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terça-feira, 27 de maio de 2014

A aurora dourada do Syriza, na forma sublimada do "front populaire" de Marinho Pinto




Imagem do Kaos


Estava eu ontem, no "Frágil", naquele enlevo de alma, ledo e cego, que as sondagens não deixam durar muito, a esvaziar uma garrafa de "Black Vodka", com o Rui Tavares. Ele tinha apostado que enfiava dez amigos no Parlamento Europeu, mas eu, ligeiramente eurocético, continuei, até à última, a insistir em que ele nunca passaria de oito amigos, e um par de mamas, quando muito. Quando chegou o terremoto, ficou com o par de mamas na mão e um horroroso bafo de álcool, no ar. Pedi licença, e dei o fora, que a noite ia ser daquelas longas.

Como imaginam, isto é apenas a parte ficcional deste texto, pelo que vamos já à realidade, e a realidade é que que quero, do alto destas pirâmides, saudar o profundo civismo que representou a maioria absoluta representada pelos sessenta e muitos por cento de abstenção portuguesa. Para mim, perfecionista, teria ficado mais satisfeito com uns 70%, mas fica para as Legislativas.

O lado bom da coisa é que finalmente assisti a umas eleições onde todos perderam, subterrâneo desejo que tenho, sempre que começa uma daquelas mobilizações de branqueamento de capitais, a que chamam "Futebol", mas costumo ter menos sorte, embora continue em crer que lá chegaremos, um dia, por que é preciso variar.

Os vencedores, evidentemente, foram o "galambizado" PCP (alguém, alguma vez, ouviu o PCP não se afirmar vencedor de qualquer eleição?...), a Coreia do Norte, que vai estabelecer parcerias estratégicas com Angola, a Nádega de Assis, que conseguiu uma vitória "estrondosa" sobre toda a "Direita", que não de Assis; O Coelho e a Zsa Zsa Gabor, que conseguiram reenviar para Bruxelas, o outro Coelho, ainda mais medíocre do que o segundo, ou o primeiro, sei lá, coordenem como quiserem; o Bloco de Esquerda, que pôs lá uma de tal Marisa, para poder excitar a líbido entorpecida das cadeirinhas de rodas alemãs, e... e... e... o Marinho Pinto, uma espécie de coisa em forma de assim, que realmente surpreendeu, e provou o estado a que chegou a "Coisa" Europeia.

A verdade é que o redesenhar das bancadas parlamentares apenas veio confirmar o estado de desagregação e dissolução do Projeto Europeu, minado por neo-maoítas, neo-liberais, senis de 68 recauchutados, porteiras de Leste de estalinismos falidos, o ranço dos Centrões, os democratas ajoelhados, os socialistas empalhados e as grandes surpresas da noite, que só surpreenderam os surpreendidos, e que foi o cavalgar das Extremas.

A Senhora Le Pen conseguiu colocar lívida a infinita sapiência do Professor Marcelo, que nem com os maiores bochechos de demagogia conseguiu esconder o facto, e encabeçou a tal mancha de deputados que não se encaixam em lugar nenhum, mas se arriscam a pôr o Parlamento Europeu inteiro a ter de se encaixar neles.

Nesta altura, o Rui Tavares já tinha passado da previsão de eleição de 10 para 11 deputados do "Livre", e eu já nem um par de mamas lhe tinha para oferecer, pelo que lhe enchi o copo de "Vodka Negro" e lhe dizia, "bebe, filho, bebe, que faz bem beber, para esquecer...", pensando que o Parlamento Europeu já estava minado de gatos fedorentos e oportunistas suficientes que chegassem.

Num nível mais elevado de análise, é bom saber que o Sr. Kissinger, quando empurrou o "Cherne" para a Presidência da Comissão Europeia, como o primeiro-ministro mais medíocre da Europa, estava realmente a apostar no homem certo: Barroso deixa um Continente à beira da Guerra, da Grande Depressão, da desindustrialização, da Deflação, da ascensão dos extremismos, da glorificação dos neo-nazismos, com um oceano de desempregados, de miseráveis, de mafiosos, escroques, novos ricos, carteiristas de dinheiro sujo, e que passou a ser uma espécie de cano de esgoto mundial, debaixo das gargalhadas da Rússia, da China e dos países que nos chamam "Museu do Velho Mundo".

