual muitos anteveem a antecâmara do Inverno Europeu.
Os céticos dizem que é apenas um ponto de vista, e esta precedência Outono/Inverno é apenas um tropismo do lado leste, ou oeste do mesmo oceano e um pouco da história do copo meio cheio, ou meio vazio.

Na sequência dos seus mais incompetentes presidentes, Obama -- e suponho que muitos dos que me estão a ler farão parte daquele número de logrados que viu, no mulato, o Messias -- é um digno sucessor de Bush, talvez ainda mais estúpido e alheado da realidade, e talvez ligeiramente melhor do que Reagan, já que, igual ou pior do que Reagan, só saindo da América, e percorrendo os seus arredores, prepara-se para viver a agonia dos seus últimos dias.~

Suponho que na sua vaidade, só igualável pela saloice de Cavaco Silva, Obama nem perceba o que lhe está a acontecer.

Há tempos, quando a Europa, catalética, e nas mãos de um ex maoista, de fedor português, lhe dava o Nobel da Paz, avisei para que Obama iria substituir o Sonho Americano pelo Sonho Mexicano, e estava profundamente enganado, já que Obama nem isso tinha para oferecer aos Americanos, mas apenas uma antecâmara do Caos, que é a pior vingança que os povos podem oferecer aos seus mais irrelevantes e perigosos dirigentes.

O braço de ferro é mortal: pela primeira vez, as sombras que governam na sombra foram desentocadas, e estão relativamente à vista. Como em "Matrix", começa a perceber-se que alguém esculpiu um enorme cenário tridimensional, mefistofélico, e nos antípodas das utopias de Steve Jobs: é a metáfora do Judeu Avaro, que prefere que a cidade se afunde, a ceder um, que seja, dos seus dobrões.

Curiosamente, quando o velho De Gaulle, pela primeira vez, insinuou que o petróleo poderia deixar de ser negociado em dólares e suportaria ser comprado numa divisa europeia, as Sombras da América inventaram, em Berkeley (1964), uma coisa, que imediatamente exportaram para o outro lado do Oceano, chamada Maio de 68, que foi objeto de onanismo de várias gerações, e mais não era do que um espantoso logro: a Europa, de pé, a aplaudir, como com a eleição do caneco Hussein Obama, um movimento que tinha, como única finalidade, deixá-la arrasada e de joelhos, depois do espantoso crescimento do pós Guerra, que apavorava a Grande Sião Americana. Esse movimento gerou milagres e... monstros, criminosos contra a Humanidade, como Ratzinger, entre outros, e uma enorme geração de oportunistas reciclados, que substituiu o Livrinho Vermelho de Mao Tse Tung pelo Ultraliberalismo, que agora nos conduziu ao abismo.


Suponho que em 25 anos de descarado crime público seja a primeira vez em que estou de acordo com o chefe da quadrilha: de facto, acabou o tempo das ilusões e é chegado o tempo de chamar os bois pelos nomes. Em Portugal, é elementar: basta ir à listagem dos membros dos Governos, desde que a Europa começou, em 1986, a investir em nós, para chegarmos ao Primeiro Mundo, ver onde começaram, e onde estão, que destino deram aos Fundos e que obra recebemos, como contrapartida. Em seguida, haverá como em Nuremberga, um Tribunal, que julgará a coisa, e tanto poderá ser em Boliqueime, como no Fundão, como em Vilar de Maçada. Por razões de preciosismo e precisão, eu voto em que as sessões plenárias se desenrolem no Tribunal de Boliqueime, vocês votem onde quiserem, já que essa é a essência da Democracia.

De um e do outro lado do Oceano, o Capitalismo, agonizante, começa a trazer multidões para as ruas. Haverá gente que já percebeu que a deslizante ruína de milhões tem, oculto na sombra, o vertiginoso enriquecimento de centenas. Muitas destas gentes querem saber quem são estas centenas, e justiçá-las. Estão no seu direito.
Em Maio de 68, respirava-se ideologia, e havia testas pensantes que alimentavam, com a sua gasolina intelectual, as alamedas de gentes, que enchiam as avenidas. Eram pessoas que estavam contra a Guerra, defendiam o hedonismo do Prazer pelo Prazer, e queriam vidas próprias, próximas do "selvagem" e do livre. Queimavam gravatas, e ansiavam por alucinogénios que lhes "lsdizassem" a Realidade.

