segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Ascensão e queda do sistema financeiro português, durante a decomposição termodinâmica da carcaça física e neuronal de Aníbal de Boliqueime






Não, não é uma criação do Kaos: é um flagrante ridículo da página oficial da República Portuguesa (coitada da Janet Baker, que vergonha...)




Faço parte daqueles portugueses, brutos e de poucos estudos, que acham que o Zeinal Bava já devia ter sido corrido, há muito, com uma paulada nos cornos. Em contrapartida, dadas umas "Lux" que fui lendo, sofistiquei a paulada nos cornos de "light" para "hard", ou seja, acho que ela será muito mais bem dada pelos Brasileiros, que se regem por uma jurisprudência próxima da Americana, do que pelo nosso faz de conta, de onde se infere que prefiro que a coisa seja tratada no Senado e o gajo esquartejado em Brasília, e vexado publicamente, nas redes "Globo" e "Record", do que andar a arrastar-se por aqui, anos, nas prescrições da Relação.

Todavia, para explicar o título desta narrativa, temos de nos reportar aos tempos em que o Sr. Aníbal, de Boliqueime, filho de Teodoro, neto de Jacob e bisneto de Abraão, de onde foram trinta gerações, desde a bomba até à recém criada Universidade de York (1963), recebia um bolseiro da Gulbenkian, "bem integrado no Regime", e ávido de se doutorar no novo estábulo, e assim fez, -- naquele espírito chauvinista dos ingleses, dos, coitadinhos, também precisam -- em 1971, e deus, e Salazar, viram que era bom. Há, num pequeno parêntesis, uma enorme pena -- a minha -- de não poder aceder a esse texto, A Contribution to the Theory of the Macroeconomic Effects of Public Debtpara o poder arruinar, como fiz com os célebres escritos de Nuno Crato, mas, como está enfiado na base de dados de teses do Reino Unido, Ethos, e isso devia implicar pagar, ou enviar alguma coisa para lá, dá muito trabalho, e agradeço que o façam por mim. Todos os Portugueses deviam ter acesso a esse Mein Kempf do Cavaco, para perceberem a desgraça em que estão, há mais de 20 anos, imersos.

Até o nome do lugar do doutoramento era bom, já que para um que vinha, acabadinho de chegar, do Poço de Boliqueime, teve de ser doutorar em Eboracum, o nome de buraco que os Romanos davam a York.

Por mim, dispenso pornografia, e prefiro fazer como o Hawking, ficar sentado na bordinha, a tentar apanhar, de quando em vez, com alguns estilhaços dessa radiação de fronteira do buraco negro do algarvio.

A verdade é que recém doutorado na banlieu inglesa, o homúnculo já trazia uma aspiração salazarenta dentro de si: ainda cheirava a mofo a mossa deixada no chão, em Catalazete, pela nuca da queda do Vacão, e o aboliqueimado deve ter sentido o chamamento da carne, para ir ocupar o lugar vagal deixado pelo doutorado de Coimbra. Acontece que entre ele e o de Santa Comba Dão já ia um abismo, que não era só de gerações, mas de uma certa estabilidade de horizontes: Salazar sabia que estava num país sem recursos, mas a quem as circunstâncias podiam deixar uma miraculosa e infindável panóplia de possibilidades de intervenção na atualidade, enquanto o do pingo da bomba tinha uma tacanhez de rumos tal, para a qual, quaisquer ventos favoráveis sempre iriam conduzir às piores soluções falidas, independentemente dos recursos, e assim se fez, e deus viu que era bom.

Já desmontei a fraude Aníbal de Boliqueime até à exaustão: ele não passa da neoplasia da III República, e tudo o resto não passa de polarizações e de novos ângulos pelos quais optemos fotografá-lo. O último, todavia, ainda me conseguiu surpreender, já que o Grande Timoneiro, que décadas se reclamou de sapiências em Finanças Públicas, acabou, com o caso BES e o que vier a seguir -- e vai ser MUITO (nem vocês imaginam...) -- por ser o rosto e o cancro da ascensão e derrocada do sistema financeiro nacional. Se Salazar passou para a História como o travão de mão da contemporaneidade, mas com algumas benesses de neutralidade, Cavaco também já se inscreveu no nosso roteiro pelas razões opostas que desejaria, e agora é muito tarde, mesmo que nascesse duas vezes, para repetir, em pior, os mesmo erros.

Há muitos anos que Cavaco Silva devia ter sido depositado, por causas naturais, e para sempre, no "mau banco".

Impossibilitado de se integrar no Estado Novo, por causa de uma "crise vagal", chamada 25 de abril, o algarvio nunca se recompôs: passou a viver num quarto de assombrações, cheio de "Assembleias Nacionais", "Dia da Raça" e um ódio feroz a todos os que pudessem estar feridos da suspeita de lhe terem interrompido a carreirinha. Cobarde, sabia ao que ia, e o que pretendia, sendo que se tornou no primeiro político português a andar, mais a sua mastronça, de carro blindado, coisa da qual nem Salazar necessitara, ou pensara.

Com a nacionalização da Banca, passou a ter novos espetros, nas suas noites de pesadelo, os Pinto de Magalhães, os Pinto e Sotto Mayor, os Mellos, os Espírito Santo, os Borges e irmão, os Fonsecas e Burnay,  os Champalimaud e outros quejandos. Mal se apanhou no Poder, tratou de tentar, à boa maneira da Coreia do Norte, de reconstruir a história, naquilo que designaremos de Revisionismo Cavacal. O filme era longo, e não me apetece retratá-lo aqui, exaustivamente: investiguem, e aprenderão: começou pelo BCP, e pela introdução, à descarada, dos interesses da Opus Dei, proibida pelo Estado Novo, em Portugal. Desse parto, nasceu Jardim Gonçalves, que, como Aníbal, devia estar preso. Veio depois a reprivatização do Totta e Açores, para as mãos do Champalimaud -- que também devia estar preso, mas já não vale a pena, por que morreu -- que tratou imediatamente de "agradecer" ao cobarde do Boliqueime, vendendo o produto aos Espanhóis, e assim se fez, e deus viu que era bom. Resta pouco disso, exceto a gratidão demonstrada, pelo defunto, ao entregar a presidência da Fundação para o Unknown -- também conhecida pela Fundação de arrancar olhos aos coelhos -- a Leonor Beleza, que também devia estar presa.

No velho ditado, cada tiro, cada melro, de cada vez que o Sr. Aníbal e a sua corja se metiam a olear obsolescências financeiras, ou criavam golems ou frankenteins, como o Banif (do Horácio Roque, que devia estar preso, se não estivesse morto) o BPN (do Dias Loureiro, que devia estar preso, se não continuasse a ser visita assídua do Miguel Relvas, na Rua da Junqueira, e conselheiro secreto do seu amigo de sempre, o sr. "Presidente" da República -- é mesmo ali ao lado, caraças, até doía, se não fosse lá...) ou o BPP (do Rendeiro, que vai e vem preso, mas acabará, como sempre, prescrito, cá fora), o BPI (que vai dar muito que falar, com o sotaque da Dos Santos, e o Ulrich, que já era fascista no tempo do Fascismo, e acabará por dar razões para também ir preso), e agora... o BES.

