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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Marcelo Rebelo de Rans









2016 é um ano que nasce desde já em glória, pelo facto simples de que, aconteça o que acontecer, será o ano em que nos vamos livrar de Aníbal de Boliqueime. Há correntes que apontam para um livrar simples, e outras que antes apostam num livrar na generalidade; há mesmo os mais radicais, que chegam a falar de um livrar do Cavaco em profundidade, mas isso é improvável e quase impossível, já que a ligação entre o idiossincrático nacional e o sarro de boliqueime está ao nível do siamesismo incompleto das narcisas que nasceram unidas pelos falópios. Fiquemos, pois, pelo livrar simples, já que o próprio livrar na generalidade tem o que se lhe diga, e também lá iremos, um pouco mais tarde, quando lá chegarmos.

O Vacão de Boliqueime, uma coisa parda e cinza, que os vindouros virão a adorar dourar, ou ainda ensombrecer mais, conseguiu alguns dos feitos mais espantosos da Democracia, o último dos quais o de lograr degradar o seu posto de Presidente ao ponto de o tornar quase irrelevante. Assim sendo, e tanto quanto se percebe, só algumas afinações mais afinadas tiveram a coragem de dizer que a "campanha" em curso era um desastre, e é, já que, pela primeira vez na curta história do parlamentarismo restaurado, os figurantes que se apresentaram a concurso não demostravam virtude alguma e apenas um prolongado lençol de ausência de qualidadesPor outro lado, conseguiu algo de notável, o de mostrar que quem aguentou dez anos de Presidência em sede vacante poderá ainda aguentar os mais dez que agora se prefiguram.

Como não sou comentador político, posso-me permitir focar a coisa por onde bem entendo, e vamos já para uma perspetiva aritmética, posto que contar pelos dedos continua a ser a melhor defesa ancestral. Desse modo, se começarmos a folhear falanges, poderemos dividir os "candidatos" em três, se não quatro, categorias elementares: há os que vão conhecer as dezenas, os que nunca vão descolar das unidades, e aqueles que se poderão dar por muito felizes, se chegarem ao fim medidos pelas décimas. Creio que poderá ainda haver os das centésimas, mas o custo das lupas torna-os , neste momento, insignificantes, embora talvez lá passemos, se sobrar algum tecido para tais bainhas.

Comecemos, pois, pelas damas de honor desta Masque, e não preciso de as apresentar, já que diariamente se esgatanham, na sua imparável irrelevância: Maria de Belém é pequena e tem uma voz fininha, ou talvez não, é mais um timbre curto de latas, uma voz maneirinha, que, nos filmes de má captação de outrora, estava reservado às telefonistas, o dia inteiro sentadas num naperon de poltrona, com os pezinhos a abanar, e dar que dar, a dois palmos de distância de uma chauffage enferrujada. Aparentemente, ninguém sabe de onde a mulher veio, mas há uma sólida unanimidade sobre onde se irá apagar, e isso é bom, já que testemunha uma certa maturidade da nossa opinião coletiva. Com tal certeza de Opinião Pública, nada mais quero, pois, acrescentar, exceto um breve comentário musical: sendo a meã de voz contida e pouco fôlego, cantadora pouco extensa, talvez pudesse ter tido a sorte de um Walter Legge que a fizesse schwartzkopffizar, mas não teve, e vai acabar mesmo nas pastelarias, com um caniche pela trela, e uma torrada à frente, ou a fazer de guia turístico de visitas de chefes de estado a lares de velhinhos. Do outro lado, não melhor, nem pior, temos o Nódoa, uma coisa despejada dos aventais, e convictamente convencida de que vai ganhar. Continuo sem perceber o que é que ele vai ganhar, e quando e onde, mas nestas coisas, a fé é muito importante, já que continua associada a todas as curas de males desenganados, ou seja, jogando com as palavras, se o Nódoa está assim tão convicto de qualquer coisa que eu não entendo, que desagradável iria eu ser, nesta fase do campeonato, a vi-lo aquilo desenganar, não é?.... Servem, para isso, as urnas. Do lado da clínica, a coisa é mais severa, já que os doutores do gótico, quando o ouvissem falar, empurrariam, com o indicador, as lunetas para a cana do nariz, um profundo "hummm", e estava feito o diagnóstico, já que os pátios de todos os júlios de matos do planeta estão cheios destas síndromas napoleónicas. A verdade é que nunca se investiu tanto para se ser derrotado. Sei que me estão a fazer sinais, já que não esclareci qual, destes dois, incarnará a primeira e a a segunda dama, e realmente não sei, mas posso dar uma pequena pista, singularmente cínica: tudo o que o Manuel Alegre apoia perde sempre, pelo que se devem informar sobre se apoiou algum dos dois. Desconheço e ignoro, mas deverá bater certo.

A terceira dama é mais interessante, já que foi, ou ainda é -- desculpem-me a ignorância -- padre. Creio que a sua eleição corresponderia a um ensaio de transformar a presidência numa teocracia, o que seria original, e, por que não, uma experiência do "tempo novo", como diz o Nódoa, entre cilícios e aventais, a mostrar que aprendeu bem a lição do Balaguer, regurgitado pelo Hirto e Firme Eanes, outra sombra que "tarde" em desaparecer. Como não será eleito, fica o seu contributo para esta campanha penosa: é um homem que não sabe, e um padre que não crê -- ele, pecador, se confessa -- e o que não sabe vai ao ponto de não saber se a Coreia do Norte é uma ditadura. Quando, depois de Cavaco, pensamos ter batido nos mínimos, descobrimos agora que ainda faltava este mínimo dos mínimos: seria fantástico chegar a um presidente cuja geopolítica até ignorasse os sinais tintos coreanos. Edgar deve ser o nosso Donald Trump, e assim já está cumprido, e iremos, pois, passar adiante. Parece que o seu destino será, para o final do mês, depois de vir a terreno contar espingardas, ir dançar a rumba em Periscoxe, na linhagem dinástica do velho Cunhal.

