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sábado, 7 de janeiro de 2017

Soares foi fixe








Há um arranque, no Segundo Concerto, em que Beethoven desafia a Técnica pela Estética, e lança o tema do solo com uma nota tirada na tecla extrema do teclado, para mostrar que estava a desbravar ali as fronteiras e já precisava de um piano bem mais extenso. No fundo, pouco se esperou, até que Jean Henri Pape, lançasse, em 1844, o seu piano de oito oitavas. Tudo o resto foram Liszt e exercícios de bravura, e, ao falar-se de Liszt e exercícios de bravura, é inevitável que agora caiamos no tema e no homem do dia, Mário Soares, que hoje finalmente passou à eternidade.



Na verdade, o teclado dos epítetos de Mário Soares em muito se estende para lá de todas as oitavas do piano. Talvez nenhum político em Portugal tenha sido percutido com tantas das palavras do Amor e do Ódio, e isso é já uma das maiores formas de grandeza. Dizem que tinha uma forte costela de ignaro, e encolhia os ombros perante todas as provocações, o que é um modo profundamente político de ensinar a tolerância aos outros, e ensinou, pelo lado da bonomia e do bom humor. Para quem se tenha esquecido, os comunistas foram-lhe, e bem, aos cornos, na Marinha Grande, e ele nem sequer recuou, e nem sequer se encolheu, e essa foi uma das imagens que passou, e em grande, para a sua lenda.



Também corre uma certa unanimidade na fixação do seu papel na História, onde o pintam com a ambiguidade da trajetória dos icebergue, por que muito do feito ter sido invisível, e muito do que dele ficou visível talvez não passasse, afinal, de uma simples aparência de farsa, o que, no entanto, já fará parte do desbravar do futuro, no qual ele agora apenas acabou de embarcar.



Mário Soares é uma figura única do nosso paupérrimo cenário político, e um contorno incontornável dos nossos traumas culturais. Somos o país em que vingava a Segunda Escolástica, quando o Cartesianismo já invadia toda a Europa. Mais grave do que isso, foi, presentemente ainda continuarmos a achar que, no fundo, a Segunda Escolástica até era melhor, só teve "foi azar", e lá tivemos nós de papar o Cartesianismo. Esse é o mesmo Portugal que, até hoje, ainda persegue João Domingos Bontempo, só por que ele foi liberal, e por que ser liberal é um crime continuado, num país permanentemente reacionário. Mário Soares fez o mesmo, ou afim, e decidiu apontar o dedo às rançosas mazelas do nosso imaginário, pois não queria nem Igreja, nem Miguelistas, nem sucessores do Tio Caetano, e disse-o nas suas célebres três palavras, Laico, Republicano e Socialista, o que lhe trouxe uma infindável panóplia de ódios e dos afetos, embora a sua história comece muito antes, e por isso convém que se revisite este homem sobre o qual, na verdade, ainda hoje se sabe pouco.



Num essencial sobre Soares, nem sequer sei se seria interessante o Soares de antes do 25 de abril, onde foi preso, como tantos outros, mas isso sou eu, iconoclasta, a tentar enfiar uma biografia inteira pelo funil da simplificação. Soares vencia sempre, mesmo quando não ganhava. Há aqueles que adoram o Pomar, só por que que esteve na cela ao lado do Marocas, mas isso de nada serviu ao Marocas, e igualmente não conseguiu tornar o Pomar num pintor de renome mundial, por mais que muitos o empurrassem e tentassem. Para mim, também aqui basta o brilhante retrato do Bochechas da Mãozinha, uma das obras mais conseguidas da retratística presidencial, mas voltemos já ao essencial, e nem sequer vou olhar para esse Partido Socialista, fundado em 1973, na Alemanha, só o Diabo saberá, já então, posto ao serviço de quem nunca se saberá.