Contas feitas, durante o I e o II Cavaquismo, de um extremo ao outro, todo o sistema financeiro português entrou em rotura, mistério que já devia estar previsto nas sagradas escrituras da tese do filho do gasolineiro de Boliqueime.

Voltando ao início, só um ingénuo acredita que esta história do "banco bom" e do "banco mau" são o fim da fábula: não, são o início do drama, e poderá haver tragédia. Irão cair como tordos, sobretudo quando todas as conexões se tornarem visíveis, e o buraco passar os cem mil milhões de euros. A Telecom é um brinquedo próximo, que levará o Bava numa espécie de delírio "oi", "oi", "oi", como fazem as travecas brasileiras de pegação de beira de esquina, o "pio", "pio", do Montepio, mais a TAP, onde o Prieto -- esperemos que não filho da Margarida de mesmo nome, senão as previsões são mais sérias... -- já avançou que não há TAP nenhuma, mas uma enorme camuflagem para branqueamento de capitais. E quem diz TAP diz mais umas quantas, que não é preciso puxar muito pela cabeça, e façam vocês o esforço: até se arrepiam, já que não existe país, mas uma espantosa bandeira de conveniência, povoada por agentes ao serviço do estrangeiro.

Poderão dizer-me como identificar a "coisa", mas há uma regra simples, com duas faces: desconfiar de tudo o que aparece de repente, e se torna muito fashion, desde a Mariza e os Fedorentos ao Miguel Sousa Tavares, e também desconfiar de tudo o que desaparece de repente -- a Caixa Geral de Depósitos é um desses lugares -- e deixa de ser visto (quem se lembra do escroque, Fernando Gomes, da Câmara do Porto -- que devia estar preso --; a Cardona, a "peixeira azul", que percebe tanto de bancos quanto eu, ou o Armando Vara -- que devia estar preso -- entre tantos outros).

No meio disto tudo, Ricardo Salgado, para quem o conhece, e sabe que é um homem de ironia e bom humor, isto é ouro sobre azul, e deve estar a rebolar-se todo de gozo com o acontecido. Quando ele abrir a boca, é provável que esta listagem dos que "deviam estar presos" alastre, em mancha de óleo, pelo Polvo Português, e é bem feito. Numa alegoria darwinista, o que aconteceu com o BES é muito parecido com o que sucedeu com a extinção dos dinossauros: morreram todos os grandes e só ficaram os pequenos, na forma de osgas, lagartos e lagartixas, enquanto os mamíferos passavam de pequenos a gigantes, e desatavam a comer os minorcas da extinção anterior. Com o tempo, esqueceram-se de que vinham de paradigmas diferentes e incompatíveis, e até se comeram bem, com a revanche dos pequenos lagartos a darem em crocodilos comedores de novos pequenos e grandes ruminadores. Para os leigos, é como se Clara Pinto Correia, depois de ter aviado os alemães todos da Base de Beja, reaparecesse, na forma de febra velha, a ser recomida pelos "dux" da "Lusófona", sem saberem da antiguidade da carcaça. Na prática, Ricardo Salgado, ainda vinha da tradição do banqueiro familiar, num tempo de extinção, em que as grandes mafias financeiras, ditadas pela Goldman Sachs e amigos, já nem acreditavam que isso houvesse. Pois havia, e estava um aqui, bem a jeito, em Portugal. Ricardo Salgado, no refluxo das marés, de um dia opara o outro, perdeu o pé sem sequer perceber, ou percebendo demasiado tarde, o que lhe estava a acontecer, mas estava: Mario Draghi, da Goldman Sachs -- que devia estar preso -- certamente ouvido o seu cúmplice, Vítor Constâncio -- que devia estar preso -- disse ao Banco Central Europeu que devia cobrar de uma só vez os 10 000 000 000 € do BES, senão a casa mãe não tinha lucro, e assim se fez, e o sistema financeiro português, sob a alçada do doutorado em deficits e cobertores de feira de Alcoutim, o saloio das crises vagais, que não pesca nada do assunto, pelo que nunca tem dúvidas e raramente se engana, colapsou. Tudo o resto foram manobras para fingir que não tinha colapsado, e o Carlos Moedas, da Goldman Sachs -- que devia estar preso --, e deus, viram que era bom, mas não vai durar muito, acreditem, acreditem, mesmo...

Se o Ricardo Salgado era o DDT, Dono Disto Tudo, Cavaco Silva é o CDT, Culpado Disto Tudo.

Como podem imaginar, este texto arriscar-se-ia a tornar-se infinito, se eu pusesse a boca toda no trombone. Muito já fez o Queiróz, quando denunciou à CMVM os papéis falsificados, que não correspondiam a NADA, mas foram uma derradeira tentativa de fuga para a frente, portanto, vamos deixá-lo assim, tal qual está como aperitivo para as próximas realidades: a partida, pelo Princípio de Peter, da Albuquerque para Comissária Europeia, o que tem os seus lados positivos, pois nós livramo-nos dela, e poderá aprender algumas regras mínimas de higiene, como o hábito de lavar o cabelo, mais do que uma vez por semana, para que não se diga que Portugal é um país de badalhocas. Para mais, há quem diga que o Constitucional também se encarregará de reenviar o resto do "Governo", mas para os seus pequenos quintais de origem, embora isso sejam as cenas dos próximos capítulos. Nós, no Banco Bom, devemos agarrar-nos ao que ficou de sólido, os novos inéditos do Saramago, os corações da artista do Regime (não da dieta...), Joana Vasconcelos, e a virgindade (de mulheres) da Senhora de Mota Amaral, que conseguiu sobreviver a tudo, até ao colapso do Espírito Santo.

Deve ser por que, no meio deste descalabro, ainda ficou o resto da Santíssima Trindade, embora não por muito tempo.


(Quarteto do vamo-nos rir tanto, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers"

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Pequena fábula de um Espírito Banco, em forma de Caco Vaco Silva







Imagem do "The Braganza Mothers"




Para mim, um leigo da Teoria da Comunicação, incapaz de escrever um texto, ou uma notícia interessante, faz-me impressão, sempre que me debruço sobre as metamorfoses de ovídio, ocorridas na grande parte dos órgãos de comunicação social. Antigamente, creio que antes de os gases da Flandres terem extinguido os ulmeiros na Europa, os órgãos de comunicação se organizavam assim: a primeira página, onde vinha o essencial do local e do global, a segunda, onde a coisa se diluía pelas vizinhanças, e por aí fora, passando pelos lugares da Serenela Andrade, até voltar a culminar numa pequena excentricidade de rodapé, geralmente confinada ao canto inferior direito da última página. Existia, claro, a secção de anúncios, o necrotério, a meteorologia, a zona reservada ao ténis, ao pólo e aos desportos urbanos, e até as declarações em ponto de honra, de cavalheiros mal casados, que não se responsabilizavam pelos atos praticados pelas suas indomáveis bocas da servidão.