Em 2011, a romaria tem infinitas diferenças: há gente super civilizada que percebe que está em risco de receber 500 € a vida toda, perante um impávido desfile de milhões de prémios, nas mãos de criminosos, de sociedades secretas e irmandades fechadas.
Isso pode ser o Capitalismo, ou o que lhe quiserem chamar.
Como guru, e tenho pergaminhos para me reclamar desse estatuto, só aplaudiria o colapso do Capitalismo se me dessem alguma coisa de substancialmente sólida e palpável, que o pudesse imediatamente substituir, não uma maré de gente que não quer ténis, mas ao contrário das gravatas e dos fatos que se queimavam em 68 está deserta, capaz de tudo, inclusivé de canibalismo, para poder ocupar esses postos pardos, de fato azul, gravata vermelha, mula emprenhadora e férias na neve, que outros ocupam vitaliciamente.
Nunca serei ideólogo desse retorno ao politicamente correto, pela simples razão de que sou demasiado Petrónio para suportar subprodutos da "Casa dos Segredos", onde a Teresa Guilherme anseia pela ralé que a irá montar, odeio discotecas, e adoro colecionar gravatas demasiado caras, só pelo prazer de nunca as usar. Portanto, só com assinamento de termo de sexo livre, plural, e de uma sociedade aristocratizada, assente no ócio, e nunca no trabalho, nem no lucro, apoiarei qualquer maré de renovação.

Talvez vos espante, mas defendo uma sociedade de senhores e escravos, onde eu possa estar numa esplanada de mármore, a beber ambrósia, e a contemplar todos os ocasos, enquanto canalha, feita de zeinais bavas, proenças de carvalho, carrapatosos, almeindos, varas, constâncios, cavacos, sócrates, barrosos, pilars del rio, júdices e quejandos estivesse, com grilhões nos tornozelos, a servir a mesa de todos os meus caprichos. Leonor Beleza seria a provadora dos meus jantares, para ter a certeza de que me não envenenariam, e eu todos os dias, os meus "unknown days", desejaria que me quisessem envenenar.

Começámos com a Utopia de Steve Jobs, e acabámos no limiar da escória que vê o solzinho dançar, lê Saramago, coleciona as crónicas de Clara Ferreira Alves, e não percebe que o lixo do Berardo devia ser deitado fora, para deixar salas vazias, com algumas perfeições da Apple, isoladas, no meio, em suportes de veludo negro, e monitores cromáticos a cintilarem todos os sonhos do Mundo. Entre as duas coisas, vai haver gente pelas ruas, muita gente, gente que chamará os carrascos da nossa felicidade pelos nomes, que abaterá, como em Bagdad, as estátuas de Reagan, como caíram as de Hussein; que queimará bandeiras de Poço de Boliqueime, como a bandeira verde do assassino Kadafi; que reenviará para o Quénia a maior fraude da segunda década do terceiro milénio; alamedas de gente, que descendo avenidas em todos os pontos do Mundo dirá que quer as cabeças dos verdadeiros culpados, e que, com lanternas de nevoeiro, os irá buscar, ao mais fundo das suas cavernas, para os obrigar a desfilar, nus, no grande levantamento de 15 de outubro.

Steve Jobs e eu, e tantos outros, que ainda acreditam na infinita beleza da Utopia, lá estaremos, para silenciosamente aplaudir, com enigmático sorriso, a queima dos falsos ídolos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Isaltino mais à frente

Corrupção passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal? Nãaaaoooo! O que interessa mesmo é que há um recurso, um papel qualquer sei lá, tão a ver? Isto é tudo a fingir, não vale a pena uma pessoa chatear-se muito porque isto é mesmo tudo a fingir.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

L'affaire KAOS, seguido de Madame Miriam e o agente técnico de engenharia José Sócrates, passando pelos talheres perdidos de Isabel dos Santos





Imagem do Kaos


Suponho que já toda a gente tenha percebido que isto está em pura rota de colisão, ou seja, por dias, semanas, ou meses, como queiram, façam vocês as contas que eu sou péssimo em cálculo mental: sou infinitamente mais dado ao qualitativo do que ao quantitativo. Deixo o quantitativo para os vítores constâncios deste mundo, que só tenho pena que não tenha sido fuzilado às centésimas, na devida altura: a Grande Loja não deixou, mas ele que se cuide, porque há braços mais extensos do que os Regulares.

