segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O império das coisas do costume







A grande novidade da semana foi os lisboetas descobrirem que existia um bunker contruído, bem no centro do Bairro dos Atores, muito perto da Alameda, o Bunker da Abade Faria. Comprovaram-no duas romarias providenciais, D. Adelaide Monteiro, de banda larga, que mostrou que as Testemunhas de Jeová são sempre as primeiras a inaugurar as novas portas, e Mário Soares, dolente e condolente, o próximo velório da República. Creio que  o caso deste bunker não deverá ser um caso isolado, e, então, a existência destas infraestruturas, em plena capital, decerto revela uma minuciosa e prudente previsão de defesa, dos tempos agrestes a vir. Os lisboetas, podem, portanto, estar descansados, pois fica claro que nesse dia, da Cela 44 para o bunker da 33, lá haverá quem se irá conseguir safar.

Comparada com esta novidade da semana, só a grande novidade do mês anterior, em que Maria de Belém Roseira veio mostrar que o manuelalegrismo, uma doutrina da decadência lusitana, não estava morto, e que tinha entrado na sua versão 2.0. Mais claramente, depois de ter colocado duas vezes Aníbal de Boliqueime no Palácio de Belém, o manuealegrismo 2.0 vinha agora colocar the next Cavaco, exatamente no mesmo sítio, e durante mais dez anos. Tal precisão de aterragem e cumprimento de tempos orbitas deveria fascinar a NASA, mas, infelizmente, não passa de matéria da nossa mais profunda inquietação: ser profeta de Argel durante 20 anos, no fundo, equivale a meia trombose salazarista, pelo que, se juntarmos os dois cavaquistões, tudo isso fará uma manhosa soma de um século entregue a três sarnentos, o que é brilhante e genial.

Para os seguidores de Varoufakis e da célebre punheta dos jogos, a questão, no fundo, até se resolveu no nível semântico: bastou meter no copo Sampaio da Nódoa, Maria de Belém e o Palhaço colossal, agitar, e deitar na mesa. Uma vez cá fora, já vinham os atributos baralhados, e convinha recompor a paciência, ou ficavamos com a Maria da Nódoa, ou a Nódoa Palhaçal, ou a Maria Palhaço, ou o Sampaio de Belém. Como o Sampaio já lá tinha estado, e demasiado, tempo, só nos restava o Palhaço de Belém, ou seja, o próximo, ou seja, aquele que Manuel Alegre, pela terceira vez, lá irá colocar. A seu tempo analisaremos quem é, já que agora a hora é só de bunkers e maratonas parlamentares.

Curiosamente, sob o pântano diáfano da fantasia, desta vez é altamente evidente a panóplia onde não votar. Resta, infelizmente, saber onde colocar a cruz, e aqui começa a dor e a inquietação, já que se trata de escolher entre um governo péssimo e um ainda pior. De um lado, temos o Cabaré do Ressentimento, em que o Partido Socialista se converteu, um longo desfile de inconseguimentos em busca de reescrever a História, como se a História fosse passível de ser reescrita, depois dos seus atos cometidos. Invariavelmente, são todos eles monótonos e patéticos, e chamam-se Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso e Vieira da Silva, para poderem representam o gostinho da infância nacional. Do outro lado, só vejo rosnar a impaciência dos adolescentes, o Galamba, o Duarte Cordeiro e mais uma molhada de outros, ávidos de se precipitarem sobre os remanescentes poleiros do Estado. Uns pelos passado, os outros, pelo futuro, não prestam, não se recomendam, e estão geneticamente incapacitados para os cargos com que sonham. Pelo outro lado, a alternativa não é melhor, e apenas se distingue pela brilhante campanha que estão a fazer, um princípio do faz de conta, um entrar mudo e sair calado, que assenta naquela incapacidade, típica do português, de não conseguir mais do que uma memória de curto prazo, capaz de branquear todos os atos, e já quase que branquou. Evidentemente,  num mundo ideal, o juiz Carlos Alexandre deveria vir prender, à saída de um qualquer comício, Paulo Portas, por problemas submarinos, e, uns atrás dos outros, muitos dos políticos do sistema acabariam os seus dias preventivamente detidos, resolvendo, de per se, este pântano eleitoral. Quanto a Sócrates, encarregado da campanha eleitoral dos compinchas, num horizonte ideal, conseguiria, depois da cela 44 e da piscina aquecida 33, de cada vez que abrir a boca, uma bela prestação, até chegar a uma generosa fatia eleitoral de 22. Não custa sonhar, mas a realidade será outra, e fatal.

Depois do interregno dos "migrantes" e dos refugiados, e de alguns entusiasmo do Futebol, assim iremos ter esta maratona de deceção, acompanhada de muitos cânticos e reclamações. Apenas num aparte, foi com imensa comoção que descobri onde paravam, afinal, os célebres votantes perdidos do Cavaco, já que, durante 10 anos todos renegaram essa estranha inclinação das urnas: de cada vez que os lesados do BES se manifestam, há sempre um olhar choroso que olha em frente e solta um, "O Sr. Presidente disse...", e eu vejo, olha, lá estão os gajos!... Qual presidente, qual caralho, há dez anos que o cargo está em sede vacante, todavia, e aqui entramos na análise fina, para os indecisos, fica a ameaça das sondagens. Não me lembro de quem soltou a poia, mas tem cheiro a "Expresso": um empate técnico entre os corruptos do PS, e o desastre da Coligação. Fica à mercê de um voto o desempate, mas o telejornais  também já tinham a coisa prevista, para evitar trabalhos ao eleitor: ficaria a cargo dessa doença rara do "Livre" e dos macacos tirados do nariz, do Rui Tavares, tanto capaz de se aliar ao PS como ao PSD, desde que proviesse ganho. Há uma outra versão, para as viuvinhas e peixeiras, em que quem faz o papel do bom é o alucinado do Marinho Pinto. Para quem, como eu, não vai votar em nenhum dos anteriores, todo o anterior é um pesadelo em busca de concretização.

O melhor vem a seguir, já que, o Sr. Aníbal, em trabalhos de agonia, vai dar posse ao que para aí vier, e portanto convém que lhe concedamos o pior cenário possível: ou empossar a prova do fracasso das suas expectativas, e a cor é tição monhé, ou os seus delfins, na forma de maiorias à justinha. O ideal, mesmo era conjugar isto tudo, e ser tudo à justinha, e, o mais possível, em desacordo com o esperado pelo Vacão de Boliqueime. Não me apetecem previsões: dentro de um mês se verá.