A Marisa, com voz grossa, não tem qualquer estilo para dama de honor, e nem sequer sabe o que irá fazer com as suas poucas unidades, e nós ainda sabemos menos. Parece ter chegado como renovadora, mas esse pano já está irremediavelmente desgastado, e o seu estilo selfie dos cartazes não vai chegar para quaisquer veleidades e arranques mortagueiros, pelo que as suas percentagens não vão servir em nenhuma contabilidade, e muito menos na da própria. E aqui chegamos ao domínio do microscópico, com a última unidade a ser piedosamente dada ao Henrique Neto, um "engenheiro" com o mesmo nível de titularidade e diploma do de Vilar de Maçada. A partir daqui, temos de seguir na longa deriva do cómico, com um primeiro que diz ser contra a corrupção, mas soube servir bem, na Câmara do Porto, um lugar de gente séria, limpa e honrada, e um outro que se apresenta como "orador motivacional", para terminarmos num outro ainda, que deve ser mesmo finalizador, já que nem eu, nem ele, nem ninguém, sabemos sequer quem seja.

Ora, chegados a este momento, fica-nos pouco, mas fica-nos um certo modo do essencial, já que finalmente nos sobram os grandes titãs desta enorme paródia presidencial, o Tino de Rans e o Tino de Celorico de Basto. Em bom abono da verdade, há uma certa dificuldade em distingui-los, já que, para o meu ecossistema, muito egoisticamente confinado ao pendular do metro entre Roma e o Alvalade, Rans e Celorico de Basto são toponimicamente equivalentes, e não são cobertos pelo seguro nem pelo passe urbano... Eu sei que não, e... e... estão-me ali ao fundo a fazer sinais para ter cuidado com o que digo..., e... e... eu vou tentar ser mais cirúrgico: o Tino de Celorico de Basto, que agora se pretende apresentar como politicamente virgem, tem tudo menos virgindade e a sua política é demasiado extensa, perversa e antiga. Há mesmo quem diga que o Tino de Celorico incarna uma sacrossanta trindade, constituída pelo DDT Salgado, o dono disto tudo, passando pois pelo CDT de Boliqueime, o culpado disto tudo, e lá acabando no JDT de Sousa, o justificador disto tudo. Com efeito, tal como eu vos estou aqui, depois dos meus sete longos parágrafos, a sistematicamente enganar, com a coleante mentira da Escrita, também o Tino de Baixo, um sofista, ou "orador motivacional", acabado, anda, há quatro décadas, a enganar, dia após dia, semana após semana, mês após mês, o incauto espectador.

Ninguém, mais do que Marcelo Rebelo de Sousa, nas suas conversas em família do segundo marcelismo, encontrou uma permanente justificação para o permanente desastre nacional. 

Marcelo é como o Atun das cosmologias do Egito Antigo, o deus primordial, onanista, que ejacula e ejaculará todo o devir presente. Iludido na sua permanente retórica, afundado nos miasmas da sofistica, confundindo a forma e essência, verbum sine verbo, ele tornou aceitáveis todas as bancarrotas, toda a falência dos sistemas financeiro, educativo e de saúde, todo o desemprego, a iliteracia, a ignomínia cultural, o esclavagismo do trabalho, o aventalismo e o opusdeismo, o nacional porreirismo, a insolvência, a incompetência, o compadrio e a mediania, a república e até a monarquia. Todo o discurso de Marcelo não consegue ir além de uma permanente teodiceia, sempre explicadora dos sucessivos males do Mundo com uma perpétua expectativa de reencontro com um espantoso Bem inicial: à falta de uma saudosa fusão com a Ação Nacional Popular, Marcelo passa o tempo a convidar-nos para uma perpétua boda envenenada com o Centrão, e, em dias de maior enlevo e volúpia, mesmo com o mais genuíno PPD profundo. Em décadas de orfandade, ele preparou minuciosamente o retorno de um inviável segundo marcelismo. Em 40 anos de campanha, Marcelo conseguiu transformar o declínio da nacionalidade numas permanentes núpcias de Cadmo e Harmonia.

Marcelo não passa de um homem da intriga do período final do Estado Novo, entubado por azar numa Democracia de valores agonizantes.

Se o Regime tivesse continuado, talvez Marcelo tivesse alcançado um lugar invejável, mas só no sopé das montanhas dos titãs, pois, com a queda dessa parda montanha, deu consigo a andar tão só às voltas, em redor da própria cauda. Marcelo é um ator presente de um cenário desaparecido, numa peça mal interrompida, e ameaça arrastar-nos na volúpia do seu desastre. Como Cavaco, teve o azar de o regime se lhe desmoronar aos pés, justamente numa fase inicial de ascensão. Com o tempo, nem precisaram de se esforçar para subir mais, posto que a nova situação se degradara de tal modo, ao ponto de bastar avançar com os dois pés, para lhe poder passar por cima. Cavaco assim o fez, e assim nos arruinou: chegou agora a vez de Marcelo, com a diferença de que o primeiro, anestesiado pela sua doença, nem nunca percebesse o que lhe estava a acontecer, enquanto o segundo, infinitamente mais hábil e palatino, só tem agora um receio, o de que possa ganhar estas eleições, dado o estado de impotência do próprio cenário eleitoral.

Em boa verdade vos digo, este é o tempo das Rans que queriam ser Boys.

