segunda-feira, 27 de agosto de 2012

"O cano de uma pistola pelo cu" - (via email, do original do "El Pais")




Imagem do Kaos


Do "El Pais", traduzido  pelo "Dinheiro vivo", e recebido por email

"Se percebemos bem – e não é fácil, porque somos um bocado parvos -, a economia financeira está para a economia real como o senhor feudal para o servo, o amo e o escravo, a metrópole para a colónia, o capitalista de Manchester para o operário sobre-explorado. A economia financeira é o inimigo de classe da economia real, com a qual brinca, como um porco ocidental com o corpo de uma criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes a teres semeado.

Na verdade, e sem que tu saibas da operação, pode comprar-te uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais, caso suba, apesar de te deixar na merda, se descer.

Se baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas – e não há nenhuma segura.

É disso que trata a economia financeira.

Estamos a falar, exemplificando, da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro, ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que, com gente real, que se levanta, realmente, às seis da manhã, e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro, no qual um conjunto de bonecos Playmobil anda de um lado para o outro, como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o carácter de pessoa, coisifica-a.

Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico, que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país, este, vai dar ao mesmo, e diz “compro” ou diz “vendo” com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vendem propriedades imobiliárias a fingir.

Quando o terrorista financeiro compra, ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche público, onde estas ainda existem, os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões, protegidos pelos governos de meio mundo, mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, em linguagem simplificada, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos. E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.

Você e eu, com o nosso estado febril, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, você e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes.

Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

A você e a mim estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária, chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com roturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas, que passam impunes, entre outras razões, porque os terroristas vão a eleições, e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

A economia financeira, se a estamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos.

Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma.

Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido, quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades, quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos. Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias, sem que ninguém resolva o problema, ou pior, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, haja Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que lhe vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal, no qual você investiu, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da sua vida.

Vendeu-lhe fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.

Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois é preciso colhê-la, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados, porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco.

A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca, enfiando o cano da sua pistola no cu do sequestrado.

Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo cu acima. E com a cumplicidade dos nossos."




Juan José Millás

(Quarteto do alerta, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers", que já fala disto há anos...)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Uma alimária chamada Nuno Crato


Imagem do Kaos


Sei que já o disse muitas vezes, mas nunca são poucas as que o repito: há, em Portugal, duas pastas, que, pelo seu caráter específico, podem sempre ser ocupadas por qualquer pessoa, e estou a falar da Educação e da Cultura. A da Cultura é indiferente, já que a Cultura ou existe, ou não existe, e a nossa está a apagar-se, sendo que o respetivo Ministro, ou Secretário de Estado, é um mero "bibelot" que lhe põem em cima, para dar trabalho, e dinheiro, a um amigo, de preferência, profundamente estúpido e arrivista, e mostrar ao Mundo que nos estamos a tornar progressivamente irrelevantes, nos nossos sinais heráldicos. 

A Educação já é mais complexa, porque a questão é sempre do que estamos a falar, quando falamos de Educação?

Em Portugal, já que ainda não chegámos à fase de poder dizer "Educação = Cristiano Ronaldo", ou "Educação = Mourinho", o que não tardará muito, ainda se anda na fase das polissemias do "rigor", associadas às inúteis provas de esforço dos "exames", onde quem lá vai só ganha para o esgotamento nervoso, e para dar trabalho a uma enorme comitiva de espantalhos, que têm de ficar a fazer o número da estátua, pelas salas esburacadas, a fingir que a coisa tem dignidade, e depois apanharem com as chuvas de negativas.

Os exames já passaram por tudo, desde tentar ensinar Português através de tiras requentadas de jornal, do cocainómano Miguel Esteves Cardoso, até àquela patologia que nunca mais se titaniza, da insuficiência linguística do Mercador de Lanzarote. Com Crato, talvez a criatura mais estúpida, da tríade Lurdes, Alçada, e ele próprio, as aflições passaram para a Matemática, assunto do qual ele não percebe rigorosamente nada, já que, em vez de lhe perguntarem os cronogramas de exames a que devem ser submetidas as criancinhas, antes deveriam perguntar por que é que (-5) x (-5) é igual a +25, onde o homenzinho ficaria a gagejar, e lá acabaria num inevitável "porque sim", quando um dos fulcros da iliteracia matemática está, justamente, em apresentar, como postulados, o que não é mais do que um derivado de acerto de equações, ou seja, de operações com quantidades desconhecidas. Nesta fase, já ele estaria de boca aberta, a fazer "Han???... repita lá isso...", e enquanto ele fazia "haaaann???...", já o país teria perdido mais meio dia de atraso, relativamente à Civilização.

É sabido que Passos Coelho, um incompetente de carreira, foi escolhido pelo Sistema, para fazer recuar os índices de conforto e de literacia aos do tempo do Vacão de Santa Comba Dão, para que Cavaco Silva se cure do trauma de ter tido uma carreira interrompida por uma chatice, chamada 25 de abril. Fraquinho, remediado, com a sua mãe de santo sempre ao lado, a acompanhá-lo, para quando a coisa não vai a bem, e tem de meter macumbas, com o Relvas no bolso, a quinta essência da mediocridade do arrivismo e do despudor, aquele que se mantém, "não por que sabe, mas porque sabe como fazer", ou seja, o latoeiro, que dá um jeitinho na sucata, e consegue que o motor pegue, de empurrão, como naquelas tristes figuras de meio de estrada, em que uns neanderthais, de manga cavada, a tresandarem a álcool, e só com metade dos dentes na boca, conseguem entre baforadas de combustão tóxica, pôr uma carcaça, fora de prazo, passada com "luvas", na inspeção, a poluir mais uns quantos metros cúbicos de atmosfera, por ali afora.

