sábado, 29 de agosto de 2015

Entre Bárbaros e Breiviks, a Europa desmonta a sua velha Muralha da China (director cuts)







Há uma doutrina americana que diz poderem contornar-se as sondagens das Presidenciais, esquecer o próprio escrutínio, e meramente observar o comportamento dos estados onde quem ganha sempre sempre ganha depois a América toda. Há ainda quem prefira os modelos sofisticados de Estatística, que prevêem a monotonia dos resultados imprevisíveis. Nós cá somos mais modestos, e preferimos entregar as certezas dos nossos juízos às oscilações de certos estados de alma e a homeopatia das coisas próximas.

Para não parecer que estejamos a falar de coisas crípticas, passo já a explicar quais são os sensores da nossa casa, e qual tem sido a pista das pitonisas a que usualmente recorremos. Há quem lhe chame o Barómetro da Coca, mas eu vou ser ainda mais comedido e colocar a coisa em termos decentes, já que criamos uma transitividade entre a maior ou menos proximidade do fim de Pinto Balsemão e um acréscimo ou decréscimo das calamidades do Mundo, assim como, nos tempos em que António Borges gastava o dinheiro dos nossos impostos para adiar o seu fim inevitável, a destruição do bem estar dos portugueses estava diretamente indexada ao seu emagrecimento e ao acentuar do fundamentalismo económico. O segundo já marchou -- não faz cá falta nenhuma -- mas o primeiro, infinitamente mais majestoso, continua a ensaiar o nosso Götterdämmerung, bilderberg após bilderberg, sendo que está seguro que esta camada de criminosos mundiais assentou, ou adoraria que o fim da Humanidade se confundisse com a finitude da sua miséria. Assim como o aquecimento global, uma miserável fábula, na qual o Homem se confere o poder de poder unilateralmente alterar o próprio planeta, esta geração nefasta, geralmente neomaoista, e invariavelmente Bilderberg, adoraria protagonizar uma extinção em massa, coincidente com seu dia de finados, tal qual o extermínio do séquito dos marajás, na velha tradição do Rahajistão.

Não me perguntem qual a probabilidade real de tal ocorrência, por que, como em todo o método experimental, o período probatório ainda se encontra em marcha. É certo que temos sinais, mas também não devemos avançar com certezas. Se temos coisas decerto encerradas, como Borges ter falhado fazer coincidir o colapso de Portugal com a sua agonia, de modo algum já dispomos de dados que nos permitam dizer que a miserável morte de Balsemão não venha a sincronizar-se com um fim de mundo.

Eu sei que estas palavras são dolorosas e parecem sectaristas, mas, infelizmente, deixei de ter dúvidas, e acerto sempre no que de pior vier do lado do Errado.

Depois do prolegómeno, vamos aos "migrantes", esse eufemismo com que os órgãos de intoxicação social agora designam os objetos das redes de tráfico humano global, e às razões pelas quais insistem em que olhemos para a árvore, evitando, a todo o custo, que entrevejamos a floresta. Ora, na lógica dos órgãos intoxicadores, nós devemos evitar olhar para o fluxo, e mergulhar no pântano individual das suas pequenas histórias. Houve uma, recente, debitada algures -- procurem -- em que uma "refugiada" somali tinha dado à luz, já a bordo de um barco de salvação de uma outra nacionalidade, com a ajuda de um médico alemão -- o alemão vem mesmo a calhar aqui -- uma menina, de nome Sofia. E, cumprindo toda a retórica da mitologia de Barthes, ela tem 3,3 kg e "está bem"... Não sei se começaram a chorar só no fim da frase, eu, um coração dolente, já tinha as lágrimas bem nos olhos a meio deste período. Infelizmente, como a dureza dos tempos manda que sejamos pragmáticos, e mesmo tendo gostado muito da notícia, ainda achei que poderia ser melhorada: faltou a presença, a bordo, de um turista português, simpatizante do "Livre", e a menina não deveria ter sido menina, mas sim menino, para a mãe lhe poder chamar Cristiano -- para os nossos mais próximos, CR7 -- e ele imediatamente chorar, num grande plano de câmara, capaz de comover todo o retângulo português. Esta era uma história, porventura, nem a melhor, mas suficiente, como amostra, desta espécie de multiplicação shakespeariana dos enredos caseiros, a que as televisões, quando não estão no Futebol, se têm agora sistematicamente dedicado.

Por cá, já há portugueses prontos para receber os "refugiados", e cremos que sejam os mesmos que ajudaram aquelas centenas de milhar de compatriotas, que o colapso do espaço português viu recentemente emigar. Mais assertiva ainda, "Maria Adelaide" Poiares Maduro -- um continuado erro de casting a quem ninguém tem a coragem de apontar um dedo decisivo e definitivo -- também considera, e parafraseio, que os refugiados podem ser uma mais valia para o desenvolvimento do país. Não sei a que país se está a referir, mas hipoteticamente é o mesmo que empurrou a sua geração mais qualificada lá para fora, certamente já a prever -- estes gajos são sempre de visão de longo alcance -- que nos íamos agora tornar num lugar privilegiado de acolhimento das redes de tráfico humano.

Quando deixamos a Cauda da Europa e marchamos na direção da cauda do Mundo em que se tornou a Europa, o discurso assenta na mesma identidade, e, aqui, começamos a recear que as teorias da conspiração tenham mesmo razão, já que a probabilidade de toda a gente, ao mesmo tempo, começar a dizer, sem concertação, que fechemos os olhos, é nula, ou corresponde a um estado delirante de toda a contemporaneidade.

O discurso pode parecer impiedoso, mas não é, é um discurso preventivo, de alerta, enfim, como se pudesse haver alerta numa coisa que já foi longe demais, e aponta para a necessidade imediata de tratar os bois pelos nomes. Na verdade, na lógica imprópria com que estas notícias são fabricadas, essa "coisa" em que tornaram as vítimas das redes de tráfico humano surge, como Atena da fenda do crâneo de Zeus, do nada, e vai imediatamente a caminho de Londres e da Escandinávia. Acontece que a história está muito mal contada, quer a montante, quer a jusante, e passo a explicar: o primeiro reparo, o que só agora estamos a assistir à fase tardia de um processo, logística e estrategicamente, muito bem pensado, cujas origens só, de aqui a algum tempo, poderemos descortinar. O anestesiar das opiniões públicas, poderá, eventualmente, ter coincidido com outras realidade sonegadas, e outros fantasmas cultivados, o mito do Boko Haram, o "Estado Islâmico", uma criação dos suburbanos europeus, e os invernos, perdão, "primaveras" árabes. Embora isto seja matéria para os historiadores, fica aqui o cheirinho de algumas pistas. Na verdade, como nos piores dias do desastre humano, temos narrativas de vagas de desalojados, desenraizados, traficados, seguidores de sonhos, facínoras e outras castas, misturadas com casos de aliciamento, de oportunismo ou de pura aventura. Noutro, seres humanos, fechados em tendas, a tirar selfies, em longas conversas de telemóvel, ou a clamar por avidez de "civilização" (?) Embora esta maré possa ter parecido originar-se nos referidos focos, a sua origem é agora irrelevante; importa, antes, pensar em quem lhes deu pernas para andar, e à medida que se colocam tais questões mais as respostas se nos afiguram sinistras.

