segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Nous sommes Syriza, ou o fim do "porreiro, pá"





Imagem do Kaos




Diz o almanaque "Borda d'Água" que no final da náusea está sempre o vómito. Para o infindável vómito europeu, o fim da náusea chegou agora, por uma mão inesperada, e, hoje, de um extremo ao outro do espetro político, todos estamos a ser, de algum modo, Syriza.

Estrangulada pelos fantasmas financeiros, a Democracia, ou seja, um dos maiores legados da Grécia, ainda os teutões andavam enrolados nas suas fedorentas peles de urso, e confinados à fronteira específica da sua barbárie, chegou a 25 de janeiro do ano de 2015 com uma estranha capacidade de nos surpreender. Não, não se trata de um roteiro construído por cartazes, por comentadores comprados, por professores marcelos, e anões de Fafe, nem por televisões polidas, e por gajas amigadas com produtores, ou "escritoras" de meia leca, com opiniões sobre tudo: trata-se de um povo que se fartou, e vomitou, e, como na catarse, de outro grande grego, Aristóteles, todos nós, hoje, vomitámos, com gosto, e em conjunto, com os Gregos.

Nestas coisas, por que se infiltram primeiro, se instalam depois, e só muito depois as sinalizamos, é um pouco difícil situar onde começou a história. Entre os pessimistas, nos quais não me incluo, embora permanente criador de críticas de teor pessimista, toda a Europa, e o seu projeto já seriam, pelas suas próprias premissas iniciais, um cenário autofágico, do qual a contemporaneidade não passaria, senão, de uma solução dramática, mas determinista, de uma complexa equação diferencial, desde sempre, pela qualidade dos seus coeficientes, sinistramente anunciada. Na verdade, o Sonho Europeu, uma espécie de Estado fluído, com lugar de paridade para todas as nações, é uma utopia de todos os tempos, de Alexandre a Jean Monnet, e a sua doença não é mais do que uma espécie de bernardoeremitismo de alguns parasitas que foram ficando, ao ponto de confundirmos as suas mórbidas tenazes com a ilusão da concha.

Começámos a pensar em Paz e acabaram por nos tentar vender uma confusão entre equilíbrio de contas de mercearia e Felicidade.

Duas guerras miseráveis, a que acrescentaria, apenas por melancolia, uma terceira, que levou a que a Imperatriz Eugénia, horrorizada, fundasse a Cruz Vermelha, e, implicitamente, ditasse que aquilo nunca mais se deveria repetir. Repetiu-se, todavia, e repetiu-se, numa rota de Saturno devorando os próprios filhos, com cada vez maior violência e intolerância, até que se dissesse que teria mesmo de acabar, e acabou, na mais longa paz do Continente, onde a existência de uma macroestrutura converteu os atritos locais em perspetivados cenários regionais.

Talvez essa polifonia seja já a mais importante conquista da Europa, a de que, independentemente dos seus problemas, não voltará a haver rastilhos para afrontamentos globais.

Eu sei que esta frase será penosa para Putin, e incompreensível para o imbecil Obama, que deverá interrogar-se sobre a relação entre o seu Quénia ancestral e a Acrópole de Atenas. A verdade é que não há relação nenhuma, e nunca voltará a haver, pelo, menos até que desapareça do cenário de desastre que consentiu e semeou.

Politicamente, a doença europeia chama-se, hoje, "políticos", pela simples razão de que o bernardoeremitismo da mimese do crime instalado levou a que se chamasse "políticos" a comediantes cuja única função era a de colocar nas mãos de 1% da Humanidade 90% das suas riquezas. Para mais, vinham todos das sarjetas dos maios de sessenta e oitismos, dos maoismos, das repelências da Alemanha de Leste, como a porca da Porteira Merkel, ao volante do Trabant da sua juventus estalinista, e dos cheguevarismos da punheta branda Para mim, avesso a todos os socialismos que não os da paridade pela abundância, todas essas gentes são o meu pior inimigo, e sempre lutei, e lutarei, com as minhas ferozes armas de escrita, ignorando-os, e contrapondo, a cada uma das suas fraudes, a minha meta pessoal de uma democracia aristocratizada. Talvez seja esse o grande sucesso dos textos que escrevo, já que, não devendo nada e a nada aspirando, eles se tornam imposicionáveis, e inerentemente incómodos, mas esse sempre foi o grande trajeto das Culturas, deixando que o Tempo eliminasse o main stream da habituação, para o substituir pelas singularidades da época.

Para trastes como Miguel Sousa Tavares, José Miguel Júdice ou os aleijões de coda dos telejornais, a instabilidade que gera não conseguir situar numa genealogia de subserviências, ou de qualquer expectativa de ganho financeiro, o livre pensamento, deve ser terrível. Para mim, como para todas as novas correntes apolíticas que estão a atravessar a Europa, são puramente um desafio. Jaz a falácia em que, sendo tudo político, toda  a nova política se fará também à margem dos velhos modos. De algum modo, estamos a reviver os fins da caduca III República Francesa, em que se perguntava por que eram só homens de 80 anos que ocupavam os postos decisórios, e a resposta era que tal se devia aos de 90 já estarem todos mortos...

Na Europa contemporânea, a questão é de saber por que é que são sempre os corruptos a ocupar o Poder, e a resposta é que os mais corruptos os já morreram ou ainda estão por vir, e aqui chegamos ao núcleo da questão: Tsipras, a quem o Sistema gosta de apresentar como de "Extrema Esquerda", não é mais do que o extremo desconforto a que a Cidadania chegou, relativamente ao extremo politicamente correto da estagnação. Numa enorme maré de inquietação, todos os badochas televisivos, subitamente tornados em especialistas syrizistas, ou syrizaicos, ficaram muito incomodados com o "para onde" e "com quem" a Grécia estava a ir, esquecidos, na sua imbecilidade menor, de que todas as revoluções se moveram, sempre, mais pela insuportabilidade de um "onde", onde já era consensual não se poder permanecer, independentemente do lugar onde se iria depois chegar. Na realidade, como todos os sistemas dissipativos -- e Tsipras, como Engenheiro Civil, sabe-o tão bem quanto eu -- o abandono das condições iniciais levará inevitavelmente a um estado posterior de equilíbrio, regido pelo Princípio de Curie, com todas as suas simetrias e os seus rastos, embora, e é aqui que a coisa é fatal para o status quo, o reequilíbrio apenas reinstale a sombra das causas, mas contornando irremediavelmente os anteriores intervenientes. Para toda uma corja, supostamente instalada no Fim da História, é justamente esta possibilidade de substituição dos pantomineiros que se torna insuportável, já que a estratégia de décadas foi a de blindar o acesso aos poderes de decisão.

Vista nesta perspetiva escatológica, torna-se claro que um já esteja preso, em Évora, e o outro apenas aguarde o "porreiro, pá" da sua vez...

Já que tivemos de passar pelo fedor desses dois, causa e efeito de coisas inacreditáveis, que nos deveriam chocar muito mais em Democracia, do que as vitórias de Tsipras, ou o desconforto dos Lepenistas e das auroras douradas, como se tornou a moda dos governos não plebiscitados, e dos primeiros ministros contornadores das urnas, mas muito a gosto dos criminosos do Banco Central Europeu, e dos Moedas, por sua vez, ao serviço de Bilderberg e do polvo global da Goldman Sachs, concluamos o resto.