Isto parece do Triássico, mas não foi há tanto tempo assim.

Houve, depois, um período, eventualmente o que o Futuro chamará Era da Gangrena, em que se coligou tudo o que existia de pior à face da Terra: um traste apostólico, que vinha das minas da Polónia; um ator de segunda ordem, Reagan, que os Americanos consideram ser o seu melhor presidente de sempre, o que diz muito sobre os Americanos e nada acrescenta a Reagan..., e a Cona de Ferro, uma sopeira, madrasta da SIDA, de baixíssimo nível, que resolveu acabar com o poder dos sindicatos britânicos, e lançar a especulação global e a miséria globais, amparadas pela Senil de Calcutá. Surgiram, então os magnates da Comunicação, dois ou três filhos da puta, que iam inaugurar o novo paradigma, aquele em que uma ficção, acertadamente repetida no sítio adequado, acabava mesmo no "Diário da República", ou terminava em emenda constitucional. É posterior a isto a CNN, em que a coisa se tornou com mais... "glamour", e a Aljazeera, em que o Emir do Qatar se tornou naquilo que é: uma das sombras mais poderosas do Mundo.

Por cá, Cavaco fechava as minas, vendia a Agricultura, desmantelava a Construção Naval e as vias férreas, tornava Portugal numa fronteira de importação, e dava carta branca à ascensão da mediocridade absoluta, estado que se manteve, em piorado, até aos dias de hoje, onde, para chegarmos a uma notícia, temos de suportar uma hora de lixo futebolístico, e, garanto-vos, o sistema primeiro, estranhou-se, depois, entranhou-se, e há hoje uma multidão, que vai até ao horizonte, que pensa que a Realidade são as perninhas de senil do Cristiano Ronaldo, a barriga de aluguer dele, a mãe que o queria ter abortado -- soubesses, tu, senhora, o bem que tinhas feito ao Mundo... -- as férias de paneleiro, na Ilha de Mikonos, e a eterna Irina, que, como Penélope, foi transformada na ficção daquela que espera eternamente pelo seu macho, para, pelo menos uma vez na vida, ver o padeiro. Homero irina..., perdão, Homero iria adorar, embora, na minha ótica, ela devesse, de vez, mudar de padaria, mas isso seria desviar-me da linha deste texto.

A questão dos bancos, por que é essencial que abandonemos esta pequena viagem pelos últimos 30 anos, e nos centremos no âmago desta fábula, passa por ser fulcral que percebamos que o nome do carcinoma da sociedade atual se chama Capitalismo Selvagem, e é uma coisa praticada, com alguma diferença de temperos, entre Wall Street, a City, Cuba, o Dubai, Berlim, Moscovo, Luanda, Pyongiang, Tóquio, Singapura e Pequim, tudo ótimos destinos de férias para quem queira escravizar o seu igual...

Marx, que era um obsoleto, dividia o Mundo em Trabalho e Capital, mal suspeitando ele que viria um dia em que apenas haveria Capital y Capital, bons e maus bancos, ou, parafraseando um dos nossos maiores pensadores contemporâneos, Aníbal de Boliqueime, a Boa e a Má Moeda, ou, ainda, nas minhas palavras de quarta classado de tempos passados, a Péssima e a Inacreditável Moeda.


A Inacreditável Moeda tem algumas singularidades, todas elas arrepiantes: o seu zero, que é o de não existir fisicamente, mas apenas em alucinados e cintilantes dígitos de monitores; a primeira, a de que está em todo o lado; a segunda, que estando em todo o lado, está sempre, predominantemente, nas piores mãos; a terceira, que, para poder existir, tem de minar qualquer (ainda) moeda boa, e tudo o que seja o valor do Trabalho; a quarta, que o faz sempre sem qualquer piedade, desde o extermínio local ao extermínio em massa; a quinta, que já se tornou independente das ideologias e até das religiões; a sexta, que nunca é passível de ser utilizada em qualquer das coisas taxadas como valores, à luz dos antigos parâmetros da Cultura e do Iluminismo; a sétima, que é metastática e tenderá para absorver tudo à sua volta; a oitava, que o seu preço será uma guerra global, sem previsão nem localização.

Estas coisas, todas revistas e somadas, têm depois as suas versões locais: foram, até ontem, um branqueamento de capitais numa das mais gloriosas potências emergentes do Mundo, o Brasil, e pelas mãos de uma bruxa asquerosa, praticante de magia negra e de todo o tipo de prostituições do corpo e da alma, chamada Dilma Rousseff. Passou, e bem, a bola assinada pela sua mãozinha sapuda, para as mãos de Putin, um ex KGB ligado a um país onde, outrora, uma mafia ideológica cobria a mafia dos elos sociais, para agora ficar apenas a teia sinistra, que se estende por todo o lado. Dizem que até o Fidel gosta, e sempre gostou: o fumo dos charutos cria eternas amizades....

Em Portugal, a coisa é mais comezinha, ou nem sei se isso, por que, estando o Regime em agonia, a tal coligação apenas presa pelas chantagens dos passados e presentes sórdidos de Passos Coelho e Paulo Portas; a Oposição inexistente, na forma de um vampirismo do temos-de-despachar-isto-depressa-por-que-há-uma-matilha-privada-de-mama-desde-2011; o país a desintegrar-se por tudo o que é lado, com gente que é incapaz de perceber que a Dívida Pública aumentará até ao infinito, posto que, não existindo Economia, e havendo, por exemplo, um crescente número de desempregados, as verbas do Desemprego crescerão exponencialmente. Felizmente, e aqui volto a citar um dos nossos maiores pensadores da viragem do século, o filósofo Aníbal de Boliqueime, a solução para todos estes males "é esperar que morram", e até lágrimas se me soltam, de tanta sapiência, já que isso se estende à Função Pública e ao Setor Privado, aos Reformados, ao empregados e aos desempregados, aos licenciados e aos não licenciados, aos Doentes e aos Saudáveis, aos homens e às mulheres, enfim, a tudo o que bem quiserem e vos apetecer.

A outra singularidade do momento português é que essa transição entre a Péssima e a Inacreditável Moeda se faz através de "pontes vagais", que tanto podem dar no 10 de junho, como no Natal, como e onde quer que seja.