Curiosamente, neste concertado processo de desfocagem da realidade, pode compreender-se que haja uns malandros que colocaram nas margens do Mediterrâneo embarcações precárias, a caminho das fronteiras do Ocidente, mas evita-se questionar como chegaram, até aí, essas caravanas longínquas, e, mais grave do que tudo, como lhes facultaram caminho até todas as Calais deste Continente... Creio que, com isto, ficaríamos falados, mas a verdade vai mais longe, já que, contrariamente a muitos de nós, europeus, que desconhecemos as circunstâncias locais de muitos destes paraísos artificiais, os reiterados testemunhos com, que incrédulos, somos bombardeados, mostram, muito mais do que a estatística poderia deixar entregue ao acaso, casos de minucioso conhecimento das cláusulas de acolhimento das seguranças sociais nórdicas, das regras alemãs, ou dos estatutos holandeses, e é isto que é grave, já que mostra, por detrás deste terrorismo mediático e insidioso, massas profundamente industriadas sobre o que querem, onde querem e, independentemente dos percursos, chegar. 

Os cabecilhas destas gentes estudaram a fundo as fraquezas estruturais da Europa, as suas regras de jogo e as ofertas mais vantajosas, e fizeram avançar, em turbilhão, mísseis humanos, capazes de provocar mais estragos do que qualquer atentado bombista.

Decerto não será por acaso que estas redes criminosas colocaram à frente da Grande Marcha as eternas parideiras dos excessos populacionais da África e da Ásia, pois já lhes consta que as legislações de benevolência e concessão com que, durante décadas, nos deixamos enfraquecer e tornar permeáveis, concedem, automaticamente, que criança nascida em determinadas fronteiras seja considerada sua cidadã. Se forem gémeos, nesta lógica, tanto melhor, e lá haverá um médico alemão para as ajudar a dar à luz, uma chamada Sofia, a outra Irene, e ele, Cristiano, suecos de carapinha. Desculpem, mas esqueci-me de que ela já vinha prenhe de três.

Com evidência que este conhecimento só se adquire em duas circunstâncias: ou é fornecido por traidores com sede nos países invadidos, ou deriva das longas operações em que a Europa, no laxismo das suas universidades, formou os estrangeiros, passando-lhes toda a informação cifrada necessária para a sua futura invasão. Nunca nos esqueçamos de que Khomeini, um dos flagelos do séc. XX, foi um subproduto do prolongado vómito francês. Depois disso, todos os cabecilhas deste desastre estão muito mais bem informados do que o comum cidadão intraeuropeu, permanentemente anestesiado com futebol e jogos informáticos, sendo certo que, como em toda a arte da guerra, ganha o que no momento detiver a melhor informação.

Não voltaremos a falar das respostas primárias a que este estado de coisas poderá conduzir os tecidos profundos das nossas sociedades. A completa subversão dos estatutos, através dos jogos de palavras, já provocou as suas maiores vítimas, os equivocados, e os verdadeiros casos de desastre humano que diariamente se afundam nesta dinâmica impiedosa. Incapazes de transmitir a realidade, os transmissores da intoxicação social, na velha escola de Balsemão, continuam a fabricar as suas pequenas histórias, e poderia ser interessante um movimento que convidasse cada jornalista acompanhante da invasão a receber em sua casa, pelo menos, um "refugiado", ou, melhor, um "refugiado" uma mulher e um filho.

Sei que poderia acabar aqui esta breve, que já vai longa, mas apetece-me ir ainda mais longe no cinismo. Curiosamente, na lógica bildebergiana, em que os piores acabarão por ascender mais alto, até poderíamos elidir esta miserável deriva humana, e limitá-los ao mero papel de figurantes do povoamento das televisões ajoelhadas. No fundo, brevemente os tocará, a todos, ou a muitos, a inevitável desgraça do extermínio, uma das regras do paradigma dos Senhores do Mundo, para quem a Orbe ora soçobra nos seus excessos populacionais. É verdade que estamos num tempo de eleições, entre as quais aquela em que compete substituir a testa das Nações Unidas. Curiosamente -- e voltamos do universalmente global para o carinhosamente local -- muito se falou de Guterres, e Guterres, como que por coincidência, é o Alto Comissário para os Refugiados. Como estaria a ONU, se presidida por um homem que no pior dos momentos, falhou em todas as suas funções?... Eu sei que estão, com a cabeça, a concordar, e até eu, curiosamente, também, não me tivesse lembrado, e voltamos à lógica do nosso quintal, de que o candidato de Balsemão não é Guterres, mas um dos maiores escroques que este Continente produziu, José Manuel Durão Barroso. Para ele, líder dos "palhaços" europeus, e, em Bilderberg, substituto, por razões de saúde, do seu mestre Balsemão, quanto mais "refugiados" e "migrantes" morrerem, melhor para a sua candidatura. Deitará a cabeça no joelho do seu instrutor, e, carinhosamente, pedir-lhe-á que não se apague, antes da sua eleição. Um verdadeiro amor.



(Quarteto da desolação absoluta, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A Europa, entre Bárbaros e Breiviks, desmonta a sua velha Muralha da China







Quando a Europa voltar de férias, estará em guerra. Minto: a Europa, quando partiu para férias, já estava realmente em guerra, e impotente para verbalizar tal problema de todos nós.

Resumidamente, enquanto o continente dormia, alguém o pôs na ratoeira do cão que morde a própria cauda, ao mesmo tempo que poderosas máquinas de invasão nos bombardeavam diariamente com infindáveis mísseis humanos.

Na ótica da Física, o cenário pode explicar-se pelo próprio princípio dos vasos comunicantes, e, linguisticamente, por uma certa osmose e baralhar das etiquetas. O resultado foi uma verdadeira miopia genérica, que irremediavelmente nos ofuscou a Realidade.

Por um lado, as décadas de suburbanização acabaram por substituir todo o padrão metropolitano pelo pensamento da gaiola económica, entre o guarda roupa da tribo e as insuficiências culturais, até ao eclodir das piores anomalias sociais. Cansados de repressão e da impossibilidade de imporem a sua lei da selva nos HLM de Paris, nos devolutos de Bruxelas e nas florestas pós industriais de Birmingham, todos os excedentes populacionais da Europa foram pastar o seu flagelo, na forma da mulher submissa e velada, nas penas de talião, no Fim da História, atolado nas pulsões do Presente, mais ISIS menos ISIL, e a anarquia do Esquecimento constituiu-se na única cartilha dos novos bárbaros, enfiados nas mais recônditas aridezes da Síria e do Iraque, 

Com uma Civilização minada pelos fracos poderes, dos quais Obama se constituiu na epígrafe histórica mais medonha, instaurou-se a impotência, e, depois da impotência, chegou agora a vez do Caos presente.