É verdade que houve um momento em que a enorme conspiração internacional sonhou com criar um sistema onde as peças se autoreplicassem e impedissem o acesso de elementos estranhos ao jogo. Aparentemente, em 25 de janeiro de 2015, a Grécia decidiu acabar com esse sistema, dinamitando-lhe os alicerces, independentemente dos efeitos que toda a ruína da estrutura pudesse provocar, e é isso que me está a dar, enquanto cidadão, um gozo supremo.

As chamadas "Extremas", com esta rotura de paradigma, tornaram-se imprevistamente estruturais, e ameaçam converter-se agora na nova espinha dorsal de algo do qual o velho sistema não será, senão, uma periferia, a breve trecho convertido, por inversão, ele mesmo, num radicalismo arqueológico, a que torceremos o nariz.

Com o Syriza, há tão só, o triunfo da Política e da Cidadania, mas não a apoteose de uma cor política, e deve ser isso, entre muitas outras minudências, que angustia os nossos fazedores diários de mentiras.

Descendo das reflexões metaestruturais para a nossa miséria local, mais uma vez, enquanto Cauda da Europa, e permanente -- Fátima, Futebol e Saramago -- lugar de chacina da independência do Pensamento e da possibilidade de genealogias da reflexão, que não passem pelo clubismo, pela imbecilidade e pelo vazio, nos damos conta de ter perdido, mais uma vez, a carruagem da História. 

Eu explico: uma vez syrizada a Grécia, todos os Estados adjacentes rodaram os olhos, em busca do seu Syriza, e por aí andamos, com a España, já na ponta dos pés, a apresentar a sua solução. A nossa, obviamente, não existe, como também não existia o "Charlie Hebdo", mas apenas oscilações entre o caduco "Expresso" e o pasquim do Idolatrário de Fátima, entretidos que andámos com "Livres" e com grupelhos de egos perturbados e onanistas, apresentando escroques, como os "Gatos Fedorentos", ou os muitos rui tavares da nossa mediocridade, como "alternativas", mas sempre "com respeitinho", ou, muito à Portuguesa, "alternativas" que, em momento algum, perturbassem ou colidissem com a paz do Sistema.

Brevemente, seremos sacudidos de fora, e forçados a acordar. Muito melhor do que a vitória do movimento cívico Syriza é, entre nós, e para já, o efeito colateral do óbito, ainda no ovo, do Napoleão de Goa, António Costa. Dos outros, já nem falo, por que há muito que estão mortos, esqueceram-se foi, creio -- não é, Senhor Aníbal, de Boliqueime?... -- de os avisar.


(Quarteto do nous sommes Syriza, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sábado, 17 de janeiro de 2015

O mono de Cristiano Ronaldo, como mais um dos saramagos da agonia do nosso descontentamento







Pequeno horror deprimente de Ricardo Veloza



A coisa é histórica, e, logo, cíclica: todos os fins de época se caracterizam pela epidemia das efemérides, ou, mais precisamente, quando as civilizações se encontram a chegar ao seu terminus, se afundam na necessidade de fixar a agonia de cada um dos seus passos finais. Na verdade, tal como no jogo da Vida e da Morte, os impérios ascendentes não têm sequer tempo para contemplar os seus rastos: a caminho do Hyphasis, Alexandre -- Eskandar - e Maqduni -- limitava-se a semear, como pegadas, Alexandrias, e nunca olhou para trás, nem quando deixou para sempre Niceia Bucéfala, e entrou para a imortal estrada dos mitos. No seu final, estes mesmos impérios limitam-se a contar migalhas e fundir os últimos bronzes das poeiras que a História rapidamente devorará.

A frase nada tem de novo, quando se diz que a Europa, ou, sobretudo, o Ocidente, estão profundamente doentes. Os episódios "charlies", uma espécie de inventona de 11 de setembro-plus, permitiu enterrar os últimos resquícios de um modo transgressivo de estar na sociedade, e cada quintal se limitará, agora, a fazer as exéquias locais, de acordo com o seu sotaque.  Digamos que foi um atentado conveniente, já que conveio a toda a gente, e até permitiu que fingissem estar todos de luto, depois do alívio de se desembaraçarem de um parceiro inconveniente. Envergonhadito, o país culturalmente miserável, que é Portugal, também teve de dar infinitas voltas à sua minúscula cabeça, para finalmente descobrir que nunca poderia haver cá nenhum atentado "Charlie Hebdo", pela simples razão de que não tínhamos nada com escala e paralelo... Ajustada a lupa, apenas o venerável Vilhena, com a sua memorável "Gaiola Aberta" lá ficou, muito para trás, e só o Kaos, cujo trabalho os mesmos filhos da puta, que agora são capazes de andar de "Je suis Charlie" nas unhas, sabotaram, embora o Kaos seja superior em nível, e já tenha entrado para a História do séc. XXI, numa cronologia apenas comparável com a do Bordalo.

Em Portugal, desde os tempos do Vacão, para não recuar um pouco mais, os males chamam-se, e arrastam-se, com os nomes de Fátima, Futebol e Fado. Ao Fado já ninguém liga, posto que as discotecas e as drogas sintéticas se encarregaram de substituir esse tripé. Há uns lugares de arqueologia, onde os estrangeiros vão dar uma rapidinha, para dizerem que ouviram, e os sucedâneos, como o tal Peixe Panga, envenenado por todo o lixo do Mekong, que há quem coma, nas embalagens do extraordinário fake Marisa -- a tal que odiava Fado -- e da Katia Guerreiro, entre outros monos, alimentados, para os basbaques, a hélio e hidrogénio.

De Fátima não vou falar, embora nesta época de efemérides, o idolatrismo que lhe subjaz tenha sido transposto para a adoração dos cus de bode que infestaram os estádios. E tal como nunca fui a Fátima, também não percebo nada de Futebol, pelo que estou plenamente à vontade para falar de Cristiano Ronaldo, que muitos confundem com Desporto, tal como a Marisa é confundida com o Fado e o Saramago com a Literatura.

Tudo isto já estava previsto em Bourdieu, e no seu capital simbólico, onde é o Poder e só o Poder que classifica os seus símbolos de acordo com a total inexistência de um código de valores, legitimando e reproduzindo uma estrutura social completamente gangrenada. A impossibilidade de crítica permite assim uma permanente parábola de cegos, e todas as suas consequências são imediatamente epigrafadas por outros dois títulos célebres, que não precisam de mais do que serem enunciados para exprimirem tudo o que hoje se passa, a "Era do Vazio", de Lipovetsky, e "A Ascensão da Insignificância", de Castoriadis.

Nesta sequência, entramos diretamente em Cristiano Ronaldo, uma fraude absoluta do nosso pequeno quintal, que se tornou imprevistamente indispensável na retórica e na narrativa dos espaços coletivos mais vastos, da intoxicação dos valores mundiais e suas redes de branqueamento de capitais.