Nos últimos dias, assistimos a uma "crise vagal" que pode parecer incompreensível, mas é linearmente explicável, se percebermos que o tempo se está a esgotar. Tecnicamente, Cavaco Silva, um criminoso, conseguiu ultrassalarizar Portugal, por exemplo, dando rédea solta a uma coisa que o Vacão, e tinha razão, não queria cá, a Opus Dei, mas o Algarvio enfiou, por todas as portas, por exemplo, na forma do BCP. Quando a Maçonaria de Sócrates atacou o Millennium, ao mesmo tempo que o banco do Cavaquistão se desmoronava, com a cumplicidade de outro, ainda mais criminoso do que Cavaco, chamado Vítor Constâncio, de repente, as sombras pardas que tinham pago, por um preço incalculável, a eleição de Aníbal de Boliqueime para "Presidente" da República, viram-se sem bancos físicos, depois de terem percorrido o BPP, o Banif, aquela coisa sinistra do BPI, com o Santander e o Barclays a fugirem, ou a falirem, enfim, abreviando, o que estava mais a jeito era um banco de família, aliás, o último banco de família, que vinha do "Antigamente". Podia escrever outro texto sobre isso, mas não me apetece: desta vez, ainda mais do que no BPN, foi à descarada, enquanto o Marques "Magoo" Mendes piscava os olhos, por que os calendários eleitorais estão aí, e a situação portuguesa é tecnicamente explosiva. O fenómeno não é único: esta súbita "urgência" dos ratos do Costa Concordia deu em várias frentes, nos solavancos da dieta da Ana Drago, nos abutres que se empoleiraram nos ombros do António Costa (parece que até o Taveira ele conseguiu ressuscitar...) e os gajos do Cavaco, as sombras do Regime, os aflitos que sabem que isto pode mudar imprevistamente de rumo, e têm de arranjar rocha para a sua lapa.

Como se sabe, não há banqueiros santos, exceto o São Balaguer, e aquele Jean-Baptiste Franssu (um Francês chamar-se Franssu é de ir às lágrimas, se não fosse para arrepiar....), chegadinho à Opus Dei, para mostrar que a Santa Sé, na sua longa senda dos seus 2000 anos de contra a natureza, conseguiu agora algo de ainda mais extraordinário, que foi juntar a avidez dos Jesuítas com a fome canibal da "Obra". Nada de diferente seria de esperar de um delirante argentino, e, continuando, como não há banqueiros santos, nada melhor do que pôr as toupeiras sapadoras de informações secretas, para descobrir os podres de Ricardo Salgado, que devem ser muito parecidinhos com os podres de todos os outros da Banca.

O que assistimos foi a qualquer coisa de extraordinário, chapado como "natural", pelo órgãos de intoxicação social, e que foi a tomada de assalto de um banco privado familiar pelo abutres do passos-cavaquismo, que andavam desesperadamente à procura de pouso. O cenário, aliás, é o ideal, por que estando Cavaco Silva naquela permanente e irreversível levitação vagal, ficou, como nos formigueiros, na posição da rainha-mãe: já tem o cu tão gordo que está impossibilitado de se mexer, deixando todo o terreno livre para os obreiros cavaquistas. Na sua memória apagada, ele ainda sonha, enquanto a matilha age.

Este é o derradeiro sobressalto do Cavaquismo.

Eu adorava dar um pontapé nesse formigueiro e acabar já com o assunto e os protagonistas, mas muita gente acharia que eu estou a delirar, e, como se tornou natural, e a coisa até nos foi apresentada como... salvífica, e talvez até seja, poucos devem ter sido os que deram conta de que, com a pressa, o processo ficou todo à vista: foi como se tivessem subitamente aberto a luz num dos quartos escuros das saunas de Bruxelas, frequentados pelo Morais Sarmento, e toda a gente tivesse sido apanhada com "ele" todo entalado... O resultado é evidente, temos o BES-Nosferatu, e agora vão chover "figuras próximas de", para preencher todas as frestas ainda deixadas em aberto. Ah, como estamos em Portugal, também já foi escrito o livro, na Leya, claro -- como eu adorava saber improvisar um livro em cinco dias, mas essas coisas são para os grandes escritores, como o Miguel Sousa Tavares e a Inês Pedrosa... -- e espera-se que venha ainda o melhor, que é a Mariza a recitar passagens desse diário da sordidez, como os outros cantaram Boaventura Sousa Santos (!); A Pilar del Rio, com algum (novo) "inédito" do defunto, a fervilhar nas bordas, e talvez a Joana Vasconcellos a ser subsidiada pelo meu amigo Barreto Xavier, para fazer uma merda temática e caríssima sobre o assunto.

A minha esperança, no fundo, é ver rolar a cabeça do Zeinal Bava e do Granadeiro, mas acho que o que vem aí é ainda pior: para a "OI", por exemplo, creio que não há mensalões grátis, nem Telecoms que durem sempre.

Olhem, acho que não me apetece escrever mais, pode ser, ficam bem assim?...

Então, boas férias :-)




(Quarteto do escândalo a céu aberto, BES, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers") 

quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Bilderberg 2014, na forma das "rapidinhas" de um mundo cada vez mais estupidificado, para quem ISIS, Maddies, Ucrânias, MH 370 e abdicações españolas são só milagres da fé e causas naturais de um ensaio geral do pior que para aí vem







Creio que só para os incautos as reuniões do Clube de Bilderberg ainda são entendidas como uns chás de amigos, e não como sinistros encontros, para decidir os figurinos de extermínio primavera/verão, dos anos em que ocorrem.

A novidade deste ano é que se tornaram menos discretos, abriram página, e tudo, e resolveram olear as coisas, para serem mais despachadinhas e terem efeitos mais rápidos.

Da Maddie, acho que nem vale a pena falar, porque já toda a gente percebeu que aquilo tresanda a satanismo e odor de cadáver, por tudo quanto é fresta. O Gonçalo Amaral já lhes começou a dar o tratamento devido, e devia convidar a Kate Healy para o "Bairro Alto", para ela experimentar a célebre bebida do "Pontapé na Cona", que entretanto já fechou, mas a Maddie também, embora as Sombras até a Scotland Yard tenham conseguido pôr em campo -- isso custa uma fortuna, não custa?... --, para chegarem a uma conclusão extraordinária: pesquisaram uns quintais, e como não encontraram cadáver, a Maddie estava viva!... O Aristóteles iria adorar incluir, no seu "Organon", este tipo de silogismo (?), e Santo Anselmo suspiraria, por saber que, em pleno século XXI, continuava a ter seguidores, e tem.

A seguir, vêm as coisas grotescas, um Goya do nosso século, com Juan Carlos, "El d'Elephantes", a ser discretamente substituído por um Felipe Cinco e Meio, de onde se augura que os Bourbons de España começaram com um Filipe e acabarão com outro. Acho-o uma figura para lá deste Mundo, uma espécie de Cristiano Ronaldo, sem lesões, mas empolado de vazios e vaidades, e casado com uma esferográfica, parideira de fendas com ovários, com ar de meninas do "Shinning", e que ainda não percebeu o virote que vai levar. Para os apreciadores de História, o Rey de España representa Castela, e a Rainha, Aragão, ou seja, a Monarquia é bicéfala, e em regime de paridade, e por mais constituições fanhosas que depois tenham feito, Sofia representa a longa linhagem da Casa da Dinamarca, e Letízia os cenários de uma televisão de segunda escolha. A escolha, portanto, mal Sofia se divorcie do vexame que foi a sua humilhação por Juan Carlos, chama-se Aragão, ou seja, Cataluña, o que anuncia um curioso divórcio, mas mais não digo. Fica para os próximos episódios.