Se este é o retrato, a montante, da comunicação dos vasos, o seu refluxo na direção da Europa é muito mais assustador. Na verdade, quando Odisseu construiu o cavalo encarregado de minar Tróia, mais não estava do que a abrir a boceta de pandora de todas as mimeses e metáforas futuras do nosso próprio fim. Sistemática e estrategicamente, todos os cavalos de tróia do presente estão agora a ser enfiados por todas as frestas do pensamento, numa confusão de impotência de valores e maré de invasão. A insidiosa substituição da Realidade por sucessivas narrativas da complacência cumpriu todos os quadros do politicamente correto, e as minudências da quotidianização da História tomaram de assalto os canais da comunicação global. Agora, é só uma mera questão de tempo para que todos os invasores se convertam em histórias personalizadas de pietás com os filhos chorosos ao colo, perante nós, irremediáveis culpados de todos os males do Mundo.

A Europa descarregou os seus excedentes nos desertos, e o Mundo vingou-se, e vomitou-nos os excessos dele por cá.

O Império acabou assim, como todas as civilizações, que não perceberam que a complacência e a impassividade não eram compatíveis com a ideia da integridade cultural, acabaram por ser submersas pelas marés do Estranho. Seria interessante ver Roma a acolher de braços abertos os Hunos, e a levar ao colo a mulher e filhos de Átila, entre choros e pedidos de desculpas, por que é essa miserável imagem a que hoje assistimos.

Numa análise mais assertiva, enquanto os estertores do politicamente correto se deslocaram do senso comum para os construtores de narrativas da comunicação social, também, pelo mesmo princípio dos vasos comunicantes, se assistiu a uma transferência das reticências dos pensamentos radicais para o senso comum das populações. Curiosamente, quando Breivik fez a sua Matança Norueguesa, a preocupação maior foi sobre o seu distúrbio psíquico. Hoje, fica por saber até que ponto esta cruel explosão a montante não era mais do que premonitória, e, quando tivermos a resposta, vai-nos assustar muito estarmos porta sim, porta sim, com bárbaros e breiviks, o que, no fundo, conduz ao mesmo. Se há um silêncio ditado pela paralisia, toda a gente sabe que a História não é complacente com estes momentos de suspensão. O novo rosto do Terrorismo são estas ondas de "refugiados", que estão a trazer fortunas a quem os empurra. Brevemente, num tempo próximo, num lugar qualquer, este incrédulo passeio pelas televisões acabará numa chacina, e alguém finalmente perceberá o desastre a que nos deixamos, silenciosamente, conduzir. Não terá qualquer graça, nem futuro.



(Quarteto do impossível e do inacreditável, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 14 de julho de 2015

O Tratado grego de Versailles, sob a astrologia judiciária do Signo de Câncer





Imagem do Kaos



Julho de 2015 vai entrar para a História por várias efemérides, e comecemos já pelas privadas, já que são as que não passam na televisão, e são muito mais interessantes do que uma televisão centrada em branquear capitais, com o nome de Casillas.

Julho é, no Calendário Gregoriano, o segundo dos cinco meses em que Laura "Bouche" se desloca do seu Belvedère da Gulbenkian para o Petit Trianon da Quinta do Lobo. Escusado será dizer que este ano, com o outro na Cela 44 e o amigo empulseirado eletronicamente em casa, falar de "Lobo", no ALLgarve é de arrepiar, mas Laura já não se arrepia com nada, posto ter visto todos os formatos do Mundo, e prefere dedicar-se, quando não está a escrever as memórias dos seus quinze minutinhos de viuvez de Umberto d'Italia, com os seus longos meses de casamento platónico com o Tó Champalimaud, que deus tenha, à Astrologia Judiciária, ciência ávida e hábil desde sempre. Para a saison 2015, lançou uma espécie de Relatividade Local, em que afirma que todos os nascidos no Signo do Câncer ou passaram a vida a arruinar a vida dos outros, ou a conseguir destruir a sua própria. A lista é longa e merece meditação, já que inclui Angela Merkel, Aníbal Cavaco Silva, D. Manuel Clemente, D. Miguel, Pinto Balsemão, Ricardo Salgado, Arménio Carlos, Joe Berardo, Teresa Guilherme, Mexia (tanto o filho da puta da EDP, como o Nuno Mexia, que são primos), Henrique Granadeiro, Celeste Cardona, Pedro Santana Lopes, Miguel Sousa Tavares, António Costa, Jorge Coelho, Álvaro Barreto, José Pedro Aguiar-Branco, João de Deus Pinheiro, Vítor Bento, Américo Amorim, Paulo Macedo, Manuel, de dia, Maria, de noite, Carrilho, António Mota, Eloísa Apolónia, Teresa Patrício Gouveia, Freitas do Amaral, Sá Carneiro, os  brochistas Abel Dias e George Michael, o drogado Michael Phelps, o cientologista Tom Cruise, o impotente Sylvester Stalone, Olga Cardoso, Armani, Augustus e Henrique VIII, a Égua Parker-Bowles, mais a gaja que encornou, a Lady Di, e o respetivo filho, entre tantos outros. Depois, há os que falsificaram a data de nascimento, puxando para trás, como o Quim Barreiros, ou como a Amália Rodrigues, para (ainda) poder nascer no tempo de vender a ginja, quando, na verdade, também era uma carangueja panteónica, ou Passos Coelho, que, para disfarçar, escolheu nascer já em 24 de julho, o Miguel Escreves um Nojo, de 25, ou o Tsipras, ainda mais manhoso, que se empurrou todinho para 28 de julho, como a Maria de Belém Roseira, ou mais para a frente, como o traste do Rui Rio, ou a Ana Malhoa, a Né Ladeiras e o Melancia, que já são, por mimese, de agosto. Escusado será dizer que os grandes ditadores, como Mussolini, ainda disfarçaram um dia mais, para 29 de julho, enquanto os outros cabrões, como Salazar, Hitler, Ricardo Araújo Pereira, Carlota Joaquina, Robespierre, Paulo Pedroso e Woytila, ainda mais camaleónicos, se enfiaram no Touro, ou no Escorpião, como Estaline, Saramago, Asco Falido Poluente, Miguel Cadilhe, Duarte Lima e (quase) Pinochet. Na verdade, e para passar a uma teoria generalizada, Laura concluiu que os que não eram assumidamente Câncer se tinham mimetizado com todos os outros Signos do Zodíaco, o que torna todo o ano, e para todo o sempre, suspeito, já que eles, como o outro dizia, estão por toda a parte. Esta é a Teoria do Todo, e creio que será medalhada vagalmente, no próximo 10 de junho, pelo alarve que sucederá a Aníbal de Boliqueime, e que ainda se desconhece quem seja, excetuada a certeza de não ser Sampaio da Nódoa.