No tempo do maior português de sempre, havia três categorias de portugueses, aliás, quatro: os que eram filhos de alguém, e faziam o Lyceu, para irem para um curso superior; os que fingiam ser filhos de alguém, e se punham nas pontas de pés, para imitarem os percursos dos filhos de alguém, e até lá iam, quando não se espalhavam pelo caminho; em seguida, vinham os que, por mais sonhos e aspirações que tivessem, se tinham de submeter aos atavismos da proveniência familiar, e aos apertadíssimos espartilhos financeiros, com que esse ogre, que nos deu 50 anos de atraso, os presenteava. A bem ou a mal, por que, como todos nós cá "éramos mais modestos", eles também tinham de se submeter às contingências da modéstia. A quarta espécie é a pior de todas, já que, desprovida do que quer que fosse, tinha de se contentar com assinar com o polegar molhado em tinta, e coexistir com a vergonha de pedir ao vizinho que lesse a carta do filho, que lhe vinha da Guerra de África, cheia de "propriedades", e, geralmente, com uma perna, ou uma mão a menos, quando não ficava lá o corpo por inteiro. Era uma desgraça, mas o país arrastava-se assim, tal como o retrata o brilhante documentário de João Canijo






Quem para isto olhe, das duas uma, ou fica de boca aberta, ou fecha-a com os dentes bem cerrados, para evitar morder alguém, porque ainda há quem ache que nunca deveríamos ter passado disso, e que nesse tempo "é que era bom".

Como em todos os tempos, era bom... para quem podia, e a maioria não podia, nem sequer sabia o que era poder poder.

Nuno Crato, o tal que não percebe peva da Pasta que ocupa, e não vem da Matemática, mas da Gestão, ou seja, tem os tiques da Lurdes, associados aos sorrisos de camelo da Alçada, e, agora, culminando numa economia de cadeiras, um pouco à Burkina Faso, em que, na sala, não podem estar todos simultaneamente sentados, e aqueles dois lápis têm de servir, à vez, para os quarenta desesperados, e enquanto o bico durar, porque não há aparador para a grafite, nem dinheiro para mandar vir mais, porque o BPN continua a carburar.

A fenda cruel da Lurdes, na qual alguns conseguiam encontrar o pré câmbrico do sorrir -- o que realmente separa o humano do não racional -- e ela não sorria, só entregava a fenda a ligeiras oscilações quânticas, que os jornalistas interpretavam como oráculos dos seus estados de alma, a que se seguiu o sorriso néscio da tia da "Versailles", que achava que ficava bem fazer um esgar, depois do capilé, culmina agora no arreganhar da tacha de Nuno Crato, onde a estupidez profunda, a incapacidade para esconder que está ali somente para fazer um frete encomendado por gerações de incompetentes -- nunca nos esqueçamos de que a moda começou com David Justino, uma nódoa, que era assessor do impoluto Isaltino de Morais, lá passou pela Pasta da Educação, que todos os portugueses, como comecei por dizer, podem ocupar, e acabou no presépio de Boliqueime, onde tem lugar tudo o que é remediado, sem pretensões, mas capacidade de ser nocivo -- e que agora culminou nas quotas da formação dos Portugueses.

A matéria prima da Educação são os jovens, e o seu fito a construção do Futuro: cada navalhada que seja dada na Educação é um comprometimento nacional, a longo prazo, muito pior do que os contratos assinados, em forma de concessão, por 30, 40, ou 50 anos,  com os escroques das parcerias publico privadas, porque o horizonte da Educação é a Eternidade, seja lá o que for isso.

Com o sorriso da estupidez afivelado no rosto, um certo esgar, entre a bestialidade e o "tanto-podia-estar-aqui-como-noutro-lugar-qualquer", Nuno Crato, "o primo-sobrinho-trineto em 2º grau (?) do 1.º Barão e 1.º Visconde de Nossa Senhora da Luz", como reza a "Wikipédia", fez aquilo a que Salazar nunca se atreveu. Salazar limitava-se a acompanhar os fluxos, e não punha funis nos filhos de alguém, nos imitadores dos filhos de alguém, e, nem nos... outros. Este, com a desfaçatez que a ignorância sempre tem associada, passou do qualitativo ao quantitativo: 50% dos Portugueses serão "doutores", e os restantes... canalizadores, eletrecistas, modistas e reparadores de trompas de falópio de senhoras mal casadas e etc. afins.

Contrariamente ao Catolicismo, que permite que a alma condenada, por derradeira remissão, se salve no último dos últimos minutos, por arrependimento; do Luteranismo, que já é muito mais restritivo, mas ainda dá jus a uma escapadela, aqui, estamos perante Calvino e Zuínglio, que, no seu asqueroso ayathollismo, defendiam que a alma, se já estivesse condenada à partida, bem se poderia tentar redimir, que lá acabaria nas brasas, onde agora estão Eurico de Melo e Saramago.

Resta saber quem vai definir estas quotas dos 50% que terão a salvação, e dos 50% que terão a punição, mas talvez isso nos seja explicado pelo monetarista assassino, Carlos Moedas, pela boca pausada do seu fantoche das Finanças, a caricatura que dá a cara pelos sinistros bastidores que nos arrastaram, e arrastarão, para a ruína total.

Tudo isto é o quintal nacional: lá fora... está pior, com rabis vampiros a chuparem pilas de bebés, com Obama, esse cancro do séc. XXI, a ameaçar ficar "zangado", se o criminoso Assad utilizar as armas químicas que Saddam Hussein lhe pediu para guardar, e só usar, sob jura, depois de ter sido enforcado, coisa que já aconteceu. Todavia, nem tudo é mau, porque a Rússia voltou a tornar-se numa tirania, sob um tzar plebeu, e o "Curiosity" vai descobrir que havia vida em Marte, aliás, isso faz parte das promessas eleitorais do segundo mandato do caneco, que ainda não se sabe se será assegurado pelo caneco, em si, ou se pela sua nova hipóstase, um mormon, que defende que não deve haver aborto em caso de violação, ou incesto, para a mãe depois poder confirmar se a cria tem a cara de quem a violentou, ou se é igual ao pai-avô, que a montou, para estrear o que era dele...

A vida é sagrada, como se sabe, e já foi embarcada no "Curiosity", para ser posta à solta, mal isso convenha para a campanha eleitoral. Até já tem nome, e uma taxonomia associada: os vermes multirresestentes, com cona, receberão o nome de "michellídeos", enquanto os de dentes brancos e vaidade infinita serão os "obamídeos". Vai ser um milagre natural, misturado com causas da fé, e já procrastinados, metade deles, a serem vermes profissionais, enquanto os outros virão para a Terra, para frequentarem Harvard e Stanford, e até a Lusófona, através de equivalências, que lhes concederá os seus primeiros diplomas marcianos.