Hoje, pela primeira vez, estive 100% de acordo com aquela doméstica que (ainda) governa a Alemanha, quando disse que os países portugueses de corrupção oficial europeia deviam ceder parte da sua soberania, como penalização pelo incumprimento dos seus deveres de dignidade. É verdade. Ainda a Senhora Merkel andava a fazer fretes aos filhos da puta da Alemanha de Leste, onde o solzinho, dos amanhãs que cantavam, dançava, todos os dias, como no idolatrário de Fátima, e já eu defendia uma coisa exemplarmente simples, que nos teria evitado chegar onde chegámos. Vou ser mais explícito: um pouco como fazem os militares, quando são chamados a intervir em infraestruturas de interesse público, como a edificação de uma ponte, e isso acontece em muitos países civilizados, ao contrário do Quartel de Queluz, para onde as fufas vão, só para poderem ter cenas noturnas de camarata, ou os quartéis da Ajuda, onde os mancebos vão ser buscados pelos senhores das altas cilindradas, para lhes aliviarem os excessos de hormonas dos colhões,
dizia eu de que,
mal os fundos comunitários começaram a vir para certas entidades nacionais de perfil duvidoso, como Portugal, a coisa se deveria ter processado assim: quando, nessa hiperestrutura iluminista, chamada Espaço Económico Europeu, os órgãos competentes decidiam que vinha uma dose de dinheiro para uma determinada função, Educação, por exemplo, que é uma coisa que distingue os países civilizados do nosso, a par do dinheiro, vinha logo uma equipa de técnicos, a tempo inteiro, que zelava, no terreno, pela chegada do capital, pelos alicerces das obras, os primeiros pisos, e o telhado, metaforicamente falando, Quando a coisa estivesse concluída, entregavam-na aos nativos, e mantinham um fiscal, que zelava para que a coisa estivesse, em campo, durante o tempo vital, à altura do projeto inicial.
Adorava que esta perda de soberania tivesse sido aplicada logo em 1986, quando o bando de criminosos, encabeçado por Cavaco Silva, Mira Amaral (o cérebro do desvio dos Fundos Comunitários), Couto dos Santos (que nem merece comentários, sobre os célebres fundos da formação), Arlindo Cunha (que vendeu a Agricultura por 5 tostões), Eurico de Melo (que apanhava, em grande, no cu, dos prostitutos, que lhe roubaram a mala com os documentos secretos da Cimeira da NATO), Leonor Beleza (a assassina dos hemofílicos), Miguel Cadilhe (um ranhoso de golpes baixos, em redor do arquiteto dos enrabamentos, Tomás Taveira), Miguel Beleza (irmão da puta), Oliveira Martins (a "Lola", de barba, voz grossa, e fios de esporra juvenil nos cantos da boca), Ferreira do Amaral ( o das estradas da morte, dos elefantes brancos, e da ponte que desembocava no Deserto da Margem Sul, em cima de terrenos de família, mais os que o Mineiro depois comprou, para sacar milhões nas expropriações) Carlos Borrego (uma besta que queria reciclar alumínio nos hemodialisados), Fernando Real (que já lá está, esse cabrão, Ministro do Ambiente, cujo primeiro ato governativo foi aplicar fundos para encher as suas herdades com eucaliptos(!)...), João de Deus Pinheiro (o que "apagou" as faltas injustificadas do cabrão seu mestre), Cardoso e Cunha (um mafioso ligado a todos os negócios sujos, e que foi a Comissário Europeu, e desviador de fundos da Expo-98), Dias Loureiro (o escroque que mandou disparar sobre os Portugueses, na Ponte sobre o Tejo, amigo próximo da Al-Qaeda), Marques Mendes (o célebre advogado do Alto do Parque, que era sempre o último a chegar às comitivas do "Grande Timoneiro", porque a noite tinha sido demasiado longa...), Diamantino Durão (o "Boca Podre", "Pé de Chulé", tio do "Cherne"), Braga de Macedo (uma artrose de pai in cornos, nascida da coxa da Virgínia Rau), Eduardo Catroga (o dos deficits astronómicos), Silva Peneda (o que levava no cu do chefe de gabinete, no... gabinete), Azevedo Soares (que liquidou as Pescas, e implantou as frotas da Coca), e mais uns anormais, cujos nomes já teria esquecido, não fosse a gloriosa "Wikipédia".

Todos essas criaturas tinham uma coisa em comum: vinham da sarjeta, passaram pelos governos do Senhor Aníbal, e transformaram o País na presente sarjeta.

A coisa é muito complicada, porque vinte e tal anos de reflexão, assim por alto, como eu agora os fiz, não apontam para governos legítimos, mas para um desfile de cadastrados e pré-cadastrados, que hoje se arrogam os vocalisos senatorais, de quem tem soluções para a "Pátria".

Ao contrário, a Pátria é que tem uma boa solução para eles, que é um muro de encosto, e tratamento, urgente, e adequado.

Quando o Senhor Sócrates chegou, depois do Guterres ter sentido o fedor do Pântano, para o qual contribuiu, integrando no seu Governo renegados comunistas, com a escola e os métodos todos, uma espécie de infindável fileira de ritas seabras da puta que as pariu, e do "Cherne", um porco maoísta, que desertou, para se ir instalar na Alta Corrupção Europeia, só teve de aplicar o Cavaquismo das segundas vias, já que a estrada estava aberta.

Talvez se interroguem sobre o por quê da violência deste discurso, mas vamos aos factos: Portugal está à beira da rotura, porque NUNCA chamou estes bois pelos nomes, NUNCA os levou a tribunal, NUNCA os meteu na cadeia, e NUNCA lhes pediu contas do que tinham roubado. Tudo o que roubaram, prezados concidadãos, está a ser chupado dos vossos bolsos, por esta incapacidade de uma sociedade civil se mobilizar, para mandar prender os responsáveis pelo Colapso de uma Nação com 900 anos de digna História, envenenados por uma República completamente podre, desde Afonso Costa até Jorge Sampaio e Cavaco Silva. Isto já não é para remendar, é para julgar, condenar e punir.