O Caranguejo, de que talvez seja o exemplo mais célebre o cancro da Democracia Portuguesa, Aníbal de Boliqueime, nunca anda para a frente, anda sempre para o lado e para trás, e, quando parece que está a andar para a frente, é para, logo a seguir, recuar duas vezes. Se lhe juntarmos o Balsemão, o Durão Barroso (um dos camaleões de outros signos), o Ricardo Salgado, o Granadeiro, o Mexia, o Américo Amorim, a Celeste Cardona ou o Álvaro Barreto temos uma história breve da destruição económico financeira de Portugal.

A verdade é que enquanto Laura escrevia a sua teoria, completamente nua, desnuda, pelada, à poil e stark naked, nas dunas dos vales e quintas dos lobos, a realidade continuava a passar, na forma de brasileiras aputalhadas, que vão passear os seus caniches pelo areal, os pincher e os chihuahua, as raças verdadeiramente perigosas de cães de Portugal, já que são elas que mais rastejam e poluem as praias. Com a sorte de Laura, o chihuahua foi mordê-la nas mãos, e fez sangue, o que levou a que insultasse as brasileiras do pior que havia, e elas a fazerem-se de desentendidas. Com o tarifário MEO de 1 cêntimo, imediatamente chamou a GNR (parece que dos bons) e, em vez de resolverem o caso, pediram a identificação às putas, para se certificarem de que o eram, de fa(c)to, e como não a tinham, lá se entenderam, por que descobriram que eram todas amigas da "Vanessa" (!), uma que já devia ser conhecida por fazer turnos da noite com a guarda inteira. Sendo que não havia efetivos, e a jurisdição da duna era da PSP (!), aconselharam Laura a ir à esquadra, enquanto acompanhavam o trio de putas a casa, para se certificarem da residência, e não só. Laura foi recusada na esquadra, já que a duna é, realmente, da GNR, e por lá havia uma montanha de queixas do empurra-empurra PSP-GNR, incluindo cães perigosos e putas brasileiras, especializadas em aviarem africanos (vistos gold, brasileira que se preze não toca em miniaturas de chineses...) da quinta e vale do lobo, sendo que acabou no Instituto de Medicina Legal, para se comprovar que não tinha pegado nenhuma doença ao cão, e não seria condenada a indemnizar, por acréscimo, a puta brasileira. Escusado será dizer que os nossos impostos pagaram esta cena toda.

Isto, obviamente, é Portugal, mas eu diria que antes Portugal, que nunca passou do registo do Solnado do que a Grécia, onde uma carangueja, Merkel, e o Schäuble, um perigoso Caranguejo disfarçado de Virgem, conseguiu uma proeza pirrónica com o Tsipras, e ainda agora a procissão ortodoxa vai no adro. O Grego entrou para falar de Dívida, e, no entretanto, alguém lhe explicou que, como já não há dinheiro, mas apenas prateleiras virtuais de números, era melhor não tentar falar de Realidade, e voltar para a Fantasia, já que tentar tornar palpável o inefável podia ser uma calamidade para ambos os lados, no fundo uma retoma da parábola da Ilha dos Cegos. Resumindo a coisa: do ponto de vista matemático, estivemos, durante uns meses, perante um umbigo hiperbólico, a "Vaga", da Teoria das Catástrofes, de Thom, com três parâmetros de desenvolvimento, à entrada, e apenas dois eixos de saída, como esperados, a Grécia e os Credores. Pelo meio, o referendo era topologicamente irrelevante, já que a morfogénese seria sempre independente, por cobordismo, desses acidentes. Para os menos apreciadores destes estranhos recantos da Matemática, podemos dar-lhes uma explicação mais mitológica: os novos Argonautas foram em busca do Tosão de Ouro, e acabaram por voltar para casa tão só com uma Medeia merkeliana, desmazelada, tronchuda e com as mãos sujas de infanticídio e do que mais ainda nós iremos ver.

Creio que a isto se chamou Europa, outrora democrática, doravante, neoliberal.




(Quarteto astrológico, claramente neofascista, no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers"

terça-feira, 9 de junho de 2015

Fátima, Futebol e Cristiano Ronaldo







Depois de Fátima, e com a sorte de o Fado já estar morto, tirando umas gajas que insistem em ganir, para arranjar uns cobres perdidos nos fundos do BES, do BPN e do BPP, vem a maior praga cultural do séc. XXI.

Evidentemente que estou a falar daquilo a que chamam "Futebol", como lhe poderiam chamar qualquer outra coisa. Na gíria técnica, jurídica, o nome correto é "branqueamento de capitais", ou "lavagem de dinheiro", sendo que esse branqueamento é apenas a epiderme de vários estratos dérmicos, cuja complexidade, por que o fenómeno apenas me interessa colateralmente, enquanto vertigem do nosso colapso civilizacional, desconheço na sua profundidade. Para ser ainda mais preciso, creio que os próprios envolvidos também já não estarão na posse completa das suas ramificações, ou, como corolário da Idade Cibernética, as sinapses tornaram-se automáticas, infinitas e auto replicativas.

Tenho a sorte de, desde pequenino, ter sido afastado do fenómeno, resultado de educação aristocrática e nietzschiana, muitas vezes resumida num imperativo, "não olhes, e sobretudo não toques". Nunca olhei, nem toquei, no Futebol, até o flagelo ter atingido uma tal enormidade que começou a colidir com a minha higiene quotidiana. Eu explico: é culturalmente inaceitável que, com o dinheiro dos meus impostos, eu ligue um plasma, para ser informado sobre o roteiro do Mundo e tenha de gramar, durante meias ou horas inteiras, com temas redundantes em redor de uma bola e uma quantidade de indivíduos de capacidades intelectuais limitadas, em estádio, bancada, ou poltrona de comentador, a impedirem-me de ter acesso à informação que pode ditar o meu conforto existencial imediato.

Eu sei que estariam a recomendar-me o clássico "zapping", mas o "zapping" torna-se inoperante, quanto os órgãos de intoxicação social criam um "cluster" e um verdadeiro "trust" que me impede de franquear a muralha de imbecilidade que é colocada à minha frente. Como diria o meu amigo Auretta, há muitas vezes mais felicidade em viajar para um canal remoto, do qual até desconhecemos a língua -- como uma televisão regional ucraniana ou chinesa -- do que estar a ser intoxicados com toda a poluição temática associada ao "Futebol".