Iremos acabar com alguma dolência e musicalidade. Com alguma calma, lhe recomendamos, leitor, o bem da serenidade, e, para que não pense que o poderia, ou quereria, deixar com algum sinal de desespero, ou sem esperança, o alerto para o facto de que, mais importante do que uma primeira, ou, sequer, do que uma segunda volta, tudo se irá jogar na terceira, quando, contados os votos, e suicidadas as pequenas vaidades, que, penosamente, tivemos de ver arrastar, o vencedor, ainda mal refeito da vitória, irá assistir a um cenário do improvável, dado que, contou-me um passarinho, todos aqueles restos e sobras que vão ser as percentagens de nove destes dez candidatos, se irão coligar, para constituir uma sólida bolsa de percentagem de vencidos, capaz de derrotar qualquer vencedor. Como diria o PCP, só não se presidenciará o perdedor se não quiser, bastando, para tanto, coligar-se com os outros perdedores, e esta é a mensagem de esperança que vos quero deixar: neste "tempo novo", tempo novíssimo, só muito depois de contados os votos, e de o ganhador ter anunciado a vitória, iremos saber quem realmente triunfou, fruto desta aritmética da congeminação e da conspiração. Podem achar que estou a exagerar, mas não estou: o próprio comentador Marcelo já montou um gabinete de crise, para poder perder, caso o Marcelo Presidente tenha o azar de ganhar, já que essa vitória seria um brutal decréscimo dos seus rendimentos de "Professor", posto que, muito acima, dos 292 000 do Rey de España, parece que anda a ganhar na casa dos  385 000 €/ano. Para ele, o mundo perfeito é já hoje, pardo, estático e imutável.

Se procuravam um justo retrato da decadência plutocrática do país, ele aqui está, cifrado em números, e nestes candidatos, que se confundem com a sua própria caricatura, e tudo o resto são trocos e teatradas, pelo que, em boa verdade vos digo que, assim sendo, no dia 24, será expectável, justo, e merecido, tal como previ, que o Palácio de Belém seja dignamente ocupado por um qualquer impante Tino, capaz de substituir o miserável cadáver adiado de Boliqueime, por que, depois das crises dos BPN, do BPP, do Banif e do Bes, nós precisamos de quem nos acompanhe, nestas horas de angústia da CGD, do Montepio e do BPI.

Já está perto, não está?...



(Quarteto das Rans que queriam ser Bois, no "Arrebenta Sol", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Transcrições das escutas da "Operação Marquês" - "Agora, é só "dumping" na construção civil, e os Dragões, na Macroaxis, já vão com risco de falência de 73%... esta merda está mesmo em risco de ir pelo cano, carago..."








Imagem do Kaos




Do CD 56, da série "collector's prize" do procurador Rosário Teixeira

(1.00 da manhã, toca o telefone no quarto da Praia da Restinga. A Soares fêmea já está de rolos na cabeça)

R.P.S. - 'Tou... Quem fala?

C.S.S. - É o Carlos, meu sucateiro. O Zé já me telefonou a dizer que falaste para ele...

R.P.S. - Pois falei, o gajo anda meio enconado com aquela cena das presidenciais, mas acho que bem conversado, de aqui a dois anos, o gajo vai..., ele precisa daquilo..., o bichinho está lá dentro... é genético, porra (risos)

C.S.S. - E tu vais ficar aí no Algarve?

R.P.S. - Pá, a patroa está outra vez com os reumáticos, quer solzinho na coluna e nas bifanas, não é minha troncha?... (ruído de palmada nas coxas) Estás rijinha, tás!... Ai, o caralho, um gajo já não te pode tocar que tu viras-te logo!... Ó, ó, ó, p'a ela, olha a gaja a virar-se a mim!... Tá quieta, chavala, que eu estou ao telefone!... 'Tou nos negócios!... Ai, o caralho, tás a ver a gaja, parece que está aluada!... Tá quieta, só te estava a dar umas palmadas nessa cu, amanhã já vamos à praia, e vamos almoçar ao "Gigi", vamos ter com a Sunsum... Sim... tá quieta, amanhã vamos falar com a Sunsum... no "Gigi"... e a Sunsum vai trazer roupa nova que não usa, para ti... Tás a ver como gostas?... Já mias como uma gatinha, fofinha..., e esse cuzinho é todo meu, não é?... Tá quieta, que eu estou ao telefone, ai, o caraças!...

C.S.S. - Ainda estás aí?...

R.P.S. - Tou..., espera que estou a amansar esta tarzana... Tá quieta, mulher, que eu estou ao telefone, ai, esta porra... Portanto, é assim, eu agora só vou para o Norte depois do fim de semana. Amanhã temos o Mourinho, e...

C.S.S. - O Mourinho?... Então vai haver caixas de fotocópias...

R.P.S. - Vai, pois vai, há sempre, aquela merda do "Conrad" está sempre cheia, é uma verdadeira fábrica de fotocópias... (risos) Só mulatas, daquelas muy calientes, olé, olé... (pausa) Tá quieta, pá, já estás com ciúmes, caralho..., eu estou a falar de gajas, mas é em negócios, é ou não, ó Carlos?... (risos) estamos aqui ao telemóvel, a falar de negócios, não é?... (risos) Portanto, as gajas.... fogo, parece o Norte, quando chega a primavera..., não é uma brasileira que faz a primavera, uma brasileira faz uma casa de... tá quieta, pá, já te disse que estou só na palhaçada com o Carlos!... Tu levas tudo a sério, carago, alguma vez me viste com alguma brasileira?... (risos) Tá quieta, que me 'tás a arranhar!... E então acho que vamos ficar assim, portanto

C.S.S. - Por mim, amanhã tenho uma reunião com a "Abrantina", e vamos falar com o Portas e com o Machete, para ver se desbloqueiam aquela merda na Colômbia, aquilo, se der certo, é um negócio do caralho, não se pode é dar muita bandeira, senão a concorrência sabe...

R.P.S. - Isso da construção civil, tirando Angola, está mau para caralho, qualquer dia, um gajo para se safar, tem de ir especular casas de esquimós.... (risos) vamos vender gelo para o Alaska, pá, com o Zé e a mãe dele (risos)

C.S.S. - E mandas a Nanda instalar lá um canal cabo, para dar concursos aos ursos polares... (risos)

R.P.S - Aos ursos polares, carago (risos) A velha vai vender a "Sentinela" aos esquimós e a outra assinaturas do "DN", com brindes de gelados, às focas, foda-se!... (risos)

C.S.S. - Então, é assim, agora, o gajo da "Abrantina" está a puxar-me para uma cena que é a única maneira de um gajo se safar...