Os sinais são evidentes, mas já que esta fogueira está a arder, eu vou lançar mais gasolina: o que tem acontecido com vários espaços da Blogosfera, presentemente introduzidos com pseudoameaças de vírus iminentes, com o blogue do KAOS, à cabeça, é um sinal sinistro de que o livre pensamento, o riso e o sarcasmo atingiram o ponto em que podem fazer colapsar o Regime, e quando falamos de livre criação e pensamento estamos a falar de um das mais duras e graves conquistas das sociedades democráticas.
Por todo o lado se morre, por se dizer o que se pensa, e por todo o lado nascem mais dez, por cada um que vai ao chão.
Dir-me-ão que o KAOS não é o Bordallo (pois não, se calhar, até é melhor...), nem o ARREBENTA um... um... um..., bom, não me lembro agora, pesquise você, mas a verdade é que os tempos de hoje também não são os tempos de então, embora as analogias sejam inquietantes, e fica aqui o severo aviso, aos medíocres Relvas e outros quantos badochas que ainda não perceberam que não há machado que corte a raiz ao pensamento, citando o outro, que coitado, também já lá está: esses senhores que leiam a História e se lembrem de que, quando a censura apertou, o Regime, a desgraçada Monarquia, estava à beira de cair. De cada vez que infetarem um espaço de liberdade, estão a dar um tiro no pé,
mas eu ainda vou lançar mais lenha na fogueira, porque o País precisa, aliás, precisa de muitas coisa, como o Zezé Castel'Branco de apanhar na peidola, e meter a velha ao barulho, a ver, ou a ser minetada por só deus saberá quem. 
Quanto menos claras ferreiras alves, melhor, mas o sexo porco e  a coca dominam, como já se sabia, desde os célebres vídeos do Carlos Cruz, que, aliás, nunca existiram: eram como a Ponte de Entre os Rios e o BPN, ergueu-se, caiu, e desapareceu, por obra e graça do senhor santo espírito, a quem todos os dias a Bosca de Mota Amaral -- a Inês de Medeiros da AD -- reza, para não lhe tirarem o vibrador, em forma de motorista.

Eu sei que ninguém sabe quem é Madame Amélie, mas vai ficar a saber hoje, sobretudo a minha cara amiga, Portas, que tutela o Palácio das Necessidades (de levar no cu). A Madame Amélie é daquelas que já está como a Amália, na fase terminal, e aparece em tudo o que é televisão, para fazer missa de corpo presente de assuntos interessantíssimos, como aquela choldra da "Quadratura das Bestas", ou o "Eixo do Mal", da oxigenada de Bilderberg.
Acontece que Madame Amélie, na sua fase terminal, foi chamada à Embaixada de Paris, para lhe ser apresentada uma... pessoa.
Acontece que a pessoa não era uma pessoa, era um ex primeiro ministro de Portugal, ligado a redes criminosas de alto risco, chamado José Sócrates, e como a Madame Amélie está ligada aos Hautes Études, Sua Excelência o Ministro de Portugal em Paris, Seixas da Costa, também muito conhecido nos... "meios", queria que a velha apadrinhasse os estudos de "Filosofia" do Agente Técnico de Engenharia.
É evidente que les Hautes Écoles estão para a Universidade Independente como a Imperatriz do Japão para os joanetes da Maria Cavaca, e a senhora, embora em fase terminal, e entre aqueles sorrisos diplomáticos que escondem as piores mentiras, olhou para a certidão de estudos do de Vilar de Maçada, e achou que aquilo, para converter em Filosofia... só com um despacho à maneira da Lusófona ou da Universidade de Cacilhas, e disse que, talvez, se pudesse sacar qualquer coisinha, no... Inglês Técnico, mas achou que era melhor ser o Embaixador a tratar do assunto, e pirou-se, porque a França tem uma tradição aristocrática, que não se compadece, mesmo na fase terminal, com ai ais de filhos da mãe jeová.
Fique Sua Excelência, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, a saber para que pinotes servem as Embaixadas de Portugal no Estrangeiro...

A segunda história é igualmente boa, velha, e atual, já que o Aníbal, uma mente estreita e com 100 anos de atraso, com medo de ser envenenada, e com razão, a toda a hora, mandava a criada, ou lá o que era, comprar, sempre, carcaças em padarias diferentes, não fosse alguém lembrar-se de enfiar lá dentro 605 Forte, e a Maria ficar viúva de tão linda coisa. A coda da história é pior, porque, sendo o mesmo unhas de fome, que compra meio queque para os netos, na pastelaria "Carossel", da Infante Santo, e tanto amor tem aos graciosos sorrisos das vacas da Graciosa, enquanto o País agoniza, o pão lá o comprava em sítios diferentes, não fosse vir envenenado, mas o resto da comida era sempre no mesmo sítio, porque era... mais... mais... mais... baratucho.