A seguir, vêm as coisas piores, porque implicam execuções, genocídios e extermínios, dentro da lógica de Bilderberg. Os Neo Zelandeses resolveram pôr em livro, e o que virá sobre o ato de guerra que representou o MH 370 não agradará, nem na generalidade, nem na especialidade, a ninguém, embora talvez abra um pouquinho mais os olhos a quem costuma ver o solzinho a dançar, ou tenta ignorar que a Interpol está a desmentir estar a investigar o asco que é a COPA 2014, entre búzios e biliões.

A Ucrânia é outra etapa da tentativa de destruição da Zona Euro e do Espaço Económico Europeu. Foi para isso que Obama e Durão Barroso foram eleitos, e têm cumprido bem os seus papéis, sobretudo nesta fase final dos seus mandatos. Todavia, tenho uma vaga ideia de que vão falhar, e o primeiro voltará à sua condição inicial de escarumba hipócrita, e o segundo à de maoista não licenciado. Putin, pelo seu lado, já está a ser contornado, e ainda não percebeu bem, mas deixa-me calar a boca.

O pior dos problemas, na verdade, por que incontrolável, imprevisível e sem fronteiras ainda definidas, chama-se "ISIS", ou lá que nomes lhe foram dando, e começou por ser um ensaio de uma coisa que, como nascida da coxa de Zeus, "naturalmente" Bilderberg pôs a circular em tudo o que são televisões assalariadas, como se desde sempre lá tivesse estado. Assim, contada por alto e às criancinhas, eram uns bandoleiros que, em três dias, percorriam milhares de quilómetros, e conquistavam um país, sem que ninguém desse por nada, nem sequer os célebres satélites contadores de alfinetes da NSA. Vieram não se sabe de onde, já com nome e tudo, e conquistaram a Síria, o Iraque, e fizeram dos mauzões de Teherão uns possíveis aliados. Como se sabe, o negócio da venda de armas não tem senão uma regra, a de vender, e desde logo Ingleses e Americanos descobriram que podiam vender em novos mercados. Ao mesmo tempo, arranjaram-se uns excessos populacionais de Londres, da Holanda e de Madrid, para se irem lá alistar: livram-se deles com ligeireza, e não têm de descer à indignidade do canalha Passos Coelhos, de os "mandar emigrar".

A solução foi tão maquiavélica que nem a Maquiavel lembraria, e, em vez de andar a enviar e a trazer para casa riqueños, monhés e outras raças consideradas "inferiores" pelos Americanos, com uma perna, umas mãos ou uns olhos, a menos, o melhor, mesmo, era explorar as dissensões religiosas entre os próprios muçulmanos, e porem-se a matar-se uns aos outros, poupando os filhotes das mães gordas do Michigan. No fundo, é um ovo de Colombo, e nem está mal visto, uma jihad entre jiahdistas, que tornou o Irão respeitável, poupou mísseis a Israel, e pode estar a caminho de cortar o pior dos nós górdios da região, o célebre tratado de totós anglo-francês, que dividiu a região entre os Estados que tinham petróleo e os que não tinham. Como já escrevi, e é a posição (im)possivelmente oficial do Patriarca Siríaco de Antioquia, os Ingleses ficaram com o petróleo, e os Franceses com o resto, chamado Síria e Líbano, entre outros, para os que tinham o petróleo depois virem bombardear e destruir, e fazer com que esses países ficassem nas mãos do Banco Mundial, para pagarem durante décadas a destruição inflingida.

A coisa foi bem estudada, deve ter rasteirado o próprio Czar Putin, que vai acordar mal, e permitiu fazer a reentrada do velho Irão Persa, no xadrez dos "estados amigos". Brevemente a macaca de Washington apalpará, com carinho, o cu a alguma madame de algum harém de algum ayatolah conservador; os Curdos terão o seu país, retalhado nalguns desertos da Síria e do Iraque, e não haverá homens louros e de olhos azuis mortos no terreno, mas tão só uma drástica diminuição de excessos populacionais muslim, e um aumento muslim de multidões de cegos, amputado, castrados e extropiados.

Parece que, desta vez, o alvo é mesmo o cancro da região, a Arábia Saudita, pátria e banca do terrorismo internacional.

Talvez Bilderberg tenha decidido a queda da Casa de Saud, com a mesma ligeireza com que o dos elefantes abdicou, mas como isto é por episódios, iremos aguardar os próximos, com toda a certeza de que nada do que está a acontecer é o que nos querem fazer acreditar. Será que a Caaba Santíssima será destruída por uma nuvem de drones?... Será que Michele Obama irá para o harém do Emir do Qatar?... O que é certo é que vamos assistir à entrada em cena das poderosas armas informáticas, já ensaiadas no "acidente" do MH 370. Mas o que interessa isso, perante as penosas amarguras do Raul Meireles, das mais pura escumalha portuguesa, e os tiques de favela do Fábio Coentrão?...


(Quarteto da Fraude ISIS, Osiris e Hórus, santíssima tríada dos Illuminati, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 10 de Junho de 2014

Cavaco Silva, ou a indigna "reação vagal" em que Portugal se decompôs, após uns meros e ininterruptos, cousa pouca, 900 anos de História




Para quem frequente bruxas, como eu, que sou usuário semanal de videntes, solzinhos que dançam e deitadoras de búzios, toda a gente sabe que, quando os sinais surgem, não são para ignorar. Há uma semana, se bem me lembro, por que tenho memória cada vez mais curta para as anomalias do Regime, Passos Coelho, uma das mentes brilhantes do nosso séc. XXI, reclamou sobre o Tribunal Constitucional, dizendo que os juízes do mesmo deviam ser "mais bem escolhidos", e acho que tem toda a razão, já que sendo a sua escolha por proposta política, indica, por polissilogismo, que os políticos que os escolhem também deviam ser "mais bem escolhidos", e que, como os políticos são escolhidos pelos partidos, os partidos igualmente deviam ser "mais bem escolhidos", e os cidadãos que neles votam, com acrescidas razões ainda fruto de uma muito melhor escolha, e aqui vamos direitos ao assunto, já que todas as hierarquias eleitas das sociedades democráticas são fruto, mais ou menos direto, da iliteracia que as elege.

Eu sei que isto é chato de se ouvir, e até vou revelar onde está a falácia, que é relativamente elementar, e reside naquele hiato em que os que votam "com o coração" em certos partidos -- e têm todo o direito cívico de o fazer -- muitas vezes se esquecem de que estão a passar carta branca para que os partidos em que votaram depois lá enfiem quem muito bem lhes apeteça, e isso é mato, matagal, floresta, o rosto mesmo da corrupção e decadência em que hoje estamos completamente imersos. Todavia, há 10 anos que digo que deveríamos ter cuidado em quem pomos como Chefe do Estado, já que não podemos incorrer no risco de terem mais "ataques" em ocasiões públicas.