R.P.S. - Se é para se safar já me interessa. Conta lá, que eu sou todo "óvidos", carago!...

C.S.S. - ... faz-se como nos hipermercados, como aqueles cabrões daqueles teus amigos da Sonae, as gajas vão com o carrinho de compras, vão sempre ao cheiro das coisas baratas, desde que a etiqueta tenha o preço curto, as gajas compram qualquer coisa, e eles pagam, é o fadinho do subúrbio, as castanholas do bairro social, as goelas aos gritos e o pessoal a faturar, pergunta lá ao teu amigo..., quando fores para cima, perguntas lá ao teu amigo dos pingos doces da Polónia como é que ele se safa, mas eu digo-te já... então a cena é assim, o leite eles vendem abaixo do custo de compra, e em compensação carregam no lucro das superbocks e das sagres, o leite eles até bebem pouco, mas as grades marcham umas atrás das outras, então com os derbies, fogo, é sempre a aviar, e aquela merda, tudo somadinho... um gajo ganha sempre a dobrar, e sai tudo satisfeito, em duas tardes, deixam lá o cheque todo da reinserção social, nas caixas da Matinha, e o teu amigo Belmiro depois é só Dom Pérignons, para trás, Dom Pérignons para a frente, em Cannes (risos)

R.P.S - Essa merda é o "dumping", não é?...

C.S.S. - Acho que sim, que eu, para línguas, já sabes... língua só de vaca, estufadinha, e bem regada com uma Periquita tinta... (risos) Só sei que essa merda é o que está a dar. os gajos carregam nos pretos e nos zucas, as obras são todas a dobrar, na Matola e na Tijuca, e aqui, nas metrópoles, vão ao concurso, muito à rasquinha, muito abaixo do custo, ganham tudo, tudo!... Há aí um gajo que qualquer dia é o dono desta merda toda, parece que vão fazer o terminal dos paquetes de Lisboa ao custo de umas barracadas de Chelas, e vai ser sempre a aviar, e quem não estiver bem que se mude, um gajo tem de viver, é, ou não é?...

R.P.S. - Ganda verdade, meu

C.S.S. - Agora, esta cena está mesmo má, e quando fores para cima é melhor dizeres ao teu patrão, isto já corre lá nos meios todos, parece que está tudo a meio caminho da bancarrota...

R.P.S - Banca... quê?...

C.S.S. - É uma cena, a Macroaxis, está sempre a faturar, a faturar, para ver quem vai ao fundo primeiro..., esta merda está mesmo má, o Banif tem risco de falência de 50%, porra, parece que os gajos andam a aguentar, a aguentar, a aguentar, a disfarçar aquela merda toda, mas o risco é mesmo de uma em duas, e pode ser amanhã, depois de amanhã, pode já ser no fim de semana.... ninguém sabe...

R.P.S. - Foda-se, esta merda está mesmo má, o melhor é um gajo bazar daqui, como o Zé... Olha lá, tu conheces Paris?... Diz que aquilo é muito grande, uma cidade só de gajas... (pausa) Tá quieta, pá!... Acordaste outra vez?... Para quieta, foda-se!... Ai, o caralho...

C.S.S. - ... o problema não são os bancos... isto do lado do Futebol está tudo roto...

R.P.S - O Futebol está roto???... Alto aí, que essa cena já me interessa!... Que é que tu sabes do Futebol, por que é que o Futebol está todo roto?... Vá, pá, vá, explica-te!...

C.S.S. - Mano, nada que não se saiba, esta merda tinha de estoirar... Os pretos tomaram tudo do Sporting, e o Benfica está todo fodido, essa cena da Macroaxis já chutou com uma previsão: 50% de falir já...

R.P.S. - É bem feita, esses cabrões, é bem feita, desde o Eusébio que já se deviam ter fodido todos, só cambalachos, jogos comprados, aquilo não se sabe se é balneário, se é uma casa de putas (pausa) Olha, olha, olha esta..., está quieta!... Isto da casa de putas é um modo de dizer, aquilo não é um balnéario, é um putedo, andam todos a comer-se, foda-se... É bem feita, já devia ter sido antes!...

C.S.S. - Mas o pior nem o Benfica, são mesmo os dragões, quando fores para cima, diz lá ao teu padrinho que o risco de falência...

R.P.S. - Risco de quê???...

C.S.S. - De falência... Pá, um risco de falência, dos Dragões, de 73%..., isto a meio da tarde, a esta hora já nem sei...

R.P.S. - 73%????????... C'um caralho, isso é mau, espera que eu vou já telefonar para cima (voz off, ... Jorge Nuno, tamos fodidos, pá, tá aqui um mano, pá a falar da falência do Dragão, caralho, falência, sim, pá, são uns gajos das "metriologias", de Nova Iorque... não, não sei de onde é, mas fazem previsões, estão dizer que essa merda vai toda pelo cano... Como é que eu sei, não sei, estão-me aqui a dizer no outro telefone... Não sei, se calhar é melhor perguntar, talvez seja melhor mandar já aí uns gajos para os abafarem, sim, é melhor que essa merda não se espalhe... não sei, acho melhor ir já para cima, carago, um gajo nunca pode estar sossegado, foda-se...)

(Fim da escuta)


(Quarteto do amanhã há mais, ah,pois há, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

As Legislativas de 2015, entre as Madrassas Balsemânicas e as Manas Mortágua








Para mim, homem do visual, que não assistiu a um único debate, toda a euforia da campanha se poderia resumir e assentar na riqueza dos cartazes. Como estou no nível mais básico de Parsons, todos os cartazes da campanha foram bons, e todos os cartazes da campanha foram iguais. Só depois desta seleção eu me ergui e fui votar. Eu sei este método pode ter parecido simples, mas também não é genuinamente verdadeiro, já que o toque final, na verdade, veio mesmo de um decisivo bouche/oreille, ou seja de um suspiro de última hora, apanhado num intervalo de duas caixas da Louis Vuitton: dizia um veterano para o outro se ele já tinha reparado nas Manas Mortágua, de onde fiquei a saber que as manas mortáguas eram aquelas damas esfíngicas dos cartazes do Bloco de Esquerda.