A chave de ouro vai para Angola, que é um país em vésperas de estoirar, mas em grande, nada que se compare com aqui: a Isabel dos Santos, com os diamantes de sangue, os petrodólares das mutilações, os yuans dos degolados e euros das criancinhas esfomeadas, tem um enigma na sua vida, que eu tanto gostaria que vocês me ajudassem a resolver: tudo o que é talher e adereço ligado aos seus repastos é imediatamente destruído, no prazo de uma hora!...
Já pensei em Cleópatra, mas isso era o mesmo que comparar a Inês Pedrosa com a Florbela Espanca: para além de imoral, era amoral.
Se tiverem alguma chave para tudo isto, avisem, antes de 15 de outubro, ou até ao final da semana, que parece que a Grécia não pode aguentar mais do que este fim de semana, como já avisou o porcalhão do Obama, um caneco do caneco, que agora até se lembrou de culpar a Europa pelo gigantesco fracasso da sua investida racista. Esse era outro que levava um justíssimo tiro nos cornos, mas as mãos são fracas, pois são.




(Quarteto do já faltam poucos dias, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers"

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Havana-te, João Jardim!... :-)



Imagem do Kaos


Portugal é um país com algumas particularidades geográficas, já que as ilhas de que dispõe sofrem todas de  pequenas mutações genéticas, herdadas daquele célebre dia em que a nossa Pocahontas continental se resolveu cruzar com um Neanderthal, que estava em extinção, mas ela achou ótimo, para se meter por baixo, como aqueles gajos da Seleção Sub-21, ou os homens que a Teresa Guilherme escolhe para a "Casa dos Segredos", na  bem sucedida esperança de que depois lhe lambam os cortinados.

Temos as Berlengas, que já eram célebres nas anedotas do Solnado, os Açores, onde a televisão estatal, quando não andava na Garagem do "Farfalha", ou a produzir paneleironas boscas de Mota Amaral, passava os dias a transmitir as procissões todas do Senhor Santo Cristo -- o que eu perdi, meu deus, que ultimamente só vejo a France-24, e a CNN, que parece a Aljazeera, e a Aljazeera, que parece a CNN... -- e a Madeira, a primeira das Caraíbas, pelo clima, persistência do regime, e estrutura endémica de corrupção.

A Madeira tem a particularidade de ser o território mais bonito do Continente, por muito que defendam o ALLgarve, que cada vez mais parece a Costa de Caparica durante o PREC, ou aquelas aldeias do interior, muito típicas, muito lindas, muito verdes, mas onde não há metro, não se encontra uma FNAC, e já não há nem velhas de 80 anos, nem ovelhas, para procriar.

A Madeira é aquilo que se chama um território politicamente estável, já que, nos últimos 150 anos, conheceu poucas alterações: em 1910, foi forçada a passar da Monarquia para a República; em 1926, passou a integrar o regime de Partido Único do Maior Português de Sempre, e teve um breve sobressalto com a chamada Primavera Marcelista, quando Marcello Caetano e Américo Thomaz lá fizeram escala, a caminho do Brasil. Desde então, integrou a Monopartidarismo, de modelo cubano, com algumas nuances chavistas.

A Madeira é paisagisticamente perfeita, embora até se pudesse aperfeiçoar, já que acho a maravilhosa baía do Funchal lindíssima, mas podia ficar mais bela, se pusessem lá nos dos morros uma coisa parecida com o Cristo-Rei de Almada, peça de arte inigualável no Mundo inteiro, exceto no Burkina Faso, e na estatuária oficial de Saddam Hussein, Kadafi e do gajo da Síria, de que me não lembro o nome, e que ansiosamente espero seja incluída numa qualquer revisão constitucional, na alínea de a-dinamitar-brevemente. Em alternativa, o prolongamento da pista do Funchal, podia ter sido obtido, poupando dinheiros ao "Contenente", deitando o Cristo-Rei de Almada, sobre estacas, e ensinando os pilotos a aterrarem ali. Voos low cost, e na graça do senhor.

A Madeira parece-se muito com os meus cartões de crédito, já que eu passo a vida a esconder de mim mesmo e dos outros os gastos que fiz, exceto de quem os emite do lado de lá, e me faz ver que eu vivo numa colossal situação de dívida que vai levar um tempo colossal a pagar, e que, como as coisas estão, não apetece colossalmente liquidar, embora não tenha discutido isto com ninguém, e cada vez me ofereçam mais crédito, e seja, portanto, uma mera opinião, mas é bom saber que o Vítor Gaspar, com aquele ar grelhado de quem toma todos os dias uma unidose de Prozac, ou coisa mais forte, ache que aquilo são meros trocos, um pouco como o BPN, ou décadas de arrombos nos organismos da Fraude nas Estradas.