Basicamente, Cristiano Ronaldo, um subproduto dos órgãos de propaganda e da indústria de reconstrução plástica, tem, dentro da era do vazio, e como exemplo da ascensão da insignificância, uma plataforma à la bourdieu, já que que permite, na trajetória de colisão de uma geração completamente perdida, contrabalançar a lepra que se junta ao "Estado" Islâmico, por total ausência de futuro e esperanças, surgindo, como exemplo e farol regulador, de como se pode vir do nada e chegar à posse do quase tudo, através da lei do menor esforço. Do ponto de vista teosófico, Cristiano Ronaldo está no mesmo patamar dos milagres, já que ocorre naquele mesmo eixo sequencial, que, não cumprindo as leis da causalidade, permite que uma causa estranha desemboque numa consequência imprevista. No caso dele, até já teve direito a várias: uma universidade canadiana, na Colúmbia Britânica, onde se ministram cursos  (!) sobre o vazio do "fenómeno" social -- de o maior jogador do século -- e, proximamente, de todos os tempos (!), sendo que, quando se chegar a Marte, o padrão dos descobrimentos também terá as suas iniciais, CR7, como minúsculas dedadas da nossa cegueira, com uma pequena epígrafe gravada em platina ou paládio: "dorme como um marine, come como um menino e treina como um bailarino", ou vice versa...

Probabilisticamente -- mas o que é que uma sociedade doente, como a nossa, percebe de probabilidades?... -- a emergência de um ronaldo é de um para 10 000 000, o que, curiosamente, não deixa que não cumpra, à justinha, o seu papel epifânico e messiânico. Creio que, durante uma década, tal como a hipótese remota de ganhar o euromilhões, serviu para manter entretidos os horizontes suburbanos. Aparentemente, durante um dos maiores desastres do Ocidente, o Obamismo, houve uma súbita rotura de paradigma, e esta mesma sociedade, incapaz, como Roma final, de produzir tecido urbano, começou a ver os seus próprios suburbanos desacreditarem dessa permanente e ansiada expectância do milagre, para partirem, em massa, para realizar a violência  e a vingança, nas terras de ninguém sírias. Acontece que, mais uma vez ciclicamente, como a História, os atuais romanos, fugidos dos seus núcleos urbanos, procurando a calma das periferias, descobriram que era justamente aí que também já estavam instalados os mesmos bárbaros de que fugiam.

Os valores da carnificina dificilmente poderão ser contabilizados, pois só agora começou a matança. Para quem goste de nomes, tem por cá a coisa triste em que se tornou a Linha de Sintra, assim como para mim, frequentador da Francofonia, sei quanto, e há quanto, me são penosas aquelas fronteiras invisíveis dos subúrbios de Paris, ou o horror da Gare du Midi, de onde subitamente caímos de Bruxelas no Magreb. Tudo o que agora está a acontecer não era senão uma questão de tempo.

Para mim, o cenário está traçado. Todavia, para os argumentistas desta gigantesca fraude contemporânea, ainda resta a fuga para a frente, através da necessidade de imortalizar um valor vazio, e é aqui que entra a "estátua" de Cristiano Ronaldo, que, pela sua irrelevância e patamar anestético, não chega a poder integrar o escalão da Escultura. Digamos que é uma -- desculpem o galicismo... -- encombrante piéce de mobiliário urbano, exclusivamente ali posta para perturbar o horizonte, e criar uma massa volúmica, distorçora dos pontos de fuga da paisagem. À cotação do cobre e estanho, aquele lixo, de 800 quilos, poderia andar pelos (5660 + $19325US) x 800. Não me apetece fazer contas, mas façam-nas: pode ser que dê ideias aos ladrões de metais, e nos livre daquele pavoroso objeto.

Num olhar mais demorado, vemos o que parece ser um corpo masculino, com uma cara que podia ser qualquer subalimentado de Rabo de Peixe, menos o tal de Ronaldo, estando o vulto enrolado numa espécie de lençóis com pregas. Diz-se que uma das pregas foi feita para fazer babar certos hemisférios do cerebelo. Em mim, não tem qualquer efeito, posto odiar Futebol, mas compreender perfeitamente que seja uma mediação para os espectadores se desviarem da bola e se entregarem ao seu homoerotismo onanista. Fazem bem: enquanto se masturbam mentalmente, não estão a agredir a sua boca da servidão, nem a violar os filhos menores.

Não queria, todavia, terminar este texto de forma pessimista, e deixo aqui um pequeno louvor àquela... coisa, que só podia ser um fenómeno do Entroncamento, ou de Gaia, o subúrbio sul da segunda aldeia de Portugal, cuja mundividência, coartada pelos seus arredores, apenas poderia ter um horizonte capaz de soçobrar em tal mediocridade. Na ótica de Parsons, para uma massa bruta, o critério primordial de validação da obra de arte é o realismo. Na verdade, o horror de Velasco não se parece com Ronaldo, mas tão só com a fraude Ronaldo, logo, deve ser profundamente realista. Não presta, então, deverá ser excelente. É, objetivamente, uma merda, logo, está adequada à função representativa de quem pretende representar.

Estão a perguntar-me onde entra aqui o Saramago: já entrou, subliminarmente, como em La Cantatrice Chauve, de Ionesco: toda esta miséria se penteia toda sempre da mesma maneira, mas até não faz mal, por que, como é usual, também nós todos estamos felizes, anestesiados, e de parabéns, na posse de uma coisa inigualável, na infinitamente longa deriva do Mundo.




(Quarteto à la charlie, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie: je suis plutôt citoyen du Monde





imagem do "Hebdo Charlie" e em memória dos seus espíritos livres, chacinados pela intemporal intolerância humana



Não se começa um ano por dizer que vamos entrar em guerra, pelo que serei mais generoso: em 2015, nós continuamos numa guerra, cujo início me é difícil precisar. Curiosamente, essa guerra até nem tem nada de novo, nem de extraordinário, é só mais uma guerra, mais uma vez, assente naquele pretexto, sem sentido, de que os povos, inspirados pelo Livro, sentem de chacinar e atormentar todos os outros que não creem no Livro, ou, mais acutilantemente ainda, que acham que o Livro não é o mesmo e sempre o mesmo causador de todos os seus conflitos.

Simplificando as palavras, repito o que ecoa por todos os lados: nunca a praga das religiões provocou tantos mortos como a das guerras inspiradas por essa coisa asquerosa, que tanto tem rosto como não tem, e cujo nome oscila entre Yahvé e Alá, passando pelo Padre Eterno das barbas feias e mal cheirosas. Creio que, a haver Deus, nunca Ele se identificaria com nenhum dos focinhos de suíno dos três nomes anteriores.

Para mim, intelectual, artista, filósofo, livre pensador, ecuménico, no sentido em que sou sensível a todas as grandiosas conquistas que todos os credos do Tempo trouxeram à amenização e solidificação dos laços maiores das relações humanas, é repugnante entrar assim, no ano de 2015, com sombras, odores e bafos de eras que deviam estar definitivamente definitivamente enterradas, mas já lá estou, ou melhor, já lá estamos, todos nós.