O meu sonho, confesso-vos, vão mesmo ser os profundos diálogos entre o Marinho Pinto, a Ana Gomes, nos dia da bêbeda, e a Marine Le Pen: qualquer coisa muito, mas muito, para lá da marinada imaginação da Teresa Guilherme.

O Rui Tavares dizia-me que eu era um exagerado, e o homenzinho até era sério, já que tinha feito dois cursos ao mesmo tempo, um, aos gritos, em cima das mesas da Faculdade de Direito, e o outro em cima das mesas da Faculdade de História, com o Livrinho de Mao Tse Tung nas manápulas, clamando por "APTOS", que tantos cursos honestos deram à canalha política que nos conduziu ao abismo presente. Eu, como sempre, mais modesto, defendi que Durão Barroso, de facto, tinha feito História, mas História da negra, como tantos bandalhos da sua laia. A preceito, só lhe falta agora uma "saída limpa", como a de Mussolini e da Clara Petacci, eventualmente, com o Aníbal de Boliqueime a medalhá-lo, mas pendurado pelos pés, ao esvoaçar de uma bandeira de caricas coloridas.

Felizmente há luar. Para vocês, que já imaginarem o que aí vem, e é bem feito, ai, tão bem feito, -- não é Rui, já para aí caído, no chão do "Frágil", a sonhar com 111 deputados... -- felizmente há esperança: quando já pensávamos ter batido no fundo, Pinto Balsemão, o Governo Sombra de Portugal, há quase meio século, depois de ter atingido um mínimo absoluto de pores do sol no Cairo, ao convidar Clara Ferreira Alves para Bilderberg, consegue agora melhorar a sua melhor marca, em 2014, ao convidar para Bilderberg-Copenhaga, uma das almas mais medíocres que já passou pela Universidade Nova, a gaja dos voos semanais para Paris, Inês de Medeiros. Sim, mais abaixo, seria difícial, eventualmente, a Ágata, ou a Romana, mas ele lá terá as suas razões: não nos esqueçamos de que o Centro Cultural de Belém está órfão de cavalgaduras, desde o óbito do outro...

Creio que o Patrão das Sombras, depois do pôr do sol no Cairo, estará agora a preparar, para Portugal, um amanhã de auroras douradas que cantam. Faz bem, aliás, muito bem, como já começaram a afirmar os "Mão Morta"...



(Quarteto das extremas, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 12 de novembro de 2013

As histórias da Joaninha, enquanto carochinha, seguidas de umas brutas chancelleradas de Machete, à moda de uma Troika Tea Partyda







Imagem do Kaos




Tanto quanto  me lembro, Portugal foi palco de uma luta feroz entre uma das últimas rainhas com horizontes, que tanto tinha de visão, como de puta, Carlota Joaquina de Bórbon y Bórbon, filha de Carlos IV, de Maria Luísa de Bourbon-Parma, e de Godoy (cavalo do bom, que comia o pai e a mãe...) -- na altura em que as putas ainda se podiam candidatar a rainhas, e não a ficar como meras apresentadoras de "trash", nas televisões públicas e privadas -- e o filho, Pedro de Bragança, depois, Imperador do Brasil.

A luta não foi por causa da tutela do Dinis Maria, mas por que o Senhor D. Pedro queria impor em Portugal, tal como fez no Brasil, uma coisa chamada Separação dos Poderes, que tem uma praça única, no Mundo, na fantástica Brasília -- um dos poucos sítios em que ainda me sinto em casa --, com o mesmo nome.

Como toda a gente sabe, o chamado 25 de abril foi uma agitação política que permitiu tirar uns cangalhos dos seus poleiros de Estado, para lá colocar uma série de outros, quiçá piores, porque não descolaram, até hoje, procriaram e infestaram a sociedade inteira. Trocando mutilados por pobres, pusémos uns territórios ultramarinos -- Portugal é dos poucos estados europeus que não tem territórios ultramarinos... -- nas mãos de algumas famílias honradas, como a Dos Santos, e seguimos para a primeira bancarrota. Também houve uns sobressaltos, do lado das Finanças, mas o Saloio de Boliqueime encarregou-se de repor tudo, em pior, durante os dez anos em que esteve a arruinar Portugal, como Primeiro Ministro. Coisas que lá vão, embora tendo deixado doloroso rasto, como o que estamos presentemente a viver.