Por que há um tempo para envergonhar, e um tempo para resignar.

Quanto aos juízes, há duas qualidades de juízes: os que vêm do tempo da Santa Inquisição, e nunca foram substituídos, ou seja, sobreviveram, incólumes, a todas as revoluções políticas, e os outros, que, afetados pelos solavancos políticos tiveram a sorte de ser substituídos por outros, piores do que os anteriores. O Tribunal da Relação, também conhecido pelo "Tribunal da Prescrição", é exemplo disso, embora eu, iliterato judicial, desconheça se pelas causas primeiras se pelas segundas, o que aqui é irrelevante, já que converteram a Justiça inteira num Gato de Schrödinger, e só mesmo esventrando o juiz se perceberia se era dos "antigos", se daqueles nomeados pelas seitas modernas... Para os apreciadores, há os nichos de espécie, com pequenos ecossistemas associados, como os célebres desembargadores jubilados, que, mesmo depois dos 80 e 90 anos conseguiam decidir, no primeiro Cavaquismo, se as expropriações do IP4 valiam, para os estranhos 1€/m2, e para os "amigos" 1000 vezes mais.


A minha questão é que o Tribunal Constitucional é coisa pouca, já que a sua única função é apenas defender a Constituição, um papel, ora, em período de crise é injustificável que se andem a pagar salários milionários para um bando de Chancerelles de Machete andarem a defender um mero... papel. Para isso, arranjava-se uma solução mais barata, enchendo aquilo de Relvas, Galambas, Pintos da Costa, Joanas Vascocelos e Inêzes, Pedrosas ou de Medeiros, consoante o gosto e o timbre. Acontece que acima, ou, pelo menos, ao lado, está o Supremo Magistrado da Nação, que hoje, depois de um "reação vagal", distribuiu caricas por tudo o que era a Brigada do Reumático, desde a Romana, a Ágata, a Teresa Guilherme, o Tony Carreira (está mal, coitado...), a Fanny, da "Casa dos Segredos" e a Betty Grafstein (está quase ligada às máquinas...) Até o Eduardo Lourenço apareceu, mas num estado de quem já nem percebia o que estava a fazer ali.

Contando comigo, fomos dois: eu e ele.

Todavia, realmente preocupante, foi a "reação vagal" do Vacão de Boliqueime. Há por aí um vídeo extraordinário, da "SIC-Notícias", (afinal é este, e é da "TVI"), em que se percebe que a criatura, cheia de comprimidos, para se manter de pé, quando começou a deixar de se poder manter em pé, e foi amparada por uma multidão se carcaças, nem sequer percebeu que já não estava ali, e que estava num estado que não era estado para estar onde quer que fosse, muito menos para estar a vexar um Estado chamado Portugal, no seu Dia Nacional. 

Como não há miséria que não atraia miséria, depois de arrastarem o cadáver adiado para detrás de um tapume, veio o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas reclamar que se respeitasse Portugal e as suas Forças Armadas, ora, a questão está posta ao contrário, posto que um país que decaiu ao ponto de estar mundialmente a ser representado pela Caricatura de Boliqueime, ainda por cima, Comandante Supremo das Forças Armadas, necessita urgentemente que essas mesmas Forças Armadas o ajudem a recuperar a credibilidade mundial, aconselhando o cidadão, visivelmente debilitado, a que se retire, enquanto estamos no tempo de manter a dignidade. Na verdade, Cavaco Silva está muito próximo do estado em que estava o Salazar, depois de cair da cadeirinha, só que nós ainda não percebemos, ou não queremos perceber isso.

Não são os cidadãos que estão a desrespeitar a República, é Cavaco Silva que a está continuadamente a vexar, com o beneplácito das Forças Armadas, que juraram defender a Constituição, que, como corre por aí em anedota, já deu origem ao "Violador de Massamá", de tantas as vezes que Passos Coelho a violou. Um Governo que todos os anos viola a Constituição não é um Governo, é uma associação de malfeitores, que decidiu, com o beneplácito do Doente de Boilqueime, trair a Pátria.

Miterrand escondeu, durante dois mandatos, que tinha um cancro na próstata, coisa irrelevante, por que a próstata não comanda países nem exércitos: grave é quando a próstata se chama degenerescência neurológica, e arrasta um país para o abismo, durante décadas e, mesmo assim, não descola. Creio que a tal "reação vagal" -- mas isto sou eu, um otimista, a pensar alto -- não tenha sido mais do que um sobressalto da consciência, daquelas visões que se têm na hora da morte, e Aníbal de Boliqueime tenha finalmente olhado para trás, e visto o enorme e vago vazio que foi a sua presença na História de Portugal. Ao contrário de Pascal, a quem o silêncio eterno daqueles espaços infinitos apavorou, talvez também Cavaco tenha entrevisto com que letras vergonhosas irá ficar manchado para a Eternidade.

Para que não seja tudo miséria, os parabéns para o criminoso António Borges, que também foi "caricado" postumamente, pelos serviços prestados, contra Afonso Henriques, à apátrida Goldman Sachs. Por fim, gostaria de celebrar Camões, e aqui fica uma única palavra para a grandeza, no meio dos dejetos atrás percorridos. Creio que, para além disso, também hoje aprendemos mais qualquer coisa, e que inverte o que nos ensinaram sobre repúblicas e monarquias. As últimas tinham a má fama de serem lá postas e ficarem para sempre; as segundas, de poderem saltar a qualquer momento. Como somos um país de aberrações, aquilo a que hoje mais uma vez assistimos é a prova provada do contrário: os reis começaram a perceber quando era chegada a sua hora de sair com dignidade; as lapas, depois de arruinarem uma nação, continuam a achar que têm direito a um prolongamento, sim, e têm, no país da Marisa, da Joana Vasconcelos e do Cristiano Ronaldo.

É a seleção da nossa seleção e é justo que perca até ao fim.


(Quarteto do inconseguimento vagal, sem classificação possível, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers") 


terça-feira, 27 de Maio de 2014

A aurora dourada do Syriza, na forma sublimada do "front populaire" de Marinho Pinto




Imagem do Kaos


Estava eu ontem, no "Frágil", naquele enlevo de alma, ledo e cego, que as sondagens não deixam durar muito, a esvaziar uma garrafa de "Black Vodka", com o Rui Tavares. Ele tinha apostado que enfiava dez amigos no Parlamento Europeu, mas eu, ligeiramente eurocético, continuei, até à última, a insistir em que ele nunca passaria de oito amigos, e um par de mamas, quando muito. Quando chegou o terremoto, ficou com o par de mamas na mão e um horroroso bafo de álcool, no ar. Pedi licença, e dei o fora, que a noite ia ser daquelas longas.