Do ponto de vista da genética, a Madeira tem a particularidade de ter todas as pessoas com apelido "Jardim", exceto o Cristiano Ronaldo, nu, pelado, desnudo, en poil & naked, que tem "Aveiro" como nome de família, o que prova que é um perigoso infiltrado estalinista, como diversas vezes já insinuei, embora ninguém acredite em mim. O movimento começou por ser centrífugo, já que era, primeiro, uma mesma família a ocupar os possíveis lugares do Estado e do privado, que lá se confundem, graças a deus, e quando tudo ficou ocupado, o movimento passou a centrípeto, com as pessoas que não se chamavam "Jardim" a irem mudar apressadamente o apelido, para não perderem o comboio do ó-meu, ó-meu.

Há um argumento de Santo Anselmo que se aplica à Madeira, que é que todo o dinheiro que foi gasto a mais, não chegou para fazer todas as obras que ficaram a menos, e tudo o que ficou a menos é porque não dava para mais, ou foi direitinho para os bolsos de alguém, não do Tio Alberto, que quer é putas e vinho verde, e teria de nascer duas vezes quem conseguisse provar que ele é corrupto, ou da "Wainfleet", a maior exportadora de Portugal, que não paga impostos, e tem cinco funcionários a carimbar faturas, para transformar um produto de baixo custo, que entra pela porta do cavalo, numa daquelas coisas que se vende no Chiado, para os parolos comprarem. As wainfleets são tantas que optaram por se organizar na vertical, em de vez de ser na horizontal, de maneira que, sempre que se toca à campainha, é para a wainfleet do 5º esq., a wainfleet do 8º direito, ou outras wainfleets rasteiras de rés do chão, onde nem os 383 000 000 € de off shores da reles família Sócrates ousaram pôr os carcanhóis.

Claro que, como toda a gente sabe, o homem deixou obra, aliás, tudo isto é obra, e aproxima-nos generosamente da Grécia, onde, para tratar de tanto Jardim chegava a haver pendurados 39 jardineiros, o que o coloca nitidamente acima de ladrões comuns, como Mira Amaral, Duarte Lima ou Dias Loureiro, cuja única obra será, futuramente, o Memorial da Bancarrota, cuja primeira visita vai ser já em 15 de outubro, por entre por entre os piores pavores do Saloio de Boliqueime, do Passos Coelho, que ainda não percebeu que é uma mera regência de uma coisa feia que vem para aí, e da Portas, que deve estar doida, para se livrar das paneleiras todas que, há gerações, lhe fazem concorrência no Palácio das Necessidades. A ordem é "fechar", mas é difícil fechar uma coisa que estagnou  no estado generalizado de... toda aberta, como é a Diplomacia Portuguesa, onde não há um único Cônsul que não tenha um "marido" lá fora, a não ser o Jorge Ritto, que era mais de dar de mamar a lactantes.

A parte pior vem agora, porque a Madeira é um microcosmos, onde se condensa tudo aquilo com que o Continente sonha, um paizinho balofo e bêbedo, capaz de, como a bêbeda Ana Gomes, imaginar, nos Dias do Gin, voos da Cia a toda a hora, ou do alcoólico Manuel Alegre, que, em vez de eleger o Cavaco uma vez, como estava em coma alcoólico, elegeu duas, pensando que era a tal divisão da visão, do etilismo avançado. De facto, o país inteiro sonha com poder gastar sem contar a ninguém, de meter ao bolso sem se ver, de poder ter a família a ocupar todos os bons lugares da firma e do Estado, de fazer obras monogâmicas e megalómanas, como um TGV madeirense, de via única, a passar a alta velocidade, por túneis de curvas e contracurvas, com o Alberto pendurado na janela, a dizer aqueles generosos palavrões com que presenteia todos os que não se ajavardaram publicamente como ele. O que move todo este palavrar, é, pois, a mais pura INVEJA, de quem gostaria de estar naquele nirvana insular, mas só consegue produzir Quarteiras, Quintas do Mocho e Bairros da Bela Vista. Portanto, como todo o País adoraria ser como a Madeira, o problema da alternância está resolvido, já que ele só sairá de lá através de um milagre da Fé, ou por causas naturais. Vítor Gaspar, ou a "Troika", brevemente incluirão uma cláusula onde se veja o solzinho a dançar, e a Sé do Funchal será demolida, para implantar mais um "franchising" de venda de velas de Fátima. Infelizmente, creio que antes disso tudo, quem vai dançar com esta merda somos todos nós, mas é mesmo para isso que há quinzes de outubro, para os pôr na ordem, pá, e lhes mostrar que não somos carneiros, pá, e ainda há gente com tomates, pá, no Continente e na Madeira, região autónoma da cona da mãe.