(Quarteto do tenho tanta, mas tanta, mas tanta vergonha de viver nisto... no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers", escola profissional, de longa data)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Uma certa boca




Imagem do Kaos


Dedicado à Isabel, na esperança de que a outra não perceba que isto está, mas é, direitinho, feito para encaixar nela... :-)



Como dizia a Gertrud Stein, uma boca é uma boca, uma boca, uma boca, uma boca..., e tinha todas as razões do Mundo, se lhe anexarmos a assimetria, já presente no célebre momento do Big Bang, de que todas as bocas são bocas, sim, mas nem todas as bocas são iguais.

É claro que este texto é como a virgindade: antes de eu o ter escrito, não ia começar toda a gente, ó meu, ó meu, a olhar à sua volta, e a classificar as tipologias das bocas, mas lamento, se, mais uma vez vos arranquei um pouco da virgindade. Sintam-se como aquelas suecas que o Assange violou (!), quando toda a gente sabe que violar uma sueca é uma anomalia tão incompatível com a racionalidade como acreditar na virgindade da Santa com cara de saloia, que os acrobatas carregam aos ombros, ao som do "Avé, avé, Maria", o hino do sodomita António Botto, composto expressamente para a Igreja do Salazar o deixar voltar a Portugal, uma espécie de "redenção", que não é redenção, porque toda a gente sabe que a paneleirice nunca se cura, só consegue sofrer agravamentos.

Honra lhe seja feita, porque pôr as velhas, pelo menos uma vez por ano, às vezes, duas, a agitar lenços a um ídolo de porcelana, com um "sound" homo, faz daquilo -- e a isso chama-se "génio" -- faz daquilo o maior "Gay Pride" Português,
mas,
voltemos às bocas.

Há as bocas em forma de fenda, como a da defunta Lurdes Rodrigues, essa alimária, que, pelo Princípio de Peter, foi promovida, de Sinistra da Educação, a gestora dos lobbies suspeitos da Fundação Luso Americana para a colonização cultural de Portugal. Numa boca em forma de fenda não cabe nada, a não ser uma chave de fenda, eventualmente destinada a estimular a úvula, que é uma espécie de clítoris que as brochistas têm no fundo da garganta, o que não era o caso da Lurdes, que nem para o broche servia.

Há as bocas à Manuela Boca Guedes, que são um pouco como as tripas dos enchidos de porco negro, e vão servindo, para, com os anos, se irem enchendo de botox: há uma teoria que defende que o botox está numa crise de escassez só equivalente à (falsa) escassez de petróleo, de maneira que quem tem botox chama-lhe... seu.

Há as bocas iconográficas, como a da Bocarra Guimarães, que, tal como os inseticidas naturais já traziam botox antes de o haver. Consta que Carrilho consumou com ela o seu casamento homossexual para poder ter, por perto, sempre uma fonte inspiração, de cada vez que lhe apetecia um chupa chupa. Chupava ele, e ela ficava a ver.

As bocas de charroco são apanágio dos Teixeiras dos Santos e dos Catrogas, sempre pagas a preço de ouro, que é o valor mais elevado com que devemos recompensar a ignorância e a venalidade, e a História foi injusta nisso, porque Rodin deveria ter conhecido os dois modelos, antes de moldar o seu "Baiser", que, diga-se de passagem, iria ter a subtileza de um Botero, com dois hipopótamos colados pelas beiças, a serem pagos milionariamente. Felizmente, Rodin morreu primeiro.

Há a boca de amêijoa, também chamada boca com visão periférica, já que tem uma tal amplitude que dá para estar a comer as entradas pelo lado esquerdo, e a sobremesa, simultaneamente, pelo lado direito. Para as pessoas apressadas, é a ideal, já que, quando têm 70 e tal cargos em assembleias de empresas, como o uranista Paes do Amaral, sobra-lhes pouco tempo para comer, já que no comer, aqui, também se tem de reservar uma margem de manobra, para as necessidades de ser comido, coisas humanas, e que pagam caro, a partir de certos patamares.

Em "Un Chien Andalou" de Dali/Buñuel, também aparece uma mulher sem boca, o que certos estudos mostram ter alguns traços evolutivos, sendo o Intelligent Design a cuidar de que aquelas galinhas que passam horas de estridência a cacarejar, se calem, de uma vez por todas. Sou daqueles que prefiro ouvir o canto dos rouxinóis.

Ora, para que isto não se alongue muito, esta boca, em especial, cujo nome aqui não posso pôr, nasceu leporina, mas leporina de uma forma tal, que começava racha, em baixo, e ia racha por ali acima, até findar no nariz. Graças a deus que isto aconteceu antes do encerramento da Alfredo da Costa, por ordem da Opus Dei, para dar origem a um caixão de betão, residência de numerários, do arquiteto oficial da "Obra", Biancard da Cruz, mas as enfermeiras sentiram um terrível arrepio, porque um corpo daqueles era equivalente a uma fenda com duas pernas, que chorava, não se sabe se com a cara, se com todas as partes do corpo.

A Universidade de Aveiro, especialista em novas tecnologias, foi imediatamente consultada, assim como um padre, não fosse aquilo ser a semente do Diabo. Não era, era demasiado pequenina para isso, embora com os anos, se viesse a "achar", como é típico em Portugal, sobretudo nas camadas mais medíocres, que nós costumamos situar no topo da nossa miserável pirâmide política e cultural.

Sendo esta boca prima da boca da Duquesa de Alba -- que já na taxonomia das bocas, de Lineu, vinha em nota de rodapé, como "boca da Duquesa de Alba (sic)" -- da qual apenas herdou os diademas (!), a intervenção médica tinha de ser extraordinária, e foi: agarraram num fio de sola de sapateiro, e coseram aquilo tudo por ali acima, deixando apenas um escoadouro, cá em baixo, e um sorvedouro, lá em cima. Só depois de tudo suturado é que os ilustres cirurgiões se lembraram de que, na boca da servidão, não ficava espaço para as visitas do negrão do "Luanda", mas como Deus é grande e sábio, lá se decidiu que tudo aquilo que não entrasse, pela frente, encontraria alojamento nas traseiras, mais rotura, menos rotura. Quanto à mini boca, ficava reservada a abafar a palhinha, o que não seria indigno de tal aristocracia novecentina.