O Soares essencial é o de 1974, 75 e 76. Creio que a enorme unanimidade vai para as críticas sobre os procedimentos relativamente às Províncias Ultramarinas, mas creio que convém, também, fixar o guião desses tempos. O Sr. Salazar, um provinciano retrógrado, ao contrário de todas as potências europeias, com longas tradições de aculturação, exportação de procedimentos e normas imperiais, só se lembrou de começar a colonizar os seus quintais ultramarinos no momento em que a sinistra lógica mundial já tinha decidido que os iria depredar, e arrancar do marasmo lusitano, na forma de empenhados "movimentos de libertação", e nem vamos falar disso, para não nos indispormos já com os leitores. Na verdade, a "colonização" portuguesa foi uma diáspora tardia de muitas das manchas de pobreza, dos filhos segundos, e dos aventureiros que por cá pululavam, e assim puderam ir para terras extensas, para por lá fazer o que por cá não podiam, nem deviam. Na cabeça e no coração levavam, não a Fé e o Império, como muito se apregoava, mas o pior da natureza portuguesa, e até da natureza humana, com a possibilidade de fazer, com consentimento, ao "preto" de lá o que o "preto" de cá não permitia nem gostava. Quando chegou a Revolução, havia por lá uma "colonização" recente e muito postiça, e muito espalhada por toda a parte, que era um terrível estorvo para aquela comédia que se avizinhava.



Há por aí uma narrativa que igualmente põe na boca do defunto Soares a solução final, que seria "atirar com todos os colonizadores ao mar". Do Mário nada me espanta, como também não me espanta o célebre episódio de ter pisoteado a bandeira nacional, em Londres, já que na melhor nódoa cai o pano. Pessoalmente, acho que o Soares colérico seria capaz disso e até de muito mais, na primeira parte, por estar a espezinhar um símbolo que, de tão vilipendiado, se despojara do seu caráter nacional, para se transformar no triste pano bicolor de serviço de uma infindável ditadura; na segunda, por ter simplificadoramente volvido grandes massas humanas em meros agentes ao serviço de um regime que estava em agonia, e, como hoje se diz, os tinha tornado em escudos humanos de uma ideologia. Deste ponto de vista, toda a colonização salazarista não passava de uma tortuosa, cobarde e mal assumida utilização de portugueses num território de guerra aberta, no cumprimento da velha máxima, muito nacional, de, depois da casa arrombada, trancas à porta. 



É certo que estou a acompanhar a lógica do discurso, e não a lógica do que penso, já que ambos os atos e palavras do Soares seriam sempre indesculpáveis, mas eu apenas os reposicionei historicamente, e assim vamos voltar à descolonização, ou retirada apressada de nacionais, cobardemente colocados, fora de tempo e de oportunidade, num teatro de guerra, onde o desastre ou o massacre apenas estavam a ser adiados. Chegado 1975, a coisa agudizou-se, e é aqui que Soares se revela ímpar e crucial. Para os esquecidos, 1975, num mundo afundado na miséria obâmica de Jimmy Carter, correspondeu ao apogeu absoluto do espetro soviético. Um gesto mal medido, e Portugal, como a Etiópia, o Sudeste Asiático e todos os cenários de fronteira poderia ter mudado de hemisfério politico, aliás, a par com a Espanha e a Grécia.



Não sei se esta conversa teve lugar, mas Soares, tal como Churchill em Ialta, quando estava a atirar meia Europa para as trevas da Cortina de Ferro, e, subitamente, levantou o dedo e disse, "não, a Grécia... não", por que a Grécia também estava incluída no pacote das roménias, hungrias e bulgárias, para ir parar às mãos do criminoso Estaline, Soares, digo, deverá ter tido uma visão Churchill, e, homem de rasgos abrangentes, e de finíssima sensibilidade para o devir da História, deverá ter tido, por um momento, a balança dos tempos defronte dos olhos. A decisão todos a conhecem: ou a cabeça continental de um império a ficar a salvo da tormenta, com o custo de todas as suas possessões mundiais, ou agarrar-se às suas possessões mundiais, e naufragar com elas, numa qualquer decisão e destino imprevistos.



Sei que o que escrevi é horrível, mas não sei se estará tão longe da verdade quanto isso. Um cenário, muito semelhante, deverá ter vivido outro grande estadista, Ataturk, quando se tratou de salvar os estilhaços do colapso do Império Otomano. No fim, safou Istambul, e umas tiras europeias, até Andrinopla. Se também a culpa aí não foi de Ataturk, só a História dirá qual a quantidade e qualidade da culpa de Soares.



Como diria Epicteto, há os amigos de Soares e os inimigos de Soares, sendo que os primeiros só deus saberá se não foram mais nefastos do que os segundos. O homem que hoje morreu terá levado consigo os segredos das conversas com Carlucci, um pedófilo mundial, cujos apetites, in extremis, conseguiram, para Portugal, uma estranha proteção americana. Muito se discute qual o preço desse escudo, mas certamente  o seu preço foi uma hábil conquista de Soares, e creio que lhe devemos estar gratos.