Quanto aos Tribunais, como se sabe, não sofreram a lavagem que deveriam, e continuaram a manter a sua velha forma, que vinha da Santa Inquisição, e depois sofreu um aggiornamento, transformando-os em Tribunais Plenários, no qual a vítima era sumariamente condenada, sem direito de defesa, às ordens do Maior Português de Sempre, até chegar ao estado presente, em que as condenações são como o boletim meteorológico, e têm oscilações, entre a freira que é condenada por não pagar bilhete e a prescrição do homicídio dos hemofílicos pela Leonor Beleza, assim, muito só por alto.

Passados estes anos turbulentos, emergiu uma coisa chamada FMI, que era uma espécie de porquinho das moedas internacional, que, sempre que um país estava aflito, se partia, para dar umas moeditas ao desgraçado, com a condição de que, se se sentisse pior, ficava a dever dois porquinhos das moedas cheios, a quem lhe dera o primeiro...

O FMI, entre muitas coisas, foi um dos rostos que os países ditos "civilizados" tinham de manter oprimidos por dívidas monumentais os chamados países do Terceiro Mundo. Com a Globalização, tudo passou a ser Terceiro Mundo, e uma alma boa lembrou-se de que a escravização colonial (financeira) dos territórios ricos em recursos podia -- et pour quoi pas? -- ser estendida à decrépita Europa. O processo não teve nada de especial, e caímos que nem patinhos, porque, ao colocar nas mãos do Banco Central Europeu, através do Tratado de Lisboa, também conhecido por Tratado do "Porreiro-Pá", ou Tratado de Bilderberg, a gestão, ou amordaçamento financeiro dos estados europeus, retirava-lhes qualquer autonomia na chamada Política Monetária, que correspondia a dar uns jeitos nos valores das moedas, jogar com flutuações cambiais, ou fazer injeções locais de capitais, para permitir que corressemos decentemente.

Chegada a praga Obama, uma alma, ou várias, almas boas lembraram-se de que, estando amordaçados, agrilhoados, com sapatos de cimento, e subservientes todas as economias clássicas do Velho Continente, por que não aplicar-lhes as receita de décadas atrás, de as arruinar, enquanto estados, utilizando um espantoso cavalo do tróia, essas estranhas organizações transnacionais e sem rosto, Troikas, FMI, Bancos Mundiais, Goldman Sachs, Agências de Rating, que passaram, em estados impotentes para se defenderem, a permitir a ingestão de órgãos financeiros externos nas suas políticas nacionais mais estruturantes e estruturais?...

O resultado está à vista: um, após outro, os países europeus estão a cair em situações de pobreza extrema, caciquismo, extremismo de desigualdade social, excentricidades de cristianos ronaldos a par com bairros, vilas, cidades, inteiros, caídos na miséria, festas da Baía de Luanda e beach parties de Moscovo, onde nem praia há, exceto os arenais da Mafia da coca, dos corpos e do Futebol.

Confessemos que a coisa foi bem preparada, estudada, e aplicada. Evidentemente que, dentro das "fronteiras" fictícias destes espaços pilhados, era necessário manter enterteiners bem pagos, marcelos, sócrates, putas ferreiras alves, anões de Fafe, medinas carreiras e tantos outros, para "explicarem" ao povinho, hipnotizado, como a coisa era boa. Claro que o nosso típico pendor masoquista tornou este ajuntamento de pessoas, que D. Afonso Henrique teria, hoje, vergonha de revisitar, em um dos palcos ideais para a "experiência", que se traduz numa única frase: como injectar numa crisálida indefesa, os ovos do mosquito parasita, que o vão devorar em vida, para depois sair em liberdade de infetar as populações em redor?...

A crisálida indefesa é a Europa, transformada num estado global, em vias de se tornar terceiro mundistas, enquanto o Obama e amigos tentam salvar um estado outrora sério, e agora à beira de uma bancarrora monumental.