Ora, nesta altura, já a barraca chamada Obama teria considerado que eu estava a utilizar armas químicas, e estou, porque amor com amor se paga: uma boca daquelas ficava inibida, para sempre, de quaisquer excessos, ou seja, a viver no limbo de um perpétuo ramadão, quer alimentar, quer sexual. Acontece que, como sou um exagerado, não vou parar já, e peço que notem, com atenção, que essa maravilhosa boca, que chegou a posar para revistas francesas do jet-set -- suponho que no tempo da Coco Chanel, já para não recuar à Imperatriz Eugénia, pelas rugas de expressão... -- tem um ligeiro descaimento para um dos lados, que não consigo bem precisar, já que, como canhoto e daltónico, confundo esquerda com direita, até politicamente, o que me tem poupado alguns dissabores, o chamado requebro da zézinha-que-deus-tenha, ou um ferrorodriguismo incipiente, mas isso avaliarão vocês, se lá chegarem.

O  Lagerfeld mandou a Pipa Midletton, uma pindérica inglesa, mostrar mais o cu e menos a cara. No caso desta, infelizmente, acho melhor que ponha burka em ambas, já que devia saber que, em cama de dois, não cabem três, sobretudo quando o cu é um expositor de celulite, que atira para fora do colchão as mulheres honestas, que ainda as há. Se nem em Portugal, muito menos no Reyno dos ALLgarves...

E para acabar esta maldade, que vai levar dias a ser desencriptada, queria encerrá-la com uma maldade ainda maior. Ao contrário da Pipa, esta devia, mesmo, ter uma burka da cabeça aos pés, porque o espécime é de tal modo horroroso que, só num país onde se copula com os bigodes da Nazaré, tem viabilidade.
Por mim, não voto contra, veto, e, já que estamos em bocas, tenho de confessar para onde vai a minha preferência, especial, mesmo sibarita: é a boquinha de fazer broches a grilos, da Ana Drago, que se deve despachar, porque o Partido Oportunista está em extinção acelerada, e sabem por que adoro aquela boquinha?
Pois termino com mais um enigma: sempre que olho para ela, faz-me sentir... a pujança do elefante...

(Quarteto da língua viperina, e do "non sense", tout juste para a silly season, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers")

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A Festa do Pontal, seguida da Peste do Final




Imagem do Kaos


Dedicado ao Leão Pelado, com quem o autor do "Arrebenta" tem trocado longos emails sobre diversas patologias nacionais e virtuais

Um pouco à maneira de Epitecto, vou pôr a coisa simplificadamente: há os blogues  que defendem o Sistema e os blogues que se estão nas tintas para que o Sistema seja defendido.

Aqueles, nos quais este texto será  difundido, como é sabido, praticado e consagrado, pertencem a uma das categorias, ao contrários dos "Abruptos", dos "Blasfémias", dos "5 Dias", e de uma multidão de afins -- lembrei-me destes, como me poderia ter lembrado de quaisquer outros, tão só, porque nunca lá vou -- onde os denominados "blogueres", ou lá como é que essa porcaria se escreve, vêm prolongar, pelo espaço virtual os seus telefonemas frequentes, os seus jantares, os seus sólidos assuntos de família e arredores, e que se inserem na outra categoria.

Como é sabido, começam com textos muito lidos e isentos, e rapidamente se encontram por gabinetes, assessorias, secretarias e outras tantas porcarias.

Ora, isto deriva de um fragmento de texto, que de facto, foi enviado ao "Leão Pelado", onde, de repente, e passo a citar: "Há uma coisa que lhe queria dizer, e que não sei se já pensou nela: enquanto andamos numa de “Mentirosos”, “Leões”, “Arrebentas”, “Kaos”, etc., com essa gentinha toda a saber mais do que sabida quem é quem, nós estamos a fazer um trabalho terrível, primeiro, o de canalizar energias, que poderiam degenerar em violência, para a leitura, o humor, a sátira, ou a catarse contida num comentário bem feito, como os seus, por exemplo. Com isso, vamos desgastando governos, e fazendo cair gente incapaz, que é substituída, sempre, por gente... ainda mais incapaz, e mantendo o pagode, que ainda lê, entretido. Já pensou no bom serviço que fazemos, e... grátis? Tantas haveremos de fazer que, um dia, por inépcia, chegará ao Poder a verdadeira camada de lama, que já tirou senha de espera, no lodo da sua sombra, e só aguarda a sua hora. Aí, limpam-nos, como deve estar para acontecer, quando a ultradireita americana assumir o Poder, depois deste ridículo interregno, chamado Obama."

Se quiserem tirar ultradireita americana, e pôr lá Obama II, fica tudo exatamente na mesma, já que o pensamento é preocupante: neste núcleo de blogues não alinhados, que não tem qualquer aspiração a visibilidade, ou representação política, exceto a que lhe inerente, e consequente, a de permanente voz crítica, o que tem sucedido é que temos contribuído ativamente para a dissolução de governos, e para a sua substituição por outros, cada vez mais incapazes. Num sistema que se fundamentasse em alguma regulação, e, neste caso, estamos a falar de sistemas de inibição autoritária, já há muito que teríamos sido apagados do mapa, sem deixar qualquer rasto. Tomo aqui a palavra pelo "Braganza Mothers", a quem, contrariando o anterior, já foi feita a cama muitas vezes, mas isso entra na categoria dos episódios esperados, ou seja, de tempos a tempos, toda a gente sabe que mudamos de lugar, mas lá continuamos, refinados e... piores.

O "Democracia", com as suas aspirações e uma militância pela Democracia Direta, sofreu, recentemente, um contacto com a Realidade: o Português não gosta de livre expressão, e, sempre que puder coartará, ou tenará coartar, a liberdade de verbalização de quem se atreve a pensar, e, mais do que isso, tem o dom de o passar a texto escrito. Fica aqui implícito o elogio às nossas equipas, muitas delas comuns, e a muitos nomes que não são aqui citados, mas cuja presença é relevantíssima. Cada imagem do "Kaos" tem muito mais impacto do que meses de sonolência das "Blasfémias"; cada insólito documento que a "Karocha" saque da carteira provoca muito mais inquietação, e só o diabo saberá por quê, em muita gente...; cada manta de raciocínios que eu despeje, aqui, arrasa meses de tentativas de recomposição do desastre nacional, feitas pelos imbecis que ocuparam as pastas ministeriais, e que falam, na TV, dos estragos, como se fossem de gente externa, e, como nós, muitos, por aí fora.

Tudo o que a esta dinâmica se oponha, não passa, na terminologia da sanita, de sarro, que um bom detergente fará desaparecer de vista.