Eu gosto muito de esfinges, e sobretudo das do discurso subliminar que transportam. Se a PaF ganhou por fé, e foi fé até ao fim com o crucifixo -- e a dívida pública duplicada, creio... -- no bolso, já o Bloco de Esquerda teve uma forte ascensão sustentada pela líbido dos velhos babosos. Parece que as manas Mortágua não são as dos cartazes, mas isso também me é indiferente, posto que só votei nos cartazes, e apeteceu-me acreditar que aquele era um cartaz de manas, e o que é certo é que as manas dos cartazes fizeram tocar uma sineta qualquer do badalo da Terceira Idade. Por prolongamento e extensão, tudo aquilo que as gerações mais novas têm em si da terceira idade também acabou por se projetar no inconsciente baboso dos militantes de barba e cronologia menos definida: já que entre duas falsas manas e o lesbianismo o intervalo epistemológico é nulo, e onde o intervalo epistemológico é nulo há sempre lugar para uma enorme fantasia libidinosa, devem as Mortágua ter sido, por confusão, entendidas como as suas antepassadas Guardiolas, e o voto desvairado no Bloco de Esquerda obedecido assim a uma eufórica deriva de fressura. Não me atreveria a concluir, dada a literatura deste texto, que as grandes vencedoras da noite foram as fressureiras, mas para vocês fica esse sombrio tirar de ilações.

Numa perspetiva mais racional, da enorme degradação que foi a noite eleitoral, aparentemente, apenas um partido venceu o escrutínio, e venceu-o pelo mesma mesma métrica de fé e fidelização com que as velhas da Avenida de Roma foram todas votar na coligação que lhes tinha assaltado as reformas. Há um princípio genuinamente português, que se reveste de uma enorme universalidade, e que é traduzido na profunda espiritualidade da frase "podia ter sido pior", e esse é o verdadeiro epitáfio dos quatro anos catastróficos do Passosportismo. Tudo o resto são pormenores, e já foram esquecidos, já que tudo podia ter sido pior.

Há 900 anos que tudo podia ter sido pior, mas até não foi, e assim chegamos a esta imparidade insossa, de seu nome Portugal.

Dentro desta fatalidade, temos o timbre próprio do nosso infortúnio, que passa pela emoção própria do "ai, aguentam, aguentam", e do quanto pior, apesar de tudo, melhor. Há, neste permanente espírito do tripas à moda do porto, um implícito masoquismo histórico, com dupla face, já que, não sendo consensual, sempre que se estende ao masoquismo do parceiro se pode imediatamente revestir de uma forma particular de crueldade. Não será preciso reler Freud para encontrar o clássico par sadomasoquista, e toda a veia estrutural de um modo peculiar de estar, no qual, estranhamente, nos definimos como identidade histórica.

Não sei se o meu colega de academia, José Gil, quererá, nas suas reflexões sobre a idiossincrasia lusitana, desenvolver o tema, mas aqui fica o repto: particularmente libertos da responsabilidade de votar, dentro da flexão muito própria que foram as legislativas deste início de outubro, os Portugueses puderam finalmente dedicar-se ao exercício muito especial, de, em vez de mostrarem o que queriam, terem uma excelente oportunidade para mostrarem o que eram, e o que são é uma simples turba agachada, com pouco lugar para a imaginação.

Do ponto de vista dos grandes ciclos políticos, as Legislativas de 2015 também trouxeram uma alteração paradigmática, já que não incumbiram, como usual, o partido alternante de pagar as despesas do alternado. Para quem queira fazer algumas contas de cabeça, a tal coligação PaF, responsável por um dos períodos de maior desastre e atropelamento de valores, ficou assim incumbida, por um certo princípio de bonomia e crendice, de restabelecer a ternura da relação. Ignoro se, na célebre Síndroma de Estocolmo, estará incluído um princípio de redenção, no qual o carrasco se transforma no afagador. Tenho a minha opinião, mas prefiro guardá-la para de aqui a alguns meses, quando esta euforia toda se começar a deteriorar...

Esquecida a afetividade, fica a dureza própria dos ditames das Economia, e veremos se, depois das tempestades, das austeridades e das restrições assistiremos a um banho certo de realidade. A hipótese alternativa é mais adversa, já que poderia chegar à conclusão de que o caminho estava certo, e teríamos aqui uma receita para mais 40 anos de estabilidade...

A partir com isto tudo, assistimos a um dos mais perversos exercícios de contaminação da opinião pública, por parte das madrassas balsemânicas. Durante semanas, e com o apoio dos brilhantes publicitários que dinamizaram o Passosportismo, foram-nos substituindo a realidade por uma ficção tecida todos os dias. Na fase final, até já vinham as carochas do costume, na forma da voz etilizada das Manas Avillez, nas quais incluo o Júdice do Alto do Parque. Todos os esforços de Balsemão para que se chegasse a uma maioria absoluta forma gorados, sendo substituídos, como tanto ansiei, por um pesadelo para a Múmia de Boliqueime. Para o espectador de Lineu, ficaria, e ficará, sempre a incerteza de ter sido o que realmente aconteceu o acontecido, ou o produto de uma elaborada ficção. Mas, para não tornar indecente a ligeireza desta farpa, ficará para uma próxima.

