sábado, 29 de agosto de 2009

Na urna, com Ferreira Leite


Imagem do KAOS

Não sou ferreira leitista, e rejo-me pelos princípos totalmente opostos aos dela, exceto nalguns pormenores, eventualmente importantes, e que deixo para o fim deste texto; não faço parte do eleitorado PSD, exceto nalguns dias felizes, como quando foi da Carrilhada, e tive um dos maiores prazeres da minha vida em ir votar CONTRA a primeira gigantesca fraude, orquestrada pela Maçonaria, para colocar um dos seus à frente da Maior Aldeia de Portugal. Ainda estava eu a enfiar o voto na urna, e já lhe fazia a dedicatória mental: "este é CONTRA TI, contra aquela espécie de desentupidor com baton, com quem casaste, para tapar misérias, e a bem do Dinis, que não tem culpa dos azares da inseminação artificial..."
Como é sabido, a Carrilha ficou possessa, começou a disparar e a ameaçar em todas as direções, mas é feliz agora, nos braços da "racaille parisienne". Que volte de lá com um andar novo é o que de melhor lhe posso desejar.
A questão Ferreira Leite é muito complicada, porque radica num antiquíssimo contencioso que com ela tenho. Não se pode dizer que seja uma mulher apetecível, mas matou todos os gracejos sobre a aparência, quando respondeu à Judite de Sousa que já tinha ouvido reparos, e, mesmo assim não mudava. Concordámos plenamente, e disse, estás no teu direito, mulher, se queres parecer um arenque ressequido, o problema é teu, e ficámos amigos... bom, não diria tanto: ficámos observadores em estado de respeito, com a devida distância entre nós.
Quando Cavaco estava a destruir o País, fechando linhas de caminho de ferro, para abrir, em seu lugar, as célebres estradas assassinas, onde se poupavam cinco centímetros no revestimento de betume, e os ferreiras do amaral e quejandos empochavam os fundos investidos, o TGV já estava morto. Aliás, o TGV, já o escrevi algures, teve uma solução à Portuguesa, que foi ter morrido ainda na barriga da mãe: não foi feito quando devia, nos Anos 80; estava atrasado, nos 90, e em 2009 é motivo de risota e sinal dos tais típicos 50 anos de atraso europeu. Ferreira Leite tem razão em achar que não devemos arranjar mais um motivo para sermos chamados de "atrasados", embora eu considere o TGV um sinal de Civilização. Como nos faltam tantos outros, só será mais um, e adiante.
Cavaco Silva, a arrogância em pessoa, antes de estar afetado neurologicamente, correu com ela das Finanças, porque tinha permitido um "deficit" altíssimo. Duas coisas posso garantir nesse processo: não era ela que roubava, mas foi demitida pelo Cavaco, que também não roubava, mas deixava roubar. Era a época dos BCPs, das Reformas e Perdões Fiscais, de onde nasceu o cancro BPN. Cavaco, o Timoneiro, lá deixou o "quimboio" seguir, e chegámos onde estamos.
Sinceramente, não me lembro da restante sequência, porque o que eu queria era viagens e roupas caras, mas parece que a mulher fez uma incursão pela Educação, setor que Aníbal também achava que era uma curiosidade local. Aliás, desde o seu célebre doutoramento, numa daquelas cidadezitas de província inglesas, para o Português bastava a Quarta Classe das antigas, e assim ficámos até hoje, em que entrámos no paradigma dos Diplomas de Papelão, a começar pelo de Sócrates.
Para mim, observador das muitas injustiças da História, e apreciador mais de minúcias de caráter do que de porcarias espalhafatosas, ficou sempre no ar que havia uma Ferreira Leite a quem tinham armadilhado pequenos sonhos, e a quem a corja dos barões PSD tinha puxado o tapete, estendendo-o, em contrapartida, a um dos caráteres mais sinistros da área, Leonor Beleza, a quem o Inferno tem um lugarzinho muito especial guardado, para jogar, quando for altura, à bisca suada, com Kate McCann, João Paulo II e Irina Ceausescu. Quem perder, tem de mamar em Satã. Vão todos jogar para perder...
Na Era Cherne, que ganhou as eleições por engano, lá foram buscar a senhora, para, mais uma vez, vir dar a cara e queimar-se, a falar de Austeridade e Rigor: com o ar de bacalhau salgado que tem, era, claro, o rosto ideal, para dizer a um País delapidado, endividado até ao pescoço, governado pelos esquemas do Casa Pia e dos Apitos, e com a Opus Dei em marcação cerrada à Maçonaria, que "estava de tanga". Por acaso, já estava nu, mas foi o pudor que a impediu de falar assim.
Quando o Cherne fugiu para Bruxelas, deixando atrás de si um rasto de merda só comparável ao de Sócrates, pensei para mim, "é a altura ideal de darem protagonismo à Senhora, e a deixarem, por uma vez que seja, ver se as suas ideias de equilíbrio de contas versus modelo de desenvolvimento têm alguma viabilidade prática. Enganava-me: o PSD é um partido sexista, e o máximo de mulher que conhece são aquelas bichas esgalgadas, tipo Marcello Rebelo de Sousa, que mexem muito as mãos, falam uma oitava acima, e adoram rapazinhos rústicos, e lá passou a vez, mais uma vez, da Ferreira Leite. Dizem as más línguas que foi uma oportunidade de queimar o Santana, de novo deixando espaço ao "lobby" pedófilo para se reorganizar e ganhar pé. Era o tempo destes célebres telefonemas, razão pela qual, entre todas -- juntem-lhe o Zé, o estado de Xexé do Ribeiro Telles, e a sem vergonha da Roseta, em breve -- irão perceber por que irei votar, muito em breve, e com muito gosto, em Santana Lopes, para provocar o máximo de arrepios e de desordem no Sistema.