(Quarteto do faz de conta, que em 15 de outubro falamos, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Segundo Cavaquismo, como justa catarse do Primeiro





Imagem do Kaos

É quando a tormenta é grande que se vê a fraqueza das  naus, ou, parafraseando Álvaro de Campos, também eu prefiro estar sentado, a viajar, já que este é um tempo soberbo para se estar de poltrona.
É público o desprezo que nutro pelo Cavaquismo e pela sua figura inspiradora, um saloio dos interiores do Algarve, que atirou Portugal para fora da Oportunidade Europeia, incarnando, mais uma vez, aqueles velhos atavismos que fizeram como que ficássemos a roncar, no banco da estação, sempre que os comboios da História passavam por nós.
Politicamente, não me apetece fazer elaboradas conjeturas.
Há uns meses, escrevi que gostaria de ver Sócrates face a Cavaco, nestes momentos finais da agonia. Confesso que os derradeiros desenvolvimentos me levaram a afinar a posição, e a considerar que o palco é agora ocupado pelos justos atores, se excluirmos algumas figuras menores, os chamados "figurantes", como Passos Coelho, Portas e outros de que ainda não sei os nomes.
Na realidade, tal como uma mão lava a outra, e já que estamos na Dramaturgia, diria que o Segundo Cavaquismo, em que estamos enterrados até ao prepúcio, é a catarse do Primeiro, que soube ser histriónico, e pensava ir sair impoluto, mas teve o azar de os ciclos e contraciclos do Devir fazerem suceder-se o tempo da farra e o da punição.

Naqueles manuais de retórica política e económica, que ninguém lê, ou lê tanto como os suplementos do "Expresso", costuma dizer-se que os períodos socialistas estão associados ao despesismo, e os períodos conservadores ao repor das reservas. Cá, costumou ser o contrário, com as breves ADs a destruírem o pouco que havia, e os Socialistas a conterem, até se revirar tudo, com Guterres e Sócrates, e estes gajos, os jovens turcos de junho, a apanharem, agora, com uma experiência realmente europeia. Na verdade, o mal inicial, o conservadorismo cavaquista, uma espécie de neosalazarismo de gente pobre de espírito e horizontes, a tal época em que os Fundos Estruturais choviam em Portugal, para que nos alinhássemos com a marcha europeia, foi um dos mais espantosos períodos de pilhagem a que assistimos, na nossa História. Bastava folhear semanalmente o defunto "Independente", para ver como a "coisa" crescia. Creio que seria necessária uma década, duas, três, para que um batalhão de investigadores, muitos deles com formação policial e, mesmo, forense, conseguisse elaborar o manual completo da Arte de Roubar, durante Cavaco Silva. É certo que o homem era "hónesto", e nunca espoliou, apenas deixou que todos os outros roubassem por ele, ao ponto de, depois, lhe fazerem "uns jeitos", que lhe estão mais nas deformações do caráter do que o espírito do furto. São coisas poucas, o que também traduz a menoridade do cúmplice, já que os pequenos calotes das ações do BPN, da concessão da Praia da Patrícia, na Costa, a Quinta da Coelha, e umas parvoíces afins, tão ao gosto de uma certa esquerda da Festa do "Avante", são ninharias, mais reflexo de uma estrutura mental, e de rapina, menor, do que verdadeiros casos. Ninguém precisaria de nascer duas vezes para lhe os apontar, por que lhe são inatos, genéticos, e inoperáveis, mas eu preferia voltar ao Teatro, já que, neste período de Tragédia, até as heráldicas dos Hemiciclos foram recuperadas. Enquanto Dias Loureiro, um criminoso, com ligações internacionais a tudo o que é sórdido, e protagonista de uma coisa semelhante à que atirou com uma pena de 150 anos de pena, para Madoff, se passeia impunemente pelas ruas de Cascais, à espera dos dias de caçada com Abdul Rhaman el-Assir, às quais, desta vez, Kadhafi e os filhos já não irão, ah... nem Duarte Lima, outros dos escroques do Primeiro Cavaquismo, já surgido na forma de Besta, no Segundo, ou a Beleza, Presidente da Fundação for the Unkwown, ou em bom Português, Presidente da Fundação do Sabes Muito.

Abreviando, os esboços de personagens do Primeiro Cavaquismo, tal como a crisálida antecede a borboleta, surgem, no alvor do Segundo, como tipologias criminosas bem delineadas, que só a passividade de um Povo que continua a ver o solzinho a dançar, nos brincos do Cristiano Ronaldo, foi incapaz de levar à barra do Tribunal. Acontece que a Justiça tem vários patamares, e esta sistemática fuga aos palcos forenses básicos está, progressivamente, a ser substituída por uma espécie de grande julgamento da História.