Se querem rir-se, adorava ir a um "Combate (?) de blogues", mas uma coisa a sério, que metesse a "horizontale" Clara Ferreira Alves, o "Kaos", o Professor Marcello, o "Arrebenta", a Karocha, a miserável Helena Matos, o Medina Carreira, o "Mentiroso", a "Moriae", a "Kaotica", a "Tânia Vanessa", e, por que não, a "Lola Chupa", o Dias Loureiro e também o Manuel Luís Goucha?... Seria interessante, não acham?

O complexo do sistema está enunciado no fragmento de email, que decidi aqui reproduzir. Se, em vez de andarmos em textos elaborados, em curtos comentários, em polémicas vãs de "Facebook", em "fait-divers", como histórias de diplomas, de submarinos, de ares condicionados, e quejandas, e, antes parássemos para olhar um pouco para os figurantes que nos preenchem o cenários político, ficaríamos horrorizados.

A televisão, um dos cancros da Sociedade de Intoxicação, já que despeja, ignorando, salvo raras exceções, os jusantes e os montantes da coisa, ou, simplificadamente, encarando, sempre, a notícia como um ato isolado, uma epifania, sem passado, nem arredores, nem consequências futuras, é, talvez uma das principais culpadas deste estado de entorpecimento em que estamos, e que me atreveria a designar por Síndroma do Eterno Presente. Exemplifico, para clarificar: de repente, abrem telejornais, com caras devastadas, muitas vezes, pela silicose, a falar de esplêndidas reaberturas de minas, de multiplicações de exportações de ouro, sem paralelo, sem que, imediatamente, se ponha a questão: sendo a exploração de minérios, quer histórica, quer, mesmo, pré histórica, uma das grandes razões de atração dos povos para a Península, por que razão se deixaram fechar, ou entrar em declínio?

É consabido o meu ódio a Cavaco Silva, o político mais nocivo do neosalazarismo em que estamos, mas a genealogia é exata: depois de uma continuidade milenar de exploração, o Cabresto de Belém mandou fechar a coisa, quando decidiu que nos ia tornar num país sem infraestruturas económicas, industriais e agrícolas. A partir de aqui, devia haver uma retroatividade de assacamento de responsabilidades, e, como já noutro texto de intervenção sugeri, que se começassem a ler as assinaturas dos atos públicos que nos conduziram à ruína, e se começasse a organizar uma espécie de Tribunal da História de Portugal, onde, como veriam, rapidamente de desmoronariam fachadas e tendências partidárias, e chegaríamos à conclusão de uma existência contínua de predadores.

Aquela coisa do Pontal, onde o desgraçado que faz o papel de "Primeiro Ministro" de Portugal -- uma "Doce" macho, apreciadora de rata negra, e múltipla, já na fase andropáusica das madeixas de caju -- que anuncia uma retoma (?), em 2013 (!), suponho que esteja delirante, a não ser que, polissemicamente, "retoma" seja aqui entendida como, "... ora, toma lá mais... do mesmo".

Não tenho qualquer sensação relativamente a Passos Coelho, o que, em Política, é grave, ser um cidadão insensível a um alto cargo. Contrariamente a Cavaco, que agora está senil, e, portanto, inimputável criminalmente, o mesmo já não acontecendo com os crimes de lesa pátria que cometeu, durante dez anos de maiorias absolutas, os figurantes que escondem as sombras que anseiam pelo Poder, são penosas, ridículas e irrelevantes.

Fala-se de remodelação, é certo, e era urgente: o Primeiro Ministro envelheceu dez anos, e devia ir repousar um pouco; Miguel Relvas, queimado, por ter feito o que muitos, caladinhos, fizeram, a mando dos "lobbies" da RTP, da TAP e das autarquias de mesmo apelido, já devia estar fora do baralho, há meses; do da Economia, não vale a pena falar, porque sofre daquele delírio de pensar que existe, o que muito -- juro -- me faz sofrer: é um pastel de nata canadiano, que escorreu pelas canadianas abaixo, com o "lobby" do "Expresso" a ver. A Cristas -- e olhem para ela com atenção -- tem as arcadas supraciliares e as maças do rosto hipertrofiadas, tal como é descrita a extinta (?) raça de Neanderthal. O Ministério tem futuro, já que cada vez haverá mais gente a plantar batatas, a Ministra... não, já que não pesca nada, nem do assunto, nem das pescas; a Cultura deve ser mantida, com o seu atual Diretor Geral, posto que está exatamente à altura do que nós produzimos; já na Educação, a anomalia estar ali, ou no Tagusparque... é indiferente, de modo que defendemos o seu  rápido regresso ao Taguspark, onde ganha mais, e provoca menos estragos; Finanças?... A Bela Entorpecida?... Devia voltar ao banco da escola, e tentar nascer outra vez: Milton Friedmann é um nome condenado, desde que assassinou vários estados; Defesa Nacional???... Pelas razões atrás expostas, e já que a Nação está a ser cobardemente entregue ao estrangeiro, devia sofrer uma remodelação profunda, a começar pelo seu Chefe Supremo.

Acreditem que não me lembro se há, ou não, mais fantoches a fazer de ministros. Regressando ao parágrafo de mau augúrio que inseri neste texto, só uma coisa é certa: ele já é um contributo para que estes saiam, e venha, em breve, um lodo ainda pior.



(Quadrado de pontas pontais, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers") 

sábado, 11 de agosto de 2012

Rica se abra, enquanto se escuta, não vá derrapar-se, na forma de contas




Imagem do Kaos


Tenho, algures, escrito, um texto, sobre a Teoria Geral das "Fag Mothers", onde se explica, como a deriva estelar, da sequência principal, para os buracos negros, é equivalente à evolução dos buracos negros políticos portugueses, para formas muito para lá do que a Astrofísica e a cadeira de rodas do Hawking poderiam, sequer, imaginar.
Como  devem ter percebido, já estou em pleno discurso sobre Zita Seabra, uma anomalia espacio-político-temporal, que levaria séculos de investigação da NASA, para a poder explicar, mas eu, que sou mais primário, vou reduzir já a coisa aos meu típicos axiomas: a rata, enquanto fenda, e pista de aterragem de todo o tipo de "curiosities", é, ela mesma, alvo de todas as metamorfoses, sendo que, por natureza própria, nem todas são de Ovídio, caso do Ovário de Eva, e da Eva, em sim mesma, enquanto deriva do pecado original, quando Adão estava muito sossegadinho, a tratar dos seus animais, e Jeová, velho e zarolho, que nenhum seguro de saúde da Opus Dei, de Paulo Macedo, hoje cobriria, decidiu que ele tinha uma costela a mais, lhe a tirou, e, depois, deu no que deu.