É curioso que, com tantas brilhantes cabeças, tantas teodoras, tantos ulrichs, tantos cabrões como o catroga, tantos outros, andem a olhar para números como 3%, enquanto os seus patrões americanos se dão ao luxo de terem desvios de contas da ordem dos quatrilões, todos eles nas mãos especuladoras da China, da Rússia e de estados pária, como a Arábia Saudita, ninho do terrorismo, ninguém tenha dado uma punhada na mesa e dito "basta".

O meu desconhecimento da teia global leva-me a descer aos patamares da porcalhota: cito Vítor Constâncio, um dos maiores canalhas da contemporaneidade; o traidor da pátria, Durão Barroso, um agente do Tea Party, depois de ter sido agente de Mao Tse Tung, e que hoje se descaiu -- obviamente por vingança, por que a criatura realmente não presta -- depois de ter sido criticado por andar a pressionar o Tribunal Constitucional, lembrar que talvez o Tribunal não fosse o que pensávamos, já que tinha lá dentro um Machete júnior... Como podem imaginar, isso são trocos, para quem já tem um Machete sénior, nos Negócios Estrangeiros (!), onde já deu vastas provas de que, apesar de agente da CIA, como o Amado, e tantos outros, também serve Angola, a China e tudo o que estiver à mão.


Para terminar como comecei, Carlota Joaquina tinha razão: era o tempo das putas, e os poderes nunca deveriam ter sido separados, mantendo-se a lógica do absolutismo, e juntando aos três poderes o poder da Finança, que é hoje primordial: todos os outros não passam de meros bobos da Corte.

O pai macheta no Governo, enquanto o filho chancerella no Constitucional, e o neto lá será um Dinis Maria: é normal, só que ligeiramente, muito ligeiramente, mais discreto do que na Coreia do Norte.

A esperança, mas esta é um boutade críptica, é que a Joaninha, muito conhecida pela sua ombridade, já que nos belos tempos da passa ficava incomodada com os procuradores todos envolvidos em festas nebulosas de haxe, e os seguranças cá fora, a vigiar, sem saberem o refustedo que ia lá dentro, ponha um pouco de ordem nesta coisa, e olhem que eu até gosto dela, senão, sinceramente, só mesmo os militares, e já vêm atrasados, muito atrasados, meus amigos, muito atrasados...


(Quarteto chancerelle de machete, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 10 de setembro de 2013

SIRÃO: o retrato preto de obama ao negro





Imagem do Kaos


Acho que devo ser dos poucos vegetais europeus que, ainda a criatura não tinha sido eleita, e já eu lhe tinha feito o retrato futuro. Como sou generoso, em vez de Obama, sempre fui um acérrimo defensor de Sarah Palin, já que acho que não devemos guardar o bom só para nós, e era a altura certa de a América poder usufruir de uma Clara Pinto Correia, ou de uma Clara Ferreira Alves, em vez de sermos egoístas, e querermos continuar a gozar, solitariamente, de tais tesouros. A América não entendeu assim, não percebeu que Sarah Palin era a sua quinta essência, tal como Salazar foi a nossa, durante quarenta anos, e o Saloio do Aníbal cumpriu mais vinte. Cada povo tem o que merece, e a América ficou em situação de carência, no dia em que cometeu o ato mais racista de que há memória na sua história: eleger um presidente por causa de uma cor de pele.

Se isto não é o racismo, então, onde é que está o racismo?...

Sociologicamente, a coisa ainda foi pior, porque, num país cheia de raças e etnias, resolveram dar a sala oval a um tipo que pretendia ser porta voz, se não me falha o número, de 15% da população, mais ou menos, aquilo que Cavaco representa, entre nós, sinal de que até estamos avançados, e superpotentes. Teria sido mais complicado colocar na Casa Branca um riqueño, ou um mexicano, não fosse a enorme massa de clandestinos, desempregados, párias e excluídos, pensar que iam ter uma voz ativa, e desatar a invadir aquilo tudo, por ali dentro, estendendo a favela, que hoje é Berverly Hills, a toda a América.

Quiseram Obama, e lá tiveram Obama, sem se darem conta de uma coisa extraordinaríssima, que era a de ser a primeira vez que o Presidente Americano era eleito por escrutinadores... não americanos.