Estando o texto a chegar ao fim, é justo que regressemos ao bunker do início. Na sua ingénua imprudência, os jornalistas falam de "uma construção recente", o que aponta para um fechar de olhos do Plano Diretor Municipal, e um certíssimo luvear do Plano de Pormenor. Como não me apetece andar em pesquisas, fica tudo para eles: descubram quem era o Presidente da Câmara de Lisboa, quando aquela aberração foi clandestinamente (?) construída, no meio dos quintais, e quem seria o Ministro do Ordenamento do Território. Tentem lá saber até onde foi a indignação das velhas da zona, aquelas que passeiam, de combinação à vista, os cães de perna arqueada e olhos esbugalhados, que as lambem na hora da telenovela. E tentem também saber qual a composição da Junta de Freguesia do Alto do Pina, que fica mesmo na esquina do quarteirão da fortificaçãoo: há uma versão romântica que diz que, numa noite de tempestade, José Sócrates saltará os muros dos quintais, e fugirá por uma porta da sede da autarquia, para se refugiar no banco de trás de um Audi, onde a sua Câncio o levará para bem longe, para Varennes. Outra, mais prosaica, que o túnel se encontra já escavado, e o destino não será Varennes, mas um apartamento de cobertura, no Rio, comprado, mais uma vez, sabe-se lá com que dinheiros "emprestados".



(Quarteto do estes gajos são completamente, mas completamente, ceguinhos, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Entre Bárbaros e Breiviks, a Europa soçobra no seu pântano de indecência moral








Imagem do "Mirror", e dedicado a Aylan, aquela criança, cidadã do Mundo, que nunca acreditou que no Canadá seria grande




Creio que a grande expectativa deste miserável quintal será saber se esse denominado Conselho Português de Proteção Civil (CPCC) se demitirá sexta, será dissolvida no sábado, desaparecerá no domingo ou conseguirá arrastar-se até segunda. Qualquer outra hipótese é, obvia e presentemente, inegociável, mas aceitam-se apostas. Ser a Cauda da Europa não é estatuto menosprezável, e também tem as suas obrigações.

Nos últimos dias, como previsto, aquilo que, internacionalmente, já foi apelidado de "pornografia moral", invadiu as montras dos jornais e das televisões. Não há coisa pior, no mundo, do que o ócio de um jornalista. Como Goya dizia, o sono da razão produz monstros, e a intoxicação social, falha de dados, e incapaz de um juízo sintético, multiplicou-se em aberrações e anecdotes de consumo de primeira página. Do ponto de vista logístico, a explicação é fácil: uma reportagem de fundo, sobre a verdadeira causa deste flagelo, instalado em todas as margens do Mediterrâneo, saía caro, metia risco, e não podia ser feita nos écrans de gabinetes, a partir dos simples vómitos diários da Reuteurs e da France Press. Antes obrigava a vestir o capacete, calçar as botas, e partir para o terreno, e conhecer essa rede monstruosa, que está a desenraizar populações inteiras, para as transformar em nas novas armas de arremesso da Aldeia Global. Seria perigosa, e saía cara ao Balsemão.

Falha desta logística, o jornalismo caviar contenta-se com interpretar imagens, e tentar a contaminação do costume. Na terceira versão do recontar da história a coisa já entrou na náusea do senso comum, e nas conversas de transporte público, onde o cliente dos festivais de verão da NOS já conseguiu segregar uma versão própria do pensamento medíocre. Eu próprio, que me comovo sempre com estas interpretações do real, nascidas entre Fátima e o "Glorioso", finalmente recebi, pelas orelhas, um ovo de colombo da situação, já que um, daqueles das tatuagens e óculos escuros ray ban, tinha descoberto que isto, afinal, podia ser uma epifania para o problema demográfico da Europa.

A coisa não estava assinada Poiares Maduro, por que ainda ninguém se tinha lembrado de a galambizar, mas lá virá.

Eu sei que o cenário de guerra é sinistro. Aliás, esta, como estava anunciada, era a mais sinistra das guerras que iríamos presenciar, já que, enquanto é feito o frete de sermos bombardeados com imagens de crianças, mulheres, gente em massa, como nas grandes deportações da História, há um muro de silêncio sobre o que realmente está a acontecer nas muitas frentes de batalha, e muita coisa está a acontecer, alguma da qual estou inibido de revelar aqui, mas apenas acrescento que o desastre é absoluto. Uma saudação para os corpos especiais portugueses, que combatem esses cães, sem moral nem rosto, e para o tratamento que lhes dão, quando os apanham: pendurados de cabeça para baixo, e duas refeições ao dia, porrada ao almoço, e porrada ao jantar. Só se perdem as que caem no chão, mas isso não chega: devem estar agora muito encaralhados, os fazedores de opinião do costume, que passaram décadas a queixar-se da permanente intromissão americana nas frentes críticas, e, agora, bem precisavam dela. Pois, acontece, mas eu vou ser carinhoso, e dizer-lhes que, afinal, ela até está lá, só que numa forma porventura encapotada.

O obamismo, essa anestesia do Ocidente, que consistiu em eleger alguém cujo programa e objetivos não eram a América, mas tão só, entre sorrisos e palmadinhas nas costas, destruir a Europa, entreteve-se com as "primaveras" árabes, e depois deixou-as à solta, esquecido daquela velha máxima que diz que pensamento corânico e democracia são dois pólos inconciliáveis, numa longa marcha paralela, que a Europa tinha feito, em sentido inverso, para desgastar a sua longa praga fundamentalista cristã, e que parecia ter chegado a um patamar neutro, não fosse o reeclodir do Obscurantismo, pela mão nefasta do Reagan do Vaticano, Woytila, e seus piores seguidores, mas tudo isso seria uma outra história e outro texto, e mais não acrescento.

Basicamente, o ISIL e arredores, uma mistura explosiva de subúrbios decadentes do Ocidente, obamistas, neomaoistas, fundamentalistas, extremas de todos os extremos, gajas com falta de homem, mafias de todos os tráficos, e meros excessos populacionais, também descobriu o seu ovo de colombo, que mais não é do que ter encontrado a arma mais barata do Mundo, o míssil humano. O míssil humano é uma marca da indecência e do triunfo da trivialidade: auto replica-se, auto destrói-se e é reciclável. Goza da proteção de todas as religiões, e as suas muitas fábricas vivem ao abrigo do religioso "crescei e multiplicai-vos". Nunca os grandes traficantes de armas americanos e ingleses se lembrariam disto, mas o fim da Humanidade, incarnado pelo ISIL, lembrou-se, e a receita acabou por triunfar.

