terça-feira, 15 de abril de 2008

Breve nota sobre o Dia "D"


Sou pouco de militâncias, e geralmente deixo andar as carruagens até àquele ponto em que dou os meus célebres coices de caixão à cova.
A palavra "Sindicato" faz-me sempre lembrar a República de Weimar, e a Rosa Luxemburgo, e mulheres a preto e branco, com saias até aos pés, e uns gajos feitos em sangue na rua. Não se ouvem tiros, porque o cinema é mudo.
Desde então, o filme variou muito.
Acho Lurdes Rodrigues execrável, e duvido de que seja um ser humano, tal como eu entendo "ser humano": ela não passa de uma espécie de desenho animado maligno, e negativo, que, se tivesse qualquer ponta de sentimento, ao ver 100 000 gajos, na rua, a cantar o Hino Nacional, teria imediatamente dito, "demito-me, não porque abdique das minhas ideias, mas porque senti que a massa profissional a que as queria aplicar não as suporta, ou as rejeita. Outro que venha, e continue o meu trabalho, ou negoceie aquilo de que eu, por convicção, não posso abdicar".
Teria sido a sua derradeira hipótese de ter saído deste inferno de cabeça erguida, mas esses são os códigos do meu mundo, que, evidentemente, nada tem em comum com essa... criatura, nem com os seus sequazes. Para quem, nessa mesma noite, viu aquela cabeça de viuvinha, com uma fenda no lugar da boca, impávida, como se o Mundo se não tivesse desfeito numa só tarde, percebeu que não estava a lidar com ninguém no seu perfeito juízo: tínhamos, perante nós, uma tarada, e quem negoceia com taradas coloca-se exactamente ao mesmo nível.
Este meu juízo é quase alheio a lutas de docentes: é um figurino para quaisquer duelos sociais. Há pessoas que recusamos, e recusámos, de tal forma, que não é possível continuar a alimentar-lhes quaisquer esperanças de continuidade. Não são muitas, são raras, e Lurdes Rodrigues, como Sócrates, o Vigarista dos diplomas comprados, acabaram por se ter tornado em infelicíssimos exemplos disso.
Recorrendo à História recente, e menos recente, gente com esta catadura não teria resistido muito, nem, debaixo do sombrio consulado de outro ser insuportável, mas que já os teria posto na rua, perante tal pressão social, e falo de Cavaco, figura que execro, quer hoje, em que está velho, quer enquanto Primeiro-Ministro. De Salazar, já nem falaremos, porque há muitos os teria chamado para uma conversa privada, e dito "os senhores não reúnem as condições para poder continuar..."
Portanto, no meu sistema de valores, Lurdes Rodrigues, Valter Lemos e José Sócrates já há muito são meros cadáveres, que aflitivamente persistem em deambular pelos monitores de televisão.
Os Sindicatos desse sector, em contrapartida, mole heterogénea -- e como a Sinistra Ministra muito bem entreviu, em muitos casos, incapaz de cumprir as suas funções docentes, portanto, refugiada em pseudo-poleiros de contestação -- mostrou agora o que já toda a gente sabia: têm preço, e são capazes de se casar por conveniência, e casaram-se com a pior noiva do Mundo, e até vão passar a dar ração ao seu caniche Valter.
Estava a lembrar-me de 100 000 pessoas, por acaso da fina flor das habilitações académicas deste ajuntamento de gente, que ainda persiste em ter o nome de "País", a cantarem o Hino Nacional. Estavam, em coro, a dizer o que, qualquer ouvido decente, numa nação decente, de um tempo decente, imediatamente deveria ter compreendido: há cabeças para rolar, e vamos fazê-las rolar, antes de que a coisa expluda. Nesse dia, num óptica técnica, Valter Lemos e Lurdes Rodrigues faleceram politicamente.
Quanto aos Sindicatos casaram-se agora e casaram-se bem: casaram-se, para defender os seus interesses, não os das classes que pretendiam defender. 100 000 pessoas é muita gente, que não saiu à rua para agora ser hoje açaimada por um bando de gajos com tão pouco pudor como a Senhora com quem acabaram de contrair matrimónio.
A minha proposta para o Dia "D" é, pois, elementar: 100 000 -- tal é o estado de decomposição do Estado -- não foram suficientes para erradicar o Cancro da Educação, pois, então, vamos começar por erradicar outros cancros, que talvez tenham muito a ver com o mal-estar e a má fama de certas classes deste país: amanhã, Dia "D", os docentes sindicalizados deveriam abandonar, em massa, as associações que alardeiam defendê-los, e agora se acasalaram com o Tumor. Se não foi a Ministra a cair primeiro, pois que antes caiam os Sindicatos, e depois vamos ver o que esse Poder apavorado e titubeante fará, sem Sindicatos, e com 100 000 vozes a cantar em uníssono, debaixo da janela, um épico guerreiro, chamado "A Portuguesa".
Boa noite.

(Edição simultânea em "A Sinistra Ministra", o "KL@NDESTINO" e "As Vicentinas de Braganza" )

3 comentários:

Watchdog disse...

Edicion Menáge à trois con photo de KAOS. :-)))

paula montez disse...

DIA D: Que os professores possam decidir em plena consciência!
http://escolapublica2.blogspot.com/2008/04/dia-d-que-os-professores-possam-decidir.html

Moriae disse...

http://sinistraministra.blogspot.com/2008/04/dia-d-que-os-professores-possam-decidir.html

Já agora ...