Obama foi o voto dos Senis de Sessenta e Oito, dos Utopistas da Sanita, dos Escandinavos, das feministas queima sutiãs, da paneleiragem internacional, do Fufão Global, da Grande Nação Monhé, dos blocos esquerdizados de toda a parte, das ratas úmidas de Che Guevara, das masturbações da Ana Drago, das pielas da Ana Gomes, dos feiticeiros do Quénia, da Oprah, dos solitários do charro, e dos barbas brancas da velha balada dos dentes amarelos, enfim, no fundo, uma enorme maré negra, que estava à espera de votar, desde que a Europa tinha metido na cabeça de que o supra sumo da libertação americana seria ter, em Washington, uma coisa mestiça, tipo propaganda da Benetton, dentes brancos, vaidade ótima, e vazio total.

Nos bastidores, NSA, CIA, FBI, Ultradireita, Fundamentalistas, Racistas, Ku-Klux-Klan, Goldman Sachs, Citibank, Morgan Bank e uma porrada de parentes, o enorme Tea Party Americano, esfregou as mãos, sentou-se calmamente à mesa, mandou vir o bule, e serviu a bebida de Catarina de Bragança, com um suspiro de alívio, do pronto, já está, já caíram todos...

Vou fazer um pequeno parêntesis, porque neste texto, assumidamente assertivo, há uma dúvida que ainda se me põe: a de o gajo saber que foi uma peça insignificante de uma jogada magistral, ou continua no seu coxo we can, que a plateia sombria que o apoia, can, can, aliás cancan, francês, inventou, e inclino-me mais para a segunda hipótese, a de que ele só vai acordar, quando o Mundo se vir imerso numa coisa sem paralelo. Creio que nisto tudo, só Israel, por natureza própria, um estado que sabe, que mais tarde ou mais cedo, terá de lutar contra uma ordem de extermínio global, percebeu quem era o bicho, e que bichos realmente estavam por detrás dele, e aqui tiro o chapéu ao estado judaico: lá terá de ser.

A Síria não interessa nem ao menino Jesus, tanto que, se interessasse, ele tinha nascido lá, e não mais abaixo, na Galileia, filho do adultério de uma mulher de carpinteiro, mal coberta, e de uma "pombinha", daquela que pingam leite, rija, e de pintelheira negra, e como a Síria não interessa a ninguém, deram-na à França, num texto que escrevi há uns tempos, onde os Patriarcas do Oriente, reunidos em Paris, cruamente definiram a situação: havia que destruir, para depois virem as empresas de reconstrução, e um povo arruinado ficar endividado ad aeternum, aos beneméritos do costume. Afora isso, é a capital do Califado, o Reino de Ugarit, um dos berços da Escrita, Palmyra, Émesa, a Terra dos Cruzados e de Saladino e um monte de ninharias dessas: nada que se compare às barrigas de aluguer de Cristiano Ronaldo.

Quanto às armas químicas, deve ser a primeira vez, neste cenário, em que TODA a gente tem a certeza de que existem, porque toda a gente guardou os recibos, com a agravante de que estão lá as do Assad -- um gajo simpático, nas palavras de Duarte de Bragança, o que prova que a oligofrenia não tem fronteiras, nem limites... -- mais as do Saddam Hussein, que as retirou, antes da forte encornada do Bush filho, e mais as que estão na mão dos terroristas da zona, Hamas, Ezbollah, Al Qaeda, "rebeldes" infiltrados e uma batelada de sonhadores das 11 000 virgens. A única coisa certa nisto tudo, é que não vai haver virgens para tantos que lá vão ficar, a não ser que a Pilar del Rio cosa a cona com fio de sola de sapateiro, e se ofereça, como voluntária, para acolher os milhões de esfomeados que ali vão morrer, e milhões é um número que se arrisca a aproximar da realidade.