Para os fazedores de opinião, confundidos com a multiplicação as suas "boas imagens", capazes de desviar a opinião pública do verdadeiro problema, as fábricas de mísseis humanos, as suas plataformas de lançamento e as suas proteções de percurso, serve a cosmética do final do processo, onde a Europa é convertida no lugar de aterragem de longas rotas manipuladas à distância, e a sua cegueira local é equivalente a alguém que, por estar com uma septisemia, é enviado para uma estiticista, para lhe pintarem as unhas e taparem os hematomas das extremidades. Para quem se situe, obstinadamente, nos patamares racionais, incólume a estes estados de alma e ao opinar errático, histórias como as dos "migrantes" que passaram, de bicicleta, as fronteiras do Ártico, estão no limite do kafkiano e são a prova de que, algures, num algures que pode estar muito próximo de nós, alguém deve estar a gargalhar profundamente. Creio que este lado caricato das coisas será o retrato futuro do obamismo, se houver futuro e alguém para poder fazer tais retratos, por que o estado das coisas é pesado, doentio e insuportável.

Não convém que escreva mais. A solução das coisas passa pela tal decisão que é incómoda tomar: ou queremos intervir na causa das coisas, e a isso chama-se guerra, ou, mais friamente, neste caso, uma política de extermínio localizado dessas hordas que se situaram de fora da Humanidade. Sobre essa coisa, chamada ISIL, uma hidra multiforme, creio já tudo estar dito, e só faltar intervir, já que não há lugar para sobreviventes, posto não estarmos perante uma guerra, mas perante uma patologia que atingiu alguns focos geográficos, que antes se encontravam povados por humanos. Deveremos interiorizar que, por muito que isso nos custe, se deu ali uma suspensão da vida, e que aquelas coisas que estão a desestabilizar a própria conceção de Humanidade devem agora ser erradicadas do cenário. Parece que querem destruir Palmira, ou que, noutras interpretações, estão a destruir o património cultural para esconderem o tráfico local das peças móveis, que invadiram o eBay, como aquando Bush saqueou Bagdad. (O processo, como em tudo é engenhoso: uma vez comprada a peça, financiado o terrorismo internacional, extraviada no percurso, e coberta pelo seguro da rede de comércio eBay, cumpriu-se o ciclo, e pagamos, do sofá, o saque de Nimrod).

Nesses atos acabaram de definir o seu próprio destino: estas gentes que ignoraram a História devem ter o seu rasto rapidamente eliminado da mesma, e nada mais se advoga para esse ISIL e para a sua plataforma de lançamento de mísseis vivos com que ensaiaram destruir a Europa. Compete à Europa destruí-los antes, e a seguir banir todos os obamismos. Como finalmente saiu, na forma de verdade elementar da boca daquele jovem de treze anos, eles não querem vir para a Europa, querem apenas que deixem de alimentar a guerra na Síria, e quem diz a Síria, diz todos os focos de desestabilização do bem estar das sociedades. O pequeno Aylan creio que aspirava a menos: apenas sonhava brincar, como todas a crianças de três anos. O Obama não deixou.



(Quarteto justamente nihilista no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sábado, 29 de agosto de 2015

Entre Bárbaros e Breiviks, a Europa desmonta a sua velha Muralha da China (director cuts)







Há uma doutrina americana que diz poderem contornar-se as sondagens das Presidenciais, esquecer o próprio escrutínio, e meramente observar o comportamento dos estados onde quem ganha sempre sempre ganha depois a América toda. Há ainda quem prefira os modelos sofisticados de Estatística, que prevêem a monotonia dos resultados imprevisíveis. Nós cá somos mais modestos, e preferimos entregar as certezas dos nossos juízos às oscilações de certos estados de alma e a homeopatia das coisas próximas.

Para não parecer que estejamos a falar de coisas crípticas, passo já a explicar quais são os sensores da nossa casa, e qual tem sido a pista das pitonisas a que usualmente recorremos. Há quem lhe chame o Barómetro da Coca, mas eu vou ser ainda mais comedido e colocar a coisa em termos decentes, já que criamos uma transitividade entre a maior ou menos proximidade do fim de Pinto Balsemão e um acréscimo ou decréscimo das calamidades do Mundo, assim como, nos tempos em que António Borges gastava o dinheiro dos nossos impostos para adiar o seu fim inevitável, a destruição do bem estar dos portugueses estava diretamente indexada ao seu emagrecimento e ao acentuar do fundamentalismo económico. O segundo já marchou -- não faz cá falta nenhuma -- mas o primeiro, infinitamente mais majestoso, continua a ensaiar o nosso Götterdämmerung, bilderberg após bilderberg, sendo que está seguro que esta camada de criminosos mundiais assentou, ou adoraria que o fim da Humanidade se confundisse com a finitude da sua miséria. Assim como o aquecimento global, uma miserável fábula, na qual o Homem se confere o poder de poder unilateralmente alterar o próprio planeta, esta geração nefasta, geralmente neomaoista, e invariavelmente Bilderberg, adoraria protagonizar uma extinção em massa, coincidente com seu dia de finados, tal qual o extermínio do séquito dos marajás, na velha tradição do Rahajistão.

Não me perguntem qual a probabilidade real de tal ocorrência, por que, como em todo o método experimental, o período probatório ainda se encontra em marcha. É certo que temos sinais, mas também não devemos avançar com certezas. Se temos coisas decerto encerradas, como Borges ter falhado fazer coincidir o colapso de Portugal com a sua agonia, de modo algum já dispomos de dados que nos permitam dizer que a miserável morte de Balsemão não venha a sincronizar-se com um fim de mundo.

Eu sei que estas palavras são dolorosas e parecem sectaristas, mas, infelizmente, deixei de ter dúvidas, e acerto sempre no que de pior vier do lado do Errado.