Acontece que a rata começa por ser tenra, a chamada "maminha", dos restaurantes de picanha brasileira, e dos "Ballets Rose", e acaba, com uns "intermezzi" pelo meio, em coiro rijo, na célebre forma do palmier sem cobertura, exceto uns pintelhos de catroga, para se tirarem da boca, depois do banho, como nas "Recordações da Casa Amarela", um dos grandes filmes portugueses.

Ora, aristotelicamente, sendo Zita Seabra mulher, e tendo todas as mulheres rata -- excetuadas as vitimas da Síndroma de Rokitansky (não, não é um ex camarada da traidora...) --, Zita Seabra também tem rata, a qual, dado o seu adiantado estado de decomposição política, deve estar muito para lá do palmier, sem cobertura, e completamente ressequido. Vamos, talvez, usar a imagem, que vale o que vale, de um palmier, do tempo de Tuthankamon, encontrado num vaso canópico do séc. XIX A.C., para dar uma ideia do atual estado do entrepernas da Zita.

Acontece que o entrepernas da Zita apenas a ela diz respeito, minto, respeito a ela, e ao bidé, o célebre bidé, dos monólogos do bidé, da Zita Seabra, mas o mesmo não se pode dizer das suas intervenções políticas, que sendo públicas, têm, e cometem, o estrago de todas as palavras públicas. Ora, o que defendo, em tese, é que o estado de ressequimento político de Zita Seabra é exatamente equivalente ao do palmier ressequido que ela tem entre as pernas, e como já ninguém lhe pega, nem na rata, nem no palmier, nem nas ideias, nem na figura, nem no histórico, nada melhor do que um escândalo de ares condicionados, para voltar a dar nas vistas, e concluo aqui a frase.

O resto é pior: há uma voz corrente, em certos meios mais esclarecidos -- que, desta vez, não vou explicitar se neles me incluo, ou não incluo -- que defende que Fascismo e PCP foram a cara e a coroa de uma mesma moeda, sendo que o 25 de abril, por inerência, pensou dar um golpe no primeiro, mas soube conservar o segundo, esquecendo-se de que o primeiro era muito mais resistente e idiossincrático do que o segundo, como recordam as célebres palavras do Abade Correia da Serra: "Cada um de nós transporta, dentro de si, um familiar do Santo Ofício", o que explica que fossemos a risota da Europa, em pleno Século das Luzes, com a nossa Santa Inquisição, ainda ativa, e os seus sucedâneos, por aí, fora, Miguelismos, Autoritarismos, Franquismos, Sidonismos, Salazarismos, Cavaquismos, Socratismos, e agora, esta miserável excrescência, que só os próximos meses irão ditar se entrará para a História como "Relvismo", ou como "Passoscoelhismo", mas já teve as suas origens certas, certíssimas, em Neanderthal, e Cro-Magnon, quando um atrasado da mão já impedia o outro de rabiscar, naquela miséria que é Foz Coa, um TGV, e lhe batia, para que o outro desenhasse, em vez de um TGV, um comboio a vapor...

Já nessa altura eramos Portugueses consumados, graças à Senhora de Fátima, e espíritos santos afins.

O que a Zita Seabra veio trazer, com a sua língua de palmier ressequido, é uma coisa estranha, porque são as palavras da vitela, que mamou na vaca, enquanto dava, e depois mudou de teta, quando lhe cheirou que o Cavaquismo era mais apetecível, e era, como o prova uma longa corrente de energúmenos "políticos", de que todos estão lembrados, e embarcaram na transumância: La Feria, Eunice Muñoz, Dias Loureiro, Marques Mendes, Duarte Lima, o Rui Rio, que não era filho da puta, como o Pinto da Costa também nunca foi, nem será, nem ele, nem o Isaltino, nem o "Major", nem nenhum dos da seita; o pedófilo que empurrou o próprio Cavaco para a "rodagem" da Figueira, e que este mês mudou de casa, para o Inferno, Eurico de Melo, e tantos outros. Também havia, com dizia o Mário Viegas, uma Agustina, que já era fascista antes de haver fascismo, mas isso é só uma prova do anteriormente escrito: que, na forma A, ou B, cada um de nós aspira a um totalitarismo, que impeça, de uma forma ou de outra, o vizinho do lado de abrir a boca.

O P.C.P., na forma mais emblemática das suas figuras de majestade, como Álvaro Cunhal, nunca fez o necessário "mea culpa" do Estalinismo, como nunca o fez o seu miserável escriba, Saramago, que deve agora andar a discutir Metafísica, no mesmo lugarzinho quente, e bem bom, um com o outro, um, por umas razões, o Eurico de Melo, por outras, bem diversas.

Ora, ares condicionados, que escutam, são um moderno sucedâneo para amanhãs que deveriam cantar, mas não cantando, se limitam a escutar, e, escutando, ditam um verão indiano de um estalinismo mal resolvido, e agonizante.

É certo que estou a levar a coisa para o ar da graça, pela simples razão de que, a ser verdadeira, e não fruto de um palmier ressequido, convertido, de Estaline, à Opus Dei -- coisa que faria Darwin desistir de escrever... -- e que já não consegue dar mais nas vistas, é grave, mas, em Portugal, tudo é grave, a arte milionária dos tampões de rata da Joana Vasconcelos, a artista oficial da "Situação", que vem de Versalhes (!) para Queluz (!), a Fundação Paula Rego, que, sem a bruxa saber, parece que servia para lavar tudo o que era dinheiro sujo do Casino; o fácies daquele povo que abre telejornal atrás de telejornal, convencido de que o Euromilhões não faz parte da Teoria Geral das Probabilidades, mas pode, sim, ser tratado como mais um caso de causas naturais, ou dos milagres da fé; daquele povo que, confrontado com o problema de uma diminuição do uso de cartões multibanco estar diretamente associado com o empobrecimento geral da população, prefere encolher os ombros, e soltar um espantoso "eu não tenho, nem nunca tive...", voz do familiar do Santo Ofício, que implicitamente condena quem tem e usa, e se remete para um estádio de relação fiduciária com décadas de atraso, e, por fim, aquelas coisas que o Tribunal de Contas vai descobrindo, das sobrefaturações, e das derrapagens, que conduziram a que o roubo de alguns acarretasse a desgraça atual de todos.