Só para os incautos, o sucedido em França agora espanta, ou, sendo mais preciso, só incautos se espantam que tenha sido a França da França a apanhar com este primeiro impacto do que aí vem, mas a cegueira humana tem como definição ser-se cego, do princípio ao fim. A França está, tão só, a colher o que semeou, e isso dava outro tratado, que não o de um texto de luto severo, contra o acontecido

Quanto ao princípio da coisa, nasce daquelas curiosidades etnológicas e ressentimentos históricos de poeira mal assente, em que um certo Ocidente, carregado de culpas, ainda se sente culpado das culpas praticadas num certo Oriente, que, por extensão, criou uma espécie de neurose cultural, em que achamos que deveremos passar o resto da História a penar pelos atos localizados de alguns, nalguns momentos da mesma. O fim, menos evidente, e sem fim à vista, passa por coisas como as presenciadas por essa mesma França, de Voltaire e Sade, cujo bicentenário da morte passou despercebido, por um povo de imbecis, entretidos com a "estátua" de um cretino. O fim do fim, o pior ainda, só agora está a começar e vai passar por coisas bastantes complexas, que obviamente extravasam este texto. Tanto quanto me lembro, esse clímax, ou armagedão, já vem a ser anunciado por obras da década de 70 do milénio passado, como "O Ovo da Serpente", de Bergman, que, creio, urge reverem, por ser cruamente premonitório. A vê-las iremos ver, quando delas for tempo. 

O caso "Charlie Hebdo", agora vivido com a emoção superficial do "viralismo" das voláteis redes sociais já se esqueceu de muitos e muitos intermezzi, por não lhes serem convenientes, ou por que a memória lhes é curta, ou estúpida. Os mesmos que agora clamam contra os pretensos "fundamentalistas islâmicos" -- criados nos muitos cavaquistões suburbanos do neo liberalismo, e que, sinceramente, espero não serem, como Bin Laden, mais um dos subprodutos do esgoto cinematográfico de Hollywood, ou daquelas coligações impensáveis entre os serviços secretos do Ocidente, que só servem para nos lançar na histeria e na impotência da análise fria -- já se esqueceram dos mesmos fundamentalismos de revolta, contra caricaturas, como as do miserável assassino, João Paulo II, o patriarca da SIDA, com a célebre camisinha espetada no focinho, ou das massas em fúria, diante dos cinemas, contra a estreia de filmes da vida daquela Maria, que tinha posto os cornos ao José, para emprenhar o Profeta Jesus, só o Diabo saberá filho de quem. A gasolina devia estar em alta, na época, senão, também tinham incendiado a Cinemateca...

A crua verdade é que, no nosso tempo, são tão ridículos os corvos de trancinha, que batem com os cornos contra o Muro das Lamentações, como aquelas imensas ondas de trapo, viradas, de cu para o ar, para a Meca dos idolátricos meteoritos, ou os miseráveis rastejantes de Fátima, que acham que o solzinho é um Aluno de Apolo, capaz de dançar. O solzinho, realmente, não dança, e nada vejo nisso de religiosidade, mas apenas meras oscilações de consequentes futuros problemas de Ortopedia, que nós pagaremos, com o interminável espremer dos nossos impostos.

Estas coisas não têm solução, senão uma: no séc. XXI, as Religiões não passam, e não podem, e não devem, passar, de um patético aspeto arqueológico das sociedades. Devem, assim, ser confinadas aos seus museus, que são os templos, e apenas visitadas por quem goste do tema, ou se interesse por tais antologias. Qualquer extravasamento sobre as ruas, os lares, ou as consciências, deverão ser imediatamente entendidas, pela inerente coação e devassa da vida privada, como puras violações da liberdade cívica, e imediatamente encaradas, e tratadas, como simples problemas de saúde pública.

Não podemos viver eternamente reféns de um deus cadáver.

Ou se vai a Marte, ou se vai a Fátima.

Pela minha parte, vou a Marte e mando Fátima, todas as fátimas do mundo, para o caralho.

Convido, pois, a que me sigam, todos aqueles que se revirem nas minhas palavras.

Boa noite.


(Quarteto das belas brisas das boas crenças humanas, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ISIS, o "Estado Islâmico", como forma acabada do Cavaquismo e ante estreia dos quintais aventalados do Napoleão de Goa



Imagem do Kaos


Já enjoa começar um texto com um chegámos a um estado nunca visto, por que, logo a seguir, nós ainda conseguimos chegar sempre a um estado ainda pior, pelo que hoje vou variar, e dizer que chegámos a um estado "islâmico" nunca visto, o que creio ser uma sinistra realidade.

Para os apreciadores de História Contemporânea, nos quais me não incluo, mas sou forçado a papar, na quotidianeidade, houve um pico de Fim do Mundo, lá para os idos de 75 do século passado, em que a velha ordem ocidental se pareceu afundar: é um longo ano de seis anos de partida das ditaduras peninsulares, da saída do Negus da Abissínia, da extensão da garra soviética a todos os recantos do Império Português, entregues por Mário Soares ao deus dará de Álvaro Cunhal, a derrocada americana em todas as frentes do sudeste asiático, a bancarrota e o grande apagão de Nova Iorque, e esse ano é tão longo que se estende até à invasão da Polónia, da queda da Dinastia Pahlavi e da intromissão russa no Afeganistão. Creio que pior do que isto só ter outra vez as botas nazis a pisar Paris, mas já vinha por aí um destino ligeiramente semelhante, posto que esse extenso Zodíaco lançou a sombra dos Anos 80, marcados pela criminosa tríade Reagan, Tatcher, Woytila, marinados ao molho de AIDS.

Tudo isto seria desinteressante, se não se assemelhasse muitíssimo ao fabuloso panorama em que estamos imersos, mas, desta vez, já em regime de segundas séries, pelo que, quando se pensava que o Obamismo seria o fundo do fim, já se sabe agora ser certo vir um qualquer falcão americano reinstaurar um braço férreo na desordem do Mundo. Aliás, crê-se que os muitos obamas da estupidez humana apenas servem sempre para pôr o senso comum a rezar por um qualquer novo autoritarismo, e ele está apenas à espera de que o calendário esgote as folhas, ou talvez venha mesmo antes disso. Do meu ponto de vista, já aí está, e em muitas frentes, e com muitos rostos e sem disfarces.

Para quem gosta de ir para dentro lá fora, assistimos impavidamente a uma Europa governada por um primeiro ministro, como agora se gosta, a encaixar no formato "o mais jovem primeiro ministro", etc. e tal, Matteo Renzi, que, excetuada uma passeata à palhaçada europeísta, nunca se submeteu às urnas, mas isso faz parte do sonho norte coreano: submetem-se por cooptação, já não se estranham, e entranham-se, na boa, nem que seja para dirigir seis meses a Europa. A única coisa certa é a de que o seguinte será pior. Na Alemanha, a porteira de Leste, Merkel, inconsolável com a queda do Muro de Berlim, sem a qual poderia chegar a Dona do Prédio, contenta-se com desmantelar a Europa e dizer que o continente não é uma terra de futuro para os jovens, coisa que já sabíamos, e até poderíamos acrescentar ser um excelente lugar para o passado dos velhos, não fosse ser isso uma dolorosa falácia de outra derrocada. Por fim, e tudo isto assim um pouco a modos que à vol d'oiseau, a França, do Liberdade, Igualdade, Fraternidade, acaba a recuperar a sineta medieval dos leprosos, com que hoje põe os pobres de Marselha a sinalar pelas ruas a falta de domicílio e a lista completa das doenças. No meio das permanentes árvores de Natal de Obama, apenas comensuráveis com os miseráveis presépios de Maria de Boliqueime, só o senador McCain ousa chamar a Victor Orbán qualquer coisa como "porco fascista", mas Victor Orbán não é o único porco fascista da atualidade.