O Soares, de 76, foi uma mera consequência do Soares dos dois anos anteriores. Para os de curta memória, Portugal era então um estado deprimido e vexado na comunidade internacional. Passava, semana após semana, por ridículos semelhantes aos dos que hoje se riem da ditadura cubana, ou norte coreana: um quintal anquilosado, fora do tempo, a tentar resistir a coisas sem sentido, e gerido por um bando de abutres vestidos de negro. Coube ao mal preparado Soares criar um figurino internacional, e conseguiu-o magistralmente: era um tipo de bochechas, bem humorado, que falava mal línguas, mas conhecia todos os dialetos e aldrabices internacionais. Internamente, traçou, para sempre, o perfil ideal do Presidente da República. Externamente, e aproveitando a maré das ternuras e complacências para com um estado estilhaçado por uma revolução de excessos e insuficiências, deu-lhe uma cara moderna e uma velocidade contemporâneas: dez anos depois, já tinha conseguido que fizéssemos parte do mosaico europeu, se bem que em troca da perda do mosaico ultramarino, e nem vou discutir a pertinência ou a possibilidade de outro rumo que este, já que não sou historiador, mas apenas intelectual atento.



Para quem tenha dúvidas sobre a grandeza de Soares, deveremos sempre contrapor-lhe a menoridade de Cavaco, pietista, provinciano e reacionário. Cavaco foi a continuidade de muitos dos 900 anos de costas voltadas para o progresso, que Soares, um verdadeiro social democrata, nunca representou, e todo o país ingrato se revelou, quando depois permitiu, em refluxo, que durante dez anos o Saloio de Boliqueime inenarravelmente vexasse a Presidência. Enquanto o Clã Soares multiplicava os seus golpes e negócios, por toda a parte, os amigos de Cavaco iam traçando os seus futuros perfis de vigaristas, ladrões, assassinos e homicidas involuntários, e estou a falar de Dias Loureiro, Duarte Lima, Leonor Beleza, Mira Amaral e Ferreira do Amaral, entre outros tantos. Se um apontava os golpes para o Mundo, o outro limitava-se a apontá-los para as velhas paredes do seu quintal, e o resultado disso tudo foi o presente estado de abandono e pobreza em que vegetamos e continuamos a estar.



Na verdade, se excetuarmos Pessoa, Soares foi o maior português do séc. XX, e apenas refiro esse século, por que foi nesse século que nasci e não em nenhum qualquer século outro. Morreu o Pai da Democracia Portuguesa. Depois de Soares, toda a Política será menor.



Para o fim, os últimos desafios decerto foram ainda interessantes: é já o Soares do séc. XXI que se opôs a outro espetro do ranço e do clubismo, Manuel Alegre, cuja vaidade e estupidez nos atirou para dez perversos anos do Neocavaquismo. Antepassado de "The Braganza Mothers", e causa direta da sua existência, foi "The Great Portuguese Disaster", blogue de campanha anticavaquista e assumidamente soarista. Não estou arrependido, e aqui fica a memória, no dia da partida para a Eternidade do maior estadista português do nosso tempo: quando Soares concorreu, queria evitar que os Portugueses perdessem dez anos da sua Democracia, e perderam mesmo, como veio a acontecer. Ganhou Soares e perderam os Portugueses. Ele foi previdente, os Portugueses é que não, e aqui voltamos ao início, já que este é apenas um pequeno esboço de um texto que poderia ser infinito. Como Mário Soares, nenhum político, em Portugal, rimou tanto com todas as palavras do Amor e do Ódio. De todas elas, vou agora relembrar apenas duas, essenciais, de que ele foi nosso professor, e das quais lhe teremos de ficar eternamente devedores, Liberdade e Democracia. Creio que tudo o resto foram meros trocos da Necessidade.






(Trio de grande despedida soarista, ó, Bochechas, está na hora, vai-te embora!..., no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Glória e esplendor de Pedro Miguel Cruz, enquanto utente dos serviços mínimos da fase terminal da Cauda da Europa





Com dedicatória para o "Kladestino", que lançou esta maravilha, na Blogosfera





Portugal é uma fronteira europeia, extremamente permeável a tudo o que é mau, e especialista em consultorias externas, geralmente, se forem caras, inúteis e tiverem um amigo, intermediário, que irá receber umas notas, pelo meio. No fim, como é sabido, fica tudo na mesma, e o Erário Público ainda mais delapidado.