Depois do prolegómeno, vamos aos "migrantes", esse eufemismo com que os órgãos de intoxicação social agora designam os objetos das redes de tráfico humano global, e às razões pelas quais insistem em que olhemos para a árvore, evitando, a todo o custo, que entrevejamos a floresta. Ora, na lógica dos órgãos intoxicadores, nós devemos evitar olhar para o fluxo, e mergulhar no pântano individual das suas pequenas histórias. Houve uma, recente, debitada algures -- procurem -- em que uma "refugiada" somali tinha dado à luz, já a bordo de um barco de salvação de uma outra nacionalidade, com a ajuda de um médico alemão -- o alemão vem mesmo a calhar aqui -- uma menina, de nome Sofia. E, cumprindo toda a retórica da mitologia de Barthes, ela tem 3,3 kg e "está bem"... Não sei se começaram a chorar só no fim da frase, eu, um coração dolente, já tinha as lágrimas bem nos olhos a meio deste período. Infelizmente, como a dureza dos tempos manda que sejamos pragmáticos, e mesmo tendo gostado muito da notícia, ainda achei que poderia ser melhorada: faltou a presença, a bordo, de um turista português, simpatizante do "Livre", e a menina não deveria ter sido menina, mas sim menino, para a mãe lhe poder chamar Cristiano -- para os nossos mais próximos, CR7 -- e ele imediatamente chorar, num grande plano de câmara, capaz de comover todo o retângulo português. Esta era uma história, porventura, nem a melhor, mas suficiente, como amostra, desta espécie de multiplicação shakespeariana dos enredos caseiros, a que as televisões, quando não estão no Futebol, se têm agora sistematicamente dedicado.

Por cá, já há portugueses prontos para receber os "refugiados", e cremos que sejam os mesmos que ajudaram aquelas centenas de milhar de compatriotas, que o colapso do espaço português viu recentemente emigar. Mais assertiva ainda, "Maria Adelaide" Poiares Maduro -- um continuado erro de casting a quem ninguém tem a coragem de apontar um dedo decisivo e definitivo -- também considera, e parafraseio, que os refugiados podem ser uma mais valia para o desenvolvimento do país. Não sei a que país se está a referir, mas hipoteticamente é o mesmo que empurrou a sua geração mais qualificada lá para fora, certamente já a prever -- estes gajos são sempre de visão de longo alcance -- que nos íamos agora tornar num lugar privilegiado de acolhimento das redes de tráfico humano.

Quando deixamos a Cauda da Europa e marchamos na direção da cauda do Mundo em que se tornou a Europa, o discurso assenta na mesma identidade, e, aqui, começamos a recear que as teorias da conspiração tenham mesmo razão, já que a probabilidade de toda a gente, ao mesmo tempo, começar a dizer, sem concertação, que fechemos os olhos, é nula, ou corresponde a um estado delirante de toda a contemporaneidade.

O discurso pode parecer impiedoso, mas não é, é um discurso preventivo, de alerta, enfim, como se pudesse haver alerta numa coisa que já foi longe demais, e aponta para a necessidade imediata de tratar os bois pelos nomes. Na verdade, na lógica imprópria com que estas notícias são fabricadas, essa "coisa" em que tornaram as vítimas das redes de tráfico humano surge, como Atena da fenda do crâneo de Zeus, do nada, e vai imediatamente a caminho de Londres e da Escandinávia. Acontece que a história está muito mal contada, quer a montante, quer a jusante, e passo a explicar: o primeiro reparo, o que só agora estamos a assistir à fase tardia de um processo, logística e estrategicamente, muito bem pensado, cujas origens só, de aqui a algum tempo, poderemos descortinar. O anestesiar das opiniões públicas, poderá, eventualmente, ter coincidido com outras realidade sonegadas, e outros fantasmas cultivados, o mito do Boko Haram, o "Estado Islâmico", uma criação dos suburbanos europeus, e os invernos, perdão, "primaveras" árabes. Embora isto seja matéria para os historiadores, fica aqui o cheirinho de algumas pistas. Na verdade, como nos piores dias do desastre humano, temos narrativas de vagas de desalojados, desenraizados, traficados, seguidores de sonhos, facínoras e outras castas, misturadas com casos de aliciamento, de oportunismo ou de pura aventura. Noutro, seres humanos, fechados em tendas, a tirar selfies, em longas conversas de telemóvel, ou a clamar por avidez de "civilização" (?) Embora esta maré possa ter parecido originar-se nos referidos focos, a sua origem é agora irrelevante; importa, antes, pensar em quem lhes deu pernas para andar, e à medida que se colocam tais questões mais as respostas se nos afiguram sinistras.

Curiosamente, neste concertado processo de desfocagem da realidade, pode compreender-se que haja uns malandros que colocaram nas margens do Mediterrâneo embarcações precárias, a caminho das fronteiras do Ocidente, mas evita-se questionar como chegaram, até aí, essas caravanas longínquas, e, mais grave do que tudo, como lhes facultaram caminho até todas as Calais deste Continente... Creio que, com isto, ficaríamos falados, mas a verdade vai mais longe, já que, contrariamente a muitos de nós, europeus, que desconhecemos as circunstâncias locais de muitos destes paraísos artificiais, os reiterados testemunhos com, que incrédulos, somos bombardeados, mostram, muito mais do que a estatística poderia deixar entregue ao acaso, casos de minucioso conhecimento das cláusulas de acolhimento das seguranças sociais nórdicas, das regras alemãs, ou dos estatutos holandeses, e é isto que é grave, já que mostra, por detrás deste terrorismo mediático e insidioso, massas profundamente industriadas sobre o que querem, onde querem e, independentemente dos percursos, chegar. 

Os cabecilhas destas gentes estudaram a fundo as fraquezas estruturais da Europa, as suas regras de jogo e as ofertas mais vantajosas, e fizeram avançar, em turbilhão, mísseis humanos, capazes de provocar mais estragos do que qualquer atentado bombista.

Decerto não será por acaso que estas redes criminosas colocaram à frente da Grande Marcha as eternas parideiras dos excessos populacionais da África e da Ásia, pois já lhes consta que as legislações de benevolência e concessão com que, durante décadas, nos deixamos enfraquecer e tornar permeáveis, concedem, automaticamente, que criança nascida em determinadas fronteiras seja considerada sua cidadã. Se forem gémeos, nesta lógica, tanto melhor, e lá haverá um médico alemão para as ajudar a dar à luz, uma chamada Sofia, a outra Irene, e ele, Cristiano, suecos de carapinha. Desculpem, mas esqueci-me de que ela já vinha prenhe de três.

Com evidência que este conhecimento só se adquire em duas circunstâncias: ou é fornecido por traidores com sede nos países invadidos, ou deriva das longas operações em que a Europa, no laxismo das suas universidades, formou os estrangeiros, passando-lhes toda a informação cifrada necessária para a sua futura invasão. Nunca nos esqueçamos de que Khomeini, um dos flagelos do séc. XX, foi um subproduto do prolongado vómito francês. Depois disso, todos os cabecilhas deste desastre estão muito mais bem informados do que o comum cidadão intraeuropeu, permanentemente anestesiado com futebol e jogos informáticos, sendo certo que, como em toda a arte da guerra, ganha o que no momento detiver a melhor informação.