Comecei por dizer que os Portugueses, libertos da responsabilidade de votar, se permitiram não escolher o que queriam, mas dizer o que eram. Estava a ser incorreto: ao escolherem o que escolheram, disseram o que eram, e o que somos impede-nos de qualquer modo de renovação, ou de ilusão da renovação, como na farsa grega. Na realidade, há uma claustrofobia coletiva que nos impede de ir mais além, e, mais grave do que isso, de estar permanentemente a deixar os outros ir. A recente morte do grande Vilhena, uma exceção num país de pantanosos saramagos, revela essa dura realidade: a Censura ficou por cá, em todas as suas formas, sem Estado que hoje lhe dê postura de estado, mas discretamente difusa por infinitos coios familiares, focinhos exaltados, fuinhas do ódio, hienas do mal, atrás dos seus pobres teclados manchados, numa longa e fracassada cruzada contra a expressão, liberta e una, como o artista a tivesse concebido. O lado interessante desta impossibilidade de diferença é a execução, no próprio ninho, das ascensão dos oportunismo epifenoménicos, como os ruis tavares e os marinhos pintos, e as próprias mamas penduradas e o golpe da barriga intentado pela outra.

Mais para escrever haveria, e ficará para uma próxima breve. De tudo isto só uma coisa generosa e certa emerge: depois de uma noite inteira de comentários, pode ver-se que o Professor Marcelo, o próximo Presidente, está num mesmo estado de tiques de boca do que o Vacão de Boliqueime: brevemente se afundarão ambos no mesmo pântano neurológico, o que explicaria, e apontaria, para um certo acordo pós eleitoral centrado em mais um Professor, desta vez, o neurologista Lobo Antunes. Um certo avanço, num país onde, como se sabe, se costuma ascender pela lógica própria dos desmanchos.


(Quarteto do bocejo, das mortáguas mortagueiras, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Fábula do Boi de Boliqueime e da sua triste rã generalizada







Imagem devastadoramente atual de Rafael Bordalo Pinheiro




Os fins de época são como as mortes súbitas: quando dão, já é demasiado tarde para se fazerem anunciar. A diferença é que, no caso português, a infiltração foi tão prolongada e a umidade tão extensiva que se torna hoje quase impossível distinguir parede e dano. Portugal é hoje um enorme dano, com algumas pausas para se tentar convencer de que qualquer normalidade porventura ainda fosse possível.

Começaram por ser algumas, mas, finalmente se começaram a acumular, as vozes que associam a doença nacional ao nome de Aníbal Cavaco Silva. Tenho nisso a honra de já ter passado para a História como quem, há dez anos atrás, resumiu, numa  simples sucessão de imagens, a imagem que Cavaco deixará para a História. Bem se poderão esforçar aqueles que o quiserem enfileirar ao lado dos retratos da República, que o único, o melhor, o retrato absoluto de si mesmo já foi grafado pelo próprio para a prateleira dos Anais. Não foi com  óleo, foi com fotografia, e saiu-se demasiado bem. Às vezes a História é irónica, mas, como todos sabemos, sempre triunfa aquele instante em que se descobre que o rei realmente ia nu.

Neste pântano político, Cavaco conseguiu ir nu durante 10 anos de maiorias absolutas, e mais uns 10 outros, de agonia neurológica. Se me não falham as aritméticas, 10 mais 10 faz 20, e vinte é, mais coisa menos coisa, metade do tempo em que Salazar manteve Portugal como uma coisa estagnada da Meseta Ibérica. Se somarmos a metade de Cavaco com o dobro de Salazar, ficamos, mais a soluçar uns quantos Caetanos e Eanes, com quase 80 anos de paralisia política. Ora, 80 anos em 100 é muito ano, ou muita paralisia, ou muita estupidez inveterada, o que se torna idiossincrático e incontornável.

Para algumas correntes, nas quais me incluo, Cavaco Silva constituiu a quinta essência da gangrena do Regime Português. Cavaco está para a Democracia como Manoel de Oliveira esteve para o Cinema, ou, aristotelicamente, sendo que duas coisas não podem simultaneamente ocupar o mesmo lugar, na verdade, não pudemos ter nem Democracia e muito menos Cinema: antes nos contentamos com ficar a vomitar cavacos e oliveiras, enquanto o Mundo, estarrecido, não deixava de rodar.

A situação poderia não ser grave, e estava agora mesmo a olhar para um fragmento de mastaba de Neferikaré Pepi II, que está exatamente atrás de mim, e a pensar em como o mais longo reinado da História involuntariamente conseguiu que o Império Antigo depois caísse numa confusão política, que levou os longos anos que sabemos para se restaurar numa nova ordem reconhecível. As longevidades, exceto na genialidade, são geralmente nocivas para a essência das sociedades, mas, para além da crise local, nós estamos igualmente a atravessar uma gravíssima crise cultural em que a palavra regeneração parece ter-se tornado obsoleta. A verdade é que como morreu Oliveira, Cavaco também está prestes para sair, e a doença de Balsemão, como a de Borges, é uma das nossas mais profundas esperanças, sendo que o étimo da palavra "esperança" é, realmente, o de... "esperar".

No nosso grave, e pantanoso, bellum sine bello, pensamos que, como num sonho de bela adormecida, o Tempo passaria incólume sobre este período, e voltaríamos, como passados por entre os pingos de chuva, a emergir, incólumes e intactos, para prosseguir na nossa fábula. A verdade não se quis assim, e, como após um longo período de acamamento, estamos agora, incrédulos, a descobrir que perdemos completamente a tonicidade dos músculos e a própria capacidade de andar.