A coisa é muito grave, e apenas faz lembrar os períodos radicais do Terror, na Revolução Francesa, em que os próprios dias da semana foram riscados das suas denominações tradicionais, para serem substituídos por neologismos republicanos, de barrete frígio, que hoje apenas interessam às gavetas da História. Passando à enumeração, na fase clássica, os epicentros da semana seriam a quarta e o domingo, passando a quarta a designar-se "derby" (ignoro completamente o sentido da palavra, mas aceito...) e o domingo, "final". Alicerçada a semana no derby e na final, teríamos o dia antes do derby, a antiga "terça", e o dia depois do "derby", a tradicional "quinta", ficando para o sábado a condição de "dia antes da final" e a designação de "day after", para a segunda. Se contar pelos dedos, está resolvida a questão de sábado, domingo, segunda, terça, quarta e quinta, apenas ficando em suspenso a sexta, o que se resolve rapidamente, já que tenho esse lado lógico e sucinto: "sexta" seria o dia antes da véspera da final, ou, recapitulando esta nova seman: dia antes da véspera da final, véspera da final, final, the day after, dia antes do derby, derby e dia depois do derby. As gordas  de bigode passariam a ir aviar robalos alimentados com farinha das vacas loucas nos mercados da final, e o day after, falho de pescado, ficaria para hamburgueres caseiros e esparguete, que esticados, duravam três dias, até à tesão do derby e a consequente porrada do marido. (Aqui fica a sugestão, de alguém que sente profundo asco pelo Futebol, mas gostaria de ver o seu nome, modéstia à parte, por que sou modesto, associado a um renomear dos dias da semana). Podem pôr o assunto à votação, que estou numa fase muito "cool", em que aceito tudo, desde que isso torne o maralhal feliz.

Os verdadeiros problemas desta coisa, e agora vou pôr a pose de estado à Roland Barthes, é que a merda do "Futebol" está a contaminar a sociedade de alto a baixo. Do ponto de vista geracional, o que seriam fenómenos colaterais, tornaram-se fonte de preocupação e de devir ainda mais gravoso. Nunca coisas que outrora seriam consideradas utilitárias, ou antros de periferia, se tornaram tão grande fonte de negócio, como os cabeleireiros e as inenarráveis casas de tatuagens. Levei algum tempo a perceber o problema, cujo foco pensei fosse a grangrena Teresa Guilherme, que gosta de os  ter preparados, de certa forma, e para consumo próprio, na zona típica dos 19/22 anos, até que a Laura "Bouche", com a sua infinita sapiência, e perante a minha curiosidade em ver tantas pernas mal feitas, de calções e obsessivamente depiladas, me disse "mas isso são eles todos a imitar a traveca!...", ao que eu tive de perguntar, "qual traveca?..." E ele: "parece que és parvo, a Ronalda, desde que a Ronalda depilou as pernas que todos os anormais dos subúrbios passaram a depilar também".

Excelente seria que a história terminasse aqui, mas a incerteza sexual heisenbergiana de Cristiano Ronaldo propaga-se, como um tsunami, sobre multidões de atrasados, que continuam a confundir sexo com procriação, e veem -- como diria a "Laura" -- um "macho", e o macho padrão, na... "traveca"... Os padrões sexuais e as suas sequelas são consabidos, e tornaram-se, de facto, num flagelo português contemporâneo.

Sei que falar de Teresa Guilherme e Ronalda a Barthes seria um pouco demais, já que, para lá do seu radicalismo e eficácia analítica, sempre subjazia um elevado classicismo, completamente incompatível com este fenómeno das barracas, típico da simbiose entre o CR7 e a Ninfo, que é descontroladamente barroco. Descontroladamente, ou não, ele tomou posse do imaginário dos corpos, e isto, sociológica e geracionalmente, é um cataclismo, pelas razões mais diversas, já que impôs um padrão monocórdico, a que teríamos de acrescentar o reflexo retardado das barbas, que já passaram de moda nas zonas civilizadas, mas aqui ainda continuam a recordar que as franjas da Linha de Sintra foram, e são, um dos principais focos de recrutamentos dos criminosos do ISIS/ISIL

Tudo isto junto já seria catastrófico, mas há sempre um patamar ainda inferior, já que o fenómeno da pernita raquítica rapada e do calçãozinho, remete para mais uma das intromissões do pensamento-ovário na esfera do Masculino, fazendo com que os rapazes, até cada vez mais tarde, deixem de ser encarados como jovens machos, e, através de uma desvirilização subliminar e compulsiva, continuem a ser os meninos das suas mamãs, com toda a náusea que isto possa provocar, se pensarmos nas sequelas do pensamento-cona da "mulher cougar" que assim finalmente reuniu os traumas da pulsão maternidade aos imperativos da pulsão da foda. Isto daria muito que escrever, e  por aqui fico, com a promessa de desenvolver, avassaladoramente, num outro dia.

Voltemos, pois, ao "Futebol", e lá me perdoarão, mas vou escrever mesmo Futebol, evitando as aspas, para poupar os dedos e o teclado. Creio que, para os incautos, nos quais não me incluo, o que recentemente aconteceu com a FIFA, mundialmente considerada um antro de criminosos, finalmente revelou o que todos o incautos já sabiam, que a FIFA era, mesmo, um antro de criminosos. Não por acaso, o pontapé de arranque veio da América, onde a modalidade não é central nas atividades sociais, e a corajosa Loretta Lynch afirmou que aquilo "era só o começo", e é só o começo, já que, como atrás disse, o branqueamento de capitais é só a epiderme do assunto, já que a fonte dos capitais a branquear não é una, nem indivisível, mas múltipla e polifónica. Não quereria ser repetitivo, mas por ali passa tudo, desde o tráfico da droga, dos corpos, das armas, da prostituição, das redes pedófilas (esta é para ti, Pinto da Costa...), do urânio, do plutónio e dos jogos de influência das diferentes sociedades secretas que minaram a Nova Ordem Mundial. Como em Roma, os objetos foram recolhidos na ralé, tatuados, com os corpos submetidos a técnicas de transformismo, e o ciclo imediatamente fechado, com os oligofrénicos em campo, em redor de uma encenação, que já não são combates de gladiadores, mas andarem a correr atrás de uma bola, coisa que os mamíferos, com a dinâmica assente no cerebelo, já faziam, há milhões de anos, desde os canídeos aos felinos. Mais não se fez do que darwinar a coisa, e estendê-la até Mem Martins, Amadora, Loures e Montijo, ou nos pólos ainda mais abaixo, de província, como Gondomar, Gaia ou Valongo.