Não voltaremos a falar das respostas primárias a que este estado de coisas poderá conduzir os tecidos profundos das nossas sociedades. A completa subversão dos estatutos, através dos jogos de palavras, já provocou as suas maiores vítimas, os equivocados, e os verdadeiros casos de desastre humano que diariamente se afundam nesta dinâmica impiedosa. Incapazes de transmitir a realidade, os transmissores da intoxicação social, na velha escola de Balsemão, continuam a fabricar as suas pequenas histórias, e poderia ser interessante um movimento que convidasse cada jornalista acompanhante da invasão a receber em sua casa, pelo menos, um "refugiado", ou, melhor, um "refugiado" uma mulher e um filho.

Sei que poderia acabar aqui esta breve, que já vai longa, mas apetece-me ir ainda mais longe no cinismo. Curiosamente, na lógica bildebergiana, em que os piores acabarão por ascender mais alto, até poderíamos elidir esta miserável deriva humana, e limitá-los ao mero papel de figurantes do povoamento das televisões ajoelhadas. No fundo, brevemente os tocará, a todos, ou a muitos, a inevitável desgraça do extermínio, uma das regras do paradigma dos Senhores do Mundo, para quem a Orbe ora soçobra nos seus excessos populacionais. É verdade que estamos num tempo de eleições, entre as quais aquela em que compete substituir a testa das Nações Unidas. Curiosamente -- e voltamos do universalmente global para o carinhosamente local -- muito se falou de Guterres, e Guterres, como que por coincidência, é o Alto Comissário para os Refugiados. Como estaria a ONU, se presidida por um homem que no pior dos momentos, falhou em todas as suas funções?... Eu sei que estão, com a cabeça, a concordar, e até eu, curiosamente, também, não me tivesse lembrado, e voltamos à lógica do nosso quintal, de que o candidato de Balsemão não é Guterres, mas um dos maiores escroques que este Continente produziu, José Manuel Durão Barroso. Para ele, líder dos "palhaços" europeus, e, em Bilderberg, substituto, por razões de saúde, do seu mestre Balsemão, quanto mais "refugiados" e "migrantes" morrerem, melhor para a sua candidatura. Deitará a cabeça no joelho do seu instrutor, e, carinhosamente, pedir-lhe-á que não se apague, antes da sua eleição. Um verdadeiro amor.



(Quarteto da desolação absoluta, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A Europa, entre Bárbaros e Breiviks, desmonta a sua velha Muralha da China







Quando a Europa voltar de férias, estará em guerra. Minto: a Europa, quando partiu para férias, já estava realmente em guerra, e impotente para verbalizar tal problema de todos nós.

Resumidamente, enquanto o continente dormia, alguém o pôs na ratoeira do cão que morde a própria cauda, ao mesmo tempo que poderosas máquinas de invasão nos bombardeavam diariamente com infindáveis mísseis humanos.

Na ótica da Física, o cenário pode explicar-se pelo próprio princípio dos vasos comunicantes, e, linguisticamente, por uma certa osmose e baralhar das etiquetas. O resultado foi uma verdadeira miopia genérica, que irremediavelmente nos ofuscou a Realidade.

Por um lado, as décadas de suburbanização acabaram por substituir todo o padrão metropolitano pelo pensamento da gaiola económica, entre o guarda roupa da tribo e as insuficiências culturais, até ao eclodir das piores anomalias sociais. Cansados de repressão e da impossibilidade de imporem a sua lei da selva nos HLM de Paris, nos devolutos de Bruxelas e nas florestas pós industriais de Birmingham, todos os excedentes populacionais da Europa foram pastar o seu flagelo, na forma da mulher submissa e velada, nas penas de talião, no Fim da História, atolado nas pulsões do Presente, mais ISIS menos ISIL, e a anarquia do Esquecimento constituiu-se na única cartilha dos novos bárbaros, enfiados nas mais recônditas aridezes da Síria e do Iraque, 

Com uma Civilização minada pelos fracos poderes, dos quais Obama se constituiu na epígrafe histórica mais medonha, instaurou-se a impotência, e, depois da impotência, chegou agora a vez do Caos presente.

Se este é o retrato, a montante, da comunicação dos vasos, o seu refluxo na direção da Europa é muito mais assustador. Na verdade, quando Odisseu construiu o cavalo encarregado de minar Tróia, mais não estava do que a abrir a boceta de pandora de todas as mimeses e metáforas futuras do nosso próprio fim. Sistemática e estrategicamente, todos os cavalos de tróia do presente estão agora a ser enfiados por todas as frestas do pensamento, numa confusão de impotência de valores e maré de invasão. A insidiosa substituição da Realidade por sucessivas narrativas da complacência cumpriu todos os quadros do politicamente correto, e as minudências da quotidianização da História tomaram de assalto os canais da comunicação global. Agora, é só uma mera questão de tempo para que todos os invasores se convertam em histórias personalizadas de pietás com os filhos chorosos ao colo, perante nós, irremediáveis culpados de todos os males do Mundo.

A Europa descarregou os seus excedentes nos desertos, e o Mundo vingou-se, e vomitou-nos os excessos dele por cá.

O Império acabou assim, como todas as civilizações, que não perceberam que a complacência e a impassividade não eram compatíveis com a ideia da integridade cultural, acabaram por ser submersas pelas marés do Estranho. Seria interessante ver Roma a acolher de braços abertos os Hunos, e a levar ao colo a mulher e filhos de Átila, entre choros e pedidos de desculpas, por que é essa miserável imagem a que hoje assistimos.

Numa análise mais assertiva, enquanto os estertores do politicamente correto se deslocaram do senso comum para os construtores de narrativas da comunicação social, também, pelo mesmo princípio dos vasos comunicantes, se assistiu a uma transferência das reticências dos pensamentos radicais para o senso comum das populações. Curiosamente, quando Breivik fez a sua Matança Norueguesa, a preocupação maior foi sobre o seu distúrbio psíquico. Hoje, fica por saber até que ponto esta cruel explosão a montante não era mais do que premonitória, e, quando tivermos a resposta, vai-nos assustar muito estarmos porta sim, porta sim, com bárbaros e breiviks, o que, no fundo, conduz ao mesmo. Se há um silêncio ditado pela paralisia, toda a gente sabe que a História não é complacente com estes momentos de suspensão. O novo rosto do Terrorismo são estas ondas de "refugiados", que estão a trazer fortunas a quem os empurra. Brevemente, num tempo próximo, num lugar qualquer, este incrédulo passeio pelas televisões acabará numa chacina, e alguém finalmente perceberá o desastre a que nos deixamos, silenciosamente, conduzir. Não terá qualquer graça, nem futuro.