Contrariamente a esta consuetudinalidade estrutural, que já vem de Dona Urraca, Pedro Miguel Cruz, um brilhante talento do Instituto Superior Técnico, de Lisboa, e agora pelas terras onde se fala a pronúncia oficial da língua lusitana, resolveu fazer a sua própria consultoria interna, chegando às fantásticas conclusões que apresenta no seu "Eco-Sistema", muito justamente contemplado, pelo seu trabalho de investigação, com o "Prémio Pessoa 2013", da Mafia do "Expresso". Tenho a pequena impressão, mas eu sou um pouco de tiques, quanto a estas "impressões", que não recebeu um pagamento milionário, do "Polvo" que governa o Estado Português, e há décadas desbarata a Coisa Pública, ao ponto de nos ter tornado num protetorado da Goldman Sachs, tutelado por uns gajos falhados dessa instituição, chamados António Borges -- que o Demo tenha --, Carlos Moedas, e a medíocre Maria Luís Albuquerque, "Miss Swaps". Às tantas, o Pedro Miguel Cruz não recebeu nada, mas a verdade é que resolveu criar um monumento, naquela linhagem gnóstica de Pessoa,  em que "Deus quer, o homem sonha, e a obra nasce".

Até aqui, creio que estamos em concordância, por que a estrutura organigramática do seu trabalho assenta numa interatividade oscilatória entre dois pólos, o pântano político, e o pântano empresarial. Segunda a boa regra portuguesa, a coisa está consumada, esgota-se na sua leitura literal, e, na Net, onde a rapidez tem a velocidade do Rápido, já deveria ter tido consequências práticas, mas perdeu-se nos entrefolhos, como seria de esperar.

Para mim, que tenho formação científica, uma investigação deste género não se pode, nem deve, arrumar em qualquer gaveta, mas, aparentemente, já está, onde se prova que São Tomás de Aquino tinha razão, quando afirmava que, sendo a consultoria cara, ou grátis, acabaria sempre arquivada, e é bom saber que um teólogo do séc. XIII continua atual, dado a resistência ao progresso da coisa portuguesa, mais se podendo hoje, alargadamente, dizer que existe noutros centros, como num idêntico trabalho, sobre os drones, no Paquistão, que cresceram abissalmente, desde que o agente da Ultradireita Americana, Obama começou a andar entretido com as fotos de Natal da fêmea, a dar brutos linguados no cão de água português.


Vamos agora à exegese profunda: sendo epidérmico o trabalho de Pedro Miguel Cruz, já seria, num país normal, por si só, explosivo. A coisa, todavia, não explode, pela mais elementar das razões: o dedo que poderia carregar na gatilho é justamente o alvo potencial de tal tiro, e o tema morre por aqui, se não for a Opinião Pública a tomá-lo em mãos: resume-se numa frase, o estar constituído um organigrama que mostra, interativamente, que nomes da Política infestam os meios empresariais e vice versa. Digamos que, enquanto silogismo, é um encadear de premissas que aguarda, do seu visitante uma conclusão, aqual, nunca tendo lugar, nada acrescenta a umas velhas palavras de Almada Negreiros, quando afirmava que todas as ideias que haveriam de salvar o Mundo já estavam enunciadas, só faltava era salvá-lo... Tinha toda a razão.

Mergulhando no sentido da derme, e desculpem lá o tique da metalinguagem do modelo, há duas variáveis internas de análise (político/empresa), associadas a duas equações diferenciais, cujo comportamento e soluções conduziu ao atual estado das coisas. Pouco nos é dito sobre o devir interno, e apenas temos um ponto de partida e um ponto de chegada, o que, volto a ressalvar, na perspetiva da moralização de um Estado -- se estivéssemos num Estado e não num quintal de interesses rasteiros -- já seria mais do que suficiente para chamar à pedra todos os nomes envolvidos naquele polvo asqueroso, e aplicar-lhes sanções, já que entre um país que chegou ao limite da sua sustentabilidade, e aquela permanente circulação de piolhos, alguma penalização teria de acontecer.