Para os que preferem ir para fora cá dentro, o cenário não é melhor. Pela primeira vez, aliás, pela segunda, se incluirmos o Procurador João Guerra e a sua impotência na caça aos pedófilos, por prescrita à partida, a Democracia parece querer exercer, pelas mãos de Carlos Alexandre, o primado da Lei sobre a impunidade. A coisa imediatamente revoltou os estômagos, mas toda a gente pressente que isto não é senão a ponta do icebergue, tal como o "Casa Pia" o foi,  não tivesse sido rapidamente estrangulado, e a prova disso é a ira de caneta vermelha com que Sócrates, um "borderline", se endereçou aos Portugueses. Melhor é tê-lo lá dentro, por que não gostamos de lutas de cães de raças perigosas.

A verdade é que este pântano em fase de transbordo não é senão a fase final do anterior, quer exterior, quer interior: na verdade, o ovo da serpente são os anos sem ideologia e infinito oportunismo protagonizados por criminosos tipificados, como Cavaco Silva, cuja ação se resumiu ao desmantelamento dos esteios económicos do Estado e a consequente desintegração urbana.

Ao invés de produzir tecido urbano, o neoliberalismo apenas multiplicou tecido suburbano, enquanto padrão, subcultura e marginalidade: de aí, aos campos de treino do ISIS, foi apenas a ocasião do convite dos mais novos a emigrarem: à beira de um continente que já não estava feito para jovens, havia imensos campos de treino para as adrenalinas da frustração. Creio, pois, que quando nos perguntam por que não se bombardeiam, preventivamente, os fulcros dos fundamentalistas a resposta tenha de ser que nós não queremos ver as nossas cidades todas incendiadas.

O castigo para uma corja destas não está inscrito em nenhuma lei, e apenas uma punição exemplar de décadas de desestruturação do Ocidente, com prisão imediata para todos os seus protagonistas -- dos quais Sócrates é apenas um palhaço menor -- poderiam ser uma intervenção possível, num prazo que já transbordou para o impossível, ou, por palavras outras, de um certo ponto de vista, já se tornou demasiado tarde.

De entre os que partiram já se disse tudo: foi-se a geração mais qualificada e mais os frustrados que virão agora destruir-nos pelas suas próprias mãos. Todavia, os que ficaram dentro não são sequer melhores: tal os bernardos eremitas, enfiam-se nas conchas das organizações que estiverem mais à mão, para servirem os seus próprios desígnios. Não precisam do protagonismo dos vídeos de decapitação, mas contentam-se com se infiltrarem nos congressos dos partidos tradicionais. O cheiro é o mesmo, com pequenas variações de palato, entre galambismos, "livrismos", ruirioismos e outros totalitarismos, que, nem cães, nos ameaçam os amanhãs que rangem.

O que aí vem é muito mau, por que, numa sociedade de recursos cada vez mais estreitos, o canibalismo passou de marginal a estrutural, e generalizou-se, numa variante da lei do mais forte, agora vertida na forma da lei forte do mais perverso. À sombra disso, qualquer debate ou defesa se tornam impossíveis, por que assentam na impossibilidade de, num cenário superpovoado, dois objetos poderem, simultaneamente, ocupar o mesmo lugar, e não podem.

Com a força toda, vendem o território, ainda antes de conquistado. Certos baluartes, como a excêntrica Madeira, demasiado tarde perceberão o que aí vem: mais do que o Napoleão de Goa, os "aventalados" querem espaço vital, e instaurar o seu império territorial. Miguel Albuquerque, um desses bernardos eremitas, tal como Sócrates, um oportunista sem ideologia, vem para rebentar o PSD por dentro, e rebentará. Na verdade, a questão assentaria em como nos defendermos de uma maré sem igual, mas não há qualquer defesa, já que tudo assenta na distinção entre saúde e maleita: uma vez todos doentes, como agora estamos, a doença imediatamente deixou de ser doença, e tornou-se num estado (anti) natural das coisas, ou, para acabar como comecei, num estado "islâmico" generalizado, de coisas nunca d'antes vistas.


domingo, 23 de novembro de 2014

O Napoleão de Goa, ou as pré primárias do PS, na forma da prisão de José Sócrates, seguidas das primárias monhés, de António Costa, para finalmente desaguarem nas raposas secundárias, do João Constâncio, filho do dito




Imagem do Kaos



Para mim, leitor da Irmã Lúcia, desde o tempo em que era analfabeta, foi com as lágrimas nos olhos que ontem cheguei à pág. 46 do volume III dos seus"Diários", onde ela escreveu a célebre e piedosa frase "sempre que um político é preso, nasce uma nova estrela no céu". E é por estas e por outras que eu acho que a verdadeira poesia só poderá sempre sair das almas simples, como era a Lúcia, o José Rodrigues dos Santos, a Inês Pedrosa e os inéditos do Jardel, por que tudo o resto não passa de saramagos, mas daqueles mesmo maus.

Estava eu neste engano de alma ledo e cego, vejo passar no rodapé do plasma que Sócrates tinha sido preso, e pensei que o Schindler não fazia só listas, mas também elevadores que encravavam entre dois andares, e pensei, "lá vai ficar a dengosa à espera de que lhe desalavanquem o ascensor", mas era bem pior do que isso, era mesmo passar diretamente da executiva de Roissy para o banco de trás do 67-PD-03... minto... esse era o de hoje, o de ontem era 57-SG-36, ou o 70-BU-71... olha, já não sei, para mim, os carros são como os Chineses, são todos iguais... quer dizer, não são, por que os Chineses até se dividem entre os que já têm visto "gold" e os que ainda não têm. Na verdade, disse-me um passarinho, aquilo são tudo viaturas caçadas à Mafia da Noite, do Pinto da Costa, ou da frota do Autarca das Putas, o Menezes, que tem uma grande quinta, lá em Gaia, senão não vinham de matrícula à mostra, portanto, a serenidade impera e é isso que é preciso, como dizem aqueles olhinhos permanentemente dormentes, e cativantes, de antidepressivos, da nossa Paulinha Teixeira da Cruz.

A realidade é que finalmente prenderam o Sócrates.

No entanto, não entendo como a prisão de Sócrates possa ter sido surpresa, já que estava anunciada desde que foi para Primeiro Ministro de certos interesses, disfarçado de Primeiro Ministro de Portugal, coisa que o distingue de Passos Coelho, que veio ao mesmo, mas já na versão 2.0, ou seja, assumidamente disfarçado de coisa nenhuma, mas pressuponho que este progresso seja aquilo que Marx considerava o desígnio da História e as minissaias prenunciaram, ou seja, a lei dos amanhãs cada vez mais nus.