(Quarteto do impossível e do inacreditável, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

terça-feira, 14 de julho de 2015

O Tratado grego de Versailles, sob a astrologia judiciária do Signo de Câncer





Imagem do Kaos



Julho de 2015 vai entrar para a História por várias efemérides, e comecemos já pelas privadas, já que são as que não passam na televisão, e são muito mais interessantes do que uma televisão centrada em branquear capitais, com o nome de Casillas.

Julho é, no Calendário Gregoriano, o segundo dos cinco meses em que Laura "Bouche" se desloca do seu Belvedère da Gulbenkian para o Petit Trianon da Quinta do Lobo. Escusado será dizer que este ano, com o outro na Cela 44 e o amigo empulseirado eletronicamente em casa, falar de "Lobo", no ALLgarve é de arrepiar, mas Laura já não se arrepia com nada, posto ter visto todos os formatos do Mundo, e prefere dedicar-se, quando não está a escrever as memórias dos seus quinze minutinhos de viuvez de Umberto d'Italia, com os seus longos meses de casamento platónico com o Tó Champalimaud, que deus tenha, à Astrologia Judiciária, ciência ávida e hábil desde sempre. Para a saison 2015, lançou uma espécie de Relatividade Local, em que afirma que todos os nascidos no Signo do Câncer ou passaram a vida a arruinar a vida dos outros, ou a conseguir destruir a sua própria. A lista é longa e merece meditação, já que inclui Angela Merkel, Aníbal Cavaco Silva, D. Manuel Clemente, D. Miguel, Pinto Balsemão, Ricardo Salgado, Arménio Carlos, Joe Berardo, Teresa Guilherme, Mexia (tanto o filho da puta da EDP, como o Nuno Mexia, que são primos), Henrique Granadeiro, Celeste Cardona, Pedro Santana Lopes, Miguel Sousa Tavares, António Costa, Jorge Coelho, Álvaro Barreto, José Pedro Aguiar-Branco, João de Deus Pinheiro, Vítor Bento, Américo Amorim, Paulo Macedo, Manuel, de dia, Maria, de noite, Carrilho, António Mota, Eloísa Apolónia, Teresa Patrício Gouveia, Freitas do Amaral, Sá Carneiro, os  brochistas Abel Dias e George Michael, o drogado Michael Phelps, o cientologista Tom Cruise, o impotente Sylvester Stalone, Olga Cardoso, Armani, Augustus e Henrique VIII, a Égua Parker-Bowles, mais a gaja que encornou, a Lady Di, e o respetivo filho, entre tantos outros. Depois, há os que falsificaram a data de nascimento, puxando para trás, como o Quim Barreiros, ou como a Amália Rodrigues, para (ainda) poder nascer no tempo de vender a ginja, quando, na verdade, também era uma carangueja panteónica, ou Passos Coelho, que, para disfarçar, escolheu nascer já em 24 de julho, o Miguel Escreves um Nojo, de 25, ou o Tsipras, ainda mais manhoso, que se empurrou todinho para 28 de julho, como a Maria de Belém Roseira, ou mais para a frente, como o traste do Rui Rio, ou a Ana Malhoa, a Né Ladeiras e o Melancia, que já são, por mimese, de agosto. Escusado será dizer que os grandes ditadores, como Mussolini, ainda disfarçaram um dia mais, para 29 de julho, enquanto os outros cabrões, como Salazar, Hitler, Ricardo Araújo Pereira, Carlota Joaquina, Robespierre, Paulo Pedroso e Woytila, ainda mais camaleónicos, se enfiaram no Touro, ou no Escorpião, como Estaline, Saramago, Asco Falido Poluente, Miguel Cadilhe, Duarte Lima e (quase) Pinochet. Na verdade, e para passar a uma teoria generalizada, Laura concluiu que os que não eram assumidamente Câncer se tinham mimetizado com todos os outros Signos do Zodíaco, o que torna todo o ano, e para todo o sempre, suspeito, já que eles, como o outro dizia, estão por toda a parte. Esta é a Teoria do Todo, e creio que será medalhada vagalmente, no próximo 10 de junho, pelo alarve que sucederá a Aníbal de Boliqueime, e que ainda se desconhece quem seja, excetuada a certeza de não ser Sampaio da Nódoa.

O Caranguejo, de que talvez seja o exemplo mais célebre o cancro da Democracia Portuguesa, Aníbal de Boliqueime, nunca anda para a frente, anda sempre para o lado e para trás, e, quando parece que está a andar para a frente, é para, logo a seguir, recuar duas vezes. Se lhe juntarmos o Balsemão, o Durão Barroso (um dos camaleões de outros signos), o Ricardo Salgado, o Granadeiro, o Mexia, o Américo Amorim, a Celeste Cardona ou o Álvaro Barreto temos uma história breve da destruição económico financeira de Portugal.

A verdade é que enquanto Laura escrevia a sua teoria, completamente nua, desnuda, pelada, à poil e stark naked, nas dunas dos vales e quintas dos lobos, a realidade continuava a passar, na forma de brasileiras aputalhadas, que vão passear os seus caniches pelo areal, os pincher e os chihuahua, as raças verdadeiramente perigosas de cães de Portugal, já que são elas que mais rastejam e poluem as praias. Com a sorte de Laura, o chihuahua foi mordê-la nas mãos, e fez sangue, o que levou a que insultasse as brasileiras do pior que havia, e elas a fazerem-se de desentendidas. Com o tarifário MEO de 1 cêntimo, imediatamente chamou a GNR (parece que dos bons) e, em vez de resolverem o caso, pediram a identificação às putas, para se certificarem de que o eram, de fa(c)to, e como não a tinham, lá se entenderam, por que descobriram que eram todas amigas da "Vanessa" (!), uma que já devia ser conhecida por fazer turnos da noite com a guarda inteira. Sendo que não havia efetivos, e a jurisdição da duna era da PSP (!), aconselharam Laura a ir à esquadra, enquanto acompanhavam o trio de putas a casa, para se certificarem da residência, e não só. Laura foi recusada na esquadra, já que a duna é, realmente, da GNR, e por lá havia uma montanha de queixas do empurra-empurra PSP-GNR, incluindo cães perigosos e putas brasileiras, especializadas em aviarem africanos (vistos gold, brasileira que se preze não toca em miniaturas de chineses...) da quinta e vale do lobo, sendo que acabou no Instituto de Medicina Legal, para se comprovar que não tinha pegado nenhuma doença ao cão, e não seria condenada a indemnizar, por acréscimo, a puta brasileira. Escusado será dizer que os nossos impostos pagaram esta cena toda.