O xadrez é muito complexo: a Turquia, ávida, sonha com a divisão da Síria, uma coisa que já devia ter sido feita, aquando da Guerra do Iraque, para resolver o problema curdo, criando um estado tampão, com retalhos do que ficar do cataclismo, e isso não é mau, já que Alepo, que nunca soube ser uma cidade síria, era a segunda cidade do assassinado Império Otomano, e, portanto, está perante uma oportunidade única, enquanto potência regional, de ver as suas fronteiras, pela primeira vez num século, alargadas. Não foi por acaso que foi lançado a 21 de agosto, o livro Manizkert, 1071, que tenho aqui na cabeceira, mas esta é apenas uma boutade para eruditos, portanto, vamos continuar.

Como toda a gente percebeu, exceto Obama, a Síria chama-se Irão, como muito bem percebeu o meu amigo de Facebook, cujo nome não convém pôr aqui, ex-Chefe dos Guardas da Imperatriz Farah Diba Pahlevi, e o Irão é uma Nação Persa, desde há milénios, indevidamente ocupada por uma religião estranha, sufocante, que lhe escolheu o território, para sede de um fundamentalismo atroz, apadrinhado pela clássica estupidez francesa, que julga que os criminosos exilados são sempre "intelectuais". São, são, e saiu-lhes cara a brincadeira, tal qual como no Egito.

Ora quem soletra Irão está a dizer, por outras palavras, Israel, o primeiro lugar onde o escarumba Obama vai perceber que não há guerrinhas do toca e foge, e vai ficar agarrado à corrente, talqualmente aqueles que metem os dedos diretamente na tomada. Sinceramente, preferia acabar o texto já aqui, porque esgotei o meu capital de humor, sobre uma coisa que não vai ter graça nenhuma, e ficaria pelas negociações que o caneco já andou a fazer pela Islândia e Escandinávia, para garantir um corredor aéreo de ataque, pelo Pólo Norte, que ponha os saloios da Base das Lajes de fora, e pelo grande atentado que deve estar aí a vir, para galvanizar a opinião pública.

Todavia, quero deixar uma palavra de carinho, para os pacifistas -- os do costume -- que decidiram sair para a rua, depois de 100 000 mortos e 7 000 000 de pessoas que perderam a casa, para não falar das gerações liquidadas, a estrebucharem nos horrores dos químicos, e da escola que perderão, para sempre. Os pacifistas, depois, vão-lhe dar aulas, como o Papa Francisquinho vai ser padrinho -- e alimentar -- todas as barrigas queridinhas, que impediu de abortar, em sessões de sexphone, para ainda aumentar mais a poluição humana no Mundo.

Há um lema da História Contemporânea que diz que os Americanos são sempre derrotados, e transformam os seus campos de batalha em enormes pântanos de irresolubilidade. Este vai ser espantoso, porque vai brilhar no escuro, como previu Arthur C. Clarke: uma grande metrópole será destruída, nuclearmente, nos primeiros anos da segunda década do séc. XXI. É melhor não entrarmos num sistema de apostas, e fazer de conta que errou, embora tenha uma vantagem: a de que já não tenhamos de ir a Fukushima para poder tirar umas fotozinhas de radioatividade.

Como já disse, estou muito longe do humor. Fizeram-lhe bem a cama, e a ratoeira foi brilhantemente montada, para todos os idealistas das "cores de pele": um primeiro mandato para destruir o Euro, e o segundo, para carregar no botão de uma guerra nuclear. Na verdade, estou seriamente incomodado por, e com, um mundo à beira da guerra, da guerra suja, da guerra total, durante um tempo sem políticos, regido por seitas, mafias, e como disse o totó do Vaticano, nas mãos mais evidentes da indústria do armamento. Talvez Obama fique "zangado", quando vir de que modo vai marcar o seu nome na História, e aqui voltamos à base: com Sarah Palin, nunca haveria guerra na Síria, porque ela nem sabe onde isso fica. Este finge que sabe, enquanto o Tea Party vai estar de costas viradas para a aurora boreal nuclear, e vai continuar a fazer girar o bule, e o açúcar na chávena, com um comentário à altura do acontecimento, realmente, nós nunca deveríamos ter deixado um preto chegar à frente dos destinos da América, não acham?... Acho que não devemos deixar que se repita, durante os próximos cem anos.
Mais uma chávena, por favor.

O cinismo absoluto, infelizmente, é capaz destas frases, e de ter estas formas, pois é, e tem mesmo.



(Quarteto do armagedão, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" em "The Braganza Mothers")