Como homem da Academia, tenho muito carinho por Sócrates, já que era como Átila, por cada Universidade por onde passava nunca mais a erva crescia, e deixou vários lutos atrás de si, como a defunta "Independente", morta por um "fax" fraudulento, nas palavras da nossa querida colega Tânia Vanessa, inventado com a mesma ligeireza com que se inventou "a roda e o fogo", e ele só não fechou a "Sobronne" -- como pronunciava ontem um dos jornalistas aleijados mentais do Futebol... -, onde ele andou a treinar a Sofística, para poder citar Górgias, e fazer crer ao Sistema Judicial que a virtude de um escravo não era igual à virtude de um estadista, ou invertendo a forma, o crime do escravo nunca poderia coincidir com o do estadista, já que o escravo ia invariavelmente dentro, e o estadista continuava cá fora, e continuava, e continuava, até chegar ao Conselho de Estado e à Presidência da República,
dizia eu de que,
só não fechou a "Sobronne" por que passava mais tempo nos "slings" do "Keller", ajoelhado, a fazer de Fernanda Câncio, e por que a Madame Myriam, apesar de ter recusado à cunha do Seixas da Costa converter Estruturas II em Ontologia, e Betão I em Fenomenologia, sempre o tratou com o carinho devido pelas madames francesas às potenciais porteiras portuguesas, sobretudo, com o pedigrée de terem andado a fingir dirigir um país, quando não passavam de uma cortina para tapar interesses e cambalachos.

Infelizmente, esta história toda misturou-se com a cretinice, os atavismos e a ignorância típicas do país mais atrasado da Ibéria, e quando começaram a falar de 3 000 000 € de um apartamento no Sezième, suponho que os jornalistas ficassem confundidos, já que o topo dos topos dessas mentes que chegaram ao topo da base são os 120 000 dos rés do chão de Massamá e de Mem Martins, e, portanto, nem vale a pena falar-lhes de quanto vale um apartamento de cobertura da Avenue Foch. Na realidade, nem percebo por que estamos a discutir isto aqui, já que uma entrada no offshore do "Keller" não vai além de 15€, mas com dress code, por causa das chuvas douradas...

(Estão-me a fazer ali sinais ao fundo de que a loura burra e descolorada do "Eixo do Mal" está a defender assanhadamente o Sócrates, pelo que suponho que haja comissões ocultas, como recebia a Câncio, por se fazer passar por pau de cabeleira do gajo mais homeoerótico que já desfilou pelos "outros colos" do Largo do Rato...)

E, já que se falou do Largo do Rato, tenho de referir a angústia política que mais me atravessa, neste momento negro de dissolução da III República: até hoje, tínhamos sempre aquela vaga sensação de que estávamos perante o pior governo de sempre, até que dei comigo a desejar que o de Passos Coelho, o pior governo de sempre, não caísse já, com receio de que venha o pior governo de sempre que se lhe vai seguir, uma coisa subtilmente preparada nas sarjetas da Nação, já que as célebres Primárias do PS, e sei de quem o fez, e gaba de ter feito, foi uma multidão de aficionados de outras cores politicas que se inscreveu, apressadamente, para poder ir votar no próximo chefe de governo mais a jeito para abate fácil. António Costa, o sorriso mais rancoroso e vingativo da sociedade portuguesa, entendeu que o país inteiro lhe estava a estender a mão, mas não era, era, sim, o país inteiro a empurrá-lo, para ver se o despachava, rápido, e com carinho, muito carinho.

Não por acaso, a Sexta Feira Negra foi um aviso do Ministério Público, e da minha cara amiga Joana Marques Vidal, incorruptível, desde o tempo dos "charros", que, a par com o Carlos Alexandre, parece ter arrancado com uma mudança de paradigma, que João Guerra, com o "Casa Pia" tentou, mas não conseguiu, dado o horroroso poder das sombras detida pela sinistra Rede Pedófila, que domina Portugal, e que agora está avidamente, à espera de que António Costa chegue ao Poder, para poder recomeçar o seu interrompido regabofe.

Para os incautos, António Costa é uma tentativa de taxativo regresso ao pior do Socratismo. Na verdade, António Costa é muito pior do que isso: é a tentativa de regresso ao ciclo interrompido por Jorge Sampaio, um aventalado que acha que o não é, e que percebeu que a fuga para a frente de Durão Barroso, um cobarde neo maoista, e enfiado no negócio dos submarinos até ao pescoço, poderia levar a uma vitória, em caso de eleições antecipadas, de Ferro Rodrigues, enfiado nos escândalos de pedofilia até ao pescoço... mas do pescoço do Gastão. Nesse tempo, era Ferro o Secretário Geral do PS, e Costa o mentor da bancada parlamentar. Viraram os lugares, e a merda instalou-se na mesma, a deixar prever o pior dos cenários possíveis. O resto já vocês sabem: as lojas maçónicas lançaram um sério aviso, e ditaram uma sentença salomónica, Ferro Rodrigues não era, como Paulo Pedroso -- que o tinha puxado para aquelas vidas... -, detido, mas, em contrapartida, também teria de ser inibido, dada a gravidade do clima atingido, de chegar a Primeiro Ministro. Esse interregno chamou-se Santana Lopes, e acirrou a opinião pública ao ponto de Sampaio desencadear o Golpe de Estado Constitucional que conduziu às insuportáveis maiorias de Sócrates. Como se diria, no Efeito Borboleta, a Teoria do Caos levou a que, de um ato simples, como enrabar putos, se chegasse, em três tempos, à Bancarrota.

Este é, portanto, o resumo do que aí pode vir, já que António Costa não é um neo socratismo, mas um neo ferrismo, gente que vem ávida de vingança, e que parece ignorar que a História enterrada já não é recuperável, senão através de um atropelo de todos os valores, e a coisa não é figurada, é literal. Para quem tenha dúvidas, veja o que ocorreu no melhor acervo de imagens satíricas do nosso Bordallo contemporâneo, o Kaos, mal se soube que vinha aí a maré pedófila encavalitada no Costa. Vale a pena verificar o que vai acontecer à liberdade de expressão, como muito bem avisou a Maria Antónia Pila..., perdão, Palla, mãe do dito cujo, quando avisou que o PS convive muito mal com a Liberdade de Imprensa.

Eu acrescentaria, de Imprensa e não só, e diria que ela lá sabe o filho que tem, e, brevemente, todos nós o viremos a saber, pelo mal, e por igual...

A instabilidade é, portanto, inequívoca. Em termos técnicos, estamos a assistir ao Fim da III República, entre o exercício do braço judicial, e a possibilidade, não meramente teórica, de quase toda a Classe Política acabar na prisão. Aqui, ao lado, ascende o "Podemos", e o "Syriza" poderá governar a Grécia. Por cá, como usual, fomos apressadamente aos sucedâneos, não viesse a espontaneidade instalar-se, e os órgãos de intoxicação social imediatamente tentaram ocupar o espaço possível de um movimento emergente de cariz comparável, empurrando apressadamente para a frente aquela anedota do "Livre", um fogo fátuo das entrelinhas dos amigos dos telejornais e das penumbras etílicas do "Frágil".