Os sintomas estão aí, e confundem-se com a típica Síndrome do Fim da História: Maria Luís Albuquerque, a atual loura sebosa das Finanças, a traçar planos de previsão para um futuro governo, e quem sabe se não o está mesmo a fazer com alguma sabedoria, dado o estado de degradação da matilha que enturmou com António Costa. No final deste período decadente, até seria possível que Albuquerque sucedesse a Albuquerque, entre os rangeres de dentes e espumejares da raiva galambiana. Talvez gostassem de saber a minha opinião, e eu ponho-a já aqui: adoraria que, simultaneamente, toda esta gente perdesse as Eleições e adoraria que António Costa nunca as ganhasse, pelo que, pela sua própria natureza quântica, me é totalmente indiferente o que venha a suceder: um povo que, após Salazar, apadrinha Cavaco tem exatamente tudo aquilo que merece, e eu remeto-me ao meu papel nefelibata, e vou muito acima das nuvens, completamente embrenhado nas minhas coisas, entre as quais o maravilhoso calcáreo da gazela de Neferikaré Pepi II, e, progressivamente, insensível aos epifenómenos rançosos da nossa contemporaneidade. Lamento imenso, mas em tempo de crise, reservo-me o direito de invocar a minha condição de intelectual, e de rumar diretamente para a História. Os culpados do resto que se amanhem, e se comam uns aos outros.

De algum modo, todo o anterior é apenas introdutório para o que tenho para vos dizer e que é breve. Com o país no impossível estado de faz-de-conta em que se encontra, subitamente, as televisões e os jornais, que os balsemões deste mundo conseguiram que deixassem de ser fábricas de sonhos para se tornarem em permanentes fábricas de pesadelos, despejaram-nos em cima uma multidão de fantoches inacreditáveis, todos eles com o carimbo de "candidato a", e completa-se a frase... "candidato a Presidente da República". Sei que o raciocínio é platónico, e talvez esteja ferido de ingenuidade, nesta idade de generalizado teresaguilhermismo em que mergulhamos, mas continuo a acreditar que Presidente da República é um cargo com matizes e qualidades às quais, mas isto sou eu, que tenho uma matriz consular e romana, só se poderia aspirar em condições muito específicas e refinadas. No raciocínio patrício, o Presidente deveria incarnar um senador dos senadores, mas o problema, a doença portuguesa, é que Cavaco Silva, para além de ter degradado a Democracia, igualmente degradou o cargo presidencial. Ao fazê-lo subrepticiamente descer de nível tornou-o acessível a outros tantos iguais ou piores do que ele mesmo.

A Comunicação Social se encarregará de fazer o resto, numa espécie de chamadas de valor acrescentado que veio substituir a anterior validação dos sufrágios nacionais.

Os nomes já vocês os conhecem de sobra, e não vou repeti-los aqui, por que um nome muitas vezes repetido é uma forma de propaganda, nesta época de opacidade e cegueira crítica. Antes digamos que a qualidade da Democracia, mais uma vez, se encontra irremediavelmente afetada por fenómenos locais de vazio e vaidade, oscilando entre o patético, o piedoso e o auto complacente, os chamados manueis-alegrismos, ou, na senda continuada dos atentados à sua transparência, as sociedades secretas se engalfinham, para tentar alçar ao poleiro decaído os fracos nomes dos seus aspirantes. Na verdade, bem podem engalfinhar-se, por que o efeito se tornou verdadeiramente perverso, e, talvez numa estreia da nossa história recente, todos os candidatos são apenas candidatos aos últimos lugares, deixando a estupefação de não existir um único que tivesse pretensões a ganhar. Isto, creio, é inovador, e é uma dramática sequela do Cavaquismo, já que a Presidência da República deixou de ser um lugar cimeiro para se ter transformado num recanto de arrecadação, onde qualquer um pode sonhar arrumar o que bem entender.

Como poderão acenar-me, este discurso é precoce, e há sempre aquele concomitante sebastianismo de que, na hora verídica, alguma coisa se levantará. Quem sabe se não virá uma figura impoluta e de Estado, como o Carrilho, encarrilhar a situação?... Pela minha parte, volto a reiterá-lo, o tema tornou-se, tal como o das Legislativas, totalmente irrelevante. A minha questão é apenas a de, uma vez afundado, pelo seu coveiro, um Regime, que lugar terá a Imaginação para encontrar o que o possa vir a substituir?...



(Quarteto da linda, linda, Nódoa, que grande que é esta nódoa, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, 6 de julho de 2012

História de um governo triste, que já não podia sair à rua, nem disfarçado



Dedicado à Karocha, por razões que só nós sabemos... :-)




Imagem do Kaos

São cada vez mais as vozes, e cada vez mais perto da "coisa", que garantem que isto não passa do  verão. As razões são várias, dividindo-se entre as públicas, as semipúblicas e as privadas.

As públicas, por redundância, são do conhecimento geral. Acontece que o "geral", em Portugal", pode ser, e é, uma minoria, já que a maior parte da população anda intoxicada com sapatos de panelas, expostas, em Versailles, por uma das vozes do Regime -- desculpem, mas esqueci-me do nome dela... -- a tal da bandeira de croché, epígrafe e epítome de uma situação potencialmente explosiva, que passo a recordar.

O Estado, na sua estrutura, encontra-se entregue a si mesmo, posto que, desde 2006, não tem Chefe de Estado, mas apenas uma pessoa que utiliza o Palácio de Belém para  tratamento ambulatório, de uma degenerescência física e neurológica crescentes, e alarmantes.

É penoso vê-lo centrado em banalidades, em vacas graciosas, na sucessiva promulgação de leis que põem em causa a sobrevivência do cidadão comum, e a própria ordem do Estado, e a Constituição.

Esta criatura, eleita por 10% da população portuguesa está a lesar gravemente os restantes 90%, e, não contente com o facto, também pôs em causa a sua limitadíssima base eleitoral, como é do conhecimento público, arrastando a sua imagem de primeiro magistrado para um nível de indignidade, insuportável num Estado de Direito: uma coisa é a liberdade poética do escritor, ou cronista, como eu, que se permite crivá-lo de epítetos como "badochas", "palhaço" ou "anomalia", outra coisa é ouvir todos os segmentos da população, em qualquer situação, e em qualquer lugar, iniciarem a frase em que se lhe referem, invariavelmente, por um "esse cabrão", "esse filho da puta, etc...", e mimos afins.

Uma pessoa nestas condições não está em condições de ocupar o posto que ocupa, pelo que se anseia pelo tal verão quente em que a população, e quem defende a soberania do Estado terá de tomar posições mais firmes.