Já um dia analisei o caráter epifânico da coisa, e, sobretudo, o seu poder de despoletarização dos potenciais conflitos sociais: por um lado, subverte, para sempre, a dialética marxista, já que separa os que dominaram dos dominados, antes impondo uma espécie de eucaristia e possibilidade de iluminação, traduzida na fórmula simples: se o CR7 veio das barracas e se transformou, ou foi transformado, no topo da base em que se tornou, por que é que eu, seu vizinho, neste enorme subúrbio mental em que transformaram a cultura urbana, não poderei ter a mesma sorte do que ele. Para os marxistas, nos quais não me incluo, o rumo da História, determinístico, passa, assim, com o empurrão das guilhermes, dos mourinhos, do "Trio de Ataque" e sucatas afins, a tornar-se num fenómeno estocástico do "pode também acontecer-me a mim".

Culturalmente, como podem imaginar, isto é um cataclismo histórico, só comparável com a estagnação trazida ao Mundo Árabe pela prevalência do imobilismo sunita sobre o ativismo xiita, cujos horrores e sequelas diariamente contemplamos, e que igualmente nos estão a gangrenar a Civilização.

O resto são trocos, já que o jogo se faz agora a céu aberto: um anormal, Jesus, que mostra que o dinheiro não tem cheiro, e que um qualquer anormal pode alcançar um qualquer valor; despedimentos "com justa causa", para que o dinheiro sujo de Angola e da Guiné Equatorial circule em Alvalade; a analfabeta Dolores Aveiro, que traz malas de dinheiro de Madrid, como o João Perna trazia e levava para Paris; que Bilderberg até no Futebol impera, com o seu omnipresente Emir do Qatar; que o narcisismo da barraca substituiu os paradigmas herdados de Fídias e Praxíteles, e que o Futebol é o mesmo campo de explosão que fez com que meia Constantinopla fosse destruída, durante a revolução de Nike. Assim como o fez no séc. VI, o poderá fazer no séc. XXI, e é tudo uma questão de tempo e oportunidade. Creio que há muita gente que se interrogava sobre como seria o Final dos Tempos: creio que os dias da contemporaneidade lhes vieram facilitar essa natural curiosidade.



(Quarteto do ataque, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A Parábola dos Rastejantes de Fátima, como Quinta Essência do incontornável Egoísmo Lusitano






Fátima insere-se no meu profundo desprezo, e não frequência, dos Três Éfes. Devo ser dos raros portugueses que não foram, nem nunca irão, à Cova da Iria, nunca porão os cotos num estádio de futebol, ou irão ouvir Fado, exceto a Amália, que cantava até que a garganta lhe doesse... Bom, vá lá..., até vou ser generoso, e tiro a Amália deste meu desprezo absoluto pelos pilares da insignificância nacional, por que acho que a mulher tinha, e tem, algo na voz de imortal, só é pena já estar morta.

Contudo, não frequentar os espaços da menoridade nacional não implica que não tenha opinião sobre eles, desde o gentílico ao metafísico: ter uma mãe chamada Maria do Amparo, Maria das Dores, Maria do Rosário, Maria de Fátima ou Maria de Jesus, entre outros, é toda uma epopeia negativa, e condicionante de um percurso existencial. Eu, que sou todo das genéticas, e acho que um defeito num terminal cromossomático de há 5 000 000 de anos atrás pode ter condicionado, e condicionou mesmo, um gestor das empresas falidas do terminal lusitano, mais acho que, um pouco à Lamarck, isso de ter certos nomes pela família determinantemente condiciona os nossos horizontes de sucesso. Com mor evidência, nem todos se podem chamar de Valois, mas Perneta, Vaicomdeus, ou Vaisemdeus é uma coisa que marca, e empurra a vida para um limbo entre o errante e o errado, e aqui fica o convite à reflexão.

Como a noite é santa, todavia, vamos passar adiante, e pensar um pouco sobre aquele fenómeno a que é associada uma carga posicionada entre o místico, o fervor e a comunhão. Na realidade, essas coisas estão todas mal descritas, pecam por vícios de forma, e só não encaixam nos mitos urbanos por que apenas se inserem no patamar dos mitos das aldeias de onde nunca logramos (novo acordo ortográfico) passar. Analisado enquanto fenómeno étnico, fratura sociológica ou epifenómeno da iliteracia, o Rastejante de Fátima, entrada que Diderot e D'Alembert dificilmente poderiam colocar na Encyclopédie, mas sobre o qual o destino, e a inspiração, me fadaram escrever o texto de hoje é uma categoria com algumas singularidades, por acaso, todas elas negativas.

A máquina publicitária das televisões, jornais e afins, que situam o evento anual em patamares entre os fototropismos e o puro escândalo está, como quase tudo nesta contemporaneidade, a que passei um atestado sumário de imbecilidade, nos antípodas da minha reflexão: enquanto pagão, não posso entender o ateísmo que subjaz ao rastejamento de Fátima; enquanto livre pensador, não posso compreender a publicidade dada a manifestações que deveriam ser tratadas como subprodutos de um povo profunda, e atavicamente, iletrado. Cientificamente falando, a cobertura de Fátima são meros gastos de luz, de tempo de trabalho e, numa ótica marxista, ou neoliberal, o que vem a dar no mesmo, puros tempos de quebra de produtividade, em cujas "gorduras" se deveria imediatamente cortar.

A esta altura já estarão a perguntar o que é que este gajo quer destruir hoje, com o pretexto de vir falar de Fátima, e eu explico já, posto que a morte de uns quantos peregrinos, o que lamento, na generalidade, por ter tido como protagonista um gajo bastante mais interessante do que o impotente Cristiano Ronaldo, o que, na especialidade, lamento, me levou a pôr em questão todo o problema, e a remetê-lo para os níveis de reflexão de Anselmo de Cantuária, um aristocrata que, há milénios, conseguiu pôr gerações a sonhar e a meditar. Aquilo que eu chamaria o Argumento Anti Ontológico enuncia-se assim: se aqueles que vão a Fátima procuram uma consubstanciação com a Senhora, ao lá chegarem, lá estão mesmo, assim como a Senhora, ao tê-los (novo acordo ortográfico) ali chegados, pela própria natureza da consubstanciação, com eles passa a partilhar a essência, miraculosamente tornada em presença, o que é uma prova evidente da sua existência (dela, a Senhora).

Esta é a versão boazinha, posto que, tal como no Concílio de Calcedónia (451), se nem todos os peregrinos que iam a caminho de Fátima lá chegaram, a consubstanciação ficou, ainda que em partes limitadas e remotas, comprometida, sendo que a Aparição e a Procissão do Adeus, será, desta vez, processada em redor de um ídolo ferido de incompletude, pela morte das partes humanas que com ela buscavam a comunhão espiritual e a partilha das evidências em presença, e ficaram atropelados pelo caminho. Ontologicamente, a Santa apenas poderia ser considerada completa se todos os que buscavam o acolhimento no seu seio lograssem ter alcançado a sede mundana da sua veneração terrestre. Esperemos que a parte que lhe falte não seja a virgindade, o que destruiria 2000 anos de empenhados esforços, e é esta a versão que nos deixa em dor e dúvida, penando para que sobre nós o anátema se não abata.