Na voz dos mais radicais, continua a circular uma certa palavra de ordem que é: bastava abater um que os outros imediatamente debandavam, embora a coisa não seja assim tão simples, e até tenhamos mecanismo de regularização legal, que, uma vez aplicados, os permitiria apanhar numa só rede, e de uma só vez. Infelizmente, continuamos a deixar que subam, que grimpem, e ocupem os mais altos cargos do Estado, a começar pela vergonha nacional, que está no Palácio de Belém, e vindo por aí abaixo, por todos os postos chave do remanescente do tecido económico, dos baluartes da banca, da cultura, e, sobretudo, acima de tudo, dos palcos de intoxicação da Opinião Pública. Apenas como exemplo, falaria da FLAD, um órgão gerido por criminosos culturais que permitiu, durante décadas, que a linguagem de criação nacional fosse tomada de assalto e gangrenada por indivíduos a soldo da mediocracia americana. Como sempre, até no servir falhámos, e a coisa cotrreu mal, com os derradeiros episódios, do agente da CIA, Rui Machete, que foi corrido de lá, e também a sua sucessora, Maria de Lurdes Rodrigues, pessoa que dispensa quaisquer comentários...

Ao nível da derme, dizia, não basta enunciar a teia de relações entre políticos e empresas, mas tornar-se-ia fundamental perspetivar os fundamentos de causalidade que foram motor de construção e manutenção dessa rede, e, aqui, chegaríamos aos fundamentos da "Coisa", o lugar topológico em que ela se alicerça, antes de lançar os tentáculos, ou seja, associar cada um daqueles nomes de políticos à sede de poder que foi o seu berço, caindo, naquilo que o formidável trabalho de Pedro Miguel Cruz não pode, não pôde, e não poderia abordar, posto que nenhum daqueles nomes está ali por acaso: são filhos do antro do crime em que a Maçonaria séria se tornou -- como recentemente António Arnaut avisou, usando palavras diretas do Rito: "o Mestre não pode mais ascender na escadaria" (porque os patamares superiores foram ocupados por criminosos), como o prova o atual Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, Fernando Lima, associado à coisa mais tenebrosa que já assombrou, depois do Casa Pia, a Democracia Portuguesa, o BPN, como atual condutor da "Galilei", a sociedade de mafiosos que substituiu a sigla SLN. De facto, retomando as palavras de António Arnaut, "não mais o Mestre poderia ascender na escadaria". Pudera...

O resto são titãs da concorrência, na sujidade e obscenidade: Opus Dei, Opus Gay, Opusdófila e toda a tessitura que percorre as diferentes mafias que ainda conseguem sustentar um simulacro de país, assente nos dinheiros turvos das mafias que nos utilizam os territórios, a do Futebol -- que até o Panteão quer agora colonizar... -- a da droga, a dos corpos, a da prostituição, a dos órgãos, a da pedofilia e aquela que ninguém ousa nomear, porque demasiado perigosa, a do plutónio. Num nível ainda mais profundo, está aquela camada geológica que agora constitui o neofascismo europeu, cujos adeptos e membros se encontram transversalmente em todo o espetro político, e vão tomar a Europa de assalto, nos próximos meses. Como dizia uma voz profética, no dia em que esta corja cair e tudo se galambizar, vocês vão então ver o que é a realidade...

Para que este texto não seja técnico e demasiado sério, uma coda de humor: o "Eco Sistema" de Pedro Miguel Ramos, um profundo trabalho de análise da decadência das relações num Estado em vias de se tornar pária, Portugal, deveria estabelecer imediatas parcerias com aqueles muito falados servidores de televisões por cabos, MEOs, ZONs, Vodafones e afins, para que as boxes já trouxessem integrado o organigrama: da cada vez que aparecesse um comentador, de tom e voz salvífica, apresentar mais uma "solução", incluindo velhinhas, funcionários públicos, cortes hospitalares, de segurança e de educação, para "salvar" o país que arruinou, a box tinha um piloto automático que a faria mudar automaticamente de canal. Confesso que seria difícil, e, às tantas, acabaria num daqueles que acabei, por exclusão de partes, por tanto visualizar, em Cabo Verde, a CNN... chinesa, imaginem.
As voltas que o Mundo dá.
Deve ser por isso que ele é mundo...



(Quarteto de pedido de despertar imediato da Opinião Pública Portuguesa, em homenagem a Pedro Miguel Cruz, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")