Creio que o inapto que ocupa, por vaidade, a Pasta da Educação, devia ensinar ao Tribunal de Contas, que, apesar de ser de contas, esses estranhos números do sorvedouro da Coisa Pública, têm, para quem saiba ler, um nome em cima, que propõe, e um nome em baixo, que assina e permite. Seria bom que o Tribunal de Contas fosse forçado, pelo medíocre Crato, a juntar letras e números, ou seja, por cada derrapagem, imediata identificação dos "derrapadores", com sua punição, por atos lesivos do Erário.

Acabava-se o "deficit" num instante, mas, creio que, com isso, também toda a máquina de bastidores, que mantem a aparência da Política, e tal não pode acontecer, não é?...

(Quarteto de ares condicionados, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers", em plena "silly season")

sábado, 14 de julho de 2012

A Lusófona, a universidade onde os políticos davam aulas uns aos outros, e as vice reitoras tinham cátedras por equivalência curricular de orgasmos :-)













Orgasmos da ex Vice Reitora, Clara Pinto-Correia



Não gosto muito de repetir textos, mas este é outro, de 2007, aquando da crise da Universidade Independente, que se tornou, subitamente (im)pertinente, portanto, aqui vai.

É voz corrente que a Universidade Lusófona é uma mera fachada para os políticos acelerarem os percursos académicos de muitos que os não têm, ou, sendo ainda mais cínico, uns, de habilitação duvidosa -- com as devidas ressalvas -- que, ali, "aceleram" os CNOs dos outros, com habilitação ainda mais duvidosa.

Só para quem possa estar fora do meio académico é que escândalos, como o de Fernando Santos, corrido, um dia, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, por razões que é melhor nem pôr aqui, para vocês não se assustarem, acorda, no dia seguinte, já como Reitor (!) da Universidade Lusófona...

Quanto a Clara Pinto-Correia, a célebre Vice-Reitora, é melhor não falar: entre plágios, velhos da Califórnia, chutos de tudo quanto era Academia séria, suponho que tenha tido uma equivalência em... orgasmos.

Segue-se o texto, uma bem humorada ficção, dedicada às pessoas sérias que andam a pagar, para tirar cursos sérios, numa instituição que já se percebeu o que era.

Não, ainda vou acrescentar, mais uma coisinha... isto é só a ponta do icebergue, e os objetivos políticos ainda são mais terríveis: em risco, vai ficar a Universidade, a cabeça de Nuno Crato -- a de Relvas já não conta -- e, em derradeira análise, a queda de Passos Coelho, o que muito agradará às piranhas do PSD.

Claro que não me esqueço, quando o assunto estava na versão 1.0 do software, do Reitor xexé da Moderna, a falar de "uma coisa horrível, que metia droga, armas e mulheres". Passaram dez anos, e já vamos na versão 10.5.3 do software. Façam a analogia, se puderem, ... e... fiquem com insónias :-)




Segue-se o texto, de 2007, do malogrado primeiro "Braganza Mothers":

"Ontem, tocou um dos meus telefones em escuta. Bocejei e atendi. Geralmente, costuma ser a Sheila, a contar-me os camionista que "fez", no IP5, mas foi, com grande surpresa, que reconheci a voz da Vice-Reitora da Lusófona.

Convite para jantar, de ali a uma hora, e sem hipótese de recusa...

Eu sei que a Histeria e a Ninfomania já não têm o significado que tinham, no tempo de Charcot, são, hoje meras Parafilias do Excesso, mas, pelo sim pelo não, telefonei ao Fado Alexandrino, para ver se me desenrascava desta, "pá, é assim, eu vou mandar reservar a mesa maior, a das conferências, no "Gambrinus", mas nós chegamos primeiro, e tu ficas debaixo, escondido pela toalha, para o quer e vier..."

Há alturas em que me apetece preservar a minha integridade física, e a Páscoa é uma delas... E lá fomos, o Alexandrino com uma coleira de picos, de Pitt-Bull, enfiei-o debaixo da mesa, compridíssima, ela chegou, já não me lembro se vinha toda de leopardo, se de pantera, mas acho que era misto de leopardo com hiena, umas botas de cano altíssimo, todas cheias de atilhos, tipo Madame Bobone, no tempo da Imperatriz Eugénia, de Montijo-Bonaparte.

O código era o seguinte: ela sentava-se numa extremidade da mesa, eu, na outra, com o Alexandrino todo enroscado, ao lado, caladinho que nem um rato. Se ela, de repente, começasse a avançar e a fazer abordagens, eu dava, com o pé, três pancadas no chão, o Alexandrino saltava, já com a língua a babar-se toda, e abocanhava-a, para a minetar, antes de que ela me atacasse a mim.

Combinado, amigos são para as ocasiões.

Eu gosto muito da Clara Pinto-Correia: acho que é o exemplo exemplificado do que deve ser uma carreira literária e académica, no Portugal Contemporâneo.

Aliás, para mim, com uma quarta-classe das antigas, é sempre intimidante ir jantar com uma Vice-Reitora.

Uma Vice-Reitora é sempre meio caminho andado para a Reitoria, e da Reitoria para o Ministério da Ciência e do Ensino Superior.

Ou seja, eu ia à mesma manjedoura do Poder.

Tudo nela cheirava a Ovário de Eva, mas essa cena dos Perfumes com Feromonas para atrair macho, dado o meu gene defeituoso, não funcionavam. Quer eu, quer o perfume, quer a táctica dela eram erros evidentes do "Intelligent Design": quando chegasse a hora, íamos todos direitinhos para a Reciclagem, e era a vida.

Ela estava excitadíssima com o Caso "Independente", eu ia pedir Linguado, mas achei que, com ela, era arriscado, e fui para os Salmonetes, enquanto ela quis -- "malgré" Sexta-Feira Santa, um "Cosido" à Portuguesa, e já se estava a preparar para mandar vir seis garrafas de "Dão Meia-Encosta", o que, no "Gambrinus", é como mandar vir à mesa seis copos de carrascão, mas o gosto é dela, quem sou eu, pobre mortal, para julgar as papilas gustativas de uma Vice-Reitora, tanto mais que por ali já passou tudo, até os eléctricos?...