Depois da versão boazinha e de a do Limbo, vem a Má, já mais Portuguesa, e que motiva este meu texto: se a Santa realmente existisse, nunca permitiria que pelo caminho morressem aqueles que iam em sua demanda, qual doméstica Taprobana, e isto seria uma prova da inexistência da Senhora. Contudo, como a versão má, de profundis, ainda clama pela solução péssima, fui eu que fiquei a pensar no que estariam a pensar os rastejantes de Fátima sobre a inoperância da Santa, num ato simples como ter permitido que aqueles que iam em sua busca, de peito feito e coração aberto, acabassem esmagados numa berma da estrada. Não sei o que pensaram, mas prosseguiram, pelo que, depois da versão péssima, achei que nos estavamos (novo acordo ortográfico) a abalançar a um patamar ainda inferior, o da típica versão portuguesa, que eu passo a enunciar: sendo o fenómeno de Fátima um típico exibicionismo de matilha, que, à cabeça, segrega os que vão dos que não vão, ou mais pragmaticamente falando, os que podem ir dos que não podem ir, ou, citando a última palavra do último verso do Canto X de "Os Lusíadas", ali estamos no puro exercício da "enveja" (ortografia do séc. XVI, posteriormente convertida em "inveja", por uso e construção).

Torna-se hermeneuticamente complexo -- agora que, com a descoberta de que o cabrão do Heidegger era mesmo nazi e antisemita, a hermenêutica deixou de ser monopolar -- de que o rastejar de Fátima -- e vamos passar da versão portuguesa para o meu epitáfio da situação, substancialmente ainda pior -- de que o rastejar de Fátima é mais uma manifestação de egoísmo nacional, ou daquela célebre frase do José Gil, de que o português gosta, não de liberdade, mas, sim, de igualdade, ou trocado por miúdos, o Português realmente gosta de eventos em que possa exibir a sua situação de desigualdade, perante os pares. Isto, pela minha ótica (novo acordo ortográfico) resulta numa leitura fria e literal: de entre a imensa multidão de Rastejantes de Fátima, já que só morreram cinco, que até, se calhar, eram peregrinos e não rastejantes, desde que os restantes rastejantes não tenham morrido, a coisa até se safa, muito à rasquinha, mas safa, já que quem morreu foram eles, não nós (sendo que aqui o "nós" é um plural desses rastejantes, que, obviamente, não me inclui).

Topologicamente (acordo ortográfico dos anos quarenta) estendido, o raciocínio vai mais longe, já que separa os que lá conseguiram mesmo chegar dos que nunca chegarão, e, uma vez chegados, ainda exercerá diferenças entre os que se conseguem aguentar mais dias daqueles que se não conseguem aguentar todos, e serão muitos, o que alimentará a "enveja", e fará com que os iguais se sintam mais iguais e silenciosamente sintam pelos outros -- paciência -- a pena de que não tenham conseguido ser iguais..., à justinha.

Conclui-se que os que lá estão, em momento nenhum das suas preces conseguem sair do seu atávico solipsismo e onanismo, mas apenas estão ali para pedir por si, e os outros... que se lixem.

Este ano, parece que o grande mote é a Senhora da Apodrecida. Mas não se enganem, quando, no final, virem um  mar de gente a acenar lencinhos, não se trata de uma massa unida, mas de uma multidão de egoístas que lá foi fruir o seu milagrezinho pessoal, e, como diriam as estatísticas, lá conseguiu, ou... não conseguiu. A Claque do País da "Enveja", em bloco.

Dada a minha formação científica, ainda me permito uma derradeira versão, porventura mais motivadora e adrenalizante: o encontro entre os pacatos peregrinos de Mortágua e Levani Moseshvili, o alucinado, cheio de álcool e de drogas, que os atropelou, é algo equivalente à colisão que, milhões de anos atrás, deve ter ocorrido entre os pequenos répteis, sobreviventes do extermínio dos sáurios, e a nova classe dos mamíferos, sendo que os segundos, muito alafontaineanamente, devem ter pensado,"o que fazem estes gajos aqui?...", e o primeiros, "que gajos serão agora estes"?...

Objetivando (novo acordo ortográfico) a coisa, o acidente de Mortágua deve ser relido como uma colisão entre dois paradigmas, que, cronologicamente, deveriam estar feridos de disjunção, já que eram o equivalente a uma impossível máquina do tempo: uma era de peregrinos é incompatível com um mundo de aceleras dopados com químicos, e vice versa, embora nós saibamos que, numa perspetiva (novo acordo ortográfico)  cobordista, muito à René Thom, essas coisas acabam sempre por se entropizar, e, tal qual os maiores lagartos acabaram a comer os pequenos mamíferos, e os grandes mamários a comer os pequenos répteis, também um dia haverá rastejantes aceleras, que quererão chegar primeiro a Fátima, nem que para isso tenham de atropelar uns quantos georgianos embriagados que estejam a dançar a dança do ventre na berma da estrada.

Eu sei que este texto é mau, mas, acreditem, sobretudo os crentes, que é uma singela homenagem ao ignóbil evento do 13 de maio, uma coisa indigna de uma sociedade civilizada, e incompatível com um mundo religioso, já que a religiosidade do Mundo foi definitivamente enterrada por um dos maiores facínoras do século XX, Karol Woytila, que, numa cega competição com IURDs, Igrejas de Cientiologia e outras merdas afins, resolveu transformar o Grande Dogma Cristão numa manifestação de massas embrutecidas e alucinadas, em redor de cadáveres de pastores iletrados. A coisa era barata, dava milhões, não pagava impostos, e destruiu, ou conseguiu destruir, em duas curtas décadas, a fronteira intelectual (aqui leva "c", por que o "c" se pronuncia - novo acordo ortográfico) do Dogma, remetendo-a para o chiqueiro das opiniões e dos fundamentalismos, que tão caros estamos agora a pagar. Creio ter sido este o grande milagre de João Paulo II, atirar-nos para os valores e práticas da pior Idade Média.

Para acabar com um pouco de esperança, percebo que se rasteje até Fátima, para venerar uma Santa com Cara de Saloia, que incarna aquelas moçoilas de 13 anos, na altura certa em que o padrasto as estreia, antes de se tornarem nos hipopótamos de hipermercado, que à frente arrastam a tralha dentro de um carrinho de bebé, com o seu ídolo narcísico, teresaguilhermado, ao lado. Brevemente, creio, com a crise que aí anda, eu próprio, que afirmei, no início, nunca ir a Fátima, lá terei de fazer o esforço, por extinção dos genuínos, e já me vejo, nos beirais de terras que nem sei que existem, com a Aura Miguel, um pouco mais à frente -- dizem que ela vai a Fátima, por que, todas as noites, há a alma de um papa defunto que incarna em súcubo e lhe possui as partes ressequidas, pelo que, quanto mais noites demorar pelo caminho, mais vezes o palmier será recheado com beato creme... Pela minha parte, irei com uma caçadeira, e, com o jeito que tenho para o tiro, em vez de decapitar a Santa com Cara de Saloia com um só tiro certeiro, acabarei por a desfazer, com uma série de rajadas míopes e mal amanhadas.