Até agora, todavia, todo este texto foi regido pela epiderme, pelo que agora vamos ter de ir à derme. Há evidências de uma rotura de paradigma, como altos funcionários do Estado presos, ministros demissionários, e Sócrates, a cabeça de um polvo que ainda nos vai surpreender -- há vozes que dizem que está conectado com o Irão e o ISIS -- mas as causas dessa rotura talvez não sejam as evidentes. Na verdade, o conflito latente, entre as Lojas Regulares e as Irregulares acentuou-se, sendo que as Regulares andarão mais pelas bandas do PS, e as Irregulares pelo PSDeísmo. Como os bastardos, os das Irregulares anseiam agora pelo ingresso nas Regulares, e os irmãos de LÁ começaram a estender as mãos aos irmãos de CÁ (com o carinho com que Soares abraçou Isatilno, e mais não é preciso acrescentar...). Em princípio, o grande golpe seria a tomada de assalto da Madeira, com o novo Napoleão de Goa a fazer da ilha a sua Córsega, pela mão do Albuquerque, uma coisa de que é melhor fugir antes que venha, como avisa, e bem, o nosso Eduardo, o "Braganza" da Ilha mais Bela, mas só o Diabo saberá em que estado de avanço já estará essa gangrena: prefiro não me pronunciar, já que quem se mete com o Aventalinho leva...

Descendo da derme à carne, os rumores são ainda mais sinistros: na sua avidez de atropelo, Costa lesou o irmão de Coja, esquecendo-se de os níveis mais baixos têm de respeitar os graus iniciáticos mais elevados. Não se pode subir mais do que deve, nem fazer descer quem já subiu. A vingança será atroz: António Costa é já o primeiro caso de Primeiro Ministro demissionário, antes de ser empossado. A sua sombra chama-se João Constâncio, e a sombra de João Constâncio chama-se João Galamba, e não precisamos de dar mais nenhum passo para entender, que, então, muito brevemente, estaremos em pleno autoritarismo.

Olhem, acho que já falei demais. Não se importam, mas vou ficar por aqui, por que, se depois da epiderme, da derme e da carne quiserem ir aos ossos, vão vocês, tá?...


(Quarteto do aventalinhos às riscas, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Lendas dos Bosques de Viena, seguidas das lêndeas do Largo do Rato e do braço esquerdo do Sr. Aníbal de Boliqueime, coitadinho, que agora já se nota bem que mal se mexe





Imagem do Kaos



Creio estar a viver uma singularidade política, aliás, uma recidiva de um certo estado de singularidades políticas, posto que já as vivi de outras formas, e passo a explicar, para não vos deixar nessa angústia de não perceberem do que estou a falar.

Sendo a minha ideologia política votar sempre CONTRA qualquer coisa que se tornou nauseante, tenho acompanhado, com especial atenção, todos os debates entre António José Seguro e António Costa, e, como não vi nenhum, estou particularmente à vontade para os marcelizar à minha maneira: acontece que o problema é vagamente ontológico, posto que, estando António José Seguro na esfera do não-Ser, seria suposto, pelo equilíbrio dos opostos, que António Costa representasse a esfera do Ser. A realidade, todavia, antecipou-se, e com a maré de lixo, que, imediatamente se lhe montou às costas, António Costas, perdão, Costa, passou as ser as costas de muitas das coisas que antes de o serem já estavam fadadas a não ser, pelo que o lugar do Ser, antes de poder ser, não chegou, à pala do Costa, a ter possibilidade de ser.

Creio que os levaram para as televisões, onde um fez de merceeiro indignado, e o outro de rancoroso mal contido. A coisa, já que uma imagem vale mil palavras, esteve naqueles patamares das gajas, que, na América que Obama fez desaparecer, para a substituir por uma ainda pior, se digladiavam em lutas de lama, ou seja, o ímpeto da porcina que tenta lançar ao esterco o chiqueiro em que ambas se atulharam.

Há quem pague para ver, e se masturbe com o olhar. Comigo, é como com o Saramago: não li, e não gostei, alço a perna, e faço como os cães, mijo, sempre que a Pilar del Rio passa e me tenta vender o "último" (the last, but not the least) "inédito", como os pares de Jeová me tentam meter nas unhas o número do mês da "Sentinela".

Voltando às costas do Costa, as costas do Costa revelaram-se subitamente largas, e mal houve um sopro, um mero soprozinho, de que a coisa se podia encaminhar para aí, imediatamente saltaram de uma fossa qualquer, que eu creio ser a pura, a verdadeira, idiossincrasia da Grécia do Feio, tudo e todas as coisas que de mau o pós 25 de abril produziu em Portugal. Ainda não li a lista completa, mas anda lá tudo o que oscila entre o péssimo e muito péssimo: o Rui Vieira Nery, creio que em nome da musicalidade dos sanitários de Lisboa - todos os que o Costa mandou fechar --, a Catarina Portas, decerto em nome do monopólio dos quiosques de Lisboa -- todos os que o Costa mandou abrir --; Almeida Santos, em nome de toda a sujidade dos negócios de Moçambique, e da sua protegida Luísa Campos, a anã pedófila, que assombrou toda a rede escolar de Lisboa, até se afundar na noite de Miraflores; Manuel Alegre, o garrafão de Águeda, duas vezes responsável pela presença de Aníbal de Boliqueime em Belém; Sá Fernandes, a quinta essência do oportunismo e da vilania política e cultural -- o tal que queria tirar os brasões da Praça do Império, para lá instalar retretes de Trotsky e réplicas berardianas da múmia de Lenine --; Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso -- que desde o célebre vídeo dispensam apresentações... --; António Victorino de Almeida, que já está na fase do Lá-lá-lá-lá da Amália Rodrigues terminal, e creio que, honestamente, apenas a pensar no futuro das filhas, a Inês -- a mulher mais estúpida de Portugal, logo, a forte aposta de Bilderberg 2014 --, e a outra de que me não lembro o nome, mas só me faz lembrar velhos babosos que lambem a rata de meninas de 15 anos, perdão, 7 anos; e, nem a propósito, Nicolau Breyner, responsável pela ruína dramatúrgica do esgoto televisivo; Lídia Jorge, um remendo mal bordado dos brutos "enxertos" dos Capitães de Abril, também conhecida pelo Saramago dos remediados; Júlio Pomar, que nunca conseguiu chegar a qualquer lugar, apesar da fábula de ter sido compagnon de cela de Soares, o velho, e de os boatos o terem declarado várias vezes "a morrer", para valorizar a obra, e o genro do Cavaco, Luís Montez, que dispensa apresentações, já que, para todos que pensam que o Cavaquismo se esgotará com a morte neurológica do cavaleiro da triste figura, se alerta deverem estar muito enganados, posto que o genro da triste figura já assegurou, em vida, o monopólio de todos os festivais do Norte, Este, Sul e Sudoeste, na forma de uma geração de "agarrados" aos ácidos, à "bolota" e à coca, tudo numa nice, que fatura para a Patrícia e para a Perpétua, ou, resumidamente, ter o apoio do genro do Cavaco é o mesmo que quando se descobriu que a eleição do Sarkozy tinha sido uma generosidade do defunto Kadafi.

Dizem as más línguas que o problema neurológico de sua excelência o "presidente" da República já lhe está a afetar a mobilidade do braço esquerdo, mas deixo-vos o trabalho de casa de o confirmarem, já que quando ele aparece, leva o mesmo trato do Futebol, do Eixo do Mal e dos Gatos Fedorentos: salto brusco de canal, e um alka-seltzer, para evitar paragens de digestão, portanto, não vi, mas asseguro que é mesmo verdade.