Isto, obviamente, é Portugal, mas eu diria que antes Portugal, que nunca passou do registo do Solnado do que a Grécia, onde uma carangueja, Merkel, e o Schäuble, um perigoso Caranguejo disfarçado de Virgem, conseguiu uma proeza pirrónica com o Tsipras, e ainda agora a procissão ortodoxa vai no adro. O Grego entrou para falar de Dívida, e, no entretanto, alguém lhe explicou que, como já não há dinheiro, mas apenas prateleiras virtuais de números, era melhor não tentar falar de Realidade, e voltar para a Fantasia, já que tentar tornar palpável o inefável podia ser uma calamidade para ambos os lados, no fundo uma retoma da parábola da Ilha dos Cegos. Resumindo a coisa: do ponto de vista matemático, estivemos, durante uns meses, perante um umbigo hiperbólico, a "Vaga", da Teoria das Catástrofes, de Thom, com três parâmetros de desenvolvimento, à entrada, e apenas dois eixos de saída, como esperados, a Grécia e os Credores. Pelo meio, o referendo era topologicamente irrelevante, já que a morfogénese seria sempre independente, por cobordismo, desses acidentes. Para os menos apreciadores destes estranhos recantos da Matemática, podemos dar-lhes uma explicação mais mitológica: os novos Argonautas foram em busca do Tosão de Ouro, e acabaram por voltar para casa tão só com uma Medeia merkeliana, desmazelada, tronchuda e com as mãos sujas de infanticídio e do que mais ainda nós iremos ver.

Creio que a isto se chamou Europa, outrora democrática, doravante, neoliberal.




(Quarteto astrológico, claramente neofascista, no "Arrebenta-Sol", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers"

terça-feira, 9 de junho de 2015

Fátima, Futebol e Cristiano Ronaldo







Depois de Fátima, e com a sorte de o Fado já estar morto, tirando umas gajas que insistem em ganir, para arranjar uns cobres perdidos nos fundos do BES, do BPN e do BPP, vem a maior praga cultural do séc. XXI.

Evidentemente que estou a falar daquilo a que chamam "Futebol", como lhe poderiam chamar qualquer outra coisa. Na gíria técnica, jurídica, o nome correto é "branqueamento de capitais", ou "lavagem de dinheiro", sendo que esse branqueamento é apenas a epiderme de vários estratos dérmicos, cuja complexidade, por que o fenómeno apenas me interessa colateralmente, enquanto vertigem do nosso colapso civilizacional, desconheço na sua profundidade. Para ser ainda mais preciso, creio que os próprios envolvidos também já não estarão na posse completa das suas ramificações, ou, como corolário da Idade Cibernética, as sinapses tornaram-se automáticas, infinitas e auto replicativas.

Tenho a sorte de, desde pequenino, ter sido afastado do fenómeno, resultado de educação aristocrática e nietzschiana, muitas vezes resumida num imperativo, "não olhes, e sobretudo não toques". Nunca olhei, nem toquei, no Futebol, até o flagelo ter atingido uma tal enormidade que começou a colidir com a minha higiene quotidiana. Eu explico: é culturalmente inaceitável que, com o dinheiro dos meus impostos, eu ligue um plasma, para ser informado sobre o roteiro do Mundo e tenha de gramar, durante meias ou horas inteiras, com temas redundantes em redor de uma bola e uma quantidade de indivíduos de capacidades intelectuais limitadas, em estádio, bancada, ou poltrona de comentador, a impedirem-me de ter acesso à informação que pode ditar o meu conforto existencial imediato.

Eu sei que estariam a recomendar-me o clássico "zapping", mas o "zapping" torna-se inoperante, quanto os órgãos de intoxicação social criam um "cluster" e um verdadeiro "trust" que me impede de franquear a muralha de imbecilidade que é colocada à minha frente. Como diria o meu amigo Auretta, há muitas vezes mais felicidade em viajar para um canal remoto, do qual até desconhecemos a língua -- como uma televisão regional ucraniana ou chinesa -- do que estar a ser intoxicados com toda a poluição temática associada ao "Futebol".

A coisa é muito grave, e apenas faz lembrar os períodos radicais do Terror, na Revolução Francesa, em que os próprios dias da semana foram riscados das suas denominações tradicionais, para serem substituídos por neologismos republicanos, de barrete frígio, que hoje apenas interessam às gavetas da História. Passando à enumeração, na fase clássica, os epicentros da semana seriam a quarta e o domingo, passando a quarta a designar-se "derby" (ignoro completamente o sentido da palavra, mas aceito...) e o domingo, "final". Alicerçada a semana no derby e na final, teríamos o dia antes do derby, a antiga "terça", e o dia depois do "derby", a tradicional "quinta", ficando para o sábado a condição de "dia antes da final" e a designação de "day after", para a segunda. Se contar pelos dedos, está resolvida a questão de sábado, domingo, segunda, terça, quarta e quinta, apenas ficando em suspenso a sexta, o que se resolve rapidamente, já que tenho esse lado lógico e sucinto: "sexta" seria o dia antes da véspera da final, ou, recapitulando esta nova seman: dia antes da véspera da final, véspera da final, final, the day after, dia antes do derby, derby e dia depois do derby. As gordas  de bigode passariam a ir aviar robalos alimentados com farinha das vacas loucas nos mercados da final, e o day after, falho de pescado, ficaria para hamburgueres caseiros e esparguete, que esticados, duravam três dias, até à tesão do derby e a consequente porrada do marido. (Aqui fica a sugestão, de alguém que sente profundo asco pelo Futebol, mas gostaria de ver o seu nome, modéstia à parte, por que sou modesto, associado a um renomear dos dias da semana). Podem pôr o assunto à votação, que estou numa fase muito "cool", em que aceito tudo, desde que isso torne o maralhal feliz.