P.S. -Deverão estar a interrogar-se por que, de quando em vez, referi, em nota, o Novo Acordo Ortográfico: por uma razão simples, a de que a Língua é construída pelos escritores, pelo que, utilizando eu o Acordo, desde 2009, bem se podem espremer por o tentarem impugnar os que nisso andam. A minha decisão é a de que, mesmo revogado, o continuarei a utilizar sempre, pelo que, de aqui a 100 anos, o Acordo Ortográfico se impôs mesmo, pela única mão com autoridade para o fazer, a do Escritor. Que a Santa esteja convosco e vos dê o vosso pedido egoísta, que vos arrastou até à Cova da Iria :-)




(Quarteto do a Trêuze de Maio na Cova d'Iria, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, 8 de maio de 2015

A Tap, ou o BPN alado (Director cuts)







Dedicado aos irreverentes deste mundo, no qual se pode incluir Pedro Cosme Vieira, com que o país do Santo Ofício resolveu agora implicar, pá, manda-os levar no pacote!... Não, não mandes, que eles gostam!... :-)


O mal das história de voos é que são infinitas. Já falamos de freiras que não queriam ser vistas de cima, a serem encavadas pelo Sereníssimo D. João V, e do Salazar que pôs as freiras todas, ou quase todas, a voar, sem que com isso conseguisse impedir o aumento da fornicação, bem pelo contrário, como diria o Paes do Amaral. No final da carreira, ficavam as cinquentonas em terra, confinadas às sombras, e às madeixas, para disfarçar as rugas, muito coladas ao "Badoo" e a aviarem rapazes da Groundforce, a troco de notas de 100 €.

Toda esta visão, todavia, pecava pelo eurocentrismo, já que todas as religiões voam, e umas mais alto do as outras. Lembro-me sempre da minha querida psiquiatra, cujo filho se casou nos meios diplomáticos das Monarquias do Golfo, onde se fala da Europa como o "Museu do Novo Mundo", e isto entre brindes de champanhe, nas poltronas de couro verdadeiro da Air Qatar, 30 000 pés acima de Doha, o que contraria as visões modestas de Salazar e muito mais modestíssimas do "Magnânimo".

A verdade é que se não tivesse tido de cortar o meu texto inicial, teríamos de falar daqueles que debandaram de Portugal pela porta grande, e foram fazer de hospedeiras e comissárias das linhas aéreas do Golfo, onde não querem freiras a voar, mas as expectativas são altas, já que, como desde que o mundo é mundo, enquanto uns voam os outros ficam a ver voar, variando as estatísticas entre a visão dos que oprimem e dos que gostam de ser oprimidos. Como não me enquadro em nenhuma das categorias, já que adoro ensinar as pessoas a libertarem-se das suas pequenas opressões e fantasmas exteriores, pensei, para que quererá a Air Qatar tanta morena portuguesa e tanto gajo descendente de Neaderthal?...

A verdade é que, como no Bahrein -- um paraíso na terra, onde, quando perdes o emprego, és imediatamente recambiado para o país de origem -- por cima das costas do Próximo Oriente, ou se está nas poltronas de couro da Emirates, ou se está a ser decapitado pelos suburbanos do ISIS, como o célebre Fábio Poças, já conhecido pelo Manoel de Oliveira de Ninive.

Parece que esses gajos acreditam em que há 20 000 virgens à espera deles num sítio qualquer, mal abandonem este Vale de Lágrimas. Entre isso e o solzinho a dançar, o intervalo epistemológico é nulo, mas os recursos são diversos, já que, para gente que nem sabe onde fica o Polo Norte e confunde Buda com deus filho, nalgum lado as virgens devem andar. Em hipótese, já que as teorias se tornaram vagas, desde que a própria Partícula de Deus começou a aparecer à venda no LIDL, é possível que os suburbanos barbudos de Londres, Paris e Mem Martins, que veem passar no alto os Airbus300 acreditem que as 20 000 lá vão dentro. Se tratassemos a coisa cientificamente, eu poderia responder que o número é substancialmente menor, mas, usando o argumentum ornithologicum, de Borges, para quem passa os dias a comer areia e a assassinar, vai tudo dar ao mesmo, quer vão a bordo 20 ou 20 000. Assim se explicará que, com as chacinas em massa, muitas delas pelas mãos das nossas tropas especiais, que os penduram pelos pés, e lhes dão duas refeições por dia, porrada ao almoço e porrada ao jantar, e no permanente estado de alucinação em que as drogas os têm, morram e imediatamente voem para cima, colocando os A300 em situação de overbooking, coitadas das hospedeira do Norte, que falam inglês com o sotaque xanxo do Bolhão e subitamente veem chegar o lixo suburbano aos lugares de coxia. A grande surpresa, e nas companhias em que não há greves -- se houver, cortam-lhes as mãos -- é que nem todas as virgens são fêmeas biológicas, como está cientificamente estudado, e, por muito que as companhias se tenham AIRbusado e abusado, a matriz continua a mesma.

Que será do Fábio Poças, quando for abatido, e aparecer a bordo de um AIRbus da TAP em busca de 20 000 virgens e lhe aparecer um punhado de dengosas chiadenses, a perguntar se quer chá ou café, já com os cantos da boca salivados?... Com um bocado de azar, ainda ressuscitava o João Solano, -- um antepassado do tarado Andreas Lubitz -- que fazia picagens de voo raso pela Praia do Cavalo Preto, não para despenhar aviões, mas para que os turistas, de olhos arregalados, vissem como primeira paisagem portuguesa a "mangueira" da Laura "Bouche", no seu eterno trá-lá-lá de nudista da costa algarvia. Como o passado se torna tão moderno, e quem diria, a verdade é que esta greve continua a ter um excelente cariz de fait divers, ou seja, os pilotos continuam na pilota, depois de terem bazado da Força Aérea, onde custaram 100 000 € de formação, para se meterem na aviação civil, e, agora que o avião certamente vai naufragar, saltarão que nem ratos para as Air Qatar anexas, com salários decuplicados, deixando atrás de si apenas pó e ruínas.

"Consta-se já de que" brevemente haverá a "Tap Boa" e a "Tap Má".

A Má certamente ficará para os nossos bolsos de contribuinte, ah, sim, pois, com certeza.



(Quarteto das 20 000 virgens, com pelos no peito, do Fábio Poças, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")