Como podem imaginar, é muito cansativo enumerar a tralha que se pendurou nas costas do Costa, pelo que suponho que devem ser largas, para suportar a avidez de tal maltosa. Pela minha parte, já perdi demasiado tempo a enumerá-los, mas certamente incluiriam o incontornável Figo, o Carlos Cruz, e até o cadáver do Taveira, para assegurar a solidez das retaguardas. Consta que agora já só lá vai com a língua, pelo que a candidatura do Costa não se pode dizer ser uma Guerra das Rosas, mas a  genuína candidatura do botão de rosa...

Quanto ao Seguro, aconteceu-lhe o mesmo fenómeno que ao Sócrates, quando surgiu o Relvas: passou a ser "sério", na Academia, mas não chegou a ter densidade suficiente para ter solidez, na licenciatura, o que deixa augurar, num momento em que a "Tecnoforma" finalmente vai fazer a coisa que Passos Coelho mais deseja, que é dar o fora antes de o país inteiro ser arrumado no "Bes Mau", e ir pau cabindar com a sua Lolita -- tratamento para os íntimos -- que trabalha que nem uma moura, enquanto o irmão pena na miséria, como muitos dos verdadeiros artistas deste país, que não beneficiaram, nem nunca beneficiarão, daquele truque de se pôr a jeito, no momento certo, daquele certo jeito, que só as costas do Costa ainda permitem.

Sinceramente, prefiro falar da Teresa Guilherme, que acho ser quem deveria estar à frente do Partido Socialista, neste momento antecipado de Eleições, porquanto nada nela é turvo, e, mesmo, do ponto de vista da Teoria do Caos, ela é uma genuína geradora de trajetórias estáveis: se é fácil cuidar do visual da Lolita, da Teresona ainda é mais fácil, já que, nesta "Casa dos Segredos" -- 100 000 candidatos, o mesmo que os Antónios" -- não há vencedores nem vencidos, posto que ela consegue ficar sempre... por debaixo. Curiosamente, e pensando em que, dos 100 000, metade são do sexo, e idade, de que ela gosta, pôs-se-me a questão de onde arranjaria a Teté tempo para aviar 50 000 gajos, mas a resposta também vem do lado da Mecânica Quântica: a gaja despacha-os no Tempo de Planck, ou seja, fá-los vir em 10 levantado a –43 segundos (0,00000000000000000000000000000000000000000001 segundos, se não me enganei num zero...), de onde sobre muuuuuuuuuito tempo para fazer o programa, e ainda para aviar o resto da população masculina do planeta, e até de Marte, para onde, consta, já os olhinhos brilhantes agora se lhe viram.

O Mundo, portanto, é muito mais interessante quando esquecidos os Antónios e visto na ótica da Teresa Guilherme, a única que andou à porrada com a Laura "Bouche", por causa do mesmo macho... e ganhou, coisa que o segundo nunca perdoou à primeira, sendo que a Teresa Guilherme, enquanto objeto do "Inteligent Design" é muito mais interessante do que os dois Antónios somados, e os responsáveis pelo guarda-roupa bem o sabem, conquanto, em vez de uma produção à Cleópatra, optaram, desta vez, por uma caracterização à Cleopatra Jones: umas cores de feira indiana, um colar de Amarna, das coisas maravilhosas que  Lord Carnarvon viu, ao descer as escadarias do King Tuth, e que, semioticamente, à luz da Bauhaus, e da Feira do Relógio, obrigava o olhar a desviar-se sempre na direção da rata, sendo que, no estado de descaimento (natural) das partes, se torna cada vez mais -- e excluída a hipótese de ela ser toda vulva -- por que as peças jogam cada vez pior, determinar onde se lhe situa a cona. Atrevo-me a dizer que a queda das mamas, do ponto de vista galilaico, brevemente levará a que as mesmas se tornem nos grandes lábios vaginais, o que será um tormento, para aqueles mancebos de 20 anos, de terem de se pôr na posição do hipopótamo, para a satisfazer -- como se algo a satisfizesse --. No entanto, isto são trocos, já que se torna visível que, por mais espartilhos, botox, molas, ganchos, pregas, suspensões que lhe ponham ela está como a Torre de Pisa, e há uma irreversível tendência para que tudo descaia na direção do solo. A preceito, um dia haverá -- desculpem, mas agora vem uma lição de Física... -- em que o centro de massa da Teresa Guilherme ultrapasse a sua projeção de base, e, então, hélas, toda aquela massa se espapaçará no chão. Esperemos que não durante nenhuma das galas, por que andamos, em demasia chocados com as decapitações do ISIS, e alegremo-nos, por que nesse dia em que aquele sistema dissipativo se converter num ectoplasma, também poderemos falar da "amiba Teresa Guilherme", que, como diria o outro, quando tudo se extinguir no Mundo, ainda a amiba sobreviverá.

Creio, portanto, que, independentemente da dissolução simultânea, em lama, do Governo e da Oposição, seja certo que a Teresa Guilherme ainda sobreviva ao Seguro, ao Costa, aos piolhos das costas do Costa e ao próprio Passos Coelho. Sobreviver ao Cavaco até nem é difícil, é só uma questão de semanas, pelo que o que aí vem, politicamente, pode ser muito divertido, em qualquer dos equiprováveis cenários: ou as pessoas acordam, e empurram o Costa para dentro do latão, como fizeram, na Ucrânia, e, antes do fim do ano, temos o Seguro a empatar com o Coelho, ou o Coelho, no estado em que os Antónios deixaram o PS, a ganhar o País, com terríveis consequências para a Teresa Guilherme, que já não sente nada, muito menos Eleições, ou ganhar o Costa, para perder as Legislativas para o Coelho, ou ganharem até os três, e fazerem um Bloco do Centrão, com todos os emplastros que o Seguro, o Costa e o Coelho conseguiram carregar às costas, o "Livre" incluído

Por mim, no domingo, voto inequivocamente nas expulsões da "Casa" da Guilherme, e, para os indecisos das Primárias, ainda tenho um pequeno brinde, daquelas coisas que se nos escapam, mas de que, felizmente, ainda nos lembramos no fim: creio, e não deve ter sido alucinação, ver em Gaia, uma espécie da balde de toda a merda deste país, imaginem quem... sim, imaginem.. não, acho que não chegam lá, mas eu ajudo: lembram-se da Lurdes, a Puta da Educação?... Dessa lembram, não lembram?... Não, não sei se apoia o Costa, mas, dada a densidade da trampa, até é provável que sim, embora agora esteja no defeso de ter sido enviada para a prisão..., mas quem vinha agarrado, muito agarradinho, ao Costa, ah, valente Costa, que tanto lixo conseguiste polarizar!..., pois, então, quem vinha ali, muito de palmadinhas nas costas, a apoiar também o Costa... pois era o... o... o... o Albino Almeida, o Albino, sim, lembram-se?... O Albino, o badochas, que era pago pela Lurdes cadastrada, para fazer o papel de "Pai". Pois vinham muito agarrados, o que suponho que seja mais um sólido apoio para domingo. Por mim, não quero melhor: falar do Albino Almeida é como falar daqueles 100 000 votos, que, numa inesquecível tarde -- remember -- saíram, em bloco, à rua, para dizer "NÃO!... NÃO!... NÃO!..."


Quarteto do pá, acordem, faz favor, e puxem o autoclismo, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", e em "The Braganza Mothers"