Os verdadeiros problemas desta coisa, e agora vou pôr a pose de estado à Roland Barthes, é que a merda do "Futebol" está a contaminar a sociedade de alto a baixo. Do ponto de vista geracional, o que seriam fenómenos colaterais, tornaram-se fonte de preocupação e de devir ainda mais gravoso. Nunca coisas que outrora seriam consideradas utilitárias, ou antros de periferia, se tornaram tão grande fonte de negócio, como os cabeleireiros e as inenarráveis casas de tatuagens. Levei algum tempo a perceber o problema, cujo foco pensei fosse a grangrena Teresa Guilherme, que gosta de os  ter preparados, de certa forma, e para consumo próprio, na zona típica dos 19/22 anos, até que a Laura "Bouche", com a sua infinita sapiência, e perante a minha curiosidade em ver tantas pernas mal feitas, de calções e obsessivamente depiladas, me disse "mas isso são eles todos a imitar a traveca!...", ao que eu tive de perguntar, "qual traveca?..." E ele: "parece que és parvo, a Ronalda, desde que a Ronalda depilou as pernas que todos os anormais dos subúrbios passaram a depilar também".

Excelente seria que a história terminasse aqui, mas a incerteza sexual heisenbergiana de Cristiano Ronaldo propaga-se, como um tsunami, sobre multidões de atrasados, que continuam a confundir sexo com procriação, e veem -- como diria a "Laura" -- um "macho", e o macho padrão, na... "traveca"... Os padrões sexuais e as suas sequelas são consabidos, e tornaram-se, de facto, num flagelo português contemporâneo.

Sei que falar de Teresa Guilherme e Ronalda a Barthes seria um pouco demais, já que, para lá do seu radicalismo e eficácia analítica, sempre subjazia um elevado classicismo, completamente incompatível com este fenómeno das barracas, típico da simbiose entre o CR7 e a Ninfo, que é descontroladamente barroco. Descontroladamente, ou não, ele tomou posse do imaginário dos corpos, e isto, sociológica e geracionalmente, é um cataclismo, pelas razões mais diversas, já que impôs um padrão monocórdico, a que teríamos de acrescentar o reflexo retardado das barbas, que já passaram de moda nas zonas civilizadas, mas aqui ainda continuam a recordar que as franjas da Linha de Sintra foram, e são, um dos principais focos de recrutamentos dos criminosos do ISIS/ISIL

Tudo isto junto já seria catastrófico, mas há sempre um patamar ainda inferior, já que o fenómeno da pernita raquítica rapada e do calçãozinho, remete para mais uma das intromissões do pensamento-ovário na esfera do Masculino, fazendo com que os rapazes, até cada vez mais tarde, deixem de ser encarados como jovens machos, e, através de uma desvirilização subliminar e compulsiva, continuem a ser os meninos das suas mamãs, com toda a náusea que isto possa provocar, se pensarmos nas sequelas do pensamento-cona da "mulher cougar" que assim finalmente reuniu os traumas da pulsão maternidade aos imperativos da pulsão da foda. Isto daria muito que escrever, e  por aqui fico, com a promessa de desenvolver, avassaladoramente, num outro dia.

Voltemos, pois, ao "Futebol", e lá me perdoarão, mas vou escrever mesmo Futebol, evitando as aspas, para poupar os dedos e o teclado. Creio que, para os incautos, nos quais não me incluo, o que recentemente aconteceu com a FIFA, mundialmente considerada um antro de criminosos, finalmente revelou o que todos o incautos já sabiam, que a FIFA era, mesmo, um antro de criminosos. Não por acaso, o pontapé de arranque veio da América, onde a modalidade não é central nas atividades sociais, e a corajosa Loretta Lynch afirmou que aquilo "era só o começo", e é só o começo, já que, como atrás disse, o branqueamento de capitais é só a epiderme do assunto, já que a fonte dos capitais a branquear não é una, nem indivisível, mas múltipla e polifónica. Não quereria ser repetitivo, mas por ali passa tudo, desde o tráfico da droga, dos corpos, das armas, da prostituição, das redes pedófilas (esta é para ti, Pinto da Costa...), do urânio, do plutónio e dos jogos de influência das diferentes sociedades secretas que minaram a Nova Ordem Mundial. Como em Roma, os objetos foram recolhidos na ralé, tatuados, com os corpos submetidos a técnicas de transformismo, e o ciclo imediatamente fechado, com os oligofrénicos em campo, em redor de uma encenação, que já não são combates de gladiadores, mas andarem a correr atrás de uma bola, coisa que os mamíferos, com a dinâmica assente no cerebelo, já faziam, há milhões de anos, desde os canídeos aos felinos. Mais não se fez do que darwinar a coisa, e estendê-la até Mem Martins, Amadora, Loures e Montijo, ou nos pólos ainda mais abaixo, de província, como Gondomar, Gaia ou Valongo.

Já um dia analisei o caráter epifânico da coisa, e, sobretudo, o seu poder de despoletarização dos potenciais conflitos sociais: por um lado, subverte, para sempre, a dialética marxista, já que separa os que dominaram dos dominados, antes impondo uma espécie de eucaristia e possibilidade de iluminação, traduzida na fórmula simples: se o CR7 veio das barracas e se transformou, ou foi transformado, no topo da base em que se tornou, por que é que eu, seu vizinho, neste enorme subúrbio mental em que transformaram a cultura urbana, não poderei ter a mesma sorte do que ele. Para os marxistas, nos quais não me incluo, o rumo da História, determinístico, passa, assim, com o empurrão das guilhermes, dos mourinhos, do "Trio de Ataque" e sucatas afins, a tornar-se num fenómeno estocástico do "pode também acontecer-me a mim".

Culturalmente, como podem imaginar, isto é um cataclismo histórico, só comparável com a estagnação trazida ao Mundo Árabe pela prevalência do imobilismo sunita sobre o ativismo xiita, cujos horrores e sequelas diariamente contemplamos, e que igualmente nos estão a gangrenar a Civilização.

O resto são trocos, já que o jogo se faz agora a céu aberto: um anormal, Jesus, que mostra que o dinheiro não tem cheiro, e que um qualquer anormal pode alcançar um qualquer valor; despedimentos "com justa causa", para que o dinheiro sujo de Angola e da Guiné Equatorial circule em Alvalade; a analfabeta Dolores Aveiro, que traz malas de dinheiro de Madrid, como o João Perna trazia e levava para Paris; que Bilderberg até no Futebol impera, com o seu omnipresente Emir do Qatar; que o narcisismo da barraca substituiu os paradigmas herdados de Fídias e Praxíteles, e que o Futebol é o mesmo campo de explosão que fez com que meia Constantinopla fosse destruída, durante a revolução de Nike. Assim como o fez no séc. VI, o poderá fazer no séc. XXI, e é tudo uma questão de tempo e oportunidade. Creio que há muita gente que se interrogava sobre como seria o Final dos Tempos: creio que os dias da contemporaneidade lhes vieram facilitar essa natural curiosidade.



(Quarteto do ataque, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")