Em Angola, de onde brevemente virá a segunda maré de retornados, onde um povo desgraçado é governado por uma família de criminosos, ao nível dos visitantes das cadeiras de Haia, e começou agora a ser esbulhado por uma segunda maré de milhafres, de todas as nacionalidades, uma espécie de Macau, do Clã Soares, e Melancia, na fase terminal, ri-se, nas ruas, sobre a forma como 40 000 000 de euros taparam um calote de 9 000 000 000, ou seja, como o "branco" deu ao "preto" Mira Amaral um "banco", de mão beijada.

A "Troika", essa entidade mítica, constituída pelo Pai, o Filho e o Espírito Santo, não consubstancial com Ricardo Salgado, como foi provado no Concílio de Calcedónia, em 451, incarnou, muito à Aristófanes, aquele pedido de duas medidas por dia. Acontece que as medidas são asneiras de todo o comprimento, e nunca se assistiu a um tal jorro de disparates. Menos dionisíaco, Cavaco, o pai e avô disto tudo, mostra que estamos mesmo, nos degraus de Epidauro, ou no Teatro de Herodes Ático, já que raramente vem a público, e fala atrás de uma máscara, o "Facebook", que seria estranha a Ésquilo, mas não nos é a nós: é o rosto tecnológico da cobardia, do político que sabe que pode cair na rua, como Américo Thomaz e Marcello Caetano caíram, em 74, que transpira das mãos, com medo dos atentados, e se fazia deslocar numa viatura blindada (!), coisa que nem Salazar, que tinha a alma bem pesada, sentia necessidade de fazer.
Depois do "Facebook" do mestre, vem o do epígono, um fraco Séneca, chamado Passos Coelho, que nunca devia ter passado dos "castings" do La Feria, onde ia tentar um papelzito de marialva, apreciador de sexo anal, a única linha que pode unir as "Doce" dele à Laura, e a uma coligação com um conhecido pederasta português, cujo nome não ponho aqui, porque é um dos nossos mais brilhantes oradores e demagogos. Ou seja, se o Primeiro Cavaquismo foi roto, o Segundo é mais apertadinho, e dominado por um certo esfíncter, a que chamam "Contenção", uma doutrina apregoada por um aluado, debaixo da influência de substâncias, que parece uma sebenta de Economia falhada, a falar. Troca Hayek com Keynes, até ao dia em que perceber o que o segundo afirmava, sobre a "poupança": "se todos – famílias, empresas e governos – começarem a tentar aumentar as suas poupanças ao mesmo tempo, não há forma de evitar que a economia caia até que as pessoas sejam demasiado pobres para poupar". Creio que Keynes nunca ouviu falar de Portugal, como Vítor Gaspar, essa figura de "vaudeville", sabe o que seja um País: "Durante a noite, Procrusto procurava adequar o viajante à cama escolhida, serrando os pés dos que optavam pela cama pequena ou esticando os que escolhessem a cama grande". Simplificando, para evitar a erudição, o manual de cozinha do "génio" é muito elementar, sobretudo para mim, que fiz "Economia" a copiar, nos anfiteatros do IST: ou se gasta, ou não se gasta; quando alguém gastou, a melhor maneira é de ir buscar aos bolsos dos outros aquilo que já desapareceu. Como aquilo que já desapareceu faria invitavelmente fazer rolar cabeças políticas, põe-se um ar de cátedra, e fala-se... de inevitabilidade. A inevitabilidade, meus amigos, é ir, agora, desentocar, um a um, os biltres que puseram Portugal neste estado, ou, por outras palavras, aproveitar a desvergonha e os holofotes que estas figuras do Primeiro Cavaquismo ganharam, com o Segundo, para se proceder a um breve desafogar do cenário.

Só um povo que se pode reler na prosa do Feio, de Saramago, admitiria que lhe "cortassem as gorduras". Cortem antes as gorduras do Clã Ferreira do Amaral, do Mega Ferreira, do Deus Pinheiro, do "Comendador", do Soba da Madeira e de tantos outros, que transformaram isto na chacota da Europa. Tudo, ou quase tudo o que os Finlandeses precisam de saber sobre Portugal está entre 1985 e o "Diploma" de 2007, ou, geograficamente, entre a Quinta da Marinha e a Quinta da Coelha, passando pelo "Eleven" e pelo Vale do Ave. Ficam de fora, propositamente, as célebres expropriações milionárias do IP5, já que muitos dos velhos juízes conselheiros de 80 e 90 anos já deverão, entretanto, ter morrido.
Ficam os Júdices, os Proenças de Carvalho e os da Relação.

Isto é um penoso Aristófanes, sem quaisquer palavras, ou humor. Para que o "vaudeville" possa passar a musical, devia-se derreter a figura de cera da Senhora de Mota Amaral, e fazer uma vela em forma das Caldas, com a cara e os pintelhos louros da nuca, da Lady Gaga, Sunsum Esteves, da Opus Dei.

Creio que outubro será uma boa estação para a... limpeza, para evitar que, como em Shakespeare, entremos no Inverno, amarguradamente mergulhados no nosso pior descontentamento.

(Quaternalíssima trindade, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")