Como imaginam, isto é apenas a parte ficcional deste texto, pelo que vamos já à realidade, e a realidade é que que quero, do alto destas pirâmides, saudar o profundo civismo que representou a maioria absoluta representada pelos sessenta e muitos por cento de abstenção portuguesa. Para mim, perfecionista, teria ficado mais satisfeito com uns 70%, mas fica para as Legislativas.

O lado bom da coisa é que finalmente assisti a umas eleições onde todos perderam, subterrâneo desejo que tenho, sempre que começa uma daquelas mobilizações de branqueamento de capitais, a que chamam "Futebol", mas costumo ter menos sorte, embora continue em crer que lá chegaremos, um dia, por que é preciso variar.

Os vencedores, evidentemente, foram o "galambizado" PCP (alguém, alguma vez, ouviu o PCP não se afirmar vencedor de qualquer eleição?...), a Coreia do Norte, que vai estabelecer parcerias estratégicas com Angola, a Nádega de Assis, que conseguiu uma vitória "estrondosa" sobre toda a "Direita", que não de Assis; O Coelho e a Zsa Zsa Gabor, que conseguiram reenviar para Bruxelas, o outro Coelho, ainda mais medíocre do que o segundo, ou o primeiro, sei lá, coordenem como quiserem; o Bloco de Esquerda, que pôs lá uma de tal Marisa, para poder excitar a líbido entorpecida das cadeirinhas de rodas alemãs, e... e... e... o Marinho Pinto, uma espécie de coisa em forma de assim, que realmente surpreendeu, e provou o estado a que chegou a "Coisa" Europeia.

A verdade é que o redesenhar das bancadas parlamentares apenas veio confirmar o estado de desagregação e dissolução do Projeto Europeu, minado por neo-maoítas, neo-liberais, senis de 68 recauchutados, porteiras de Leste de estalinismos falidos, o ranço dos Centrões, os democratas ajoelhados, os socialistas empalhados e as grandes surpresas da noite, que só surpreenderam os surpreendidos, e que foi o cavalgar das Extremas.

A Senhora Le Pen conseguiu colocar lívida a infinita sapiência do Professor Marcelo, que nem com os maiores bochechos de demagogia conseguiu esconder o facto, e encabeçou a tal mancha de deputados que não se encaixam em lugar nenhum, mas se arriscam a pôr o Parlamento Europeu inteiro a ter de se encaixar neles.

Nesta altura, o Rui Tavares já tinha passado da previsão de eleição de 10 para 11 deputados do "Livre", e eu já nem um par de mamas lhe tinha para oferecer, pelo que lhe enchi o copo de "Vodka Negro" e lhe dizia, "bebe, filho, bebe, que faz bem beber, para esquecer...", pensando que o Parlamento Europeu já estava minado de gatos fedorentos e oportunistas suficientes que chegassem.

Num nível mais elevado de análise, é bom saber que o Sr. Kissinger, quando empurrou o "Cherne" para a Presidência da Comissão Europeia, como o primeiro-ministro mais medíocre da Europa, estava realmente a apostar no homem certo: Barroso deixa um Continente à beira da Guerra, da Grande Depressão, da desindustrialização, da Deflação, da ascensão dos extremismos, da glorificação dos neo-nazismos, com um oceano de desempregados, de miseráveis, de mafiosos, escroques, novos ricos, carteiristas de dinheiro sujo, e que passou a ser uma espécie de cano de esgoto mundial, debaixo das gargalhadas da Rússia, da China e dos países que nos chamam "Museu do Velho Mundo".

O meu sonho, confesso-vos, vão mesmo ser os profundos diálogos entre o Marinho Pinto, a Ana Gomes, nos dia da bêbeda, e a Marine Le Pen: qualquer coisa muito, mas muito, para lá da marinada imaginação da Teresa Guilherme.

O Rui Tavares dizia-me que eu era um exagerado, e o homenzinho até era sério, já que tinha feito dois cursos ao mesmo tempo, um, aos gritos, em cima das mesas da Faculdade de Direito, e o outro em cima das mesas da Faculdade de História, com o Livrinho de Mao Tse Tung nas manápulas, clamando por "APTOS", que tantos cursos honestos deram à canalha política que nos conduziu ao abismo presente. Eu, como sempre, mais modesto, defendi que Durão Barroso, de facto, tinha feito História, mas História da negra, como tantos bandalhos da sua laia. A preceito, só lhe falta agora uma "saída limpa", como a de Mussolini e da Clara Petacci, eventualmente, com o Aníbal de Boliqueime a medalhá-lo, mas pendurado pelos pés, ao esvoaçar de uma bandeira de caricas coloridas.

Felizmente há luar. Para vocês, que já imaginarem o que aí vem, e é bem feito, ai, tão bem feito, -- não é Rui, já para aí caído, no chão do "Frágil", a sonhar com 111 deputados... -- felizmente há esperança: quando já pensávamos ter batido no fundo, Pinto Balsemão, o Governo Sombra de Portugal, há quase meio século, depois de ter atingido um mínimo absoluto de pores do sol no Cairo, ao convidar Clara Ferreira Alves para Bilderberg, consegue agora melhorar a sua melhor marca, em 2014, ao convidar para Bilderberg-Copenhaga, uma das almas mais medíocres que já passou pela Universidade Nova, a gaja dos voos semanais para Paris, Inês de Medeiros. Sim, mais abaixo, seria difícial, eventualmente, a Ágata, ou a Romana, mas ele lá terá as suas razões: não nos esqueçamos de que o Centro Cultural de Belém está órfão de cavalgaduras, desde o óbito do outro...

Creio que o Patrão das Sombras, depois do pôr do sol no Cairo, estará agora a preparar, para Portugal, um amanhã de auroras douradas que cantam. Faz bem, aliás, muito bem, como já começaram a afirmar os "Mão Morta"...



(Quarteto das extremas, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

A viagem de Ébola a Lampedusa, by Mörike





Imagem do Kaos



Como já devem ter percebido, estamos em guerra, e vêm aí tempos difíceis, mesmo para o meu habitual estoicismo, vertente epicurista, e a culpa não é senão nossa, enfim, minha, não propriamente, porque já vão longos os anos de aviso. A verdade é que entrámos numa nova era, a do Faz de Conta, ou, por extenso, a Era do Faz de Conta, que se divide em três partes, o antes do Faz de Conta, em que se fazia de conta a fingir, o momento do nascimento do Faz de Conta enquanto Faz de Conta, e que tenho alguma dificuldade em precisar, mas deve ter sido, mais ou menos contemporânea do tempo em que o canalha do Durão Barroso recebeu, nos Açores, os gajos que iam para o Iraque procurar as armas químicas que estavam a ser armazenadas na Síria, e, por fim, o depois da Era do Faz de Conta, ou como Pessoa diria, o Faz de Conta todas as contas, inaugurado há um mês, com a versão Maddie do MH370.