Cada qual vinga-se como pode, e eu adoro usar as urnas para isso.
Vai ser a minha Segunda Carrilhada, com o devido respeito por António Costa, que não é, apesar deste telefonema, um escroque amoral. Estava era, como muitos, a acreditar no Pai Natal...
Tudo isto para dizer que chegou a hora de Ferreira Leite, bisneta de outro Ferreira Leite, um dos últimos ministros importantes da Monarquia. Quanto ao programa eleitoral, do qual só ouvi uns solavancos, é minimalista: não inclui Fatos Armani, nenhum boneco de borracha, nem uma boneca insuflável e sem uso, chamada "Câncio". Fala de "rotura", e isso é fundamental para os Portugueses, para quem a ideia de quebra e de banimento radical da Nomenklatura de Sócrates, só por si, já é um programa de governo, e chega. Nós vivemos num país social e humanamente deprimido, onde a dignidade das pessoas e dos grupos foi tratada abaixo de cão, por um grupo com consciência pesadíssima, que foi capaz de fechar universidades, só para que não se apurassem fraudes académicas; que colocou tudo sob escuta, com uma das maiores autoridades em Internet como Secretário de Estado das Polícias, e tutela das Polícias nas mãos de um indivíduo de caráter duvidoso, chamado José Socrates; vivemos num país onde não há lei que regule as arbitrariedades de um grupo de Juízes, Conselheiros e Juristas, mafiosos, que se sentam no "Eleven", de José Miguel Júdice, para estudar as 1001 maneiras de defraudar a Lei e o Estado, e que esmagaram continuadamente os colegas e o Princípio da Paridade Perante a Lei, ou seja, a definição de Democracia, e nisso, Ferreira Leite propõe-se também "avaliar" juízes... Pode começar pelos reformados, que continuam a lotear os IPs lá de "chima" e a dar chorudas expropriações a uns e alguns centavos a outros: estão lá desde Salazar, sobreviveram a tudo, e gangrenaram este País, ao ponto de Paródia e Justiça se terem tornado sinónimos.
Bilderberg, na pessoa de Aguiar Branco, decidiu atalhar o caminho dos megaespetáculos, e enveredar pelas receitas caseiras. O que nos propõe, através de Ferreira Leite, é um arrozinho à malandro, feito com os restos da semana, e capaz de ser entendido por todos os martirizados lusitanos. Acabaram-se as megafraudes dos Tratados de Lisboa, e aberrações afins. Compreenderam que, mesmo apesar da sua Gripe (?) A, se arriscavam a ter multidões nas ruas, a pregar o Nihilismo. Essa gente é prudente, e sabe as forças das massas em fúria.
No caso dos Professores, pedra central e de visibilidade universal dos erros e estupidez deste bando de facínoras, Ferreira Leite percebeu que a cabeça de Lurdes Rodrigues, o ser mais desfigurado física e emocionalmente que já tutelou qualquer pasta em Portugal, lhe valeria centenas de milhar de votos. E vale. Os seus estrategas foram hábeis neste golpe de rins, e conheço muita gente, prestes a oscilar para o voto de protesto no Partido Comunista, que o irá agora consumar no partido da Senhora Austera. Acontece.
Corre, noutros setores, que dois anos, por exemplo, de um governo minoritário de Ferreira Leite não matarão ninguém. Basta que não se consiga qualquer Maioria Absoluta com dois partidos, mas se tornem sempre necessários três. Serão Maiorias Absolutas voláteis, e saudavelemente parlamentares. Poderão ter, na Assembleia da República, o suporte do PSD e o apoio surdo do CDS/PP e do PCP, contra a ira do PS, e, sobretudo, do Bloco de Esquerda, que não ainda não verão, desta vez, o Fernando Rosas (arghh...) na Cultura, nem a Ana Drago no Ambiente. Esta última, sobretudo, terá de continuar a treinar aquela boquinha de fazer broches a grilos. "Acancione-se" e alinhave-se.
Ajudar-nos-ão a crescer a amadurecer democraticamente.
Estão-me a perguntar onde é que me situo, neste cenário?...
É simples, gostei de lhe ter apanhado um sorriso, bem humano, de satisfação, ao ter ganho as Europeias, ao contrário de Sócrates, a quem só conheci 4 anos de esgares marcados pelo teleponto e pelas cotoveladas do perigosíssimo Santos Pereira. Este é, portanto, o texto de um não ferreira leitista, que a respeita pela verticalidade, e que não faz parte da base eleitoral PSD. Mais: costumo assistir de camarote, e com enorme tédio, a peças afins. Desta vez, comprei, para Setembro, um bilhete de peão de plateia, daqueles, no duro, mesmo de pé, o espetáculo inteiro, e espero que venha a ser interessante.
Uma única peça está prevista no programa: correr com Sócrates, para sempre, desta vergonha em que ele tornou o Cenário Político Português.

(Especulação psicossomática, no "Aventar", no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino", no "A Sinistra Ministra" e, obviamente, em "The Braganza Mothers")

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