Estas são as evidências, porque as coisas menos evidentes, apesar de o serem, já têm de ser rememoradas, e dirijo, para a vastíssima plateia dos meus leitores uma sequência de questões: quando, um primeiro-ministro, em funções, viu o seu nome associado a um diploma falsificado numa organização cuja única função era forjar diplomas-expresso, para que houvesse "doutores" em Cabinda e no quintal de crime de José Eduardo dos Santos, qual deveria ter sido a atitude de um Chefe de Estado, a supor que esse Chefe de Estado existisse?...

Não o fez, e penámos com todo o horror do compadrio, do crime e da associação mafiosa, que foi o demasiado longo consulado de José Sócrates, enquanto a criatura se preocupava com mudanças de sexo, estatutos dos Açores, e com segurar Dias Loureiro, um criminoso, no Conselho de Estado, onde ainda têm lugar outros criminosos, lá colocados por proximidade sua.

Que deveria ter feito um Chefe de Estado, mal o seu nome foi misturado com as atividades de uma bolsa de crime, chamada BPN, que criou uma situação de bancarrota em Portugal?...
Evidentemente, não o fez, e com a mãozinha de cobarde transpirada, a ser segurada pela sua Maria, a sopeira que mais deve ter viajado, na História de Portugal, seguiu adiante, dando posse a um bando de criminosos ainda abaixo da bitola dos de Sócrates, como, diariamente, estamos a comprovar.

Passos Coelho, tem, para o neurologicamente degenerado de Boliqueime, a vantagem de ter a coragem de fazer o que ele, como figura fraca e sem qualquer coragem, nunca fez: transformar Portugal naquele atraso de vida em que Salazar o deixou, e colocar todos os nossos indicadores de qualidade de vida num patamar 50 anos atrás.

Dada a miséria mental que ocupa o seu crânio retrógrado, isto não seria de espantar. De espantar é que seja feito à custa do desbaratamento da soberania nacional, de quem ele deveria ser o primeiro zelador, e de um lento genocídio planeado da população lusitana, através da educação, da saúde e da emigração.

Certas gotas pesam demasiado, e, quando vem a público que o BPN, que criou o estado de bancarrota português, afinal, tinha como prioridade que os caciques de Angola pudesse depositar os seus dinheiros de sangue fora do estado pária em que operam, a coisa torna-se mais grave, porque já não estamos a falar das consequências do colapso de um antro português, mas das consequências do colapso de um antro português, que servia de máscara para as atividades sórdidas de um regime de estrangeiros, criminosos.

Aparentemente, um autómato, que ensinava Monetarismo -- uma teoria falhada -- na Nova Scholl of Business & Economics (!) (literalmente, assim...), foi, para brincar às "experimentações", fazer de "Ministro das Finanças" de uma Comissão Liquidatária, ao serviço de Angola, e da Goldman Sachs, a par com uma anomalia, essa de um foro mais grave, que está sempre a sorrir, sempre que fala de "Economia". Por acaso, temos isso em comum, porque eu também sorrio, sempre que falo de Economia, sobretudo, depois das duas maiorias absolutas do criminoso de lesa-pátria, Cavaco Silva, que a destruiu, enquanto pode, e encarregou os seus presente sucedâneos de continuarem a obra.

Os factos recentes são, de facto, mais recentes.

Sócrates foi moído ano, após anos, por causa da anedota de uma cadeira de Inglês-Técnico. Relvas, um agente angolano, ao serviço da alteração do nome de Portugal para "Enclave de Cabinda-Norte", já tem a anedota da sua ridícula carreira política que é a "licenciatura honoris causa", e, aqui, infletimos já para as coisas menos evidentes: consultem a lista de docentes e alunos da Universidade Lusófona, e rapidamente repararão que tem um núcleo duro de Políticos, a assegurarem a aceleração académica dos restantes políticos. Dir-me-ão que a coisa é comovente, porque doméstica, e talvez até seja feita com amor. Nada me espanta, numa Universidade onde uma alcoólica crónica, que fez um "doutoramento" pendurada num velho americano, nula, em todas as suas facetas, humana, intelectual e académica, Clara, a plagiante, e que só teve a agregação por razões que não posso pôr aqui, porque tenho excelentes relações com quem lhe fez o... frete, chegou a Vice Reitora, para imediatamente perceber que isso não era nada, comparado com os seus célebres orgasmos.

Fica a matéria para que pensem, como também deverão refletir em por que é que, depois de se descobrir que a maior parte da droga que entra em Portugal vem em aviões ligeiros, cada vez há mais ultra-leves a caírem semanalmente?...

E para que não me estenda mais, vem agora o privado: na área de Lisboa, em pleno séc. XXI, existe uma clínica de Ortodoncia, reputada, e com sedes espalhadas por Cascais, Estoril e o Saldanha, onde mais um retratado, na Geologia das Licenciaturas, ou seja, um sem-diploma, se lembrou, há uma semana, de fazer a desvitalização de um dente. Era a primeira vez, dizia, só que era estranho que a primeira vez fosse perto dos 60 anos. Isso, nem o Mota Amaral, com as mulheres... O resultado foi que a vítima acabou nas urgências de Santa Maria, com uma fratura maxilo-facial, o que é uma coisa... gira, como diria o Paulo Macedo, e as suas duas mil flautas, da Opus Dei. Também gosta de extrair dentes de rapazes de 14 anos, os branquinhos, sobretudo, para os poder apresentar nos congressos internacionais...

Não, isto não é o III Reich, é Portugal, onde tudo o atrás descrito acontece, e os Ministros, e o "Presidente" da República já não se atrevem a pôr o nariz fora de casa, sem correrem risco de vida.

Gostaria de saber o que pensam os Portugueses deste cenário. Possivelmente nada, porque ainda estão a masturbar-se com o simulacro de gorila, do Mario Balotelli.

(Quarteto do não passam do verão, não, no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")