Tudo isto seria engraçado, se não fosse altamente preocupante, por que, linguisticamente, a distância que separa o emissor, a mentira e o recetor deve ser tendencialmente diferente de zero, de modo a que o circuito se mantenha na forma clássica. Acontece que, presentemente, a tendência foi para a mentira se tornar infinitesimal, e, faz agora um mês, conseguiu-se uma coisa extraordinária, que foi o recetor ser impregnado pela mentira, sem qualquer necessidade do emissor.

Como diria Carlos Moedas, um criminoso da Goldmann Sachs, estava-se a cortar nas gorduras da Mentira, o que é correto, em termos de contenção para muitos, e enriquecimentos para os das sombras.

Para os apreciadores de História, a quem recomendo a "Crónica de Theophanes", que retrata os negros séculos que vão, mais coisa, menos coisa, de Heraclius ao Período agreste dos Iconoclastas, estamos a entrar num daqueles períodos que, apesar de muitas vezes revisitados, insiste em se revisitar a si mesmo, e isso é mau, posto que, salvo alguns extermínios, culmina sempre em guerras.


Não vejo nada de mau no princípio, já que prefiro que matem a gorda do prédio do lado do que ver destruída a Catedral de Chartres, com o pequeno senão de que, para Bilderberg todos nós somos a gorda aqui do lado, e Chartres pode ser apenas um... obstáculo.

Os sinais, obviamente, só não são legíveis para quem não os queira ler, e são completamente irrelevantes para um país que consegue estar a ouvir falar de Futebol da 8 às 2 da manhã, e até acha natural, com as ligeiras interrupções em que aparece o filho da Laura, do Pau de Cabinda, soltar umas bojardas, imediatamente desmentidas, ou consentidas, ou por um subsecretário de um secretário de Estado, ou pela Zsa Zsa Gabor, num intervalo da duchinha do Estoril Health, ou pela Margarida Rebelo Pinto, a quem fizeram um filme de merda sobre a merda daquilo que ela escreve. 

(Manuel) Alegrem-se: amanhã poderá ser sobre um "best-seller" do tal filho do Tordo...

Em cima da mesa estão os condimentos todos: suponho que não valha a pena falar da Ucrânia, posto que, para quem escreva a frase "anexação dos Sudetas", no Google, se lhe dispare o filme todo: a anexação irá até onde se consentir, e termos que, em Platão eram "degenerados", como o de "plutocrata", são agora plausíveis, e "interessantes", já que a geo política desses territórios dominados pelas mafias locais, substituiu a lógica política pelos oráculos dos "plutocratas", coisa que muito enterneceria Maquiavel e o filho de Alexandre VI, Borgia. Veremos quem serão os novos protagonistas da nova partilha da Polónia, mas talvez inclua o José Mourinho, em representação do Abramovich.

A Nova Idade Média, evidentemente, não se esgota aqui, já que a fragmentação dos territórios, compulsivamente organizada em redor dos iluminismos e dos ideais maçónicos, tende agora para regredir aos sonhos da Nobreza Negra, dos Frescobaldi, encarregados da eleição papal, até aos extremos Ratzinger e à caricatura Francisquinho: os nomes disso tudo são República de Veneza, Cataluña, Crimeia, Pais Vasco, Escócia -- o que levou apressadamente a velha Betty a Roma, não fosse o Bergoglio, permanentemente entregue aos seus disparates, reconhecer na Caetana Fitz-James Stuart da Silva a herdeira do Trono católico de Glascow e Edimburgo -- e mais umas preciosidades afins.

Aqui, felizmente, parece que as eleições para a Liga estão em forma, e abriu o Canil dos Pastorinhos, em Fátima.

Coisas mais sinistras, foram a visita do dentes brancos, a Bruxelas, dizer à Europa para se amanhar com a anexação de Odessa, regresssando ao Isolacionismo de Woodrow Wilson, as manobras russas no Ártico, já que a desativação das Lajes, e o súbito interesse do Preto do Tea Party pela Escandinávia mostrou que a nova rota da guerra passará por aí: é mais perto, vem por cima, e é menos detetável, como o MH370, o ponto mais alto da intoxicação do Faz de Conta Global, que se instalou.

Adorei aquele satélite que dava uma rota que tanto podia ir para cima como para baixo, tendo-se optado pela "para baixo", já que se perdia o rasto e se ocultava a secretíssima manobra militar que ocorreu no mês passado. Um mês, aliás, até dá tempo para deitar ao mar umas caixas negras fora de prazo, para baralhar mais as pistas. Tecnicamente, o ter tornado um avião comercial "invisível", durante horas, a ser comandado, de terra, por intromissão no seu sistema informático, com toda a gente morta, a bordo, e... e... e, aqui, está a minha dúvida, saber se a sofisticação da intromissão já permitiu fazê-lo aterrar incognitamente, em terra incógnita, o que mostraria, doravante, o poder de, a partir de uma simples ordem de consola de computador, num só momento, reunir a maior força aérea de ataque de sempre: todos os aviões, de todas as rotas comerciais do Mundo, subitamente colocados, como drones, nas mãos das Sombras que reinam no Globo, para se despenharem nos lugares de maior conveniência. Ao pé disto, o 9/11 seria uma história da Carochinha, mas vamos esperar para ver, ou para nem ver, já que a coisa está a ser descaradamente ensaiada debaixo dos nossos olhos, entretidos que estamos com a "solidariedade" daqueles países todas da zona, que não se podem, nem cheirar, entre eles. Obviamente, tratando-se de um ensaio público de uma arma secreta, arriscamo-nos a nunca ficar a saber nada.

Todavia, o que mais me assusta, é a fronteira sul da Guerra, já que estou num país do Sul, e odeio o Norte, por inerência: um destes dias, e por que alguém se lembrou de voltar a brincar aos ébolas, desembarcará, numa daquelas rotas de tráfico de invasão e escravos, que passa pelo Algarve, pelas Liparii, por Malta e por tudo o que seja sarjeta europeia, um casalinho, de filho ao colo, e vírus no ventre. Será carinhosamente tratado em Lampedusa, e quero ver que estratégia terá então o Grupo Parlamentar Le Pen-Wilders para lidar com uma epidemia dessas na Europa. Creio que, como diria Obama, "yes, they can", e, em último caso, a Liga Norte passará a ouvir o "Dom Carlos", no Alla Scala, com a Princesa de Eboli a ser substituída pela Princesa de... Ebola.

Todavia, nem tudo é mau: Kim não sei quantos Jung foi reeleito Líder Supremo do Estado mais miserável do Mundo, e a Itália já vai no seu terceiro, creio, primeiro ministro que dispensou eleições. Quanto ao Ébola, parece que vem de uns cafres que o apanham, por andarem a comer macacos que foram contaminados por morcegos. É justo, e, em vez de andarem a tratar dos doentes, será melhor que cortem o mal pela raiz: dizem as más línguas que este novo surto foi devido a um descuido da Michelle com um dos seus guarda costas: a NSA que lhe controle um pouco mais os movimentos, e a feche, um mês, com um vibrador, até a doença ser erradicada.

Um toque de esperança, afinal, não é?...


(Quarteto de humor francamente pessimista, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")