Ficámo-nos, todavia, pelas três garrafas: nada pior do que uma Universidade ter de mandar outra vez para uma cura de desintoxicação alcoólica a sua Vice-Reitora.

Sabe, dizia ela, vamos ficar cheios de alunos!... É verdade, dizia eu, os Lindos Olhos de Mariano Gago já prepararam o colchão legal para as transferências, mesmo a meio do ano. Isto não há como Governo e Gestões de Privadas estarem em acordo para tudo se assemelhar ao Nirvana.

Quer ver o Edital?, disse-me ela, fui eu própria que o escrevi, ontem à noite!... e eu, pode ser -- pelo menos, enquanto lia o edital, não estaria a ser assediado...

Li, com atenção. Reparei que "aceder" estava escrito com dos "ss", ou seja, "asseder", como em "assédio"...

Querida, disse eu, o "c", antes do "e", lê-se como dois "ss", portanto, deveria estar aqui escrito, "[...] os alunos provenientes da Universidade "Independente", mercê do seu encerramento, poderão aceder, a partir de agora, às vagas existentes na Universidade "Lusófona"...

Verdade que "asseder" não se escreve assim?..., perguntava ela.

Não, querida, é "aceder"...

Pronto, temos lá uma tipografia, ao pé de nós, que faz sempre umas edições spé luxuosas, vamos fazer uma errata em papel couché, gramagem 120, vai ficar P-e-r-f-e-i-t-o e lindo!...

Nesta altura, já era o Alexandrino que me tocava com a mão na perna, para saber quando é que ela avançava, para a abocanhar, e eu, calma, calma, ela agora ainda está noutra... 

Não acha que fazemos bem em receber os sem-abrigo da "Independente"?, perguntava.

E eu, mas vocês não têm já tantos alunos?...

Ter, temos, mas nunca se sabe o que o Futuro nos trará. Acho que o Mariano foi F-a-n-t-á-s-t-i-c-o com o que fez. O Zé -- é assim que ela trata o Primeiro-Ministro -- vai ficar com o diploma nas mãos e a "independente" é fechada por irregularidades, ele fica ilibado, como aluno, das poucas-vergonhas que por lá se passavam -- acho que até se queimavam livros de termos, se compravam diplomas, e até de engenharia, uma coisa horrível, já viu um "engenheirio" comprar lá um diploma e depois acontecer uma ponte ficar dois metros acima da estrada que lhe dá acesso, como aconteceu na Zona Centro -- e eles vêm todos para a NOSSA Universidade!... E é já para a semana!...

(Nossa quer dizer dela e dos interesses do P.S. e afins)

Vocês, realmente, têm um quadro docente enorme, dizia eu...

E ela, aí -- começou a aproximar-se, para me falar ao ouvido, e eu começo a bater com o pé no chão, para o Alexandrino preparar a língua, mas graças a deus, apesar de um momento crítico de indecisão, só vinha mesmo falar-me ao ouvido...

Sabe a nossa "ratio", neste momento é de 1 Professor para 10 Alunos, o que é altíssimo, para uma privada...

1 Docente?..., dizia eu, 

... quer dizer, dizia ela, temos na Lusófona, neste preciso instante, um Militante para 10 Simpatizantes, do P.S., inscritos. O António Filipe, do P.C.P., por exemplo... Sabe que o Porta-Voz do Partido Socialista é colega de carteira do Vasco Franco?...

O Vasco Franco?..., o trapaceiro dos lambris?... Só a reforma antecipada conseguiu correr com ele da Câmara de Lisboa. Parecia os Tribunais, nem o 25 de Abril os conseguiu limpar!...

(Pausa)

Querido, hoje não vou assediá-lo, nem nada

(ouve-se um grunhido de desespero do Alexandrino, debaixo da mesa).

Estou cansadíssima. Ainda não recuperei do "jet-lag" de Toronto...

Toronto?...

Sim, fomos lá todos para o casamento do Nuno Graça Dias!..

Sabe quem foi o Padrinho?...

O Nuno Santos, da R.T.P.!... Um casamento lindíssimo!...

Quer dizer que o Arquitecto vai ser avô?...

(Pausa)

Querido, só se o Zé, entretanto, aprovar a legislação para adopção por casais...

Casais?...

Sim, casais...

Ah, sim, já entendi, casais "du même genre"... Olhe, dê-lhe os parabéns pela minha parte: já vão ser mais dois com direito a encornar, em Portugal. A minha querida sempre adorou casamentos gay. Imagine que já havia Toronto e legislação adequada cá, nos tempos em que o Mega estava para si, como os Lindos Olhos estão para o Mariano Gago. Kisses para si, e para o "Zé". Terça-Feira já o temos ressuscitado, na R.T.P.
Vamos abrir uma garrafa para comemorar Afinal, a culpa tinha sido da Universidade, aliás, em Portugal, como no Sherlock Holmes, o culpado é sempre o Mordomo, nunca as mordomias..."









[...] e diz ela assim, sim, porque eu já dou aulas há 24 anos, já sou Professora Universitária há 24 anos

e eu, isso, contando com as férias na Califórnia, não, e os "cut" and "past" nas revistas?...

(Pausa)

... já sabe que detesto que me fale na Califórnia... aquele velho horrível... (cospe para o chão)... bom, mas, se não fosse ele e, no fundo, tudo conta, e isso agora pouco importa, águas passadas, contas feitas, são, e são mesmo, 24 anos, a leccionar na Universidade!...,

e, eu, só me lembrava aquela anedota, contada pelo meu paizinho, do Américo de Deus Thomaz, que foi visitar a Orquestra Não-sei-das-quantas, devia ser da Emissora Nacional, e foram-lhe apresentar o homem do violoncelo, o Decano da Orquestra, já andava agarrado ao instrumento, salvo seja, há 50 anos, e o Américo Thomaz, o Cavaco da altura, vira-se para ele, e diz-lhe, 50 anos!?... e sempre a tocar o mesmo instrumento!?...,

e eu viro-me para ela, e digo, 24 anos, e sempre sem ninguém notar que você não sabe tocar?... [...]"




(Edição de dobre de finados, quando o Luís Filipe Menezes, que fez o Curso de Medicina, durante o PREC, avisou de que "é melhor estarem caladinhos", no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")